Os olhos claros corriam para a porta do estabelecimento a cada movimento que percebia, e já tinha quase quarenta minutos que não desgrudava o olhar da entrada. Pela ansiedade e pela ocasião, chegara cedo demais para não arriscar chegar atrasado, e junto disso, para se estabelecer no local e não parecer uma peça tão fora de todo aquele quebra-cabeça. Pode cumprimentar alguns antigos amigos e teve poucos minutos de conversas boas, finalmente as coisas pareciam estar ficando menos… estranhas? Talvez essa não fosse a melhor definição, mas era o que encontrava até ali. Depois de quase uma hora — e Aysel nem se quer estava atrasada — um sorriso largo estampou seu rosto assim que a figura feminina entrou pela porta, e junto de cada passo que dava em sua direção o seu coração apertava e o ar quase faltava; maldita ansiedade. Parecia ser um garoto novamente, um garoto de 15 anos completamente alheio as dores de uma paixão de verão - mas aquilo era muito mais que uma pequena paixão. Sua expressão de felicidade era perceptível a metros de distância, e tudo só pareceu ficar mais intenso quando ela finalmente chegou perto o suficiente. Levantou-se de prontidão, ignorando as palmas das mãos lisas que soavam frio,
e a recebeu de braços abertos e um abraço apertado, não deixando de rir do comentário que surgiu pouco antes de seus braços envolverem os ombros da mais baixa. “How did you know I needed you so badly?” respondeu para o verso contado, não seguindo a letra, mas utilizando uma frase da mesma música, que tanto fazia sentido não só naquele momento como no passado de ambos.
O cheiro doce da Waller invadiu suas narinas e Tyrone, mentalmente, só conseguia agradecer; ao universo, às circunstâncias, a tudo que podia e estava em seu alcance agradecer. Céus!, como era bom estar ali, segurando-a nos braços, tão bom que o corte daquela conexão física causou certa inquietação no homem e junto disso uma breve careta descontente formou-se em seu rosto enquanto ela lhe mostrava um bico com os lábios. Riu mais uma vez, uma risada gostosa que saiu por seus lábios entreabertos, enquanto olhava fixamente nos olhos da morena. “E você está linda” comentou, não deixando de concluir em seu pensamento as palavras: “como sempre, é claro”. Puxou a cadeira que anteriormente ocupava para indicar que ela podia sentar, era o lugar com talvez a melhor visão para o palco, e logo puxou ao lado uma para si, tomando o lugar somente após ela sentar. “Sou suspeito a falar, mas acredito que o The Lakes é um dos melhores lugares de Storybrooke” comentou observando o local, agora atento ao ambiente e não somente a porta de entrada como todo o tempo que passou ali até Aysel chegar. “Boas lembranças esse lugar me traz.” e voltou seu olhar para a mulher, quem sabe, e torcia que sim, ela entendesse que naquele momento falava dela. “Quer beber algo? Ou comer? Eu ainda não pedi nada… Mas já posso beber. Sem restrições médicas, finalmente” estendeu as mãos para o teto como em louvor, de forma sutil e que não chamasse atenção dos outros no recinto. “Quero dizer, você ainda bebe?” a pergunta pode ter soado um tanto tola, mas aproveitou para estreitar mais seu conhecimento recente sobre Aysel e seus afazeres; afinal, quem sabe se ela não havia virado uma religiosa devota? Ou adquirido alguma aversão ao álcool? Não eram coisas tão importantes, claro, mas queria aproveitar cada detalhe daquela conversa para re-conhecer a mulher que fazia um furdúncio em seu coração.