uisoogms:
quando uisoo tem certeza de que a angústia é mais do que ele consegue suportar, e o seu coração acelera num nível impossível, errático, pronto a saltar do peito de tanta ansiedade, jongha confirma as suas suspeitas com as mãos quentes sobre o seu rosto, pulsando uma intenção difícil de explicar mas que o acalma no mesmo instante. não é o suficiente para arrancá-lo da crise de pânico de uma vez só, não está nem perto disso — mas uisoo consegue respirar sem precisar tomar uma quantidade absurda de ar e os seus dedos diminuem consideravelmente o tremor. ele enxerga com facilidade o exato instante em que as habilidades de jongha param de funcionar e o rebote o ataca sem aviso, abrindo mão de pelo menos um terço dos sentimentos ruins sem poder fazer nada para impedi-lo. em outro momento, uisoo insistiria para jongha não absorver o que não lhe pertence, mas não agora. essa é a primeira vez em muito tempo que uisoo se permite precisar de alguém além da sua irmã. deve ser a junção da voz tranquilizante de jongha e o afago mínimo, quase imperceptível, que ele deixa escapar que faz com que uisoo firme as mãos nos seus braços, sem machucá-lo. elas escorregam de volta até os seus cotovelos, as mangas compridas farfalhando, para segurá-lo feito um ponto de apoio, como se a qualquer instante jongha pudesse desaparecer. “eu—” uisoo engole devagar, a boca seca com o pavor sem explicação. “eu não—” a sua voz soa pequena e patética. as costas do seu pijama estão ensopadas de suor e a frente, manchada com um sangue que não é seu. o seu cabelo encharcado enrola nas pontas, grudado nas têmporas. o seu rosto está atipicamente pálido, mas escuro na pele fina debaixo dos olhos. uisoo não sabe se vai vomitar ou desmaiar primeiro.
jongha vai só concordando com a cabeça, um indicativo de que tudo está e vai ficar bem, só porque ele precisa que uisoo acredite nisso, as mãos segurando o seu rosto ainda firme entre elas. a tentativa de não vacilar o olhar, de não passar dúvida, ainda que a carregue, parece funcionar.
“eu sei, eu sei,” jongha não sabe, o que não importa agora; o importante é tentar buscar a calma de uisoo, dar um jeito no que quer que aquilo seja. seus olhos correm pelo torso dele, os ombros. “a gente precisa dar um jeito nisso,” o comentário é mais autocentrado do que direcionado, e aí ele faz uma pressão mínima na direção de uisoo na tentativa de conduzí-lo até o amontoado de espuma rasgada e tecido que um dia formaram um sofá, perdido atrás dos dois. as mãos escorreram até os ombros de uisoo. “vem comigo, senta,” o tom mantém-se ameno, tão diferente das broncas e ordens durante os treinos, os passos forçando na direção das costas de uisoo com cuidado.














