𝒐𝒄𝒄𝒖𝒑𝒂𝒕𝒊𝒐𝒏: artista independente e funcionária no Flora’s
CNN LIST.
𝖕𝖊𝖗𝖘𝖔𝖓𝖆𝖑𝖎𝖙𝖞:
Não se lembra, mas antes de ser transformada a sua característica principal era a calma. Esta, há muito perdida, ocasionalmente faz uma aparição nos melhores dias – naqueles em que os remédios (como prefere chamar as poções) fazem um bom trabalho em controlá-la. Mas depois de todos esses anos, apresenta-se como alguém exageradamente enérgica e intensa. Para o bem ou para o mal, suas reações são majoritariamente fortes. Também não é muito polida, talvez pelos tantos anos convivendo com os soldados boca suja e posteriormente os vampiros estressados. O fato de ter dentro de si uma enorme quantidade de pequenos pedaços de outras pessoas não quer dizer que ela flutue entre diferentes personalidades; sempre fora Roxelana, e sempre tentou se apegar ao máximo no que a fazia… bem, ela. As vezes parece esgotada demais, já que constantemente luta contra a vontade de usar o seu poder (mesmo que isso também diminua com o uso correto dos remédios), e tenta se manter fiel à si mesma mesmo na turbulência que é sua mente. De modo geral, é muito bem humorada e expansiva, bem como impulsiva e impaciente. Pode se irritar com facilidade e não foge de confrontos, já que prefere lidar com tudo diretamente, mas não costuma ser grosseira sem motivos. Costuma ter highs, que são normalmente repletos de uma energia incansável e um humor tranquilo, e lows, caracterizados por uma sensação melancólica e incomum quietude. Em Storybrooke, vem tendo mais highs.
𝖍𝖊𝖆𝖉𝖈𝖆𝖓𝖓𝖔𝖓𝖘:
> Quando Lisa morreu, tentou usar seu poder de cura para trazê-la de volta. Não teve sucesso, mas o uso de tanto do seu poder fez com que ela absorvesse todas as memórias e sentimentos da falecida esposa do Drácula. É um dos principais motivos para não conseguir deixar de ser aliada mesmo não concordando com as atitudes recentes dele.
> Nunca transformou ninguém. Embora não diga em voz alta pelo amor que tem por Celaena, que a transformou, odeia o fato de ter se tornado vampira e o considera um castigo que ela não tem a menor intenção de repassar.
> Embora se alimente de sangue humano (sem que seja à força), evita fazê-lo diretamente de seus pescoços pois sempre se sente tentada a curar em seguida.
> Tentou a dieta vegetariana de Celaena, bebendo sangue animal por um tempo, na esperança de ficar mais fraca. Infelizmente, apenas a deixava com menos força para lutar contra os instintos e o poder, e portanto não pôde levar para frente.
> Estudou o máximo que podia sobre diferentes formas de cura para que tivesse alternativas de ajudar os outros sem precisar recorrer à habilidade, por isso além dos conhecimentos mundanos de medicina, também aprendeu como fazer diversas poções e cremes com propriedades do tipo.
> Ama pintar. Isso é uma das poucas coisas que sabe sobre si mesma da época anterior à sua transformação (não se lembra, mas seu sonho inicialmente era ser artista, e não enfermeira). Também ajuda muito a lidar com o barulho de sua mente, e é uma grande fã da arte abstrata e do surrealismo.
> Tem recorrentes pesadelos com sonhos de outras pessoas, bem como alguns medos que se manifestam vez ou outra de forma inesperada. Portanto embora ela não tenha medo de água, por exemplo, pode ser que alguma vez que esteja em uma piscina, uma lembrança a atinja e ela experimente esse medo repentinamente. O corpo também apresenta alguns sintomas de alergias aleatoriamente às vezes.
> É apaixonada pelo céu e pela forma que ele consegue acomodar tantas estrelas com plenitude, quase como se desejasse que fosse assim dentro de si também. Tem um telescópio em sua casa, que usa para observá-lo, e tinha um em Tenebris também.
