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@leblancss

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
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Secrets of this stranger | @Sevenous
Não sabia dizer exatamente como, mas sabia que o outro sabia de sua presença ali. Sabia pela sutil – mas ainda notável – mudança de postura apresentada pelo outro, que indicava que este havia ouvido e se atentado ao predador em seu encalço. Ao mesmo tempo, não sabia explicar o motivo de sua mutação ter falhado miseravelmente, pela primeira vez desde que se podia lembrar. Era frustrante e ao mesmo tempo agravava a situação como um todo. Mas não fora por tal motivo que Arthur deixou de seguir o desconhecido por sua possível fuga forjada, agora mais movido pela curiosidade do que pela necessidade de conseguir dinheiro em si. Focava-se em manter-se silencioso e ainda invisível enquanto seguia o caminho escolhido ao acaso pelo homem, questionando-se mentalmente algumas vezes se aquela seria a melhor atitude a ser tomada, diante dos fatos. Prendia a respiração por várias vezes, liberando todo o ar em seguida o mais lentamente que conseguia enquanto embrenhava-se na vastidão de telhados em uma perseguição infundada. O mais lógico a se fazer era abandonar tudo aquilo e partir em busca de uma nova oportunidade, uma nova vitima com a qual suas chances seriam melhores. Entretanto, contra toda a lógica, Haworth não queria abandonar os passos que tomava e deixar sua curiosidade insaciada.
Seus pensamentos foram afastados com determinação ao que a voz alheia fez-se audível, apesar de num murmuro, e o auracinético mais uma vez encontrou-se completamente travado sobre as próprias pernas. Era a segunda vez que era surpreendido num intervalo curto demais de tempo para se deixar passar e a displicência não caia muito bem em si. Tencionou a linha do maxilar em apreensão, enquanto os olhos escuros observavam o outro se virar e apresentar-se para o nada, acendendo uma pequena chama de humor dentro do anormalmente inseguro Arthur. Havia sido ouvido, mas não visto. Uma vantagem inútil, mas ainda assim, era algo. Atentou-se ao outro por mais alguns breves instantes, colocando na balança as escolhas; Poderia ir embora, dificilmente seria localizado sobre os telhados por aquele que se mantinha no chão. Ou poderia enfrentar o desconforto e ainda tentar tirar algum proveito da situação e, de quebra, deixar intacto seu orgulho que, apesar de pouco trabalhado, ainda existia.
Engoliu em seco, deixando a insegurança e o receio de seus poderes apresentarem uma nova falha para trás, ignorando completamente o fato de que enfrentaria problemas sem seu único ataque e defesa. – Aqui em cima. – Disse, com simplicidade, enquanto afundava as mãos nos bolsos da puída jaqueta de couro e postava-se na beira de um dos telhados enquanto uma risada em desdém lhe escapava, ocultando seu real estado de espirito. Sabia que, apesar de estar vestido com cores tão escuras quanto a noite, a tez clara que se fazia visível chamava atenção suficiente contra o céu escuro e fazia com que ele se sentisse como um corvo jogado contra a neve, tomando as devidas proporções. – Sabe, talvez você devesse realmente saber de onde está sendo observado antes de se apresentar. – Concluiu, meneando a cabeça em negação e crispando os lábios em uma complementação ao ato.
O outrora perseguidor, agora tornara-se oponente. Henry sentia seus ossos queimarem com a raiva que borbulhava instantaneamente dentro de si, incontrolável. Antes que o estranho pudesse proferir sequer mais uma única palavra, a habilidade de LeBlanc pôs-se em prática instantaneamente. Tinha maestria quando se tratava em controlar seu poder; anos de prática haviam-no levado à um incrível nível de conhecimento. Envolveu seu corpo com energia cinética e sentiu-a dar um impulso para cima e cair em pé no telhado de forma violenta, a pouco mais de dois metros da figura ante si; os pés e joelhos queimarem com o impacto, a dor desvanecendo rapidamente, porém.
Os olhos em brasa encontraram a tez pálida e Sev sentiu, além do desprezo, um pontada de curiosidade. Por que exatamente aquele estranho o havia seguido até ali? Não sabia e talvez jamais fosse saber, visto que a ideia de despedaçar aquele corpo de pele pálida e cabelos claros atraía-o demasiadamente. O maxilar de Henry cerrou-se, numa expressão talvez de raiva talvez de concentração. Fez um gesto rápido de mãos, descrito em polegar para cima e indicador para frente, num mimetismo fajuto de arma. Atirou e uma das telhas ao lado do estranho explodiu. - Agora imagine que eu posso fazer isso com o telhado inteiro. - Murmurou, logo após assoprar a ponta do dedo como se assopra uma arma. - Agora imagine que também posso fazer isso com seu corpo. - Deu de ombros e deixou que um sorriso sinistro se formasse nas esquinas de seus lábios. - Ou apenas com um de seus olhos, e depois suas mãos, e depois seu cérebro. - Aproximou-se, então, do outro, dando passos vagarosos. Tinha plena noção de que a natureza daquele movimento era totalmente selvagem e inconsequente, porém a ideia de parar sequer havia-lhe ocorrido. Era ousado e irresponsável, disso podia-se tirar conclusão logo de cara, porém, mais importante de tudo, também era orgulhoso. E aquele ante si havia ferido a coisa a qual mais se apegava.
Quando a proximidade se fez maior, o homem de cabelos escuros e olhos em brasa permitiu-se sorrir novamente e fitar o outro diretamente. Notava-se o quê felino e perigoso em sua expressão inteligível. - Remi Montaige - Voltou a apresentar-se, deixando que um riso rouco e breve escapasse de sua garganta seca. Aproximou-se do outro, sentindo os lábios roçarem contra as bochechas do rival enquanto fazia caminho à próximo de seu ouvido. - Eu sugeriria que você fugisse. - O tom de sua voz era de ridicularização. - A merda da telepatia não funciona em mim, mademoiselle.
ooc vcs tao competindo p ver qm turna maior é isso ne descobri
Secrets of this stranger | @Sevenous
Era meia noite e o céu estava claro, seco e brilhante de estrelas. A lua minguante poderia ser um mal presságio - se levasse em conta as velhas histórias do falecido pai - e sua luz carrancuda se derramava pelas ruas estreitas e vielas da parte mais subumana de Chicago, fazendo com que tudo parecesse brilhar com um tremeluzir pálido e gélido. O próprio hálito virava névoa pelo frio seco e cortante que tomava a noite, mas não era soprado para longe porque não existia vento naquela clara meia-noite. Contudo, por mais que desejasse poupar-se da movimentação de cada noite e aproveitá-la por si só, não tinha escolha; Precisava do dinheiro conseguido com os diversos roubos para se sustentar e aquela semana estava sendo particularmente difícil. E era por isso que, expondo sua típica discrição, postava-se no topo de um dos inúmeros telhados planos dos prédios gastos, observando atenta e silenciosamente as poucas pessoas que ocasionalmente cruzavam as vielas sinuosas e decrépitas abaixo de si, deixando ou chegando a pequenos bares e estruturas precárias que serviam de bordéis. Procurava por alguém que despertasse o interesse em si, por algum trejeito que ostentasse que tivesse qualquer coisa que pudesse ter algum valor.
E, quando achava que o saldo de sua noite seria tão decepcionante quanto o restante da semana, os olhos escuros se prenderam em uma figura peculiar, que se esgueirava para fora de um beco que permanecia fora do alcance perfeito de sua visão. Juntou sutilmente as sobrancelhas, num franzir de cenho enquanto acompanhava silenciosamente os passos do outro alguns metros abaixo de si, caminhando sobre a borda dos telhados que, de tão juntos, formavam quase um só. Sentia-se intrigado pelo desconhecido, talvez por nunca tê-lo visto naquela região ou ainda pelo modo furtivo com que caminhava pela rua praticamente deserta. Algo chamava a atenção de Arthur e, de algum modo, fazia com que o outro se transformasse em uma vitima em potencial paras ações daquele que suspeitava que conseguiria algo valioso com os atos que colocaria em pratica.
