05 Nightmare
Aquilo tinha uma proporção muito maior do que eu poderia imaginar. Existia tecnologia o suficiente para algo como aquilo? Eu não sabia, mas pelo visto meu pai sim e ele sabia muito bem como a utilizar.
- Este é um dos estágios finais da criação dos clones, depois daqui eles serão inseridos em uma espécie de comunidade isolada, onde irão socializar-se entre si, com memórias implantadas por nós.
- Me explique do começo, pai – forcei um pouco a voz. – O que exatamente eles são? – tentei deixar a confusão evidente na minha fala, pois se eu não soubesse da existência da ruiva que agora dormia em minha cama eu ficaria se não mais confuso do que tentei parecer.
- São clones, Justin – ele admirava os corpos abaixo de nós. – Mas você vai saber mais conforme for se envolvendo com o projeto. Sempre foi um sonho trabalhar nele com você, filho. – ele sorria. O nojo e raiva que eu sentia naquele momento era tanto que se ficasse lá mais um segundo iria partir para cima dele com um soco. Respirei fundo duas vezes tentando me acalmar e então olhei para ele.
- Me desculpe por isso, pai. Sabe que desde a morte da mamãe eu ando um pouco atordoado.
- É bom saber que agora você resolveu tomar um rumo em sua vida, filho. Mas venha – ele me puxou para fora daquele lugar horrível. – Quero te mostrar nossos prodígios! – então ele entrou em uma sala ao lado e lá estavam em macas simples, duas garotas exatamente iguais a America. – Estas são America x1 e America x3 – ele começou a mexer em seu computador enquanto eu olhava paralisado para as duas mulheres dormindo, exatamente da mesma forma em que America estava em minha cama.
- E a America x2? – meu pai me olhou com um olhar nervoso.
- Ninguém sabe. Ela fugiu algumas noites atrás – minha expressão deveria ser de preocupação. – Mas não se preocupe, ela já deve estar morta. São como crianças. – ele sorriu e então olhando para os corpos nas macas fiz uma pergunta que no momento era muito importante.
- Como você faz para acorda-las? – e então meu celular começou a tocar. Atendi no segundo toque. Era Ryan avisando que minha garota havia acordado. Me despedi de meu pai da forma mais educada que consegui e fui em direção ao meu apartamento. Chegando lá me deparei com a sala quase destruída e no chão estava Ryan com America em cima dele.
- Me dê a chave agora ou eu te mato! – ela gritava com ele de forma ameaçadora.
- America! – falei, não me importando com a situação de Ryan mas sim aliviado por ver ela acordada – Finalmente você acordou! Não sabe como me preocupei, Meri – fui rápido em sua direção e a levantei envolvendo meus braços em sua cintura. Ela estava com um cheiro diferente.
- Justin – ela murmurou -, me solta agora! – fiz o que ela pediu e na mesma hora recebi um tapa na cara – Como você foi capaz? Me tirou da rua pra depois me entregar de bandeja pro seu amado pai? – ela estava com muita raiva, e o pior, havia decepção em sua voz.
- Eu nunca faria isso! Meu Deus, America – passei a mão em meu cabelo -, eu não fazia ideia de que meu pai, aquele velho idiota, estava metido nisso! Você acha mesmo que eu seria capaz de fazer parte de uma coisa dessas? – Ryan, que estava sentado no banco e com um braço apoiado na bancada se meteu na conversa.
- Você deveria saber que Justin odeia o pai dele, ruivinha...
- Ruivinha, Ryan? Sério? – olhei pra ele com a descrença evidente em minha voz – ele apenas deu de ombros e riu. – Ok! O foco é que, America, desde o dia em que te encontrei tudo o que faço é pensando em te ajudar. Eu realmente me importo com você e quero o seu bem, mas você precisa confiar em mim. – seus olhos verdes me fitavam e era possível ver a indecisão neles. Eu compreendia sua desconfiança – Por favor.
