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Get me out of my mind {@Andrew}
- Argh, outro final feliz. - Leonard jogou o livro às suas costas, que fez um estrondo ao atingir o chão, levantou-se de sua poltrona e serviu-se de mais uma dose de uísque. Bebeu-a de uma só vez, sentindo o líquido cortar sua garganta e uma certa tontura embaralhar sua visão por alguns segundos. A noite estava quente e o homem perambulava pela casa usando apenas sua roupa debaixo. Ele subiu até o banheiro e olhou-se no espelho por tempo suficiente para constar que não podia continuar daquele jeito. Abriu o chuveiro na temperatura mais fria que pôde e esperou a água cair sobre seu corpo, despertando-o da ressaca.
Aquelas noites nas quais ele gastava tempo lendo romances e fantasiando sobre uma mudança total em sua vida, a qual nunca chegava, se tornavam cada vez mais comuns. Mas aquela tinha sido sua escolha. Ele havia escolhido a solidão. Fechou o chuveiro e se enrolou na toalha, indo até o quarto enquanto seu cabelo molhado deixava um rastro de gotas por onde passava. Pegou uma camiseta branca e jeans apertados, colocou um par de tênis, que não faziam muito seu tipo, e ajeitou o cabelo rapidamente.
Se for para ficar bêbado, que seja em alguma boate, pensou ele. Foi até a mesa de cabeceira e pegou suas chaves. Certificou-se de que sua casa estava cuidadosamente fechada e foi até a garagem buscar seu Porsche, carro comprado com o dinheiro que ganhava fazendo seus shows de ilusionismo.
Cerca de vinte minutos depois ele estacionou o carro de luxo em frente ao Mutant’s Privilège Nightclub, lugar o qual só frequentava quando estava extremamente cansado de ficar sozinho. Mesmo que não recebesse atenção de ninguém interessante, ficar cercado de pessoas lhe dava uma sensação de companhia.
Abriu a porta do carro e jogou as chaves ao funcionário encarregado de guardá-lo. Enquanto caminhava em direção a entrada, várias prostitutas se aproximavam dele e sussurravam coisas absurdas que deixariam qualquer homem de louco, mas com ele era diferente. Elas eram indiferentes para ele, e sua presença não fazia nada mais do que incomodá-lo.
Sem procurar qualquer rosto conhecido, afinal de nada adiantaria, já que não tinha amigos, foi até o bar e pediu uma coquetel de frutas. Enquanto ocasionalmente ele bebia do canudo, um gole por vez para sentir os efeitos do álcool em seu sangue chegar aos poucos, ele avistou um homem bastante interessante ao seu lado. Ele tinha cabelos castanhos e volumosos, olhos expressivos e pelo pouco que olhou, Leonard deduziu que seu corpo era tão agradável quanto todo o resto. Ele pigarreou e o homem olhou para ele.
- Boa noite. - Leonard deu um rápido sorriso torto e logo seu semblante assumiu a seriedade de antes novamente. - Aproveitando a noite?
Meet me on the equinox | Wisey & Raskus
As grandes janelas de vidro, indo do chão até o teto do apartamento de Wisey, mostravam uma Chicago movimentada e fria. A noite de sexta feira parecia perfeita para um descanso em algum dos famosos bares da grande cidade, mas não era para isso que a garota estava saindo de casa. Ela olhou para seu pesado relógio prata de pulso e viu que já eram quase onze horas, o horário que tinha marcado para se encontrar com Raskus, certamente não se importava em chegar um pouco atrasada no local, mas não queria deixá-lo impaciente.
Quando já estava em seu carro, perambulando pela grande cidade, seu telefone toca, vê que é Raskus e não atende, a garota não queria sofrer nenhum acidente de carro ou coisa terrível assim. Estacionando o automóvel, Wisey vai em direção ao local com uma enorme placa fluorescente com os escritos "Mutant’s Privilège" na frente. O lugar estava cheio, pessoas bebiam, conversavam e dançavam, mutantes de várias castas, por isso ela fez o grande favor de reservar uma sala para os dois conversarem em paz.
No balcão uma moça de cabelos escuros e pele morena a atendeu, disse que Raskus já estava a esperando na sala e lhe mostrou o caminho. Com um sorriso sincero para a moça, Wisey a agradeceu e foi direto para a pequena, mas confortável sala. Lá havia apenas uma mesa e duas cadeiras com o estofado rosa, combinando com o resto da decoração, em uma das cadeiras o homem de cabelos escuros e olhos azuis, com uma roupa formal estava sentado, batendo em seu relógio como se quisesse mostrar o atraso da garota, ela dá de ombros e vai se sentar na cadeira à sua frente.
I wanna get into a fight {raskus and sev}
A noite era fria. Sev caminhava pelas ruas abandonadas próximas ao Widmore Theater, chutando os cascalhos que se desprendiam no asfalto batido com seu usual coturno de couro, cantarolando uma musica que costumava, ao berros, cantar com seus companheiros em seu tempo de marinheiro. Uma ventania repentina tornou a passar por ele, fazendo com que alguns dos pequenos flocos de neve caíssem em seu rosto pálido sob à luz do luar e o homem murmurasse pragas entredentes. Sons de gritaria ao longe logo tocaram os ouvidos de Henry quando ele se recompôs e este não escondeu um meio sorriso travesso e animado, como o de uma criança na escola ao ouvir o sinal para o intervalo. Agora, por fim, era hora de dar um pouco de diversão ao garoto LeBlanc.
Adentrou a construção aparentemente abandonada e os sons, antes abafados, atingiram-lhe os ouvidos como fogos de artifício em um novo ano. Atravessou a entrada do teatro, em direção os gritos que aumentavam a cada passo dado. Soltou um suspiro ao subir a escadaria íngreme que levava ao salão onde outrora os humanos apresentavam peças de teatro. A diversão estava cada vez mais próxima.
Ao entrar no salão, as luzes e o calor que o local emanava o acolheram, assim como os gritos que conhecia bem. Apostadores, pensou, nunca conseguem deixar suas malditas bocas caladas. E era verdade, os mutantes que gostavam de apostar e o faziam com frequência, costumavam gritar como um bando de baleias no cio, dizendo comandos e dando dicas, comemorando as vitórias e praguejando durante as derrotas. Henry, porém, ignorou todo barulho, seguindo em direção a pequena mesa próxima ao palco do teatro onde dois mutantes ensanguentados lutavam. Parou diante da mesa e observou o homem de cabelos negros e pele escura, que parecia entediado. - Escreva meu nome ai, Ted. E vê se me arranja um oponente a altura - Disse, franzindo o cenho. - O último foi um desastre, aquele Beta Menos não chegou nem a fazer cócegas. - Completou, um pouco divertido. "Você que manda, LeBlanc, acho que hoje tenho exatamente o que preciso para fazer você calar essa sua boca miserável", o homem respondeu, divertido também. Henry deu de ombros, como se não se importasse, sentindo o leve torpor espalhar-se por seu corpo, enquanto setava-se em uma das poltronas vazias e esperava por sua vez de lutar. Ninguém nunca o ganhara antes e estava ansioso para ver a quem Ted se referia.