rileynavarro, Natal com os Navarro — flashback
Era difícil dizer exatamente em que ponto seu corpo começou a reagir diante do olhar Richard, porque a transição entre indiferença e borboletas em seu estômago era bastante nublado, mas tinha que admitir que tudo se tornou mais caótico desde a declaração dele. Antes o olhava nos olhos incerta sobre o que passava na mente masculina, preferindo se excluir e acreditar que era a única a ficar nervosa, porém agora era impossível não perceber a maneira como ele a encarava e não se deixar levar pelo brilho presente no olhar dele curiosa sobre o que estava pensando dela. Talvez fosse muito egocentrismo de sua parte pensar de tal maneira, mas Riley estava aprendendo aos poucos a identificar esses momentos, pois seu coração era como um radar que acelerava sempre que notava algo diferente — e foi exatamente isso o que aconteceu antes de Dick finalmente responder a sua simples pergunta com um sinal positivo com os dedos. O quão diferente estaria sendo a relação dos dois se Navarro fosse capaz de traduzir tudo o que acontecia em sua mente? Era difícil se manter silenciosa por tanto tempo e a conversa que tiveram na noite do Winter Formal só deixou ainda mais claro que precisava se expressar logo, pois ele não podia esperá-la para sempre. Por mais que Richard se esforçasse para se mostrar tranquilo, o semblante masculino não enganava ao deixar escapar um pouco da chateação que havia sido todo o surto de sua mãe na manhã que o pegou no apartamento, porque até ela própria não havia gostado da maneira que Jade lidou com a situação. — Farei questão de deixar um pouquinho reservado para quando você poder entrar lá. — retribuiu divertidamente. Era questão de tempo até aquele banimento ser esquecido, afinal, do que adiantava proibi-lo de entrar em seu quarto quando não havia dito nada sobre proibir de ir até a casa dele? Conhecendo a mulher, imaginava que era só para causar um choque no rapaz e passar a ter mais controle sobre o que acontecia no apartamento. O cenho feminino arqueou enquanto ria brevemente com o toque em seu queixo e o olhar analítico que Dick a lançava, Navarro não demorando para tentar reproduzir a careta que acreditava ser a do desenho do suéter. — Até a cor verde? — questionou cerrando os olhos com diversão. Mesmo com o pedido para que parasse de passar as plumas sobre a pele dele, a morena continuou por mais alguns segundos como uma criança teimosa até ter sua mão alcançada pelo rapaz, sabendo exatamente o objetivo dele com o comentário lançado. Seu rosto se fechou automaticamente quando as luzes de seu suéter começaram a piscar tornando sua roupa ainda mais ridícula e chamativa, porque era aquele detalhe que mais a desagradou (e tinha certeza que também foi o motivo para Dick presenteá-la). Todavia, não podia mentir que a peça era bem criativa. — Caralho, eu devo ‘tá muito ridícula. — choramingou e por muito pouco não fisgou um dos dedos dele com os seus para prolongar o contato anterior, porque sabia que precisava se controlar antes de decidir o que fazer. Era o mais justo. Embora resgatar o episódio bagunçasse sua cabeça pelo mix de acontecimentos, a fala baixa de Dick a roubou uma nova risada da garota. Muito provavelmente estava rindo até demais de cada palavra do rapaz. — ‘Tá vendo? Pulamos tantas etapas que eu deveria ter direito de tocar nos dois cones e não em um só. — cruzou os braços maneando a cabeça como se falasse um argumento óbvio e, em seguida, deu uma leve tapinha no outro cone como uma divertida afronta. Quanto mais próximo e cuidadoso Dick se mostrava, mais atacada Riley ficava graças aos efeitos que ele causava em si com tanta facilidade e mais a lembrança de beijá-lo reproduzia em sua mente, pois seus olhos traiçoeiros faziam questão de mirar o alvo errado e as carícias em suas costas a faziam voltar para aquela noite. Por que tinha que ser sabotada dessa forma? — Sim, sim. Valeu. — confirmou e deu um passo para trás só para não ficarem tão perto e não criarem uma nova cena para sua família, além de respirar um pouco para se livrar da vermelhidão. Sem entender muito bem o conceito de piada interna, Christian encarou Richard sem esconder a confusão em seu olhar, mas também não ousou questioná-lo para não perder as chances de recuperar o celular, então com o seu troféu em mãos, o pequeno só comemorou cantarolando e voltou correndo para a sala como se temesse uma mudança de ideia. Vendo Dick cobrir a boca como se segurasse uma risada, Riley revirou os olhos como resposta automática, pois não era novidade duvidarem daquela