Respirou fundo uma única vez, concentrando-se em si mesmo enquanto deixava que a amplitude dos próprios passos diminuísse sutilmente, os olhos jamais abandonando a figura que continuava a caminhar na rua, abaixo de si. O pequeno arrepio já familiar lhe cruzou a base da coluna, enquanto sentia todo o organismo reagindo suavemente perante a utilização da mutação que pesava em sua carga genética. Focou-se em apenas enfraquecer o outro homem, o suficiente para este se tornasse vulnerável a uma aproximação mais rápida e discreta. Contudo, nada acontecera. Absolutamente nada. Nem um sinal de que estava sendo afetado de algum modo que fosse pelo poder daquele que se mantinha a espreita. A confusão óbvia tomou conta das feições de Haworth, enquanto este tentava entender o porquê de sua influencia ter sido completamente nula. Era impossível. Tinha algo absurdamente errado ali. E no momento em que se concentrava para tentar uma nova vez, deixou de prestar atenção por onde andava e pisou sobre um pequeno fragmento de vidro, produzindo um som baixo, quase na mesma sonoridade ínfima dos passos dados até ali. Mas que ao mesmo tempo gritava que a situação estava prestes a degringolar e fez com que o auracinético congelasse no lugar, as feições adotando a expressão culpada enquanto, de algum modo, tinha certeza de que havia sido ouvido.
Ouvia apenas os passos dos próprios pés batendo contra o chão imundo. Os coturnos chutavam por vez ou outra os cascalhos que se desprendiam do solo; ali, naquela parte de Chicago, nenhum sinal dos lealistas era encontrado, quem diria da riqueza que eles geralmente portavam. Nas redondezas nas quais se encontrava Henry, nada mais que bares infestados de deltas e prostíbulos imundos jaziam. E não lhe impressionava ser seu lugar predileto aquele bairro específico da cidade, onde a podridão apegava-se a qualquer alma feliz, envelhecendo-a precocemente e trazendo o sofrimento de uma vida melancólica e dramática, da qual a fuga tornava-se impossível. Não lhe impressionava talvez porque soubesse que por dentro encontrava-se tão podre e imundo quanto aquele lugar, quanto aquela gente. Henry LeBlanc, apesar dos pesares, era tão ruim quanto os outros, senão pior; e esta ideia, durante noite fria, parecia-lhe repugnante.
Voltava discretamente pelos becos escuros e de odor pútrido. Por vez ou outra, os olhos captavam o sinal de um cachorro magro fuçando as lixeiras ou do cadáver de um gato enfeitando ainda mais o ambiente subumano. Sentia seus pés, vestidos em coturnos batidos e de couro gasto, dançando contra as ruas precárias durante os passos, sem fazer demasiado barulho ao caminhar. Foi quando um som, porém, atingiu seus ouvidos. Os olhos semicerraram-se e o cenho franziu-se de leve. Havia alguém ali.
Sentiu os músculos de suas costas enrijecerem enquanto a tensão apegava-se aos ossos de seu corpo. Não deixou a caminhada, mantendo o passo firme, enquanto procurava ouvir algo fora do comum. Estava alerta agora, podia sentir o frio deixando dormente a pele exposta e os sons de um cachorro fuçando uma lixeira ao longe. Continuou caminhando. Virou num beco, depois noutro; o ritmo de sua respiração continuava o mesmo. Agora, ao invés de afastar-se do centro pútrido do bairro como antes fazia, Henry adentrava nele, perdendo-se no emaranhando de ruelas vazias.
- É mais educado quando você se apresenta. - Murmurou baixo, porém audível. Virou-se, então, parando por fim os passos e fazendo uma mesura dramática. - Remi Montaige. - Apresentou-se com certo cinismo na voz, enquanto os olhos esquadrinhavam a ruela ante si, procurando por uma silhueta que parecia invisível na noite gélida e mórbida. O sorriso pairava cordial nas esquinas dos lábios de LeBlanc, enquanto nos olhos, a brasa perigosa parecia arder cada vez mais depressa. Quaisquer que fossem suas intenções com o perseguidor, elas não eram das melhores.
[sev; alfa mais; 23 anos; imparcial; indisponível; canon]
[habilidade] regeneração celular espontânea: capacidade de curar ferimentos e restaurar a própria saúde em alta velocidade. A proporção da recuperação varia mutante para mutante, podendo resultar em recuperação imediata. Nível de recuperação: 4.
manipulação de energia-cinética: capacidade de carregar objetos inanimados e animados com energia cinética e movimenta-los. Seu poder também o permite carregar objetos com energia cinética explosiva e, assim, usa-los como bombas. Essa habilidade inclui agilidade sobre-humana, equilíbrio, resistência, durabilidade, flexibilidade, precisão, reflexo/reação, velocidade, agilidade incrível, força aprimorada, possuindo todos os atributos físicos de um corpo humano naturalmente desenvolvido para constante movimento como um gerador vivo de energias bio-cinéticas; isso também provoca interferência estática ao seu redor tornando o usuário imune a intromissão de telepatas. - em capacidade máxima da habilidade, é possível criar-se uma aura bio-cinética ambiente constante ao redor do corpo do usuário, que neutraliza todos os outros poderes mutantes com contato físico direto.
charme hipnótico: capacidade de fazer com que as pessoas acreditem no que ele diz e adiram suas vontades. Funciona apenas quando o outro ser não sabe da existência deste poder.
[passado] Abandonado diante de um prostíbulo africano em Camarões e adotado pelo dono do local, um homem que, além de propetário de bordel, também comerciava armas, o garoto cresceu com o nome de Henri LeBrave, em meio a prostitutas e assassinos que trabalhavam para seu pai. Sempre soube que era adotado, afinal, não havia qualquer semelhança entre Henri e o homem que o criou, nem mesmo na coloração da pele. O garoto, obviamente sempre fora precoce; sua relação com as prostitutas de Remi, seu pai, começou quando tinha treze anos. A primeira vez que pegou uma arma foi ainda mais cedo, com doze. Era ardiloso e desonesto, assim como o homem que o havia criado. Em seu aniversário de quatorze anos, porém, as coisas começaram a se complicar. Era um dia chuvoso e ele estava no prostíbulo, seu lugar predileto; talvez, não apenas por causa das prostitutas que lá trabalhavam, como também por saber que havia sido ali que ganhara um nome e uma identidade, nunca se envergonhara de ser o filho adotado de um cafetão, afinal. A notícia chegou por uma das prostitutas de seu pai, que veio à Henri aos prantos, contando-lhe sobre o terrível assassinato a qual seu pai fora acometido; um rival de Remi por fim havia conseguido executar sua morte, segredou-lhe a prostituta. Isso foi o que fez com que Henri pela primeira vez manifestasse seus poderes; estava, não só devastado, como também furioso. Saiu e obrigou a prostituta que lhe contasse onde ficava o maldito covil do homem o qual havia assassinado seu pai. Não sabia o que iria fazer, não sabia como iria executar, a única coisa que sabia, era que, no fundo de seu âmago, algo clamava por sangue; e bem, Henri LeBrave estava disposto a derramar o quanto fosse necessário para vingar a morte de seu pai.
Ao chegar no local, a chacina foi terrível. Não só matou, como dilacerou o homem e seus capangas, usando seus poderes recém descobertos e também incontroláveis. Era instável, de certo que era, e também corrompido. Voltou ao prostíbulo ainda manchado no sangue dos assassinos de seu pai; não sabia exatamente o que iria fazer ou para onde iria. Não sabia se queria passar o resto de seus dias naquele maldito lugar, obrigado a viver com as memórias do pai que tanto se orgulhou dele. Doía, sim, doía no fundo de seu peito e Henri não sabia o quanto mais poderia aguentar aquele maldito latejar.
Então preparou suas malas e disse as prostitutas que pegassem o que quisessem daquele lugar que, no final das contas, nunca pertencera a ele. Elas, tocadas pela dor de um filho que acabara de virar um órfão novamente, ofereceram-lhe cama, porém Henri não aceitou, a última coisa que poderia fazer era tentar se divertir. Estava em luto, e mal sabia ele que continuaria assim pelo resto de sua vida; lamentando a morte de seu pai.
Foi quando Madeleine, uma das prostitutas, ofereceu a Henri uma proposta, uma proposta irrecusável. Foram, então, ao porto e embarcaram num navio clandestino Madeleine trabalhava durante o dia e passava suas noites com Henri, que acabou por tornar-se marinheiro. Nunca contou ou mostrou suas habilidades para ninguém, mas não por medo de ser julgado, e sim porque achava desnecessário. No navio, um apelido foi-lhe dado pelos marinheiros, afinal era o único homem branco na tripulação. Chamado de LeBlanc, Henri resolveu que, não só era hora de mudar de vida, com também de nome. Passou a ser Henry LeBlanc, então. Assim, viveu no mar, durante anos de sua vida, até que Madeleine morreu de uma doença contraída e Henri pode sequer chorar pela morte da garota de pele negra e olhos mais escuros que a noite. Foi então que encheu-se da vida no mar e decidiu que era a hora de conhecer sua própria espécie, de uma vez por todas. A vida em Chicago aguardava por ele, afinal.
