A pergunta lhe pegou desprevenida. Se estivessem na Floresta, por exemplo, faria completo sentido que ele se recordasse dela. E portanto lá a vampira jamais se atreveria à se colocar na frente dele outra vez. Mas em Storybrooke? Ele não deveria se recordar. Ela sorriu, então, porque percebeu que se ele o fazia, então sua importância teria de ser significativa na vida do outro, certo? Tão logo balançou a cabeça, forçando o sorriso para fora de seu rosto. “Acredito que não. Talvez tenha me visto no hospital, eu trabalhava por lá” Ao menos nas memórias daquela cidade, Roxanne tinha. E podia ser uma boa desculpa para um rosto familiar, embora fosse triste que ela precisasse fingir não ter feito parte da vida do outro. Maldito vampirismo. Em momentos como aquele, ressentia Celaena — mais do que gostaria de admitir, e mesmo sabendo que as intenções da outra sempre foram as mais puras. Por que não a tinha deixado morrer? Agora era Roxy que estava lá, vendo a ex paixão, de quem havia sido obrigada a se afastar. “Roxy. É Roxanne, mas pode me chamar de Roxy” Apresentou-se com o nome também dado pela maldição. Estendeu a mão para cumprimentá-lo, uma mera desculpa para poder toca-lo. “Eu acho que tenho um rosto fácil de confundir, mesmo” Brincou, ainda que não fosse bem assim. Tudo bem que ela não era dona dos traços mais únicos, mas tampouco o rosto podia ser descrito como comum. Tardou-se no cumprimento, segurando a mão alheia mais do que deveria, e quando percebeu afastou-se um pouco. Se perguntou se ele reconheceria o perfume que ela usava - o mesmo, feito com os cremes que ela mesma fazia. No fundo, sabia bem que não deveria mesmo estar ali, muito menos abusando de artifícios que talvez o fizessem lembrar da jovem. Mas não podia resistir. “Eu vim pelo… pela… isso aqui… a madeira” Gesticulou, esquecendo-se do que tinha fingido que precisava quando entrou na loja. “Como você aprendeu a fazer essas coisas? São tão bonitas” Disse, apontando então para alguns dos trabalhos ali dispostos.
Ainda que ela tivesse lhe dito que ele provavelmente a vira no hospital, a desconfiança de Theodore permanecia, visto que ele tinha certeza de que se lembraria de uma mulher bonita como aquela se em algum momento tivesse pousado os olhos castanhos no rosto feminino. No entanto, talvez ela tivesse razão e ele a havia visto, afinal, em um hospital seria completamente normal que ele não prestasse muita atenção ao seu redor além de simplesmente querer melhorar logo do que quer que estivesse sentindo – Deve ser isso mesmo – assentiu lentamente com a cabeça. Ainda que não estivesse cem por cento convencido do que ela havia lhe dito, ele não tinha muito o que fazer além de concordar e ficar sozinho depois tentando lembrar de alguma coisa – É um prazer, Roxy. Com todo o respeito, mas não acho que você tenha um rosto fácil de confundir, porque se eu tivesse visto você em algum lugar, com toda a certeza me lembraria porque… bem, a senhorita é extremamente bonita – é claro que aquelas últimas palavras saíram completamente sem jeito, fazia muito tempo que não dizia absolutamente nada do tipo para as pessoas, a mão estendendo-se para apertar a da mais baixa com um sorriso simpático nos lábios, as orbes castanhas desviando-se para as mãos que estavam juntas a mais tempo do que seria o necessário, mas esperou ela romper o toque e quando isso finalmente aconteceu, tratou de cruzar os braços na frente do peito – Certo… e o que exatamente a senhorita gostaria da madeira? - indagou calmamente, a cabeça inclinando-se suavemente para a direita enquanto mantinha as íris nas belas feições femininas – Aprendi com meu pai. Digamos que é um negócio da família, nada muito extraordinário. E obrigado pelo elogio.