sua curiosidade — e nem podia julgar tanto assim, porque a garota estava longe de fazer parte do esteriótipo clássico. Por mais que costumasse se mostrar agressiva, a morena tinha seus lados mais amenos. — É sério, sim. — deu de ombros, porque não era como se precisasse dizer muito já que estava prestes a mostrar a sua habilidade. — Espero que esteja sendo surpresas boas. — comentou baixo antes de ver com surpresa a velocidade que o rapaz passou a comer os aperitivos. Aparentemente, ele queria realmente presenciar aquilo. Até pensou em brincar sobre ele ter gostado das empanadas, mas o pedido para que acelerasse a pegou de surpresa novamente. — Okay, okay. — respondeu achando graça na atitude dele e se aproximou para comer os últimos aperitivos do prato.
Depois de pegar em sua mochila a pequena maleta onde guardava sua flauta desmontada, Riley se aproximou da mesa redonda onde estavam sentados grande parte de sua família e chamou o tio German para se prepararem para tocar. Era a primeira vez em anos que Riley não tocava flauta para algum espectador fora de sua família, porque sua história com o instrumento sempre foi bastante íntima por tê-la ajudando em acontecimentos tão pesados e particulares, então era inevitável se sentir nervosa e a morena até havia treinado bastante nos dias anteriores para não se mostrar tão enferrujada, mesmo que as canções fossem muito batidas e soubesse cada nota de cor — porque não se tratava apenas de um estranho, mas sim de Dick e tudo o que ele andava representando para si, sem falar que seria a primeira vez dele a ouvir tocando qualquer coisa. Como de praxe, Riley e German puxaram duas cadeiras para se sentarem no meio da sala e todos os familiares se espalharam pelos assentos ou pelo chão para assistir à pequena apresentação. Tocar em toda reunião em que estava toda a família. Esse ritual começou a se desenvolver quando a pequena Riley aprendeu a tocar flauta com o tio e quis exibir suas habilidades aos demais parentes, pois a atitude nenhum pouco usual da garotinha tímida e calada foi o gancho que sua família encontrou para mostrar apoio depois de tudo o que havia acontecido com ela e sua mãe. Esse também foi um dos motivos para não ter abandonado o instrumento depois de ter se descoberto com a guitarra, porque era uma maneira de se conectar com aquelas pessoas tão especiais para si. Posicionando o lábio para ter a embocadura ideal e espalhando seus dedos pelas chaves da flauta, a morena esperou o tio fazer um sinal com a cabeça para começarem a primeira canção. German sendo o protagonista, Riley se esforçou para não vacilar tanto ao se guiar pelo ritmo definido pelo mais velho e vendo aquela como a oportunidade de se acostumar com o olhar de Richard sobre si, embora sua atenção estivesse presa na sua dupla para ver as caretas do homem em resposta de seus erros e os sorrisos discretos enquanto assoprava no porta-lábio. Brincar daquela forma com German a transportava completamente para quando era apenas uma criança animada com música, recordando-se do início do que viria a se tornar sua principal válvula de escape. Finalizando a primeira canção, aguardou as palmas cessarem para darem início a segunda. Fechando os olhos para se concentrar na música em que seria responsável pela flauta principal, Riley respirou fundo antes de iniciar e se deixar levar pelas notas. Mesmo essa não sendo uma peça muito longa, precisar se sobressair e ainda alcançar as notas mais agudas era de tirar o fôlego e a garota se esforçava ao máximo para não respirar com desespero. Apesar de tudo, a garota se permitiu balançar de um lado para o outro suavemente para dançar conforme tocava. E então chegou a vez da terceira e última. Sendo sua favorita, era a que conseguia ter maior controle por tê-la tocado inúmeras vezes e seus erros foram praticamente nulos. Também responsável pela flauta protagonista, a garota parecia entrar no próprio mundinho apreciando a harmonia entre suas notas e as de seu tio e vez ou outra lançava olhares divertidos ao homem que retribuía com caretas que por pouco não a faziam rir no lugar de tocar. Era incrivelmente especial ter momentos como aquele ao lado de German e ele nem deveria se dar a conta do quão era importante para si. Chegando ao fim da composição, Riley mostrou a língua juntamente de um alto suspiro para indicar estar sem ar algum e enquanto eram aplaudidos, abraçou lateralmente o tio com força depositando um selar na bochecha masculina antes de se levantar para guardar o instrumento e devolver as cadeiras. O que será que Dick tinha achado?