𝖇𝖎𝖔:
O Império Otomano sucedeu por anos, tornando-se uma grande dinastia sob comando de Osman I. Mas embora Roxelana pudesse ter feito parte deste, havia nascido muitos anos depois do sucesso do imperador Osman Gazi, muito depois ainda do último que pudera se orgulhar de ser tão grande quanto ele. Roxy nascera em 1883, a tempo de ver o declínio da grandiosa dinastia, bem como vivenciar o estopim para a sua queda: o momento em que o já estagnado império entrava na Primeira Guerra Mundial como aliado da Alemanha. Roxelana na realidade não se recorda de quem era muito bem naquela época, sequer é capaz de saber quem eram seus pais ou como fora sua infância. Feliz, talvez, esperava. Apenas se recorda de que o instinto de cuidar sempre estivera presente, o que provavelmente a motivara a se tornar enfermeira. Não saberia dizer se tivera escolhido deliberadamente servir na guerra naquela posição, cuidando dos soldados feridos. Se sim, então recaía sobre si a culpa do que se tornaria o seu pior castigo. Apenas uma coisa segyiu clara durante todos os anos de sua existência, como se houvesse acontecido há não mais que algum par de horas: o dia em que fora transformada. Tivesse ela enxergado o soldado oponente com o mesmo viés do seu lado da guerra, Baysel não seria atacada ao tentar ajudá-lo a sobreviver. Claro, o próprio rapaz estava fora de suas faculdades mentais, traumatizado pela situação violenta ao qual fora submetido, reagindo de modo instintivo a qualquer som mais alto que um sussurro. A faca foi cravada perto do pescoço, e não deveria ter sobrevivido. A natureza tinha leis claras, e obviamente a desobediência desta traria terríveis consequências.
Quando acordou, tudo parecia mais intenso. As cores eram mais fortes, os aromas eram mais acentuados, as sensações eram eufóricas. Sentia-se forte, alerta, ágil. Mas não deveria estar viva, sabia disso; até a voz de Celaena ser a responsável por explicar a sua atual situação. Vampira! Claro, claro que só podia ser uma piada da mulher que até então havia esbarrado apenas um par de vezes no cenário impetuoso da guerra. Levou um bom tempo até aceitar e compreender o que havia se tornado, difíceis meses se acostumando com as novas sensações, as novas necessidades. Era ainda mais difícil quando a própria criadora tampouco parecia aceitar as limitações impostas pela transformação. Mas o problema de verdade não era a sensação de fome agonizante cada vez que via sangue em seus pacientes, ou o fato de precisar somente trabalhar à longe da luz solar, e sim da sensação forte que crescia cada vez que via alguém ferido. A melhor enfermeira do acampamento, diziam, porque a cura de seus pacientes não mais vinham dos conhecimentos mundanos mas da mágica que de alguma maneira corria em seu corpo. Um pequeno toque, um pouco de concentração… e pronto, qualquer ferimento ia embora. Convenceu-se por um bom tempo de que aquele era seu propósito! Que aquela loucura havia acontecido para que pudesse curar a todos, para que fizesse impecavelmente bem o que sempre pretendera. Foi pouco depois de dois anos que os primeiros sinais vermelhos começaram a aparecer. Cada vez que curava alguém, podia sentir alguma coisa refletindo no próprio corpo. Uma dor fantasma, uma coceira, um desconforto. Às vezes sentia-se triste, outras com raiva. E então, suas emoções passaram a se tornar intensas. Suas noites eram ocupadas por sonhos estranhos, por lembranças que não eram suas. Alguns medos inexplicáveis, alguns traumas que nunca tivera. E foi aí que percebeu que, ao doar um pouco de si para curar os outros, recebia de volta. Incontroláveis emoções, sentimentos, memórias. Armazenava um pouco de outras pessoas em si. E, bem, era demais para ela.
A necessidade de usar seu poder era quase irresistível, como um vício. Lutar contra o instinto beirava a dor física muitas vezes, além do peso na consciência. Mas sua situação piorava, mesmo assim. Ainda usando o mínimo possível, sua estabilidade mental e emocional parecia debilitada e diretamente conectada ao poder. Os sonhos se tornavam recorrentes, os medos se tornavam paralisantes, as emoções faziam com que agisse de forma completamente diferente do normal. Foi ao perceber o estado caótico da mulher que Celaena decidiu levá-la a Tenebris, onde poderia obter alguma ajuda. A convivência com outros iguais a si era bem vinda, bem como as poções que começavam a auxiliar no seu problema. Enfraqueciam seus poderes, quase que os adormecendo por completo, mas a deixava estabilizada. E assim poderia seguir o mais próximo da sanidade possível. Seu instinto e sua história faziam com que concordasse com o ponto de vista pacífico de Drácula em relação aos humanos, e a proximidade de Celaena com o líder e sua esposa inevitavelmente a colocava na mesma posição. Havia apreço por eles, lealdade. Quando Lisa fora morta, sofrera tanto quanto sua criadora, que ate então cuidava da segurança da mulher pessoalmente. Muito embora não concordasse com a maneira que Drácula passava a agir após o falecimento da mesma, suas memórias não eram mais apenas suas, nem os sentimentos. Com um misto bagunçado de princípios e opiniões, seguia fiel àquele lado contra Carmilla, mesmo que já não mais fosse capaz de pensar claramente.