[presente] Três anos após sua chegada pelo porto de Chicago, Henry passa a maior parte de seu tempo em Mutant’s Strip Club ou no Wildmore Theater. Não confia em ninguém, porém possuí alguns poucos a quem ousa chamar de amigos. É imparcial no ponto de vista político, mas suas alianças serão facilmente formadas com quem convém. Não tem moradia fixa e dificilmente passa uma noite no mesmo lugar. Busca por trabalho na Mutant’s Privilége Club ou faz apostas no cassino para ganhar dinheiro. Frequentemente sai para caçar renegados com Steve Strauss, Angelique Bouchard e Lyle Walker. Possuí um tênue laço de amizade com Natasha Foster.
[+] autônomo; perspicaz; ardiloso. [- ] egoísta; indiferente; arrogante.
{fc. ezra miller}

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kid's aren't safe around here // henry & eden
Quando avistou alguém ali, seu instinto inicial foi se esconder. Após alguns minutos em meio a poeira, abaixada atrás de alguns velhos bancos, reparou que sua atitude fora insensata e um tanto estúpida. Não tinha como saber que ela era uma insurgente. E talvez aquela pessoa estivesse só de passagem. Levantando-se calmamente, Eden passou os olhos pelo lugar e avistou alguém, ao longe.
Não disse nada e, também, nem sequer foi necessário. Espirrou, um pouco alto, e foi descendo da escadaria, na qual estava escondida pouco antes. Espirrou novamente. Tentava descer com a maior delicadeza que conseguia, já que seus sapatos — desgastados e apertados — estavam com a sola fina e ruim. Era quase como se ela estivesse descalça.
Quando chegou a parte “térrea”, olhou com um pouco mais de precisão. Era um garoto, cabelos negros um tanto fora do lugar. Coçou o nariz levemente e esperou em silêncio.
Acontecesse o que acontecesse, Eden estava preparada.
Ela sempre estava, na verdade. Ou assim pensava que era.
A pequena figura de cabelos claros e pele quase translucida alcançou a visão de Henry; a mulher parecia pequena e frágil aos seus olhos. "Não parece trazer perigo", pensou consigo mesmo, encolhendo os ombros e levando novamente o cigarro aos lábios, acendendo-o rapidamente. Fitou a figura mais uma vez e deixou que um sorriso se tornasse claro nas esquinas de seus lábios, enquanto arqueava uma das sobrancelhas e pulava do palco em direção ao chão, atingindo a madeira com um baque surdo. Aproximou-se, por trás dos olhos negros brilhava um resquício de diversão. - Nunca vi você por aqui. - Declarou, levando o cigarro aos lábios e dando um belo trago, sem tirar sequer momento seus olhos escuros dos da garota. - Lembraria de alguém com pele tão translucida quanto a minha. - Sorriu, enquanto passava suave um dos dedos pela linha do maxilar da garota pretensiosamente. Deu de ombros e afastou-se, apoiando as costas contra o palco que jazia atrás de si - Henry LeBlanc. - Apresentou-se. - E o que exatamente você faz por aqui?
kid's aren't safe around here // henry & eden
O dia não havia começado bem. O sol demorara a sair e o tempo não parecia muito simpático. Ainda assim, ciente de suas responsabilidades, Eden obrigou-se a sair de sua cama, um colchão duro e frio, e seguir com suas atividades diárias. Saiu andando, em busca de algumas frutas ou algo parecido para levar de café para sua mãe. Logo que avistou algumas, roubou-as (não era como se tivesse muito dinheiro para comprá-las ou algo do tipo) e correu para casa o mais rápido que pode. Colocou-as na mesa e saiu de fininho da casa, antes que sua mãe pudesse acordar e entrar em pânico (“aonde você vai? Com quem? Prometa-me que vai tomar cuidado, por favor!”).
Passeava pelas ruas, em direção ao seu lugar de descanso. O teatro. Quando não havia ninguém lá, Eden passava suas tardes, largada ali, nos velhos bancos, refletindo, treinando.
Às vezes gritava, só pelo prazer de poder fazer o que queria, sem nada nem ninguém para lhe atrapalhar.
Nada para se importar.
Apenas ela e o vazio.
O cheiro tão conhecido de umidade e mofo atingiu o olfato de Henry assim que ele adentrou o teatro. Os coturnos de couro desgastado tocaram o chão poeirento, fazendo um ruido pesado que ecoou pelo lugar. Um sulco formou-se entre as sobrancelhas de Henry e ele suspirou ao notar que o lugar se encontrava vazio. - Merda. - Disse entredentes. No fundo, sabia que não haveriam lutas naquele dia, ainda mais naquela hora, porém insistiu em pelo menos passar no velho teatro e certificar-se - o que, de certo modo, fora total desperdício de tempo. Caminhou, então, por entre as fileiras de cadeiras vazias até o palco. Subiu rapidamente no chão desgastado de madeira, usando a força dos braços como impulso para não precisar usar as escadas. Deitou-se contra o piso e sentiu a poeira atacar-lhe as narinas, porém não espirrou. Ali, na madeira do palco, jazia alguns pingos de sangue seco que, ao invés de enojar o homem, o fizeram sentir-se em casa. Sorriu então, e tirou o maço de cigarros do bolso.
Um ruído, porém, atingiu-lhe os ouvidos. Henry levantou instantaneamente a cabeça e esquadrinhou o local com os olhos. O cigarro pairava entre os lábios frouxos, esperando por ser aceso. As sobrancelhas de franziram e ele sentou-se, tirando o cigarro dos lábios e fitando o local que se estendia diante de si.
No You Girls - Franz Ferdinand
No you girls never know How you make a boy feel… No you boys never care How the girl feels
[flashback] I'm gonna take myself downtown @Siery
— Se você diz, quem sou eu para discordar? — Sienna respondeu dando de ombros, realmente não se importando com aquilo, enquanto brincava com o líquido que estava dentro da garrafa que tinha em mãos. A chuva que caia na sua cabeça, fazendo-a tremer de frio por dentro das camadas de roupa que usava eram distraídas por esse gesto assim como todo o resto do mundo, o suficiente para que num deslize, visse a garrafa ser tomada de suas mãos. Os olhos voltaram-se curiosos para a direção que a garrafa foi levada, encontrando os lábios rosados de Henry na extremidade do objeto. Sienna fez questão de arquear as sobrancelhas enquanto aguardava a volta da garrafa, que era exatamente o que estava deixando-a mais tranquila no meio daquela tempestade. Por mais que soubesse os efeitos que a bebida causava nela, não abria mão nem mesmo se controlava ao tê-la por perto. Foi quando o homem disse que não devolveria a bebida, e sem antes ter tempo de contestar o ato, já com uma das mãos erguida com o dedo indicador de pé, Henry segurou a outra e enquanto dava de ombros, caminhando pela chuva como se Sienna sequer tivesse demonstrado querer falar algo.
Os dois caminhavam e à medida que os passos eram distribuídos pelas ruas, com algumas tentativas falhas de Sienna para tomar a garrafa da mão de Sev, a chuva ia diminuindo seu ritmo e chegou ao ponto mais seco quando ambos pegaram um taxi que os levava para a North Avenue Beach. Fazia algum tempo que Wither não visitava o lugar, então desceu do carro sem pressa e tornou a observar as águas que vinham fracas até a areia molhada durante o tempo que antecedia uma de suas mãos ser novamente envolvida pela de LeBlanc, guiando-a até a areia fofa onde ela fez questão de andar com o máximo de cuidado possível que conseguia para não sujar as botas, mas parecia uma missão impossível. Estavam se aproximando do lago e por um momento Kiness achou que iria tomar um banho, mas foi impedida de continuar o trajeto quando Henry parou de caminhar, puxando-a para si e sussurrando tão baixo que nem mesmo ela podia dizer com segurança o que escutara. Os braços da mulher continuavam os dois ao lado do corpo quando os lábios avermelhados triscaram os seus, e com um sorriso discreto, aproximou-se com lentidão incômoda do homem. A mão esquerda da mulher passou por cima do ombro direito dele enquanto se aproximava, enquanto a direita esticava-se com discrição da garrafa de Jose Cuervo. Quando sentiu os olhos de LeBlanc fecharem-se na sua frente, agarrou num reflexo rápido a parte mais fina da garrafa de tequila e livrou-se de tanta proximidade, dando mais três longos goles na substância. Observou a expressão de Henry e sorriu, travessa e espontânea, — Eu sou bem esperta, LeBlanc, mesmo sem estar completamente sóbria — disse e terminou de falar com uma piscadela, antes de levar a garrafa novamente aos lábios.