não era como se Richard tivesse planos de voltar ao apartamento da garota sem a autorização de jade, porque além de se tratar de falta de respeito ignorar o seu decreto, ele sentia que já tinha um pézinho na lista negra da mulher e aquilo era totalmente o oposto do que ele queria, no final das contas a sua necessidade de ser gostado ainda estava lá e a tensão quando estava perto de jade era palpável o suficiente para deixá-lo tenso. entretanto, também não podia negar que a ideia de voltar a ter aquela liberdade soava bastante agradável porque sua mente seletiva estava mais do que satisfeita em compilar todos os momentos bons da noite para fazê-lo sentir falta e ansiar mais interações como aquelas. tratou de se repreender por seus pensamentos estarem o levando de volta àqueles momentos, porque a quantidade de tempo que estava perdendo em seus pensamentos quando riley estava bem em sua frente era, francamente, um pouco absurda. a sua imitação do suéter tirou não apenas um riso em deleite do rapaz, mas também o sorriso carinhoso que o sucedeu, não conseguindo controlar a sua vontade de deixar um leve carinho no rosto feminino ao afastar sua palma antes que o contato prolongado se tornasse estranho, — acho que com a iluminação certa a gente consegue um match perfeito, — tombou a cabeça levemente para o lado como se ainda a estudasse ao mesmo tempo que tentava fugir do ataque ao seu pescoço, um sorriso divertido brincando em seus lábios, — você certamente é pálida o suficiente para parecer verde sob algumas luzes. — concluiu por fim, sua hipótese confirmada diante do contraste de sua pele mais bronzeada, graças a todos os treinos ao ar livre, que se tornou bastante noticiável diante de seu toque anterior. o mais puro contentamento tomou conta de suas feições com a explosão de cores que havia se tornado o suéter da garota, porque aquela definitivamente era a melhor parte da peça e uma das poucas exigências que dick teve na hora de sua escolha: se não tivessem luzinhas, ele não levaria, — eu consegui... — disse baixinho, cobrindo sua boca com as mãos em uma simulação exagerada de emoção, — eu te transformei em uma árvore de natal! — seu agrado ainda maior diante do pequeno drama dela, estava se divertindo mais do que poderia descrever com o fato de que ela não estava apenas participando de suas brincadeiras, que ele tinha quase certeza que não eram tão divertidas assim, mas também o permitindo a continuá-las, aquela era uma leveza que ele estava certo que havia perdido a partir do momento em que resolveu cruzar as barreiras da amizade, então nunca esteve mais contente por estar errado. — riley! não na frente das crianças. — a advertiu em um sussurro ainda em seu ato de inocência, tendo que se controlar para não liberar a risada que vinha segurando ao agir como se o tapinha dela realmente tivesse doído. a confirmação da garota que ela estava bem não soou assim tão convincente aos seus ouvidos, mas também não prolongou o assunto quando a garota se afastou e por consequência cessou seu toque, levando rapidamente suas mãos até os bolsos de sua calça em repreensão, porque já se sentia exposto demais com a atenção dos familiares da garota e temia estar exagerando em suas reações, o que podiam lhes passar a ideia errada. era fácil lidar com crianças quando se tinha a idade mental de uma, pois dick apenas encarou christian até que ele desistisse de qualquer outra pergunta diante de sua pobre explicação, porque dick se recusava a elaborar e era teimoso o suficiente para vencer aquela competição de encarar, tudo bem que sua vitória se deu mais pela sua rendição de entregar o aparelho, mas aquele era um mero detalhe que ele estava disposto a ignorar em favor de agilizar o processo ali, porque se via cada vez mais curioso. foi necessário alguns instantes para que pudesse de fato responder a garota sem ser de boca cheia, lhe mirou um olhar bastante ambíguo, assim como as suas palavras seguintes, — elas sempre são boas. — sorriu brevemente, desviando seu olhar para o prato agora vazio, usando a oportunidade de leva-lo até a cozinha e abusando de suas pernas longas na hora de passar correndo discretamente pelo parentes de riley, precisava de alguns instantes para respirar.
