@vincentleichmann
“Bem, você tem permissão pra ver?” Vincent a questionou, mas não tirou os olhos do corpo da vítima, preparando-se para continuar o seu trabalho com o bisturi e começar o corte em forma de Y, começando pela região do tórax. Frankenstein já estava mais do que acostumado a fazer aquele procedimento desde que ainda era de Tenebris, mas achou que não teria que lidar com uma policial o supervisionando naquele dia; era pra ser um acidente. “Você deveria pelo menos colocar uma daquelas toucas ali. Você não vai querer que algum fio de cabelo seu caia por aqui.” Ele apontou para a caixa ao lado das luvas, gesticulando então para o cadáver. Continuou com o trabalho ali, tentando não se focar nos arredores, mas era difícil não prestar atenção nas palavras de Kitana. Vincent geralmente ficava longe dos problemas dos vilões ou dos mocinhos, mantendo-se neutro na maldição, ajudando quem realmente precisasse. Sempre dava uma mãozinha para o lado dos vampiros, mudando anotações e causas da morte quando um deles saía do controle, mas agora estava tão no escuro quanto Kitana. Se a polícia achava que tinha algo errado, era capaz de trazer muitas perguntas para a ala psiquiátrica do hospital. “Vocês parecem bem envolvidos nesse caso. Ele era o que, algum cara rico?” Não era uma tentativa de alfinetar a polícia em geral, mas uma certa curiosidade começava a surgir no médico. “Ou a população está exigindo respostas?” Perguntou, ainda usando os materiais como se fosse movimentos já naturais para o médico. “Pode ter sido algo na comida, só que aí eu tenho que pegar amostras do estômago, e com certeza vai demorar para analisar se existe...” Se existe veneno, ele ia completar antes de dar uma boa olhada no corpo aberto. “Anh... é, isso é estranho.” Ele falou em voz alta, puxando a luminária para mais perto do coração... que estava totalmente azul. Turquesa. Aquilo era certamente consequência de algum experimento estranho ou magia. “Uhhh, eu acho que é melhor você voltar amanhã.”
“Claro que tenho.” Argumentou com impaciência, mesmo que não fosse bem uma verdade. Teoricamente, sim, Kitana tinha autorização. Era o seu distintivo, ora essa! Mas naquela situação específica? Especificamente? Anthony tinha pedido que ela não se enfiasse na investigação. Mas o que ele esperava, que ficasse de braços cruzados em sua folga? Ha! Como se não conhecesse Kit. Além do mais, ela nem queria aquela tal folga que fora praticamente lhe imposta. Bla bla, direitos trabalhistas, mas qualquer um que a conhecesse um pouco sabia que o trabalho era a coisa mais importante para a mulher. Trabalho esse que vinha sendo cada vez mais difícil de fazer, inclusive, com tantos imprevistos. Ela reconhecia que às vezes se apressava, ou até inventava demais nas suas missões, mas não era o unico motivo da maioria dos casos realmente importantes não irem para frente. Prender peixes pequenos ou apreender pequenos delitos? Fácil. Uma investigação de alguém influente na cidade? E tudo virava de cabeça para baixo. Não lhe surpreendia, porém. Era uma cidade pequena, e o poder estava muito bem concentrado. Mas não era porque seu superior não acreditava que Vega poderia de fato fazer algo útil que ela ficaria sem tentar. Se para isso tinha que aparecer de surpresa na autópsia feita por Vincent, que fosse. Ele já estava acostumado mesmo. “Nah, já está preso o suficiente.” Deu de ombros, com teimosia. Ponderou se deveria falar algo, embora não tivesse deixado de notar o que ele queria dizer com a pergunta. “Já viu algum crime atingir algum dos ricos dessa cidade?” Devolveu, uma sobrancelha arqueada conforme devolvia a provocação. “E se fosse, não seria eu aqui, mas uma equipe inteira, fora os jornalistas...” E ela nem se preocupou em responder sobre a população, considerando que Storybrooke gostava de se manter cega a qualquer problema e estranheza que lhes acometia. “A gente sabe que-- o que?” Interrompeu seus devaneios quando Vincent notou algo estranho, e a garota se reclinou sobre o corpo, perto do médico. Ela não era da área da saúde, mas também reconheceria que aquela não deveria ser a cor de um órgão. “Está brincando comigo? Nem fodendo.” Ela sabia que tinha algo estranho acontecendo! “O que é isso? Pode ser efeito de alguma droga nova?”