A respiração quente da mulher contra sua pele fria o fazia quase ansiar pelo contato dos lábios dela. Henry estava certo de que sua provocação seria suficiente para que Sienna o beijasse de uma vez por todas, porém, superando suas expectativas – e deixando-o até mesmo satisfeito, tinha de admitir – ela se afastou, levando consigo a garrafa que num descuido o LeBlanc a deixara pegar. Kiness desvencilhou-se dos braços de LeBlanc e se afastou alguns passos, oferecendo uma piscadela e palavras em troca da garrafa – que na concepção de Henry – ela roubara dele. Apesar da indignação que sentiu, Sev permitiu-se encontrar diversão na situação também. As sobrancelhas, então, se arquearam e fitou enquanto Sienna virava mais um gole da bebida nos lábios.
Por um momento, não sabia exatamente o que fazer. O pescoço exposto da mulher e o modo como ela bebia da garrafa sem qualquer resquício de vergonha em seus atos traziam a Henry, além da diversão usual, a sensação de liberdade, talvez até um pouco de desejo por beijá-la. Não podia evitar, não podia evitar de jeito nenhum; de certo modo era até engraçado, afinal quanto mais Sienna resistia, mais atiçado o homem ficava. Então ele se aproximou dela e, num gesto rápido, tirou a garrafa de suas mãos, envolvendo a mulher com a mão livre pela cintura e puxando-a para perto de si. Levou a tequila aos lábios e matou os poucos goles que restavam, jogando longe a garrafa vazia. Virou-se para Sienna então, dessa vez não tinha sorrisos no rosto. Seus lábios pairavam entreabertos e os olhos se prenderam aos dela durante um instante, antes que, por fim, se permitisse aproximar sua boca da de Kiness. O primeiro toque foi lento, Henry podia sentir o gosto a tequila que os lábios da mulher traziam à sua boca e isso apenas servia para aumentar sua vontade. Uma das mãos fez caminho a lateral do pescoço de Sienna, enquanto a outra descia até pouco acima do quadril da mulher, no começo da cintura. O toque a principio foi suave, porém Henry fez leve pressão ali, deixando que seu polegar escapasse para dentro da blusa da Withers e sentisse sua pele quente. Os lábios continuavam presos aos da mulher, e Henry se atreveu a mordiscar de leve o lábio inferior da outra, porém sem extinguir o toque ou tampouco aprofundar o beijo. Esperava por um sinal - mesmo que mínimo - da outra parte.

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[flashback] I'm gonna take myself downtown @Siery
Os passos aproximavam Sienna do frio que permanecia do lado de fora desde antes mesmo de entrar no pequeno bar, mas agora era ainda mais úmida com a chegada da chuva pesada e fina que derramava dos céus. Podia até negar para todos em sua volta e também para si mesma, mas estava um tanto apreensiva em relação a essa saída. Não estava assim ao sair de casa pois antes era neve, mas a temperatura baixou e deu passagem para a chuva, que viera acompanhava de raios e trovões. Suspirou consigo mesma enquanto colocava a mão desocupada – já que a outra estava presa ao braço de Henry – no interior macio do sobretudo que estava pendurado no ombro enquanto caminhava, até que o companheiro parou, bem diante da porta, fazendo com que Withers também parasse um pouco confusa e olhasse para ele, tentando disfarçar o desentendimento com uma expressão divertida e um sorriso de lado, acompanhado de um leve franzimento do cenho.
“Grite na hora certa” As palavras que escaparam da boca de Sev eram claras, mas não compreensíveis, por enquanto, aos ouvidos de Kiness, quando foi puxada para mais perto do homem dando um ar secreto à frase. Comprimiu os olhos e seguiu com os castanhos o corpo misterioso de LeBlanc, que voltava ao balcão. Enquanto isso, vestia o sobretudo com calma, não deixando de observar o que Henry fazia por um segundo sequer. Observava atentamente cada detalhe de seu corpo e cada movimento que ele realizava, tentando descobrir o que estava fazendo. Os gestos eram usuais, não havia motivo para gritar. Foi no intervalo de tempo que ela olhou para trás ao escutar o barulho da porta e seu sino e ver uma pessoa molhada entrando no estabelecimento em busca de abrigo quando enxergou pelo canto do olho uma cadeira correndo na sua frente, fazendo-a dar um pequeno pulo para trás pelo susto. — Mas que porra foi essa? — Gritou indignada, mas sua voz não foi ouvida em meio a tantos outros gritos no bar. As pessoas estavam entrando em desespero enquanto toda a mobília daquele lugar tomava vida própria, numa grande bagunça que levou os pensamentos de Withers a uma única pessoa. Buscou, no mesmo lugar de antes, o rosto de Henry e lá estava ele, olhando-a com expressão calma antes de se jogar atrás do balcão do atendente. Sienna riu sozinha, afinal, já entendera que era ele quem estava fazendo aquela bagunça. De repente, o lugar tomou o protótipo de calma anterior e Sienna viu LeBlanc sair de trás do balcão, apertando o seu casaco e reclamando com o atendente. Novamente, isso causou um riso na mulher que o aguardava de braços cruzados na porta, apenas se movendo quando ele já estava ao seu lado.
O frio da rua invadiu sem piedade cada centímetro do corpo bem moldado de Sienna enquanto caminhava, ainda contendo um sorriso maroto em relação à grande confusão lá dentro. “Mademoiselle” Escutou Henry falar estendendo o braço um tom tão cordial que chegava a ser irônico levando em consideração a situação em que estavam: Caminhando na rua durante um toró nas ruas e recém-saídos de um protótipo de furacão causado por ele em um bar. A mulher mordeu o lábio inferior ainda contendo um sorriso e direcionou o olhar para a tampa dourada de uma garrafa de Jose Cuervo que escapava do sobretudo de seu companheiro atual. — Não acha que é muita cordialidade para um homem que acabou de roubar bebidas de um bar, Henry LeBlanc? — Disse num tom suave e sutilmente divertido, enquanto com uma das mãos abaixava lentamente o braço erguido dele pelo cotovelo e com a outra tirava a garrafa lacrada, não demorando muito para abri-la e dar um longo gole sem interromper a caminhada noturna.
- Acredito que até mesmo um ladrão possa ser um cavalheiro, senhorita Whiters. – Sorriu, enquanto deixava o braço cair após a recusa da mulher de acompanhá-lo. – Pode dizer que eu sou um ladrão, porém nunca poderá dizer que não fui cordial. – Disse-lhe, enquanto dava de ombros e deixava que um sorriso boêmio se formasse nas esquinas dos lábios avermelhados. Inclinou-se à Sienna, então, tirando a bebida de suas mãos e levando-a a boca. O gosto da tequila desceu vacilante por sua garganta, e o LeBlanc, após desgrudar a garrafa da boca, permitiu-se sorrir, passando a língua de leve no lábio inferior e tirando qualquer resquício da bebida que jazera outrora ali. – É melhor esta garrafa ficar comigo. – Declarou divertido – Gosto de sóbrios. - Deu de ombros, enquanto pegava uma das mãos de Sienna e a arrastava rua abaixo. A chuva caía pesada sobre os dois, enquanto os raios retumbavam contra o céu sem estrelas.
Quanto mais se aproximavam do local onde Henry havia mentalmente planejado passar o resto da noite, mais a chuva desvanecia, até não passar de um chuvisco quase imperceptível. Haviam pegado um taxi que os levara direto para o lugar desejado, deixando-os a poucos metros de distância da areia. Henry, então, saiu do taxi. Odiava carros ou qualquer tipo de transporte, com exceção a navios. Seu estômago parecia embrulhar-se quando andava em uma daquelas geringonças barulhentas, isso se não era ele mesmo quem dirigia, porque se fosse, não parecia problema algum haver. – Venha, Sienna. – Disse, enquanto pegava uma das mãos da mulher que recém saíra do carro. Fitavam o Lago Michigan e a praia que se estendia em sua extensão. Teoricamente, seria impossível encontrar qualquer praia em Chicago, visto que a cidade não era litorânea; porém, graças aos bons céus, a metrópole mutante havia sido abençoada com o Lago Michigan, a terceira maior reserva – se não se enganava o LeBlanc – de água doce do mundo. E aquilo, apesar de parecer pouca coisa, era extraordinário aos olhos do homem de tez pálida.
