Rasputin aproveitava da costumeira calmaria dos músculos relaxados, deitado no colchão confortável. Não tinha qualquer pressa para vestir a roupa, embora a coberta fina cobrisse seu corpo da cintura para baixo. “Por que eu sou um gostoso? Já sei, porque eu beijo benzão. Não! É porque eu sou muito, muito divertido e te faço sentir viva” Enumerou as hipóteses em tom convencido e brincalhão, mesmo sabendo que ela não era das mulheres com mais leve humor. Isso era um dos pontos que tanto gostava na moça. Chegou a se sentar também, mas antes que pudesse tocá-la, Winnifred já havia se levantado e caminhava na direção de suas roupas. O feiticeiro não ousou tirar os olhos da figura estonteante que era a bruxa, reprimindo uma reclamação quando os tecidos fizeram o incômodo trabalho de cobrir seu corpo. “Olha, há uns meses você disse que não deveria nem estar no mesmo ambiente que você, então levarei isso como um sinal de que estamos num bom caminho.” Replicou, com o mesmo tom humorado, embora ele não efetivamente a interrompesse. Estava curioso, ainda, para saber o que ela diria. Quando ela prosseguiu, porém, Rasputin interrompeu as gracinhas e finalmente encarou os olhos claros que brilhavam se um jeito que o deixava sem ar vez ou outra. O feiticeiro se levantou, então, ele por sua vez não fez qualquer menção de retomar as vestimentas. “Um sobrevivente.” Foi a primeira resposta, enquanto ele dava passos lentos até a figura ruiva. “Mas não é sobre ser. Eu gosto de quem eu sou.” Auto estima, afinal, estava longe de ser o seu problema. “É sobre ter. Eu quero ter tudo. Poder, influência, tranquilidade. Quero ter o que eu quiser, quando eu quiser, e porque eu quero” Deu de ombros, afastando alguns fios alaranjados dos ombros femininos, inclinando-se sobre ela para beijar a pele ainda quente. “Quem eu quero.”
Apenas revirou os olhos por que as palavras dele não eram qualquer surpresa e geralmente lhe faziam se arrepender de sequer dirigir a palavra a ele em primeiro lugar, como alguém poderia ser tão cheio de si? Não que ele estivesse errado, ainda que isso nunca seria dito em voz alta, mas ainda assim superava o ego de qualquer um. Não se deu ao trabalho de responder aquela parte, por independente do que dissesse ele diria alguma gracinha, isso já era costumeiro e esperado vindo de Rasputin. Era quase impossível que o canto dos lábios não se curvassem em um sorriso mínimo sempre se sentia os olhos dele em si, claro, não havia muito mais o que se olhar no quarto, mas ela gostava de pensar que mesmo que houvesse ele ainda escolheria olhar apenas para ela. ❝Se parar de falar besteiras, talvez realmente esteja... Afinal, não lhe enxotei daqui ainda, imagino que tenha notado minha gentileza.❞ Pontuou já que geralmente apenas o mandaria embora pouco depois, por que era melhor manter as coisas dessa forma, que o mantivesse o mais longe de si possível. Mas bem, ele ainda poderia ser um bom aliado e isso era motivo o suficiente para que não o afastasse tanto. Claro, ele não faria qualquer esforço para se vestir novamente, não esperava que ele o fizesse sinceramente e deixou que os olhos percorressem o corpo alheio por alguns segundos antes que voltassem a se fixar no rosto de Grigori. Se xingando mentalmente, por que sabia que não teria como ele não perceber aquilo. Se permitiu rir baixo, almejava um dia ter uma auto estima tão boa quanto ele tinha, queria poder gostar de quem ela era ao menos por um dia. ❝Ambição é algo bom, especialmente quando se tem o poder para se obter tudo que se deseja.❞ Concordou sem se afastar dele, ainda que uma voz no fundo de sua cabeça lhe aconselhasse a se afastar, acabou por suspirar ao sentir os lábios dele contra sua pele, o praguejando mentalmente enquanto colocava a mão direita sob o peito dele. Uma tentativa mediocre de o impedir de se aproximar mais, de que fizesse qualquer outra coisa que lhe tirasse o foco. Se sentiu tentada a perguntar quem ele queria, por que desejava que ele dissesse que era ela, no entanto, a mera ideia de que não fosse lhe deixava um tanto irritada, era como se um sussurro em sua mente repetisse o nome de Sarah de forma consecutiva, a Sanderson tentava ao máximo ignorar aquilo. ❝E o que você quer? Talvez, caso se prove útil para mim... Talvez eu possa lhe conceder o que almeja.❞