chloexastley:
flashback
— Não mesmo! — reforçou o comentário dele maneando a cabeça. — E ser a do meio não é nenhum pouco fácil também, porque tudo cai nos meus ombros: se o mais velho faz alguma porcaria, ele costuma colocar a culpa em mim e se o mais novo faz, a responsabilidade é minha. Sem falar que privacidade é uma palavra praticamente inexistente no meu vocabulário. — suspirou em frustração. Seria exagero de sua parte só dizer que haviam pontos negativos, porque certamente não era a verdade: apesar de todo o estresse e suas diferenças, a Astley amava seus irmãos e o período em que passou longe deles foi bem complicado; mas isso também não significava dizer que não estava contando os dias para sair de casa. — Liberdade… sinto até inveja. — fez um breve biquinho enquanto pensava sobre quão incrível deveria ser viver sozinha, esse sendo uma das coisas que mais almejava desde que retornou ao país. — Deveria ser bem complicado essa coisa de ficar mudando de cidade direto, né? Não fincar raízes em lugar algum, mas também deve ser interessante conhecer muita gente nova. — esse certamente não era o estilo de vida que desejava para si à longo prazo, preferindo a ideia de se estabelecer e desenvolver uma família de tal forma, afinal, também não parecia muito positivo se mudar tanto com filhos. — Você tem um cachorro e um gatinho? — seus olhos brilharam com a informação, porque uma coisa que a garota amava era pets. — Eu preciso ver fotos deles depois! Tenho alguns animaizinhos também, mas dois deles são um pouco exóticos para o gosto da maioria das pessoas e meus pais têm um pouco de medo até: uma tarântula e um camaleão; mas juro que são bonzinhos. — tinha que admitir que se aproveitava um pouco do medo de seus parentes sobre a tarântula para pregar algumas peças e até mesmo ameaçar seus irmãos em algumas situações, mas Saphir era bem tranquila e a sensação dela caminhando por seu braço era engraçacinha. Um sorriso carinhoso brotou em seus lábios ao saber da reação que Chris teve com a presença de suas mães, achando bastante adorável o carinho que ele nutria pelas mulheres e até se questionando como deveria ter sido a infância do rapaz ao lado delas, principalmente quando o mundo nunca foi um ambiente muito justo para um casal fora do padrão. — Eu não acho bobo. — disse com sinceridade, todavia, seu cenho arqueou em choque com a revelação seguinte dele. Como assim ele falava direto de si para as mulheres? Não pôde deixar de se sentir nervosa e seus ombros já se tornaram tensos só de pensar, porque uma coisa era conhecer a pessoa pela primeira vez, outra coisa era essa pessoa já ter criado expectativas sobre você. Na verdade, Christopher afirmou ter falado também das outras meninas do clube, então existia uma grande chance dela ter passado batido… não era como se fosse grande coisa assim, né? — Espero que tenha dito coisas boas da gente. — riu baixo um pouco envergonhada da sua linha de raciocínio tão autocentrado. — Dançar comigo com os patins? — riu novamente com o convite. — Nunca patinei em dupla, mas aceito… Não me jogando para cima ‘tá tudo certo. — respondeu com divertimento. Chloe estava adorando conversar de maneira tão leve com Christopher, uma sensação mais casual os envolvendo e a garota não conseguia parar de sorrir estando tão próxima dele, porém tudo que é bom dura pouco. “Chloe, desculpa atrapalhar o seu namorinho…” Dylan cutucou a morena para chamar a atenção dela, que não conseguiu esconder seu descontentamento e sua frustração de ser interrompida logo pelo irmão. Todavia, no mesmo segundo que a mais nova se afastou de Chris e se virou na direção do mais velho, o Astley se calou franzindo o cenho enquanto encarava o estudante. “Ué, esse não é cara dos posteres do seu quarto?” e, no mesmo segundo, a garota arregalou os olhos desacreditada que ele estava realmente fazendo isso. — Posters? Nada a ver. — se fez de sonsa, aproveitando para dar um forte pisão no pé do mais velho, que gemeu de dor na hora. “É ele, sim. O cara lá desses negócios de patinação. Que doideira…” o rapaz riu alto oferecendo a destra para cumprimentá-lo. “Sou o Dylan, o irmão da Chloe. Se eu fosse você, teria cuidado com ela.” disse em brincadeira, mas ainda assim a fazendo querer acabar com a própria existência ali mesmo.