Os coturnos de couro desgastado tocaram a areia da praia que se estendia; a North Avenue Beach sempre fora uma das prediletas de Henry, por mais que durante o reino do sol o lugar fosse consideravelmente cheio, ao cair da noite tornava-se vazio, e era nesse momento que Sev procurava a praia que lhe trazia conforto. Arrastou consigo Sienna, que parecia já estar cambaleante, e a garrafa de Jose Cuevo pairava na mão esquerda, tomando cuidado para que a mulher não a agarrasse num descuido. LeBlanc sabia que a Whiters se embebedaria num piscar de olhos e ele não desejava que tal coisa acontecesse. Pararam então, próximos as margens do Lago. Henry puxou a mulher para próximo de si, colocando uma das mãos em volta de sua cintura e pressionando o corpo dela contra o seu. Os olhos fitavam os dela e os lábios estavam próximos. Podia sentir a respiração quente de Sienna contra sua, queimando sua tez fria. – Voilá, mademoiselle. – Murmurou num sussurro rouco. – Não devo ao menos ganhar um beijo por meu esforço? – Perguntou. Os lábios roçaram suaves contra os dela, porém Henry não tentou juntá-los. Apesar de não aparentar, Henry LeBlanc sempre fora um cavalheiro, afinal.
[flashback] I'm gonna take myself downtown @Siery
Os olhos, sem sombra de dúvida, focavam o rosto de LeBlanc com curiosidade mais que natural à grandeza dos mesmos, sem menor timidez ao observá-lo como se pudesse, realmente, ver algo além de um rosto pensativo e falante. Sienna nunca foi das melhores em descobrir coisas sobre as pessoas simplesmente levando em consideração o comportamento breve, como alguns mutantes eram mesmo que tal não fizesse parte de sua habilidade especial. — Eu lhe devo alguma satisfação em relação aos meus atos, LeBlanc? — Perguntou, as sobrancelhas aproximando-se enquanto Withers franzia o cenho e dava um novo gole rico em classe no copo de vidro e líquido amarelado, a voz tomando um tom tão divertido quanto o do outro. Rolou novamente os olhos para o balcão ao sentir vontade de rir da situação que estava formando-se, e sem conseguir evitar um curto riso que terminava em um sorriso espontâneo e impossível de se desmanchar. Àquele ponto da conversa, se Henry fosse tão observador quanto estava se mostrando ou até mesmo, já teria percebido que no final das contas, Sienna Withers é uma mulher feliz.
No momento que sentiu o movimento de Henry ao olhar para o lado de fora da rua, fez o mesmo, notando que as muitas pessoas que antes estavam ali tinham desaparecido. Talvez, a rua tivesse as assustado assim como assustara Sienna ao sair de casa; talvez, estivessem com sono e resolvessem ir para casa. Primeira opção. Com certeza a primeira opção. Mais um gole longo foi dado na sua bebida enquanto esse pensamento preenchia sua mente, o intervalo de tempo necessário para que mais uma vez, Sev se pronunciasse, lançando uma pergunta à Sienna que mais tinha som de desafio, de uma forma cordial e levemente brincalhona no olhar. E ela sorriu, divertidamente, comprimindo os olhos enquanto dava virava seu copo dando o último gole na bebida e estendendo a mão que antes segurava o copo no encontro da de Henry, — Garantia de satisfação ou meu dinheiro de volta. — afirmou com seriedade para si mesma deixando-o ouvir, enquanto se permitia ser levada para a chuva com o homem, tomando como único ato durante o caminho puxar o sobretudo preso em um dos suportes e pondo-o sobre um dos ombros.
No rosto de Sienna, suas feições bem marcadas expressavam divertimento, enquanto ela levava o copo provido com a bebida de gosto amargo à boca e comprimia suavemente os olhos escuros, virando o último gole nos lábios. A mão da mulher, então, juntou-se a de Henry que pairava no ar, estendida numa oferta persuasiva. O homem deixou que um sorriso divertido e até mesmo um tanto leviano surgisse nas esquinas de seus lábios finos, enquanto guiava Sienna até a porta do estabelecimento aquecido. Parou, porém, impedindo-se de sair, enquanto um pensamento cruzava sua mente e os olhos se semicerravam. Não podiam partir, não ainda.
Deteve-se, puxando Sienna para mais próximo de si e sussurrando em seu ouvido: - Grite na hora certa. - Então afastou-se sem lhe lançar sequer olhar, se dirigindo novamente ao balcão do estabelecimento e fitando rapidamente as bebidas que pairavam em cima das prateleiras. Virou-se para o atendente mal humorado, dirigindo-lhe um sorriso gentil. “Você viu se deixei as chaves do meu carro aqui?”, a voz era tão cortes quanto o olhar, e quando o atendente fitou ao redor em busca do objeto perdido de Henry, o homem fez curto aceno de mãos; e foi assim que o caos deu-se início.
Os objetos começaram a se mover pelo local enlouquecidos, desde copos e pratos à mesas inteiras e cadeiras com clientes sentados em cima delas. Henry fitou a cena com um olhar confuso, enquanto parecia tentar assimilar o que estava acontecendo. Os olhos, porém, passaram rapidamente por Sienna e ele lhe lançou uma piscadela quase imperceptível, enquanto uma cadeira movia-se em sua direção e o homem de tez pálida se jogava para trás do balcão do atendente.
Todos pareciam estar dando demasiada importância para sequer fitar o que o LeBlanc fazia, afinal, a vista de quem houvesse observado a cena, o homem parecia apenas tentar esquivar-se de uma cadeira enfurecida que seguia em sua direção, jogando-se por detrás do balcão. Alguns gritos persistiam no local, enquanto Henry concentrava metade de sua atenção as suas habilidades que corriam desenfreadas pelo lugar, enquanto a outra metade o deixava atento para o que viria a seguir. Esticou-se, então, num movimento ágil demais para que qualquer mutante notasse sua façanha, e pegou uma das garrafas de tequila lacradas que jaziam empoeiradas sobre as prateleiras por detrás do balcão. Enfiou rápida e desajeitadamente o objeto no bolso interno de seu sobretudo escuro, enquanto lançava a Sienna Withers um olhar rápido e se certificava que a mulher estava bem. Permitiu que seus poderes recuassem então, tornando o lugar a mesma calmaria de outrora. Lançou um olhar rude ao atendente e passou as mãos pelo sobretudo, como se tirasse a poeira da vestimenta. Saiu, então, de detrás do balcão. “Que porcaria de estabelecimento”, disse enquanto encaminhava-se à porta. Não deu-se o trabalho de sequer lançar um olhar para trás. Não se importava muito com os estragos que havia causado, afinal.
Grande parte do show fora exatamente para Sienna. Henry teria facilmente surrupiado a bebida sem necessitar fazer tal escândalo e performance, porém a ideia de impressionar a mulher havia o atiçado, e o LeBlanc podia ser impulsivo as vezes. Ao dar de cara com a rua, o vento frio bateu contra seu rosto e a chuva caiu em pingos gordos sobre o homem de tez pálida. Sorriu selvagemente, dando um dos braços para que Sienna o acompanhasse. - Mademoiselle. - Disse com excesso de cordialidade, enquanto por trás dos orbes negros pairava o brilho perigoso do divertimento. Agora sim a noite dar-se início ia.
I wanna get into a fight {raskus and sev}
Seguiu Henry em silêncio por todo o caminho, sem questioná-lo sobre para onde estavam indo sequer uma vez. Mesmo quando saíram do táxi no centro da cidade, mas ignoraram o caminho para qualquer bar decente. Mesmo quando a praia apareceu em seu campo de vista e eles não desviaram o caminho. Mesmo quando chegaram ao píer. Porém, Andrew não poderia continuar calado ao entender a intenção de Henry. Ele queria roubar um barco? Um barco de alguém que ele tinha “se livrado”? Se fosse pego ali, no meio da madrugada, cercado pelo mar e somente pelo mar, com Sev, entrando em um barco que sequer era seu, sua posição como lealista provavelmente seria questionada. Mas quem eram os simples cidadãos de Chicago que duvidariam que aquele barco não fosse de possessão do próprio Raskus?
Mordeu sua própria língua para não perguntar o que exatamente ele tinha feito com o pobre dono do barco e o porquê, mas conseguiu permanecer calado. Não era hora de ser o chefe lealista que era durante o dia. Permitiu-se levantar suas sobrancelhas para o garoto, em uma pergunta silenciosa, antes de entrar no barco, um sorriso divertido pairando em seus lábios.
O interior do barco era completamente limpo e caro. Sev não deveria ter matado um homem com o dinheiro para ter tal regalia aleatoriamente. O frigobar estava cheio das bebidas mais chiques às mais comuns, ao lado, uma pequena adega de vinho continha vinhos caríssimos e intocados. Escolheu um champanhe aleatoriamente, seu conhecimento sobre eles meramente limitado e virou-se para Henry, deixando uma expressão surpresa tomar conta de sua face. – Ótima escolha – Elogiou, jogando-se no sofá e abrindo a garrafa em um estouro, o álcool escorrendo e molhando o chão do barco. Não seria ele que teria que limpar, afinal. Levou o bico aos lábios e tomou um gole antes de oferecê-la a Henry, gesticulando com sua cabeça para que ele sentasse ao seu lado.
