“coitadinha de você” deu uma risadinha, ainda que realmente sentisse pena. não conseguia imaginar muito bem como deveria ser a vida com irmãos, embora tivesse algumas memórias sobre seus tempos de orfanato. era uma atmosfera completamente diferente e um número bem maior de crianças, mas conseguia entender um pouquinho do sentimento. “mas deve ter alguns pontos positivos também! pelo menos você não precisa confrontar seus pais sozinha em algumas coisas” e por mais que tivesse uma relação harmoniosa em casa, era natural que alguns choques acontecessem e se sentia um tanto solitário quando não tinha a opção de conversar com as mães sobre o que o afligia. “é um tanto complexo. eu amo conhecer pessoas e lugares novos, mas eu também quero ter uma fazendinha no meio do nada e criar gansos até eu ficar velho. entende?” o mundo era grande e aquilo não o assustava, mas diferente de muitas pessoas, ele gostava de ter uma certa estabilidade. alguma certeza, algo que ele pudesse retornar e que continuaria ali mesmo depois de um longo passeio longe de casa. assentiu com a cabeça, o sorriso largo em seu rosto ali, mas que logo foi substituído por uma expressão um tanto curiosa com a menção dos animais que chloe cuidava em casa. “uma tarântula?! caramba.. você é mais hardcore do que eu pensava. me diz os nomes, vai” não era algo ruim, pelo contrário, achava aquilo um tanto fascinante. diferente. sua característica favorita. “eu quero uma foto dos dois. você tem foto do seu camaleão com outra cor? porque se sim, eu vou adorar receber. em troca, vou mandar uma foto do meu cachorro comendo meus tênis e do meu gato se apropriando da minha cama” deu uma piscadela, esperando ter fechado um acordo com chloe. apesar de ser apaixonado por biologia humana, tinha seus fracos por animais e o que normalmente os outros achavam abominável, christopher ficava fascinado. só não gostava de baratas, aí era pedir demais da sua compreensão. deu um sorriso tímido quando ela reforçou que não era bobagem alguma, se sentindo mais seguro. havia um certo estigma envolvendo homens e sentimentos que chris não desenvolveu e acabava por sofrer alguns comentários maldosos de vez em quando, tendendo a guardar certas coisas em seu interior. “eu falo do time todo, mas especialmente de você, sage e da minty. e são só coisas boas, ok? às vezes me perguntam se não é estranho estar sempre rodeado de mulheres, mas eu já estou tão acostumado que quando acontece o contrário eu até estranho um pouco” admitiu, uma risadinha acompanhando suas palavras. não se incomodava nem um pouco com aquela configuração e esperava que suas colegas também não, tentava ao máximo ser uma companhia agradável e não invadir o espaço delas. “não vou te jogar no ar, juro de pés juntos! mas se quiser subir nos meus ombros, já aprendi a fazer isso sem perder a cabeça no processo” retribuiu o sorriso, pensando em todas as dificuldades que estava tendo em se adaptar na nova modalidade. obviamente não estava imunes a acidentes, mas haviam combinações tão perigosas que nem chris tinha a audácia de tentar por agora. foi o primeiro a notar a presença do rapaz atrás de chloe, mas não quis comentar nada por não saber de quem se tratava. observou enquanto ela se afastava de si, curvando os lábios em uma pequena insatisfação, mas logo sendo pego de surpresa com o exposed na cara dura feita pelo outro rapaz. ele só poderia ser um dos irmãos da menina, certo? óbvio! agora que estavam lado a lado, conseguia ver melhor a semelhança física entre eles. soltou uma risada sem graça, levando uma das mãos até a nuca para disfarçar o clima e fingir costume. constantemente esquecia que haviam posteres e outras mercadorias com a sua cara estampada espalhados pelo mundo afora. “é um prazer! sou o christopher, mas acho que você me conhece por meio de alguns papéis” apertou a mão do rapaz, exibindo o ar de simpatia de sempre. porém, com a última fala dele, franziu as sobrancelhas um tanto confuso, fingindo então outro sorriso. “eu sei do que ela é capaz desde o primeiro dia, pode deixar” balançou a cabeça, agradecendo ao rapaz pelo conselho não solicitado. “inclusive, se precisar falar com ela, pode fingir que eu não estou aqui” olhou em volta por alguns segundos e abriu um sorriso ao encontrar justamente quem procurava. já estava observando o ambiente haviam alguns minutos, mas agora que tinha mais conhecimento sobre a família dela, ficou fácil identificar quem poderia ser o resto da família. “aqueles são os seus pais? será que podemos ir lá depois daqui?”