“coitadinha de você” deu uma risadinha, ainda que realmente sentisse pena. não conseguia imaginar muito bem como deveria ser a vida com irmãos, embora tivesse algumas memórias sobre seus tempos de orfanato. era uma atmosfera completamente diferente e um número bem maior de crianças, mas conseguia entender um pouquinho do sentimento. “mas deve ter alguns pontos positivos também! pelo menos você não precisa confrontar seus pais sozinha em algumas coisas” e por mais que tivesse uma relação harmoniosa em casa, era natural que alguns choques acontecessem e se sentia um tanto solitário quando não tinha a opção de conversar com as mães sobre o que o afligia. “é um tanto complexo. eu amo conhecer pessoas e lugares novos, mas eu também quero ter uma fazendinha no meio do nada e criar gansos até eu ficar velho. entende?” o mundo era grande e aquilo não o assustava, mas diferente de muitas pessoas, ele gostava de ter uma certa estabilidade. alguma certeza, algo que ele pudesse retornar e que continuaria ali mesmo depois de um longo passeio longe de casa. assentiu com a cabeça, o sorriso largo em seu rosto ali, mas que logo foi substituído por uma expressão um tanto curiosa com a menção dos animais que chloe cuidava em casa. “uma tarântula?! caramba.. você é mais hardcore do que eu pensava. me diz os nomes, vai” não era algo ruim, pelo contrário, achava aquilo um tanto fascinante. diferente. sua característica favorita. “eu quero uma foto dos dois. você tem foto do seu camaleão com outra cor? porque se sim, eu vou adorar receber. em troca, vou mandar uma foto do meu cachorro comendo meus tênis e do meu gato se apropriando da minha cama” deu uma piscadela, esperando ter fechado um acordo com chloe. apesar de ser apaixonado por biologia humana, tinha seus fracos por animais e o que normalmente os outros achavam abominável, christopher ficava fascinado. só não gostava de baratas, aí era pedir demais da sua compreensão. deu um sorriso tímido quando ela reforçou que não era bobagem alguma, se sentindo mais seguro. havia um certo estigma envolvendo homens e sentimentos que chris não desenvolveu e acabava por sofrer alguns comentários maldosos de vez em quando, tendendo a guardar certas coisas em seu interior. “eu falo do time todo, mas especialmente de você, sage e da minty. e são só coisas boas, ok? às vezes me perguntam se não é estranho estar sempre rodeado de mulheres, mas eu já estou tão acostumado que quando acontece o contrário eu até estranho um pouco” admitiu, uma risadinha acompanhando suas palavras. não se incomodava nem um pouco com aquela configuração e esperava que suas colegas também não, tentava ao máximo ser uma companhia agradável e não invadir o espaço delas. “não vou te jogar no ar, juro de pés juntos! mas se quiser subir nos meus ombros, já aprendi a fazer isso sem perder a cabeça no processo” retribuiu o sorriso, pensando em todas as dificuldades que estava tendo em se adaptar na nova modalidade. obviamente não estava imunes a acidentes, mas haviam combinações tão perigosas que nem chris tinha a audácia de tentar por agora. foi o primeiro a notar a presença do rapaz atrás de chloe, mas não quis comentar nada por não saber de quem se tratava. observou enquanto ela se afastava de si, curvando os lábios em uma pequena insatisfação, mas logo sendo pego de surpresa com o exposed na cara dura feita pelo outro rapaz. ele só poderia ser um dos irmãos da menina, certo? óbvio! agora que estavam lado a lado, conseguia ver melhor a semelhança física entre eles. soltou uma risada sem graça, levando uma das mãos até a nuca para disfarçar o clima e fingir costume. constantemente esquecia que haviam posteres e outras mercadorias com a sua cara estampada espalhados pelo mundo afora. “é um prazer! sou o christopher, mas acho que você me conhece por meio de alguns papéis” apertou a mão do rapaz, exibindo o ar de simpatia de sempre. porém, com a última fala dele, franziu as sobrancelhas um tanto confuso, fingindo então outro sorriso. “eu sei do que ela é capaz desde o primeiro dia, pode deixar” balançou a cabeça, agradecendo ao rapaz pelo conselho não solicitado. “inclusive, se precisar falar com ela, pode fingir que eu não estou aqui” olhou em volta por alguns segundos e abriu um sorriso ao encontrar justamente quem procurava. já estava observando o ambiente haviam alguns minutos, mas agora que tinha mais conhecimento sobre a família dela, ficou fácil identificar quem poderia ser o resto da família. “aqueles são os seus pais? será que podemos ir lá depois daqui?”