Em Storybrooke, a maldição até lhe deu uma nova história - na visão dos outros habitantes -, mas era sempre difícil organizar aquelas memórias em meio às outras acumuladas. Criada pelo pai viúvo - Osman -, a mãe morrera cedo demais de uma doença sem cura. Foi assim que se interessou pela enfermagem, no que atuou por um bom tempo até decidir se afastar. PTSD, poderiam dizer. Passou a se dedicar às pinturas, que muito a ajudavam a externalizar a bagunça que era sua cabeça, e também à criação de cremes e perfumes à partir de flores. Alguns com propriedades medicinais, outros apenas cosméticos. Tornou-se uma paixão, bem como uma distração. As poções continuam sendo ministradas, e para os mundanos, parecem como pílulas de algum remédio forte demais.
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“O seu ‘voltar cedo’ geralmente quer dizer que vamos voltar só de manhã. Isso só é cedo pra quem está acordando, Roxanne.” Vincent falou, dando os últimos ajustes no casaco que vestiu, tomando o seu tempo antes que saísse de casa com a vampira. “E jantar também é um ótimo passeio. Assim como cinema!” Ele retrucou, como se tentasse convencê-la de que estava certo. Por mais que já tivesse se passado pelo menos dois anos naquela maldição — ou vinte e cinco, mas quem estava contando? — Vincent ainda era um cara antiquado. Morar em Tenebris certamente havia lhe presenteado com um gosto por jantares à luz de velas e cinema com filmes antigos, coisas consideradas bregas agora. O Rosa do Deserto estava longe de ser a cara dele, mas era exatamente por isso que Roxanne estava o puxando pra fora de casa, e o médico não arriscaria contrariar a vampira que parecia animada com a saída. De qualquer jeito, a menção à música turca e animou um pouco mais, já que gostava de aprender sobre novas culturas, e aquele mundo era bem vasto nesse quesito. “Eles vão servir bebidas do redor do mundo também? Ou comida? Isso seria interessante.” Se estava prestes a se meter no meio de tanta gente, então era melhor aproveitar do que a boate tinha a oferecer também. “Se bem que agora percebi que estou com fome, já que estávamos falando de jantares e tudo mais…” Falou, enfiando as mãos nos bolsos do casaco e logo lançando uma expressão cheia de ofensa para Roxanne, que tentou o empurrar pro lado. “Você não pode forçar um sorriso meu. Tem que acontecer naturalmente.” Vincent tentou falar sério, mas um pequeno sorriso brincou no canto dos seus lábios, mostrando que estava brincando — sim, ele era capaz disso. “Fechado.” Aceitou o plano dela, respirando fundo o ar gelado da noite. Talvez ela estivesse certa; Vincent precisava sair, e frequentar lugares mais animados que o Gray’s Room durante a semana. “Mas por favor… nada de dançar antes de tomar alguns drinks.”
“Mas ainda é cedo!” Insistiu, e então sorriu de lado. “Tem uma expressão, não é? Como dizem? Hm… it’s five o’clock somewhere” E ela não sabia bem qual era a lógica, se alguém perguntasse, mas diziam aquilo quando queriam justificar a bebedeira em um horário tecnicamente indevido. “Tá, tá bom. São ótimos, mesmo. Mas não sempre. E também são bem menos agitados. E agitação é a coisa que você mais precisa nesse momento” Argumentou; afinal, o rapaz era bastante introvertido e pouco expansivo. Era bastante difícil convencê-lo a sair, inclusive, por isso precisava tomar medidas um tantinho… drásticas. Como puxa-lo à força para fora de casa após invadir a residência. A pergunta alheia fez as sobrancelhas da vampira se arquearem, em uma expressão ansiosa. “Poxa! Espero que sim!! Seria incrível. Ai, que saudade que eu tô de comer um dolma bem feitinho…” Afinal, Granny’s até podia servir uma ou outra coisa de sua descendência, mas não era como se tivessem uma vasta variedade de comidas turcas por ali. “Não se preocupe, a gente come alguma coisa por lá. Mesmo se não tiver as comidas típicas, batata frita é sempre uma boa opção” Relembrou ainda. Quanto ao sorriso, ela não estava convencida de que ele não poderia ser forçado a sorrir. Cócegas serviam para isso! Mas então o rapaz deixou escapar um pequeno riso, que fez a Faulkner mesmo replicar o ato porém de modo bem mais entusiasmado. “Aha!! Olha aí. Você tem dentes” Provocou, cutucando a bochecha do mais alto, mas sua animação de fato veio com a concordância alheia. “PERFEITO” O som saiu bem alto, chamando atenção de algumas pessoas ao redor deles. “Vai ser muito legal. Eu espero alguns drinks sim, mas vai ter que dançar.” Avisou, puxando o braço dele enquanto apressava o passo (tomando cuidado para se lembrar que o ritmo do outro ainda era humano). Não demorou muito para que chegassem ao local, provavelmente o tempo passava mais rápido enquanto falava besteiras, mas do lado de dentro ela logo o levou para o balcão. Precisava fazer valer a pena aquele seu trato! “Oi moço! Dois shots de vodka, por favor. Não, quatro”
TRIGGER WARNING: Sangue, descrição gráfica de machucados.