ao retornar o garoto buscava por um lugar mais afastado para se acomodar, pois não queria atrapalhar aquele momento família com a sua presença (que por mais que tentasse se mostrar confortável, não podia de deixar de sentir que era estranha ali) quando foi abordado por um de seus tios, praticamente o arrastando até o lugar vago mais próximo de onde riley se preparava, o fazendo sentar com alguns tapinhas de incentivo nas costas e um sorriso cheio de diversão ao dizer algo sobre ficar perto da namorada que só fez o garoto piscar várias vezes sem nem saber o que dizer. era fácil lidar com riley e sua família enquanto tratava-os como duas entidades separadas, todos juntos como passaram a estar vinha se mostrando um grande desafio para ele onde era difícil até manter a sua cabeça erguida diante da vergonha que ele definitivamente não estava acostumado a sentir. seu súbito ataque de timidez acabou o fazendo perder a preparação inicial da pequena apresentação, mas por sorte foi puxado de seus pensamentos quando as primeiras notas soaram. ele sabia que, tecnicamente, deveria prestar atenção no duo como um todo, mas era bastante ingênuo e até um pouco estupido sequer considerar que ele teria olhos para qualquer coisa que não fosse riley e aquela nova coisa que havia aprendido sobre ela naquele dia trazendo um sorriso ao seu rosto. ele era o primeiro a admitir que música clássica lhe dava sono, esse sendo um dos maiores motivos para ter largado o violino tão precocemente e ter demorado para se adaptar com as lições de piano, mas como era, foi o primeiro a aplaudir ao final de cada peça com verdadeiro encanto em seus olhos. olhar discretamente para os lados e certificar-se que toda a família da riley os acompanhavam com deferência trouxe uma certa calma ao seu coração em saber que a garota tinha o suporte que precisava, mas um triste pensamento passou por sua cabeça de que talvez era daquela forma que famílias se comportavam e suas experiências ruins fossem uma particularidade dos lee-maiden. enquanto ajudava a reorganizarem os assentos que haviam disposto ao redor do duo para então poder se aproximar da garota, seu plano falhou assim que foi abordado novamente por christian, dessa vez avisando que ele tinha uma ligação e foi uma pequena surpresa ver o nome de contato de sua mãe no visor. pedindo desculpas rapidamente, afastou-se do grupo para atendê-la e, apesar de tudo, ficou extremamente feliz em ouvir a voz da mulher lhe desejando feliz natal, ao menos aquele ano ela tinha se lembrado dele e ele ainda iria poder vê-la em alguns dias, mesmo isso significando que passaria o ano novo do outro lado do planeta. aproveitando de seu afastamento para unir o resto de sua coragem, correu até seu carro para resgatar os presentes que havia trazido mesmo sem ter combinado nada com a garota, porque até martha (que era a responsável pelos embrulhos elegantes e impecáveis) concordou que seria rude de sua parte aparecer de mãos vazias, seu nervosismo vinha dos acontecimentos dos últimos dias e daquela ideia errônea que tinham ali da relação deles, e se aquilo deixasse as coisas mais complicadas? que se dane, não voltaria atrás agora que já podia ouvir a animação vinda de dentro da casa conforme ia retornando, escolhendo por manter-se um pouco mais afastado enquanto eles aproveitavam seu momento família, quando terminassem a troca e presentes tentaria entregar o seu de maneira discreta.