Always || Bianca + Henri
“Quanto?" sorriu demonstrando-se mais interessado do que deveria. Sem que conseguisse controlar, sua mente vagou tentando imaginar o que ela poderia ter dito para a mãe, mas por fim, decidiu que esperar pela resposta dela parecia mais racional. "Eu entendo isso”. apenas permitiu-se assentir por alguns segundos, e logo seus lábios formaram uma linha que nem de longe era parecida com seu sorriso habitual. “Tudo bem" foi a única resposta que ele conseguiu dar.
“Memória do lago com a da cozinha?" perguntou franzindo o cenho. "Morrer afogado na bancada…?" novamente a expressão confusa apareceu no rosto de Henri e riu erguendo as mãos como se estivesse se rendendo. "Exato. Preciso de um motivo melhor?" riu ainda mais, e quando parou, seu sorriso era malicioso. Pensou no dia no lago, e rapidamente se lembrou "Eu fiquei dolorido por dias, se quer saber… E sim, saiu sangue, foi por isso que você parou" fez uma cara de dor e um bico no fim, como se estivesse se lembrando e sentindo a dor do dia.
“Mas… É. Só que se demorar muito, acaba… Demorando para acontecer" riu da sua própria explicação. Como sempre, a resposta não tinha tanto sentido quando parecia ter na cabeça dele. Esperava realmente que o tremor passasse logo, porque por mais que Bianca já parecesse mais calma, Henri não conseguia se impedir de pensar que ela ainda estava triste ou abalada com alguma coisa, e que a qualquer momento, poderia voltar aos prantos. "Nunca ouviu que o que é bonito é pra se mostrar? E você é a pessoa que mais me vê sem roupa, então… Acho que não tem problema. Tem?" sorriu e a imitou, pegando o caramelo com a boca depois de jogá-lo no ar.
Henri poderia não saber muito sobre o mundo, mas sabia como ler o livro escrito nos olhos de Bianca. A maneira como ela o olhava. O caminho que o olhar percorreu até seus lábios e naquela hora, ele soube. Soube que ela iria beija-lo. Talvez pelo simples motivo de que a garganta de Henri parecia estar travada e sua boca seca, ele não conseguiu dizer nada, muito menos tentar impedir. Parecia errado demais assumir seus desejos guardados a tanto tempo e ao mesmo tempo era incrível o poder que os lábios dela ainda tinham sobre ele. Mesmo com o frio, aqueles lábios eram quentes. Irresistivelmente quentes e doces. Era o caramelo, pensou, mas sabia que Bianca tinha um doce próprio que havia conquistado-o fazia tempos. Sem controlar qualquer exito, ele já estava retribuindo o tal beijo. Suas mãos afrouxaram nos pulsos dela e ele soltou-a e notou que suas mãos desceram até o quadril dela. Poderia passar o resto da noite, senão da própria vida, apenas beijando-a. Só a simples companhia da garota já lhe parecia suficiente. Não parecia errado, e desatava uma sensação que Henri mal sabia descrever, muito menos explicar. Sabia que o que ele havia dito tinha pelo menos um pouco de culpa no beijo, mas não se culpava. Ele a queria, e precisava dizer isso de alguma forma.
Bianca ergueu as sobrancelhas e sorri de lado. Mais do que deveria, acho.” Até onde a mente da loira ia, ela nunca comentara com a mãe sobre nada muito importante, nem lembrava de sequer ter falado sobre o namorado. Contudo, religiosamente, uma frase que seja sobre Miller estava no pergaminho. A menina tinha que admitir que haviam memórias, simples e pequenas, que a marcaram tanto que ele não lembrar nem chegava a ser doloroso. Eram pequenos fragmentos que ela juntava por algum motivo e que sentia, no fundo, que o motivo não estava muito longe de ser revelado. “Deixa pra lá” Sorriu mais contidamente deixando-se perder nas mobílias do quarto e na sensação de que nada poderia estragar esse momento, nem a menção de Susanna de Nárnia. “Personalidade? Ela desistiu de Nárnia para ficar no mundo adulto! Nunca a perdoe por isso.” Fechou a cara brincando. Nem quando ela voltou no fim do mundo, Bianca conseguia largar o ressentimento pelo personagem de livros infantis. “Não me faça fazer de novo.” Pôs o dedo em seu lábio e deu leves batidinhas, rindo. “Para tudo há um tempo certo.” Falou categórica. “Até para tirar a roupa. Por mais que você seja um modelo digno das revistas trouxas e bruxas, eu, na minha humilde opinião, gostaria de ter motivo para gastar meus galeões numa revista. Ter você diariamente nu na minha frente não dá vontade nenhuma de comprar.” Encolheu os ombros e levantou as mãos. Ela não podia fazer nada quanto a isso.
A confusão que instaurá-la na cabeça de Bianca simplesmente se acalmou e desapareceu. Não haviam dúvidas, não havia aquele receio, aquela incerteza que a corroía por dentro. Não queria dizer que o que sentia por Henri era algo que foi se desenvolvendo, partindo do zero e se avultando como o tamanho de um arranha-céu. Ela estaria mentindo. O encontro entre dama e cavalheiro naqueles corredores a tanto tempo não serviu para que ela tomasse só consciência dele, mas que ela aprendesse um tipo de sentimento que ela não estava preparada ainda. E esse sentimento foi se revelando, assumindo proporções que lhe fugiam do controle e que a prendiam, isolavam-na por causa do medo. Amar o melhor amigo era quase clichê, sim, mas só para quem os conhecessem agora. Mais ser apaixonada por um estranho desde o dia que pusera os olhos naqueles olhos castanhos era, no mínimo, de assustar qualquer um. Ela baixou as mãos soltas até o rosto e o segurou com uma gentileza que só podia ser comparada a segurar algo extremamente frágil, que se partiria se seus dedos fossem muito desajeitados. Bianca lembrava do gosto daqueles lábios, da sensação quase causticante do calor que fazia inundar o seu corpo. Era diferente, ao mesmo tempo igual. Separou os lábios depois de alguns minutos, incapaz de segurar a respiração por muito mais tempo. Tão próximos. Abriu os olhos, a pontada de medo ainda pairando por trás da íris azuis, antecipando o que ia falar. “Eu te amo.” Seus dedos se fecharam um pouco mais atrás das orelhas dele, seus olhos ameaçando vazar com lágrimas sem significado. “Henri, eu te amo.”