Enquanto Roxanne se focava em ligar para Celaena e explicar como lidar com aquela situação, Vlad ocupava-se com outras coisas. Primeiro, com finalmente se prestar a limpar o sangue e os miolos das mãos, utilizando muito do seu blazer para poder enxugar do sangue o quanto podia, e largando a peça de roupa incriminatória junto da estaca no peito do vampiro para que Cece a queimasse junto. Que droga, ele gostava daquele blazer. Agora seu humor havia piorado consideravelmente. Quando a turca lhe garantiu que tudo ficaria bem, Cain saiu junto dela pelos fundos, chamando um táxi que garantiria que alteraria as memórias para acreditar aquele cheiro forte metálico era na verdade cheiro forte de álcool. Por fim, a visão do prédio alto e afastado fez com que se relaxasse um pouco. Principalmente para um homem que se sentia constantemente movido por fortes sentimentos e pela cólera, a sensação de estar protegido pelas paredes da casa que era sua, mesmo que em um território desconhecido, era mil vezes maior do que o normal. Ainda assim, não se sentia tão completamente seguro, em paz. O apelido que Roxy soltara para acalmá-lo ainda voltava para amaldiçoá-lo toda vez que ela voltava em insistir em abrir a boca. Vlajko. Onde ela teria ouvido “Vlajko”?! De quem?! ❛❛ —- Um shopping? ❜❜ ele questionou, irritado, mais por não compreender como a vampira fazia a ligação de um apartamento de teto alto e decorado o máximo possível para lembrá-lo de um palácio de arquitetura gótica, cheio de detalhes e luzes baixas (apesar que mais parecia uma balada tal qual a que era proprietário do que o castelo assustador que queria). A proximidade compensada de Roxy, no entanto, com toda aquela fala delicada e cheia de preocupação, no mesmo timbre que trouxera aquela enxurrada de memórias… Cain pigarreou, virando o rosto pra o lado e se deitando logo no sofá. Agora que a adrenalina havia passado, grunhiu ao ainda sentir a dor dos ferimentos profundos sendo recuperados pela regeneração. Sim, era um processo rápido, mas não deixava de ser menos desconfortável. ❛❛ —- Vamos logo com isso, então. ❜❜ disse, enquanto desabotoava a camiseta o suficiente para tirar o braço direito e expor os já fechados cortes fundos causados pelas costelas do vampiro de Carmilla. Observou os músculos se reconstruindo e o sangue tornar-se seco por alguns momentos, e depois subiu os olhos para Roxanne de novo. ❛❛ —- Tem muito? ❜❜ ele questionou, de uma forma quase infantil, como uma criança questionando seu pediatra. ❛❛ —- Sangue meu, eu digo. ❜❜ a verdade era que estava abalado, e sabia que Roxy também estava; ela era uma curandeira e estava acostumada com machucados, mas não de assistir àquele tanto de violência explícita. Normalmente, não se incomodaria em questioná-la mais a fundo sobre seus próprios questionamentos, mas… Mas…. Mas. Mas… Só hoje, a daria uma colher de chá. E estava dolorido, também. Alguma dose das habilidades de cura não faria mal. Poderia perguntá-la depois.