Manteve os olhos colados em Raskus, que escolhia uma bebida e jogava-se no sofá, levando a garrafa recém aberta de espumante aos lábios e tomando um gole. Juntou-se à ele, então, sem muito titubear ao sentar ao seu lado. LeBlanc sabia que o lealista não deveria ser visto ao lado de um imparcial, muito menos dentro de um barco roubado, cujo o dono havia misteriosamente desaparecido algumas semanas antes. A idéia de que Raskus estava arriscando-se a ir com Sev o deixava intrigado e até mesmo um pouco excitado. Tomou a garrafa das mãos do outro, levando o bico aos lábios avermelhados e deixando que a bebida de sabor adocicado inundasse o paladar, descendo suave por sua garganta e deslizando para dentro de si uma sensação de calmaria. Para o infortúnio de Sev, ele não ficava bêbado facilmente como era de se esperar; muito pelo contrário, sua habilidade de regeneração o impedia de embebedar-se, nunca pelo menos por muito tempo. E, naquela noite, sentado em companhia de outro alfa mais, Henry tinha total e completa certeza que desejava perder o controle. A imprudência corria por suas veias, afinal.
Pousou a garrafa no chão suavemente, tomando cuidado para não derrubar o precioso líquido que jazia dentro do recipiente no piso de madeira clara. Seus orbes negros, então, concentraram-se em Raskus, que permanecia ao seu lado. Henry umedeceu os lábios de forma leviana propositadamente, enquanto aproximava-se do outro homem, deixando que seus lábios roçassem levemente na bochecha do outro enquanto inclinava-se em direção à seu ouvido. Além de um ato pretensioso, era também perigoso. Henry pôde sentir a tensão em volta deles aumentar quando aproximou-se. - Por que você veio comigo, Raskus? - a voz saiu num murmúrio rouco, que implorava silenciosamente por uma resposta objetiva. Henry sempre fora um homem curioso, afinal.
I wanna get into a fight {raskus and sev}
Um riso divertido escapou por seus lábios ao ouvir a declaração do homem, que claramente tinha todas as suas economias apostadas em Raskus. No entanto, Sev não pareceu muito alegre ao ouvir o comentário. Ele fechou a boca, forçando a risada a ficar presa em sua garganta, substituindo tal representação de felicidade por um simples sorriso. Não podia negar que ver o homem alto e aparentemente durão ficar branco de medo o deixava um tanto entretido. Henry sabia se defender muito bem e Andrew ficaria impressionado com isso se não estivesse tão focado em reparar como o menino era esquentado, fora só um comentário, afinal. Permaneceu quieto, observando de longe toda a confusão, até Sev se voltar para ele. Não parecia mais o mesmo menino de alguns segundos atrás. A expressão antes raivosa e seu tom ríspido foram substituídos por um tom neutro e um leve sorriso, o qual Raskus retribuiu.
- O programa ainda está de pé – Concluiu, referindo-se as bebidas que tomariam, pouco antes de Sev se afastar em direção aos bastidores, onde pias e chuveiros estavam à disposição de qualquer mutante interessado em se limpar após as disputas. Estava tão sujo quanto o próprio Henry, mas não o seguiu. Andrew andou até os fundos do teatro, onde estivera sentado antes da luta, pegando seu casaco e vestindo-o, a superfície de couro escondendo a maior parte da sujeira de sua camisa social. Passou a mão pelos cabelos, agora grudentos de suor, fazendo o melhor para arrumá-los só com as mãos e sem um espelho por perto. Estaria bonito de qualquer jeito, mas preferia não estar coberto de suor.
Andrew estava parado ao lado da porta de saída quando Henry reapareceu. Lançou-o um sorriso e fez um movimento com a cabeça indicando o lado de fora do teatro. Antes que ele pudesse alcançá-lo, Raskus saiu para a rua. O ar gelado o envolveu, obrigando-o a cruzar os braços sobre o peito para não passar frio. A madrugada já estava na metade e as ruas pareciam vazias, a não ser perto dos bares, onde grupos estavam espalhados bebendo e fumando perto da entrada. Era para lá que eles iriam.
Ao encontrar-se próximo ao palco novamente, Henry esquadrinhou o teatro com os olhos escuros, à procura de Raskus, homem que outrora fora seu rival. O olhar pousou sobre a figura ao lado da saída do teatro. Um sorriso divertido cruzou o rosto de LeBlanc, enquanto seguia em direção à silhueta que lhe fazia sinal para aproximar-se.
Ao atingir o lado de fora do teatro, foi tomado por um súbito vento frio, que atingiu-lhe o corpo como um velho aliado e amigo. Inspirou o ar gélido, sentindo seus pulmões esfriarem e um arrepio cruzar sua espinha dorsal de modo familiar, enquanto deixava que a solidão da noite o invadisse; como costumava fazer toda vez que o sol se punha e Henry tinha o prazer de vagear por becos escuros e desolados. Sorriu e virou-se para fitar Raskus, esquecendo-se completamente da luta que outrora haviam tido e concentrando-se naquele exato momento. Os olhos negros fixaram-se nos azuis por um instante, com uma faísca felina brilhando por de trás deles. - Me siga. Sei exatamente onde podemos ir.
O caminho até Downtown era longo, por isso pegaram um taxi que os deixou direto no centro da cidade. Henry, talvez por azar, talvez por preguiça, nunca houvera se dado o trabalho de comprar ou roubar um carro, afinal tal utensilio pouco uso tinha à alguém capaz de manipular energia-cinética. Assim que saíram do taxi, Henry conduziu Raskus até próximo da praia do centro. Os pés do que outrora fora marinheiro chutavam os cascalhos e latinhas que encontrava na rua, enquanto fazia caminho até o local desejado. Fitou o horizonte além do mar e sorriu, vendo a premissa da madrugada. A lua refletia sobre o mar agora negro, assim como as estrelas, tornando tal visão deslumbrante. Virou-se e fitou Raskus. - Por aqui. - Disse, caminhando em direção ao píer de madeira que pairava sobre a água salgada. Os passos de ambos os homens faziam barulho ao bater contra a madeira gasta e corroída pelo mar. - Aqui. - Disse, parando ao lado de um iate branco e digno de um milionário. Encolheu de ombros, enquanto fitava Raskus, como se dissesse "não é exatamente meu". Deu um pequeno pulo, caindo na madeira polida do convés do barco que não lhe pertencia. - Não se preocupe, o dono não virá. - Arqueou as sobrancelhas e colocou um sorriso felino nos lábios finos. - Digamos que eu tenha me livrado dele poucos dias atrás. - Deu de ombros e tirou um molho de chaves que guardava no bolso. Havia de abrir as portas, afinal.
Cigarette smoke. | Sev & Gust
Os atos seguintes do jovem Stryder não se foram além de acompanhar o mais baixo pelo curto caminho até o bar, os olhos se voltando para as pessoas que cruzavam o caminho de ambos, apenas como um velho habito de suprir a necessidade de saber o que se passava ao seu redor. Portanto foi pego completamente desprevenido sobre uma terceira mutação que se espalhava pelo código genético de seu mais novo conhecido. O cenho se franziu suavemente, suavizando a expressão surpresa que novamente tomou suas feições, enquanto abria o único botão do blazer escuro que usava sobre a camisa clara para poder sentar-se corretamente sobre o banco ao lado de Henry, os olhos verdes se prendendo em um ponto qualquer situado à frente de ambos enquanto a curiosidade o envolvia com força anormal. – Três? – Não tentou e nem ao menos conseguiria conter o tom carregado de espanto que acompanha a voz marcante e carregada pelo sotaque de sua terra natal. – Isso é mais impressionante do que eu pensava… Mas tenho que discordar de você ao garantir que eu definitivamente quero saber a terceira. –
Apenas depois de terminar a frase tomada pela curiosidade que Gust deu-se ao trabalho de levar os olhos de volta a Sev ao seu lado, enquanto apenas os antebraços se apoiavam sutilmente sobre a bancada gasta do lugar, a postura correta condizendo gritantemente com a educação britânica que exibia. O observou por alguns segundos, a tempo de captar perfeitamente a pequena frase que lhe saia pelos lábios finos, que querendo ou não, inflaram o ego já propenso a tal de Oliver. Este, por sua vez, preferiu pela resposta muda de um sorriso satisfeito e um suave anuir de cabeça antes de ter a atenção do outro sobre si mais uma vez. Mas foi justamente o sorriso divertido que tomavam as feições alheias e o olhar marcante e misterioso do mesmo que serviu de aviso para Oliver não se deixar dispersar a desconfiança que nutria pelo mundo e seus habitantes que o envolviam. Voltaria a se manter atento até mais banais movimentos e palavras que se seguiriam do outro do modo do modo mais discreto que conseguiria.