Confrontar. Aquela não era bem uma atitude que costumava ter com seus pais, mas era difícil dizer se tinha relação com poucos pontos de colisão ou pelo receio que carregava graças à figura de autoridade que eles representavam para si. Talvez um pouco dos dois. — Hm, tem sim pontos positivos. Os dois já me ajudaram bastante e, apesar dos apesares, é difícil imaginar minha vida sem os dois. — claro que conseguia enxergar muitos mais pontos positivos em Jonathan do que em Dylan, mas tinha que admitir que sua vida seria mais monótona sem a presença do mais velho e também possuía muitas memórias boas com ele. Um sorriso brotou em seus lábios com o desejo para o futuro de Christopher, permitindo rir baixinho por achar aquela ideia bem semelhante a sua, mas não resistindo de duvidar se era apenas uma brincadeira. — Entendo, sim. Mas uma fazenda com gansos? Sério? Pensei que você fazia mais o estilo garoto da cidade. — comentou. Talvez por não o conhecer tão bem quanto desejava deu a abertura de imaginá-lo preferindo a vida urbana a rural, sobretudo com o estilo de vida em constante viagem que ele afirmou ter tido. — Mas eu com certeza iria preferir patos e galinhas, porque gansos são assustadores. Já viu os dentes que eles têm? — questionou com diversão. Mesmo que estivesse brincando, não era mentira seu leve pavor ao animal, pois havia experienciado um episódio não muito bacana no sítio de sua tia avô quando mais nova. Apesar de não ser novidade ver a surpresa no olhar das pessoas quando cita seus dois pets, Chloe não resistiu em rir ao ver a presente no semblante de Chris, na verdade, era um verdadeiro desafio para a menina não sorrir ou rir diante de qualquer palavra proferida pelo rapaz. Sentia-se tão bobinha em estar tão feliz daquela forma. — Eu hardcore? Ah, que nada... só acho aranhas legais. O nome dele é Saphir, significa safira em hebraico... um primo meu que sugeriu e eu gostei. O camaleão se chama Rango, porque não tenho muita criatividade e ele me lembra o personagem da animação. — respondeu, mas não podia deixar de fora da conversa seus outros amores. — E também tenho duas coelhinhas chamadas Chibiusa e Kousagi e uma yorkshire chamada Bonny. — completou oferecendo um último sorrisinho. — Acredita que meu camaleão raramente muda de cor comigo? Então nem tenho foto dele fazendo isso, mas as cores dele são bem bonitas! E eu vou adorar ver as fotinhas de seus filhos também. — a ideia de poder utilizar aquele assunto como desculpinha para trocar mensagens com o rapaz mais tarde a deixava animada, porque normalmente se encontrava tímida de iniciar as conversas por acreditar que está incomodando demais ou coisa parecida. A leveza que carregava em seu semblante rapidamente se tornou surpresa com a revelação de Christopher que ele realmente falava dela para suas mães — sem esquecer do especialmente do lado para tornar a coisa ainda maior na cabeça da morena. Uma dúvida surgiu na cabeça da Astley, mas crispou seus lábios por imaginar que talvez não fosse a melhor coisa a se perguntar... ou será que era exagero seu? — O que você já falou sobre mim? — soltou tentando soar o mais despreocupada possível, mas seus olhos repletos de expectativa. Ao ouvir a brincadeira de Chris sobre esses elementos assustadores da categoria em dupla, a morena só conseguiu fazer uma careta maneando a cabeça enquanto um arrepiozinho percorria seu corpo. — Que horrível, eu prefiro permanecer no chão o tempo todo. Não quero te machucar. — disse ainda afetada de imaginar a dor que deveria ser um corte com a lâmina dos patins. Não já não havia se machucado algumas vezes, mas nada em locais aleatórios como barriga, coxa ou braço. A última coisa que estava querendo era a interrupção de seu irmão naquele momento tão agradável com Christopher, principalmente quando Dylan estava tão empolgado em contar curiosidades constrangedoras da menina. Será que ele agora a achava uma estranha? Mesmo que se esforçasse, Chloe não estava muito feliz com aquele encontro. Todavia, seu sorriso forçado se desfez com a fala do patinador, um nervosismo tomando conta de si enquanto estava igualmente curiosa sobre o que ele estava tentando dizer. “Sabe, é? Hm.” o mais velho lançou um olhar para Chris com um sorriso sacana antes de virar na direção feminina para avisar que seus pais estavam de saída por causa do Jonathan. Se queria apresentar Christopher a eles, deveria ser naquele momento. — Sim, posso te apresentar a eles agora. — disse buscando a mão masculina para guia-lo até seus pais e tentando ao máximo ignorar a expressão travessa do mais velho.
Assim que se aproximou de seus pais, sua mãe ofereceu um sorriso repetindo o aviso de Dylan, mas não demorou muito para que ela observasse a figura de Christopher de maneira um pouco confusa juntamente com seu pai. Provavelmente por ser uma imagem conhecida dentro de sua casa graças a admiração que a garota tinha pelo trabalho dele como patinador, mas Chloe simplesmente decidiu que se fazer de sonsa era a melhor opção. — Mãe, pai, quero apresentar meu amigo: Christopher Lee. — iniciou soltando a mão do rapaz para não passar a ideia errada aos seus pais. — Chris, esse são meus pais: Valerie e Gregory. — aquela apresentação poderia soar bastante aleatória, mas Chloe sempre gostou de apresentar seus novos amigos aos seus pais, o problema era que o garoto não era qualquer um e foi exatamente isso que chamou a atenção de seus progenitores. Gregory foi o primeiro a estender a mão para um cumprimento amigável, mas foi Valerie a primeira a notar esse algo diferente. “Você não me é estranho.” a mulher disse reflexiva, porém seu irmão sendo exatamente aquele a quebrar a barreira da dúvida ao repetir a história dos posters. “Ah, isso mesmo!” um sorriso surgiu no rosto feminino. “O patinador. Que coincidência estudarem na mesma escola... É um prazer conhecê-lo”.