“É! Um shopping. É enorme, olha isso. É bonito, também. Mas podia ter mais cores, sabe? Você tem que ver minha casa um dia, lá é bem legal” Roxanne não deveria estar fazendo um convite daquele, afinal, Drácula era como uma espécie de chefe para ela. Ainda sim, a mente dividia-se em se preocupar com o estado do homem e em analisar os arredores, de modo que não deixava espaço para pensar em como poderia soar qualquer coisa que dizia. Fez uma careta ao ouvir o grunhido de dor, mesmo que não fosse ela a sentir aquilo. Já costumava se preocupar com qualquer pessoa naquele tipo de situação, e o que acontecia ali... era bem mais intenso. Mas não quis pensar muito sobre, até porque precisava focar em ajudá-lo, não em como ela se sentia. “Calma” Pediu, tocando os braços dele com cuidado e leveza assim que ele retirou sem muita delicadeza a manga da camisa. Ela estava mais do que acostumada com corpos; era uma enfermeira afinal. E ali em Storybrooke, não era bem uma puritana. Mas franziu o cenho levemente, prendendo o olhar no abdomen agora desnudo do outro. Puta que pariu. A visão não somente era bem interessante por si só, porque isso ela poderia simplesmente absorver um outro momento; acontecia que por um instante se recordara de um de seus sonhos. Um em que sua mão tocava bem ali, na pele fria, descendo por... “Hm?” Piscou algumas vezes, tentando relembrar o que ele havia questionado, até compreender. “Fica meio difícil saber qual é seu e qual dos outros. Mas me parece que sim.” Suspirou, tensa, como se aquele seu pequeno devaneio tivesse sido há muito tempo, pois agora só conseguia se afogar na própria preocupação. O que era estúpido!! Ele era um vampiro, ora essa. E o mais forte de todos! Não havia nada que se preocupar. Mas não conseguiria vê-lo daquela forma, ainda demorariam algumas horas para que estivesse completamente bem se dependesse somente de seus poderes. Roxanne subiu os olhos na direção de Cain, como quem pedia por permissão, e conhecia seu olhar o suficiente para saber que sim. Antes o toque em seu braço era unicamente da ponta dos dedos femininos, mas então apoiou a mão toda ali, com cuidado, como quem estava prestes a fazer um carinho ou algo do tipo. Então fechou os olhos, concentrando-se. Curar era fácil, natural. Ela por vezes conseguia fazê-lo em segundos, até. Mas toda a situação a deixara com a mente agitada demais, o que fazia com que precisasse desacelerar para focar no que fazia. Sentiu a mão esquentar, os dedos formigarem um pouco, e ela não saberia explicar, mas algo crescia dentro dela. Crescia, e depois sugava. Como se desde a ponta dos dígitos até o centro de seu peito houvesse um caminho, aspirando toda a dor alheia para que se guardasse dentro dela, no fundo. Com exceção de que não, não era no fundo, pois podia sentir em seu exterior. Uma dor fantasma, que espelhava nos locais que Cain estava ferido. A mandíbula travou conforme a dor forte a atingia, e ela quase permitiu escapar um grunhido (provavelmente soou como um pequeno e baixo resmungo), mas pouco menos de um minuto e meio se fez necessário. Finalmente abriu os olhos, sentindo-se cansada como se tivesse corrido por horas, mas a dor não estava mais lá -- e provavelmente não deveria estar nele também. “Melhor?”
Ela não sabia? As expressões de Cain fecharam-se ainda mais, irritadas pela resposta claramente mentirosa. Não lembrava? Talvez já fosse mais palpável, mas estava tão cego e movido pelo misto de adrenalina e ódio que pareceu ser uma resposta tão pautada na falsidade quanto a primeira. Confusa? Bem, ele estava confuso agora! Confuso e tremendamente irritado. ❛❛ —- Você ouviu. ❜❜ repetiu, a desculpa balançando na língua como se provasse algo terrível antes de cuspi-lo. Depois da única resposta que parecia ser minimamente satisfatória, Drácula baixou o olhar para o chão, tentando formar alguma linha de sentido daquilo. Ouviu? Da onde? Lisa não costumava chamá-lo em público daquele jeito para que ela o escutasse… Mas talvez em algum jantar mais particular, para os mais chegados? Celaena estaria lá com certeza, mas Roxanne….? O toque nos braços sujos foi o que o fez acordar e subir a atenção para o rosto desesperado da mulher. Se fosse algum subordinado qualquer, de certeza que o direcionaria alguma grosseria por propor um descanso naquele momento de tensão, mas algo no rosto de Roxy, na fala preocupada, naquele apelido, o toque nos braços… Havia o pego completamente desprevenido. Inspirou. Expirou. Inspirou de novo. Se fosse qualquer outra pessoa, em qualquer outra situação, teria explodido. ❛❛ —- Tudo bem. ❜❜ “tudo bem”? Sério? Até para Drácula pareceu esquisito concordar daquela maneira tão fácil. Devia ser porque estava mexido, porque os olhos de Roxanne brilhavam numa preocupação que era tão familiar. Credo. Devia estar vendo coisas. ❛❛ —- Vamos para a minha casa. Mas é você quem vai ligar para Cece para mandá-la vir e resolver essa bagunça. Eu não estou com paciência. ❜❜ indicou os corpos em condições terríveis com a cabeça, e, se desvencilhando do toque venenoso, Cain se afastou para retirar seu casaco sujo, grunhindo de dor enquanto mexia os membros machucados, e irritado quando percebeu que havia muito mais miolos em seus dedos e debaixo das unhas do que havia pensado. E então, subiu os olhos para Roxy, em mais uma ordem silenciosa para cumprir logo o que havia dito para fazer para que pudessem ir juntos até à casa do Dalbert.