Voltou a atenção para o barman que finalmente veio exercer sua função e atender aos pedidos de LeBlanc, as feições assumindo a expressão impassível de praxe enquanto o rosto virava-se para o supracitado e se movimentava em uma suave confirmação, antes que o atendente se virasse para preparar o que lhe fora pedido. Sustentou o olhar do outro por algum tempo, se contentando com o silencio que havia sido instalado entre ambos, até finalmente ter o copo preenchido pelo liquido âmbar posto a sua frente, tal como um idêntico foi oferecido a Henry. Sorriu mais para si mesmo do que qualquer outra coisa, quando os dedos longos se fecharam ao redor do copo transparente, a expectativa de ter o gosto mais do que agradável da bebida forte invadindo seu paladar sendo suficiente para que todos os outros pensamentos se dissipassem de sua mente por uma fração de segundo. A sensação de queimação que vinha por sua garganta por conta do whisky quase arrancou um grunhido agradado de Oliver, que respirou fundo uma única vez antes de voltar sua atenção para o homem que permanecia ao seu lado. – Então, Henry… – Começou, sentindo-se mais relaxado para puxar um assunto qualquer, enquanto o olhar percorria a figura de Sev de cima a baixo. – Você vai mesmo me deixar curioso quanto a sua terceira habilidade? – E com isso, arqueou suavemente as sobrancelhas enquanto um sorriso garboso se formava em seus lábios, apenas por alguns segundos, antes de Oliver se permitir dar um novo gole na bebida que tanto apreciava, mesmo que os olhos não abandonassem as feições de LeBlanc.
O tom carregado de surpresa que deslizou por entre os lábios de Gust e atingiu os ouvidos da silhueta negra que inclinava-se acima do balcão para pedir as bebidas elaborou uma sensação estranha ao homem, como um misto de prazer e receio por tal surpresa no timbre do outro; sensação que Henry insistia em saborear e repudiar ao mesmo tempo, deixando clara duas partes de si que lutavam para se sobressair numa batalha fadada ao fracasso. Uma parte desejava que todos o notassem e secretamente o admirassem, enquanto a outra clamava pela camuflagem do homem; uma, resumindo, era receosa, enquanto a outra gozava da mais terna arrogância que qualquer narcisista já teve o prazer de experimentar. Os olhos negros, atentos e observadores, esquadrinharam enquanto o barman trouxe ao balcão as duas bebidas, pousando-as no balcão tão suavemente quanto faria um mercenário.
A mão pálida envolveu o copo, levando aos lábios avermelhados a bebida que acalmaria o paladar. Deixou que o drink eliminasse o gosto amargo do cigarro que insistira em permanecer em sua boca. O sabor amargo do whisky fez com que Sev contraísse os lábios quase imperceptivelmente num gesto aprovador, enquanto voltava o copo no balcão manchado da boate e fitava as feições bem marcadas do homem que o acompanhava. Tinha olhos esverdeados e a linha do maxilar marcada, mandíbula forte também. Oliver era esperto, sem sobra de dúvidas, talvez de mente tão perspicaz quanto Henry. LeBlanc podia notar o modo como seus olhos verdes reluziam uma pequena desconfiança que insistia grosseiramente em permanecer, e ele não pode deixar de se sentir a curiosidade para com o outro alastrar-se dentro de si, enraizando-se nos músculos que a muito sua habilidade o obrigada a adquirir. Henry de certo que deixava sua parte arrogante e descontraída falar mais alto quando a curiosidade rara vinha a emergir de seu âmago, afinal a sede pelo conhecimento o fazia tornar-se mais vulnerável e até mesmo maleável. Um sorriso formou-se no canto dos lábios quando Oliver voltou a fazer a pergunta, enquanto uma respostava se formava na mente e uma sensação divertida crescia dentro de si.
Inclinou-se em direção ao Stryder. Os olhos refletiam a diversão estampada no rosto, enquanto, suavemente, LeBlanc deixava que as palavras deslizassem por seus lábios. - Mas a graça termina quando eu lhe contar, Gust. Afinal o segredo de uma noite bem sucedida é a incerteza. - O timbre era provido de entretenimento. - Você realmente quer que o mistério termine? - As sobrancelhas arquearam-se levemente. - Como você pode se divertir sabendo exatamente com o que está se metendo? - Henry aproximou-se ainda mais, deixando que seus lábios roçassem de leve pela bochecha do outro, quase imperceptivelmente, enquanto faziam caminho ao seu ouvido. - Se divirta um pouco, Stryder. - Murmurou, afastando-se com um sutil sorriso pregado no rosto, enquanto agarrava seu copo de whisky e virava o conteúdo completo na boca, apertando os olhos com o gosto amargo que escorria furioso por sua garganta. Retomou a compostura e fitou Oliver. Os olhos negros refletiam o tom desafiador encontrado em sua voz, enquanto pronunciava as palavras divertidamente: - E então, o que vai ser? Quer mesmo saber a última mutação?

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Get out of the way, Mister. @Mors & Sev
O silêncio sepulcral sempre foi interpretado por Hawkins como a premissa de uma noite obscura, fadada aos piores e mais inusitados acontecimentos. Quando o quadro negro da noite estava aliado ao típico som do nada, dos ecos secos distantes, tinha a certeza de que seria mais razoável confiar nos próprios instintos do que nas probabilidades visíveis aos homens comuns. As narinas ligeiramente dilatadas e o cenho franzido denunciavam seu descontentamento com tamanha quietude no lugar. Optou por sinalizar para que o seu protegido andasse mais rápido, tentando ignorar o corriqueiro arrepio que lhe fazia vibrar da base da coluna até a própria nuca. Excepcionais ocasiões o necromante sentia-se acuado como agora, onde o submundo lhe enviava o recado para se manter alerta, mesmo que não possuísse a menor dica sobre do quê deveria se proteger. Ou defender seu cliente, no caso. Repentinamente aquela infinidade de becos pareceu sem fim, algo que causou consternamento e transformou seu semblante numa carcaça impassível. Mais alguns metros e estariam longe do ambiente cercado por paredes, no entanto o cenário caótico ganhou vida no minuto onde seus ouvidos escutaram o ressoar de palmas sendo batidas uma contra a outra. No mesmo instante deixou que o rosto fosse erguido, buscando pelo exato local de onde vinha tal ruído inusitado. De imediato refletiu se tinha tomado pílulas o suficiente para manter-se controlado naquela noite, visto que um combate iria apenas atenuar sua típica enxaqueca.
Muito embora o que não esperou foi que ao descansar as íris castanhas na figura pálida inserida como fator surpresa, fosse sentir tamanha curiosidade. Isto porque no espelho dos olhos ainda mais negros do que os seus, conseguiu enxergar a tormenta. O lado sensitivo de Hawkins agia na mesma linha de sensores alertas, contudo não conseguiu deixar de perceber o fascínio que a pele branca e os orbes escuros como a noite causavam no seu âmago. Sua abertura com o mundo extrassensorial permitia-lhe fazer uma leitura correta de muitas pessoas, e precisou prender o fôlego ao perceber extremamente rápido que aquele homem era letal. - Não corra. - Ordenou ao homem que deveria fazer guarda no exato mesmo segundo onde o desconhecido repetiu uma ameaça de mesma finalidade, porém de cunho ameaçador. Seus lábios se retorceram num suspiro desgostoso ao perceber tamanho pavor no rosto do lealista que tinha o dever de cuidar, logo se arrependendo de demonstrar tamanho desdém com seu trabalho perante um terceiro que definitivamente não estava apenas caminhando pelos arredores afim de conhecer gente nova.
Achou mais sensato permanecer imóvel durante a evasiva do rapaz de aparência felina, sentindo suas veias congelarem na tênue linha de controle que obtinha. Estava longe de querer esboçar alguma reação acerca de suas habilidades sem conhecer as do outro, principalmente quando seus instintos gritavam ser o lado mais fraco da corrente por ali. O quadro se revirou num plano quase incrédulo no ato onde teve o rosto tocado pela maciez dos lábios quase tão frios quanto a própria pele, sendo “quase” um fator importante e crucial. Isto porque a temperatura de seu corpo ganhou níveis mínimos enquanto existiu o toque, no entanto a palidez que ganhou seu rosto denunciou não se tratar de um manipulador de elemento. Engoliu em seco para não ser ofensivo com o outro mercenário, canalizando seus resquícios de paciência após uma noite insuportável no meio sorriso que ofereceu, a falsa simpatia sendo palpável e quase irônica. - É falta de cortesia não se apresentar. - Replicou em timbre ligeiramente sarcástico, refazendo aquele mesmo passo que o outro tinha imposto como distância a mais. Encurtar os centímetros entre eles de certo não era a atitude mais sábia, contudo decidiu ganhar tempo naquela abordagem.