- Me desculpe pelo tapa – ela sussurrou. – Foi por... Qual é a palavra? – ela me encarou pedindo a resposta. Eu sorri.
- Impulso? – e agora foi a vez dela sorrir timidamente, assentindo fraco.
- Bom, agora que os loucos estão em paz novamente posso ir pra casa, certo? – Ryan veio em minha direção e me deu um abraço – Acho que seria uma boa providenciar uma camisa de força pra ruiva. – ele olhou para America – Sem ofensa, claro.
Depois que Ryan saiu contei tudo o que havia acontecido no dia de hoje para America, desde a visita do médico ontem à noite até minha ida ao laboratório. Ela parecia apavorada.
- É muito maior do que qualquer um de nós dois imaginávamos, Meri. Vamos ter que trabalhar duro pra acabar com tudo isso.
- Por que você fica me chamando de “Meri”? – ela parecia distraída naquele momento, olhando para uma mecha de seu cabelo. Linda.
- A-meri-ca – eu disse pausadamente e sorri triste. – Não gosta?
- Eu adoro – ela olhou pra mim e sorriu, e naquele exato segundo meu coração deu um salto e se contorceu. Droga, eu estava tão fodido. – Gosto da forma como você me trata e cuida de mim, Justin.
America’s point of view
Quando despertei encontrei um homem sentado no sofá de Justin e em questão de segundos fui correndo para cima dele por impulso. Todos faziam parte do Projeto que me criara. O homem parecia surpreso logo que pulei em cima dele e depois usou toda sua força para me colocar no chão.
- Quem é você? – gritei – O que você quer?
- Sou amigo do Justin. Ele me pediu pra cuidar de você, sua louca! – ele me respondeu aos gritos também e minha cabeça doeu um pouco, o que me distraiu e deu oportunidade para ficar por cima de mim e no mesmo instante pegou seu celular – Justin, ela acordou. Vem logo pra cá! – dei um chute no meio de suas pernas e ele se contorceu de dor, e mais uma vez fui pra cima dele.
- Vocês realmente acham que vão me enganar enquanto preparam tudo para me levar novamente ao laboratório? Só porque não sou normal acham que sou burra?
- Justin me disse que você era toda frágil e que eu deveria ter cuidado, mas parece mais uma lutadora de UFC – ele tentava se soltar. – Caramba, garota! Não quero te machucar, me larga – ele se debatia e então resolvi o soltar, apenas para ver o que ele iria fazer. Ele logo se levantou e ajeitou a roupa. – Você quer comer alguma coisa?
- Quero – respondi de forma rude. Quando ele estivesse distraído o suficiente eu encontraria a chave do apartamento e iria fugir. Eu precisava ficar em algum lugar seguro, e no momento em que pensei nisso a imagem de uma casa branca com um enorme gramado surgiu em minha mente. 1240. Despertei de meus devaneios com o som do prato sendo colocado na bancada da cozinha. – O que é isso? – no prato havia uma coisa amarela e estranha.
- Omelete – ele me deu um copo com suco. – Com queijo – e piscou. Deu uma mordida e nossa, era muito gostoso. Por mais raiva e desconfiança que eu estivesse sentindo, aquele era o momento certo de saborear um alimento novo. Depois de comer continuei sentada no banco e prestando atenção em todos os movimentos do amigo de Justin. Ele parecia bem à vontade no apartamento. Quando ele se virou para ir em direção ao quarto resolvi ser a hora de dar o bote e logo pulei em cima dele novamente.
- Me dê a chave agora ou eu te mato – gritei de forma ameaçadora e então escutei alguém chamar por meu nome, e quando olhei na direção da porta Justin estava parado olhando aquilo um pouco confuso, mas havia algo mais em seu olhar. Ele veio correndo em minha direção e me agarrou pela cintura, me tirando do chão.
- Finalmente você acordou! Não sabe como me preocupei, Meri! – ele disse enquanto me apertava forte em seus braços. Deus, como ele cheirava bem, mas eu não poderia esquecer o traidor que ele havia sido, e isso de certa forma causava uma dor estranha em meu peito.