Uma sombra de um sorriso aliviado ameaçou pintar os lábios da vampira assim que ele pareceu concordar com as tentativas de que ele a escutasse. Ótimo! Finalmente sairiam dali, e poderia ajudar Cain com os ferimentos longe de toda aquela bagunça. A personalidade explosiva não era puramente uma sequela da última tragédia na vida do líder, Roxanne sabia. Sabia tanto do próprio ponto de vista, como daquele segundo no fundo da mente. Mas depois da morte de Lisa, ele havia se tornado muito mais complicado de lidar. E praticamente impossível de controlar. Por isso que, além de aliviada, Faulkner se sentira surpresa ao ver sua tentativa suceder. Havia mesmo algo ali, embaixo daquele homem agressivo e raivoso, que... espera, espera. Não. Não importava! Poderia haver o maior romântico, o melhor homem, a qualidade que fosse. Não era de sua conta. Foi com esse pensamento que se distraiu conforme o mais velho se afastava, e ela percebeu que demorava um pouco para lhe obedecer. “Ah, sim. Tamam” Concordou, ligando para Celaena e explicando brevemente o ocorrido. Quando a Sardothien garantiu que poderia lidar com a situação, Roxy voltou a se aproximar dele, um breve manear de cabeça que dizia “está feito”. Evitava olhar os corpos no chão, em terrível condição. Não queria mais nenhuma batalha interna sobre o quanto podia ignorar do certo e errado por sentimentos indevidos. “Vamos” Sua voz não era muito firme. Um pouco intimidada, até, embora não fosse medo ali. Arriscou analisar brevemente o estado de seu braço, e prensou os lábios um contra o outro em resposta à visão. Em Tenebris, Roxy estava sempre razoavelmente perto por ser tão próxima de Cece, mas não fazia parte do círculo de confiança de Vladmir. Da mesma forma, em Storybrooke, não era como se fossem próximos. Até porque era bom para ela manter a distância. Por isso esperava as instruções dele a respeito do endereço, e mesmo que pudessem caminhar até lá, sabia que ele podia aproveitar a facilidade de um táxi. Pouco menos de cinco minutos se fez até que estavam no prédio, e foi praticamente o tempo da viagem do carro até subirem à cobertura. “Credo. Quantos andares tem isso aqui?” Resmungou, quando o elevador pareceu levar uma eternidade, e os olhos arregalaram ao ver o apartamento. “Ah ah! Yok artık. Vlad Bey! Você mora num shopping?” Perguntou, tão distraída que por um momento até mesmo se afastou dele, mas logo se reaproximou (agora em excesso, como se tentasse compensar). “Ai, desculpa. Aqui, vem cá, você se deita no sofá e eu vejo o quanto desse sangue é realmente seu”
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Planejar a festa havia sido um trabalho não somente fácil (por ser expert em comemorações!!), mas também muito divertido. E ela não diria que fora de todo ruim o fato de ter passado algum bom tempo nos últimos dias perto de Cain, resolvendo aquelas questões da tal festa que, de acordo com ele, Viktor amaria. Enquanto corria com os preparativos, mal tivera tempo de pensar no que ela mesma usaria para a festa, e portanto precisou decidir um dia só antes do evento. De alguma forma, nenhuma de suas roupas parecia boa o suficiente, e depois de um conselho muito esclarecedor de Edward (“na dúvida, compre coisas novas!”) optou por buscar em algumas lojas uma opção interessante. Como se pudesse ouvir a própria implorar para ser adquirida, ela teve a certeza de que o vestido azul royal que vira logo no começo de sua busca era a escolha perfeita. Verdade fosse dita, ela nem pensou muito em conectar a vestimenta à ocasião — só havia mesmo se apaixonado pelo estilo e pela cor. E agora fazia sentido, pois sentia-se linda naquela peça. Estivera na mansão de Godric algumas horas antes, ajustando últimos detalhes, mas não pudera esbarrar com Drácula ainda naquele dia, o que a deixava um pouco ansiosa, percebeu. Talvez devesse diminuir a quantidade de tempo que passava com ele, já que sempre ficava um pouco estranha quando se aproximava demais. Quando finalmente chegou no lugar, tudo parecia correr perfeitamente, e ela estava mais do que satisfeita pelo bom trabalho, ainda mais percebendo que todos se divertiam. Distraiu-se em uma mesa repleta de conhecidos; tomando em mãos um copo de bebida e iniciando uma conversa animada sobre como a casa era enorme e bem decorada, e como era surpreendente que alguém deixaria algo naquele nível ser utilizado para reunir diversas pessoas com música e álcool. Ha! Mal eles sabiam que estava tudo bem, claro! Godric com certeza gostaria. Vladimir havia garantido. E foi justamente ao pensar nele por um instante que os olhos imediatamente o viram se materializar ali, e ela pode jurar que ele havia aparecido em questão de segundos. Sorriu pra cumprimentá-lo, mas se distraiu um momento analisando sua imagem. Nossa, como ele estava bonito! “Ahm… oi.” Havia uma timidez muito não característica em sua voz, mas o que podia fazer? Era assim que ficava perto dele.
