Carta aberta para... Quem puder ler.
Querida pessoa que está lendo...
Não te conheço mas espero que esteja ávida a ler esse pequeno texto que vou escrever. Se não estiver, pare de ler agora mesmo.
Acho que nunca me senti tão invisível em toda a minha vida. Para meus pais, para meus amigos, parentes, para pessoas próximas no geral. Ás vezes, sinto que ninguém me conhece de verdade, sabe? Não que eu queira que me conheçam, de qualquer forma... Mas é esquisito conviver com pessoas que simplesmente não te conhecem de uma forma verdadeira, que não conhecem sua verdadeira forma, seus sentimentos, o jeito como você se expressa, do que gosta ou não gosta... Chega a ser meio angustiante, se pararmos um pouco para pensar. Não que eu sinta a necessidade de ser conhecido verdadeiramente por alguém, mas é triste ter consciência de que nem as pessoas mais próximas te conhecem direito. Não sei se você entende, mas não tem problema se não entender.
Sou tão invisível que até a pessoa que conseguia ver através de meus olhos, está fazendo eu me sentir não visto, ignorado, invisível. E isso é meio triste porque, antes, eu gostava muito de conversar com essa pessoa sobre qualquer coisa da vida - sejam problemas ou coisas aleatórias do dia, mas agora me sinto tão invisível que isso suga minhas energias intensamente. Não que eu tenha uma independência emocional, mas ter um amigo de verdade é, basicamente, incrível. Quer dizer, no meu caso, por se tratar de uma pessoa que era amiga de verdade, é (talvez fosse) incrível. Mas sinto que está tudo... Desmoronando na minha frente de uma forma diferente de como já aconteceu, apesar de eu sentir a mesma sensação de descontrole que senti. Não que seja culpa minha, mas me sinto culpado por me sentir invisível. De novo. Talvez seja culpa minha ficar escondendo tantas emoções, a ponto delas me consumirem de tal forma que me fazem atingir o pico irremediável e profundamente ignorado da invisibilidade. Talvez seja culpa minha engolir tudo de forma rápida, sem ao menos mastigar a comida ou assoprá-la antes de enfiar na boca. Por isso que me queimo. Talvez tenha colocado os pés no fogo sem nem saber. Mas ninguém me vê, eu pego fogo e nem a fumaça é minimamente visível.
Será que terei de morrer invisível? Sem ninguém enxergar a imensidão do quanto preciso respirar em meio ao fogo, em meio ás mágoas, em meio ao mar violento que é minha mente e meu coração?
Talvez seja culpa minha.
Atensiosamente,
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