Desterro
Grudei os olhos naquela casa Derrubei os sonhos naquelas paredes Amei sobre a sombra daqueles telhados Quis morrer nas cores daquelas noites insones
Envelheci no verbo, sem recortes Escolhi a adaga e ameacei Quem me profetizasse um lugar melhor Eu não posso mais me permitir a distração
Torço o almoço com silêncio Até a goela teimar em soar áspera E tudo ser o sal mais requintado De olhares nostálgicos
Não me arrependo mais Minhas frustrações serão Como essa casa agora abandonada E lá deixarei tudo que matriz acumuladora
O corpo que intervi, o meu próprio que odiei Aquilo que recordei, o que foi feito em culpa Toda a crença, todo o altar, toda a esperança Que sejam demolidas com esse desterro
Em nome do progresso Em nome do meu futuro Em nome de quem se esqueceu Em nome das concessões público privadas
Desde já, amaldiçoo o escafandro Que se atreva a vasculhar algo Aqui são cinzas e fluídos corporais Que erguem um museu ao acaso
Juro a mim que esse domicílio será Mais uma história perdida Entre tantas outras dessa cidade Sem a paz de celebrar seus términos
