📲: foi um casamento rápido, eu sei, mas não é nada disso
📲: só uma mistura perigosa de muito álcool e um viúvo carente gostoso
📲: o que eu faço agora? eu me separo? eu tento viver esse amor?
📲: eu nem sei se eu tenho alguma religião pra saber se eu posso me divorciar
📲: NOSSA CALMA
📲: meu nome agora vai ser Roxanne Poppins?
📲: e eu achando que não podia ficar pior que Faulkner
❪ 💬 ❫ : viúvos gostosos realmente são uma perdição
❪ 💬 ❫ : quando você vê, tá casando com eles!!!
❪ 💬 ❫ : ele não te chamou pelo nome da ex, né? seria bizarrooooo
❪ 💬 ❫ : igual ross chamando emily de rachel, sabe? HORROROSO!
❪ 💬 ❫ : não sei, nem sei quem você é kkkkkkkkkkkk
❪ 💬 ❫ : por que você roubou o nome da babá mágica?
❪ 💬 ❫ : você casou com mary poppins? sos
❪ 💬 ❫ : o que é faulkner? parece folklore
❪ 💬 ❫ : isso me lembrou que preciso salvar minha irmã das músicas de corno da taylor… ai ai
[txt to unknown]: Bom pra você. Mas você sabe que, seu corpo, suas regras, né?
[txt to unknown]: Depende, se o viúvo for rico e velho, você continua casada e espera ele morrer. De qualquer jeito, sem julgamentos pq cada um que sabe da sua coceira
[txt to unknown]: Você casou na igreja?
[txt to unknown]: Você sabe que você pode manter seu sobrenome mesmo casada, né?
[txt to unknown]: Mas se você quiser separar é só passar no meu escritório que a gente resolve isso aí.
📲: tsc e na escola eu q fui votado como most likely to get married out of nowhere.
📲: meu pai disse: "aproveita pra fazer uma super lua de mel bem caliente e depois separa!" (quotei palavra por palavra)
📲: eu digo: ... Cadê uma festa pra eu presentear vcs cantando uma versão brega de hallelujah e depois fazer um discurso sobre como essa musica na verdade é a maior putaria (que é o que desejo para o feliz casal etc!!)
📲: nem q seja uma festa de divórcio, rox
📲: mas voce tá BEM? precisando de alguma coisa? um advogado pra divorciar? um enxoval? o q precisar to aqui, I'm yoru man
📲: *your
📲: btw gosto de poppins, me lembra bly manor. gosto de faulkner tb, parece nome de vigarista
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📲: NÃO TEM BEBÊ CARA NÃO TEEEEEMMMMM BEBEEEEEEEEEEE
📲: pera ele falou que queria se divorciar? 🥺😔😔😔
📲: quer dizer a gente falou né que era uma loucura mas eu não sabia que ele tava falando pra todo mundo que não queria ter casado comigo que me odeia
📲: 😔
📲: é né? terrível
📲: e se meu filho que não existe chamasse tipo edward pop?
📲: será q posso encurtar? parece nome artístico eu gostei
📲: apelido popzinho
📲: Sério mesmo?
📲: Nem um??
📲: E vocês se casaram com tanta urgência por que?
📲: O que era tão urgente assim que não conseguiram nem ME CHAMAR
📲: Roxy, é claro que ele não te odeia, ninguém te odeia
📲: A culpa é toda dele por não ter nascido pra ser um marido bom pra você.
📲: Edward Pop é melhor
📲: Eu deveria mudar pra Edward Mad
📲: Mas agora que estamos no tópico, quando você vai engravidar?