- Subsisto. - Declamou contra o vento, a ordem em latim para que as almas se afastassem do potencial assassino. Sabia que se os espíritos estavam agindo numa abordagem ofensiva era porque as intenções do outro eram venenosas, contudo não pôde deixar de nutrir uma veia de curiosidade explícita. - Observabo eum. - Declamou em segunda instância, ordenando que eles permanecessem observando os movimentos do invasor para evitar qualquer coisa drástica. Deveria zelar por seu dinheiro, mas não era como se estivesse se importando demais com a vida do homem. Caso fosse a hora dele se transformar numa de suas marionetes fantasmagóricas, que fosse. Sua cabeça doía e a sensação de estar perante alguém poderoso não conseguiu sair de sua mente nem por um minuto. - Latim. É uma língua importante quando se faz o que eu faço, facilita muito as coisas. - Quando deu por si estava adotando uma postura pretensiosa semelhante à primeira impressão que tivera do dono daquelas íris repletas de sombras. Deu-lhe a explicação como se fosse de fato uma informação útil, e a baixa do clima ao redor deles fez óbvio estar manipulando seres não-vivos. Encarava o plano espiritual e a porta dos infernos numa naturalidade assustadora, carregando a sina da morte como um velho amigo. Poucos compreendiam a dimensão da necromancia, e com um pouco de sorte o outro homem não iria entender; mas para sua infelicidade, a sorte nunca estava consigo. - Temos um impasse… Você quer ele morto, e eu quero meu dinheiro. E ah, manter certa reputação. Podemos derramar sangue ou resolver isso civilizadamente. - Deixou a fala subentendida, aproximando-se do outro para que seus olhos encarassem os correspondentes, tentando decifrar a alma dele naquele gesto. O minuto de silêncio que seguiu acompanhou seu estado de alerta, deixando sua energia fluindo livre pelo corpo caso o homem ainda sem nome não se mostrasse receptivo às suas palavras.
Os olhos pairaram sobre o homem diante de si, enquanto Henry analisava não só sua postura, quanto sua expressão. O tom irônico na voz do estranho teria facilmente passado despercebido por um alguém qualquer, porém o homem de tez pálida contrastada contra cabelos escuros de certo identificou o sarcasmo no timbre rouco. Os pensamentos dispararam-se em diversas direções ao mesmo instante, buscando detalhes no comportamento do outro para descobrir se aquela frase fora alguma cortesia que lhe incitasse a prosseguir com o jogo divertido ou se era uma insolente tentativa de enganar Henry com falso charme. Porém, assim que o estranho mercenário cobriu a distância anteriormente imposta por LeBlanc com um passo sutil, o homem não pôde deixar de entreter-se, arqueando as sobrancelhas e permitindo que a diversão se propagasse pelo semblante bem marcado. - Henry LeBlanc. - Deu de ombros com uma indiferença simulada que treinara durante muito tempo e agora era hábil em interpretá-la. Dizer seu nome incomodava LeBlanc. - Porém alguns preferem Sev. Sua vez.
O frio sepulcral apegava-se a pele do marinheiro como uma premissa de morte ao homem ferido em batalha que descansa em seu leito, com o perfume se suas feridas pútridas sob o nariz e a lembrança da vida que o fora brutalmente arrancada. Um arrepiou cruzou a espinha de LeBlanc e ele sentiu o instigar da curiosidade que se enraizava por debaixo da pele, enquanto imaginação tratava de desvendar qual mutação teria tamanha intensidade para fazer sensações como aquela gelarem sua espinha. A principio, refletiu a teoria de que talvez o tal desconhecido fosse um telepata, porém logo descartou a ideia; telepatas não produziam efeito em LeBlanc, afinal. Então as palavras em latim declamadas ao vento pelo outro mercenário deslizaram aos ouvidos de Henry, soprando à pergunta uma resposta óbvia que o homem de tez pálida nem assim pôde desvendar. Sentia-se próximo a uma conclusão, senti-a esgueirar-se sorrateiramente de forma quase indecente para próximo de si, porém não podia satisfazer-se com uma solução plausível. Os olhos pousaram em seu desconhecido de maneira intrigada e o cenho franziu-se delicadamente, enrugando de leve o vão entre as sobrancelhas negras. Henry procurava por uma resposta, afinal.
"Latim. É uma língua importante quando se faz o que eu faço, facilita muito as coisas". As palavras ecoaram por seus ouvidos e Henry sentiu-se cada vez mais próximo da resposta, tateando, porém, cegamente num quarto onde a luz era apenas um feixe pálido, iluminando pistas as quais pareciam desconexas no cérebro do pobre homem, que talvez estivesse tomado por demasiada curiosidade para enxergar a resposta que pairava com clareza ante si, intacta. LeBlanc, então, deixou que sua voz por fim saísse rouca por entre seus lábios. - O que te faz pensar que eu tenho algum interesse em resolver isto civilizadamente? - O timbre era divertido, enquanto as sobrancelhas arqueavam-se suavemente e um sorriso formava-se nas esquinas dos lábios bem marcados. Deu um passo a diante, diminuindo distância entre os corpos. Um movimento a mais para frente e sentiria a pele do outro roçar contra a sua. Sorriu leviano. - Talvez eu goste de um pouco de sangue. - A voz tornou a sair num murmúrio divertido e pretensioso. Henry estava tão próximo ao suposto rival que podia sentir não só o frio que emanava de sua pele, como também a respiração gélida do outro roçando-lhe levemente a face.
Foi então que a ficha caiu pesada como uma pedra, raspando a consciência do marinheiro. O frio não era uma ocasionalidade da noite provida de estrelas. O frio era a resposta. O frio era a morte.
O sorriu que sformou em seus lábios foi o de mais puro divertimento. Afastou-se alguns passos do mercenário e deixou que uma risada escapasse por entre seus lábios avermelhados, enquanto deleitava-se no ardor da nova descoberta. Henry deixou que sua diversão se manisfestasse por alguns segundos mais, antes de contê-la, porém, com os lábios ainda traçados num sorriso devida graça que persistia dentro de si. - Você não tem ideia de quanto poder tem em mãos, não é? - A voz ainda tinha tom provido de entretenimento, enquanto a pose era relaxada. Henry houvera desistido de assassinar o alvo e completar sua missão no instante em que descobrira o poder do mercenário diante de si. Sua sede por dinheiro não era equivalente a curiosidade pretensiosa que crescia no âmago do rapaz. - Posso ver estampada em seu rosto a apreensão. - Completou. - E tal apreensão nunca deve estar aparente no rosto de alguém como você. - Aproximou-se do outro homem, retomando a distância que outrora havia imposto. A mão fez um movimento preciso porém quase imperceptível, enquanto LeBlanc deixava que a energia cinética que acumulara dentro de si escapasse num jato rápido e breve de poder, movendo o mercenário. Jogou o homem contra a parede do prédio decrépito que se estendia em direção aos céus e moveu-se à ele. O caminhar era felino e os olhos, pousados sobre os do outro, continham uma faísca de excitação.
- Permita que eu lhe conte um segredo. - Disse ao aproximar-se o suficiente para que o murmúrio fosse ouvido. Seus olhos negros com alguns detalhes em cinza se fixavam nos castanhos. - Não importa quanto ele esteja lhe pagando pela segurança, - Acenou para o homem imóvel que outrora fora seu alvo; tinha os olhos arregalados e a feições congeladas numa expressão de assombro pasmo. - sua morte, posso assegurar, vale mais que o dobro. - Encolheu os ombros, indiferente, enquanto dava alguns passos para trás, mantendo distância do outro e, de certo, não querendo ultrapassar ainda mais os limites. - Estou disposto a dividir a quantia pelo assassinato com você. - O olhar tornou a pousar sobre o que antes fora adversário; o brilho divertido continuava escondido por trás dos orbes negros que se assemelhavam a tormentas. - Preciso apenas que me diga se está disposto a trair seu cliente por dinheiro - A voz era quase indiferente, porém a incitação à traição estava maquiada por trás da sutileza falsa no timbre do marinheiro. Umedeceu os lábios com a ponta da língua. - Por que a minha única condição é que você o mate.
Day 123; Stop Thinking of Yourself from The Blue Van’s album Man Up.