Always || Bianca + Henri
Bianca ergueu as sobrancelhas e sorri de lado. Mais do que deveria, acho.” Até onde a mente da loira ia, ela nunca comentara com a mãe sobre nada muito importante, nem lembrava de sequer ter falado sobre o namorado. Contudo, religiosamente, uma frase que seja sobre Miller estava no pergaminho. A menina tinha que admitir que haviam memórias, simples e pequenas, que a marcaram tanto que ele não lembrar nem chegava a ser doloroso. Eram pequenos fragmentos que ela juntava por algum motivo e que sentia, no fundo, que o motivo não estava muito longe de ser revelado. “Deixa pra lá” Sorriu mais contidamente deixando-se perder nas mobílias do quarto e na sensação de que nada poderia estragar esse momento, nem a menção de Susanna de Nárnia. “Personalidade? Ela desistiu de Nárnia para ficar no mundo adulto! Nunca a perdoe por isso.” Fechou a cara brincando. Nem quando ela voltou no fim do mundo, Bianca conseguia largar o ressentimento pelo personagem de livros infantis. “Não me faça fazer de novo.” Pôs o dedo em seu lábio e deu leves batidinhas, rindo. “Para tudo há um tempo certo.” Falou categórica. “Até para tirar a roupa. Por mais que você seja um modelo digno das revistas trouxas e bruxas, eu, na minha humilde opinião, gostaria de ter motivo para gastar meus galeões numa revista. Ter você diariamente nu na minha frente não dá vontade nenhuma de comprar.” Encolheu os ombros e levantou as mãos. Ela não podia fazer nada quanto a isso.
A confusão que instaurá-la na cabeça de Bianca simplesmente se acalmou e desapareceu. Não haviam dúvidas, não havia aquele receio, aquela incerteza que a corroía por dentro. Não queria dizer que o que sentia por Henri era algo que foi se desenvolvendo, partindo do zero e se avultando como o tamanho de um arranha-céu. Ela estaria mentindo. O encontro entre dama e cavalheiro naqueles corredores a tanto tempo não serviu para que ela tomasse só consciência dele, mas que ela aprendesse um tipo de sentimento que ela não estava preparada ainda. E esse sentimento foi se revelando, assumindo proporções que lhe fugiam do controle e que a prendiam, isolavam-na por causa do medo. Amar o melhor amigo era quase clichê, sim, mas só para quem os conhecessem agora. Mais ser apaixonada por um estranho desde o dia que pusera os olhos naqueles olhos castanhos era, no mínimo, de assustar qualquer um. Ela baixou as mãos soltas até o rosto e o segurou com uma gentileza que só podia ser comparada a segurar algo extremamente frágil, que se partiria se seus dedos fossem muito desajeitados. Bianca lembrava do gosto daqueles lábios, da sensação quase causticante do calor que fazia inundar o seu corpo. Era diferente, ao mesmo tempo igual. Separou os lábios depois de alguns minutos, incapaz de segurar a respiração por muito mais tempo. Tão próximos. Abriu os olhos, a pontada de medo ainda pairando por trás da íris azuis, antecipando o que ia falar. “Eu te amo.” Seus dedos se fecharam um pouco mais atrás das orelhas dele, seus olhos ameaçando vazar com lágrimas sem significado. “Henri, eu te amo.”
"Hm... Acho que não. Quer dizer, acho que não foi mais do que deveria" ele deu de ombros inocentemente. Queria ter dito que esperava que ela falasse sempre sobre coisas boas, ou pelo menos, na maior parte to tempo, mas sua boca continuou imóvel e sua expressão ainda era a mesma. Talvez Henri se descrevesse como "Sem expressão" naquele segundo, porque seu rosto estava fechado, pensativo. Não que estivesse bravo com algo, mas seu sorriso habitual não estava ali. Não até o momento em que ele viu a seriedade no rosto dela, nesse momento, um leve sorriso brotou em seus lábios "Ela tem personalidade sim! E não faz muito sentido isso. Quer dizer, ela só quis viver, certo? Não é o que todo mundo quer? Acho que ela queria ser feliz, e sabia que não seria em Nárnia" assim que completou sua linha de pensamento, permitiu-se esboçar um riso baixo combinado com um dar de ombros. Não era exatamente o que ele diria normalmente. Em sua cabeça, henri pensava em argumentos como "Ela é a mais bonita da história" ou "Eu pegava fácil", mas diante de Bianca, qualquer insinuação para outra garota parecia errado. "Então não quer mais me ver sem roupa? Bom saber" cruzou os braços como uma criança magoada e desviou o olhar, segurando o riso e ao mesmo tempo, alimentando a leve pontada de mágoa sobre o que ela havia dito.
Por questão de segundos, o mundo todo pareceu parar. Apenas a voz de bianca soava ao longe, repetindo a mesma frase que Henri sonhava em ouvir para sempre daqueles lábios "Eu te amo". Era mais poderoso que qualquer feitiço que ele podia pensar. Desatava uma espécie de dor em seu peito e estômago, mas seria errado chamar aquilo de dor. Amor. Era exatamente isso que ele estava sentindo. Ele sabia, conseguia facilmente listar os sintomas e tinha certeza que a amava. Ele já havia sentido algo como aquilo antes, mas não em tão grandes proporções. "Você me ama? Bia, a cada sorriso seu eu sinto que estou cada vez mais apaixonado por você. Como se... Você fosse minha desde a primeira vez que fingiu um desmaio e eu te segurei, na primeira vez que conversamos. Eu não sabia disso naquela hora, e sinceramente, sinto muito por demorar tanto para perceber o quanto eu te amo. E eu disse isso, porque achei que Eu também seria simples demais pra explicar o que eu sinto" acabou por dizer mais rápido do que gostaria, mas não importava. Nenhuma palavra poderia descrever os sentimentos do garoto, e ele queria gritar para o mundo todo ouvir como era bom ser amado. Como era bom ouvir isso de Bianca.



