📲: eu prometo que a gente vai fazer uma festa direito e você vai ser meu padrinho de honra
📲: ou se a gente se divorciar eu te chamo no próximo
📲: vdd né ngm me odeia
📲: o alvah até faz piada disso hahahahha ele fica zoando o tempo todo na ironia dizendo “Roxanne eh sério eu te odeio profundamente” ele é muito comédia
📲: foi um casamento rápido, eu sei, mas não é nada disso
📲: só uma mistura perigosa de muito álcool e um viúvo carente gostoso
📲: o que eu faço agora? eu me separo? eu tento viver esse amor?
📲: eu nem sei se eu tenho alguma religião pra saber se eu posso me divorciar
📲: NOSSA CALMA
📲: meu nome agora vai ser Roxanne Poppins?
📲: e eu achando que não podia ficar pior que Faulkner
📲: SE ACALMA, MULHER!
📲: foi apenas uma pergunta de alguém curioso que acabou escutando algumas histórias por aí
📲: e eu vou lá saber o que você deve fazer?
📲: acho que é melhor conversar com o seu marido e chegar a uma decisão…
📲: Sra. Poppins
📲: :)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
📲: foi um casamento rápido, eu sei, mas não é nada disso
📲: só uma mistura perigosa de muito álcool e um viúvo carente gostoso
📲: o que eu faço agora? eu me separo? eu tento viver esse amor?
📲: eu nem sei se eu tenho alguma religião pra saber se eu posso me divorciar
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📲: e eu achando que não podia ficar pior que Faulkner
[ text to roxy ]: eu não disse que você tava???
[ text to roxy ]: perguntei se o vestido me deixava parecendo grávida…
[ text to roxy ]: tá tudo bem com você, amiga?
[ text to roxy ]: espera……. CASAMENTO?
[ text to roxy ]: POPPINS?
[ text to roxy ]: ROXANNE O QUE VOCÊ FEZ?
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Como se não bastasse a vida lhe castigar com aquela monstruosidade do vampirismo, o seu ainda tinha de vir com aquele defeito de fábrica que parecia deixá-la suscetível às coisas mais mundanas. Que tipo de vampiro sofria com ressacas, afinal? Isso mesmo: Roxelana. Podia sentir a pontada no fundo da mente, ao menos não era tão forte quanto já experimentara algumas outras vezes. Também não se comparava nada ao dia seguinte do natal, por exemplo, quando achou que faleceria. O corpo implorava por descanso, e fosse lá onde ela estava, era confortável. Enquanto a consciência despertava devagar, dava-se conta do quão agradável era a sensação de estar nos braços de alguém. A cama parecia grande e macia, mas ela sentia a presença da pessoa a seu lado, o que queria dizer que eles pareciam pouco se importar com o espaço livre. E a pessoa cheirava muito bem também! Era um aroma que ela se lembrava de ter sentido em algum lugar. Despertou na memória algumas coisas específicas: noite do ano novo. Encontro. Gelo. Milori. Milori? Devagar, porque as pálpebras pareciam pesar um quilo, a vampira abriu os olhos apenas para se deparar com aquele cujos braços a envolviam naquela manhã.
Roxy estava acostumada com one night stands, sim, mas não com reis de fadas! Para além disso, havia o agravante de que ela aparentemente não se lembrava de muita coisa. Céus, o que haveriam tomado? As festas de final de ano tinham mesmo judiado da população de Storybrooke. Encarou o homem que seguia dormindo a seu lado, principalmente as feições bonitas e calmas de quem tinha algum sono profundo e relaxante. Devagar, ele mesmo pareceu despertar também, e a vampira tinha um sorriso pequeno no rosto, quase sem jeito. Se ela estava acostumada em acordar sem memória na cama de um estranho, então Neil não parecia ter o mesmo costume. “Bom dia” Murmurou, pela proximidade e pelo cansaço. As coisas ainda pareciam bem, não havia motivos para se arrepender da noite entre eles. Haviam tido um encontro ótimo afinal, não? Mas foi no momento que o olhar desviou dos olhos azuis alheios para a própria mão que repousava apoiada no ombro dele que estranhou uma joia que não estava ali antes. Ela soltou o ar pelo nariz. “Nossa, a gente ficou provando anéis antes de dormir?” Porque o que estava em sua mão não era dela. “Se deixar comigo eu esqueço de devolver depois” Comentou, fazendo menção de tirar a aliança apenas para ver que… ele tinha uma igual. Roxy se sentou em um pulo, erguendo o lençol contra o corpo seminu. “Pera ai, isso parece… não, não é uma…” Oh. Oooooooooh. Merda! “Isso é uma aliança?”