abaixo de uma das diversas escadas da mansão de inguk, em um cantinho feito inerte somente devido aos dois seres que se abrigavam sob os degraus, alheios dos sons da casa que nem mesmo ousaria alcançá-los, as crianças que ali habitavam, pareciam iluminadas pelo pétreo do local, com breu pragmático as tomando como velhos amigos, lhe batendo os ombros. ‘ então esse é seu jeito de me chamar de esquisita? ’ a criança de cabelos longos vislumbrou o menino a sua frente, com uma sobrancelha erguida, tentando parecer bem mais valente do que realmente era, desafiadora com o nariz ruborizado e a perna inquieta. mesmo que segundos atrás se martirizava não boa o suficiente, para sempre, na média. ‘ tudo bem, eu meio que gostei. ’ disse, dando os ombros, ou, ao menos dissimulando muito bem. ora, sabia que era um pouco bobo agir assim, afinal já havia sofrido aflições muito maiores, contusões insuportáveis, dentro e fora de sonhos, era muito bem resistente e acostumada a dor, muito obrigado. o que a pequena misun não acolhia com tanta facilidade era o tal do cuidado alheio. e mesmo assim, ali estava, claramente um pouco nervosa por permitir esse vindo de nuri. realmente pensando bem, nuri ponderava ( não era preciso, visto que sentia ) que não havia ninguém melhor para aquilo, nem o melhor dos médicos que conhecia, nem curadores. a pequena ainda não sabia explicar, nem entender muito bem, já que era novo, mas, acima de todas as dúvidas e estranhezas, residia a certeza; aquele era ser distinto, compreensivo por mais da existência da quimera solta em misun, já que o próprio guardava as suas, a menina conseguia ver de maneira pouco nublada, eles eram parecidos, necessitavam de zelo. a criança faria questão de estar ali para o mais velho, ela sabia disso desde o começo apesar da clara desconfiança em seus primeiros dias. pois justamente não era algo devidamente raciocinado, não era contido e linear como ja havia praticado, não era algo compreensível para além dos dois. a alguns meses não o conhecia, e achava aquilo tudo muito curioso, pois algo havia mudado, a criança apenas não sabia nomear o que. então era aquilo que chamavam de completude, aquilo era o bom, o outro lado? apesar de sentir seus dias nublados, mais nublados sem ele, achava que era isso sim. não percebeu realmente que o garoto tratava o corte em seu braço até o ouvir ele explicando o que fazia. para ser sincera, aquilo meio que havia sido culpa. ainda não sabia se remendar por inteira, o tio causador da maioria de seus traumas não era muito interessado em ajudá-la ( fazia parte da lição, ele dizia, e misun entendia totalmente ), era comum que cortes se abrissem, principalmente se correndo e batendo contra obstáculos nas brincadeiras com nuri. retornou o olhar ao outro, aproximando-se para ouvir. e com o cuidado, percebeu, se fazia sóbria, a agitação ia embora com um lento adeus, apenas concentrando na palavra alheia ( por vezes se perdendo na explicação ) ‘ mesmo sendo esse o problema laaaa no fundo. ’ disse não querendo discutir sobre aquilo agora. ‘ eu gosto o jeito que você diz. também não sei a palavra, nuri, mas não te definiria assim ’ não que as palavras exatamente importasse com eles dois, era mutualmente conhecido, talvez devido ao pequeno riso compartilhado ou o jeito que se movia, talvez poderia chamar apenas intuição, sabia que se entendiam.