- Justin, me solta agora! – ele me soltou e quando vi minha mão já estava indo de encontro com seu rosto, que depois do tapa ficou vermelho – Como você foi capaz? Me tirou da rua pra depois me entregar de bandeja pro seu amado pai? – eu estava tão decepcionada e aquilo me deixava com muita raiva. Eu não deveria ter criado expectativas tão altas em pouco tempo com uma pessoa que há um dia atrás eu nem sabia seu nome.
- Eu nunca faria isso! Meu Deus, America – ele passou a mão em seu cabelo, o deixando completamente bagunçado -, eu não fazia ideia de que meu pai, aquele velho idiota, estava metido nisso! Você acha mesmo que eu seria capaz de fazer parte de uma coisa dessas? – o amigo de Justin, que estava sentado no banco e com um braço apoiado na bancada se meteu na conversa.
- Você deveria saber que Justin odeia o pai dele, ruivinha...
- Ruivinha, Ryan? Sério? – Justin o encarou com uma expressão de quem não acredita no que ouviu e eu simplesmente o ignorei. – Ok! O foco é que, America, desde o dia em que te encontrei tudo o que faço é pensando em te ajudar. Eu realmente me importo com você e quero o teu bem, mas você precisa confiar em mim. Por favor. – eu não sabia se deveria acreditar nele, mas eu queria tanto. Eu sentia que eu podia confiar nele, que eu estava segura enquanto ele estivesse em minha vida e suas palavras soavam tão sinceras.
Depois que Justin me contou o que havia feito durante a tarde eu sabia que não seria fácil acabar com o Projeto, mas eu iria fazer tudo o que pudesse, mas resolvi não focar meus pensamentos nisso por muito tempo. Como eu disse, eu não sabia quase nada sobre Justin e queria usar um pouco de meu tempo para conhecê-lo. Quando já estava anoitecendo Justin sugeriu que comêssemos pizza e eu aceitei, mesmo não sabendo o que seria uma pizza. Uma hora depois estávamos sentados no sofá com uma coisa redonda e cheia de queijo – isso eu sabia o que era graças ao amigo de Justin – estava sobre a mesa de centro.
- Isso é realmente muito saboroso – falei enquanto dava uma enorme mordida em um pedaço da pizza.
- Você tem katchup na boca, Meri – Justin começou a rir e então pegou o que ele chamou de guardanapo e me entregou para que eu limpasse a sujeira. – Você sempre se suja quando come - ignorei seu comentário desnecessário e continuei comendo tranquilamente aquele pedaço do céu. Quando restavam dois pedaços resolvi começar meu questionário.
- Qual sua história, Justin?
- Minha história começou na noite em que te encontrei, Meri.
Já era tarde quando fomos dormir. Como sempre Justin for dormir na sala e eu fiquei com sua grande e confortável cama. O que a deixava mais confortável era o cheiro que nela havia. Demorei um pouco para pegar no sono mas quando o fiz foi um grande erro.
- Ela é muito desenvolvida. Age como se fosse um ser humano normal – um dos homens que me mantinham presa falou.
- E o que você sugere, Jeremy? – um cara mais novo perguntou.
Eu estava deitada na maca de sempre, fingindo que dormia. Eles não haviam conectado os tubos de forma correta e então eu estava bem alerta. Sem os tubos eu não pegava no sono na hora em que eles queriam.
- Vamos extermina-la, Matt – Jeremy disse de uma forma tão casual que meu nojo só aumentou. Não era muito comum eu ter sentimentos, mas nos últimos tempos coisas incomuns aconteciam comigo a cada segundo.
Depois de alguns minutos a sala ficou silenciosa e abri um dos meus olhos bem devagar e pude ver Matt próximo a minha maca, mas de costas. Essa seria minha oportunidade. Levantei o mais devagar e silenciosa possível e peguei um instrumento prateado e brilhante e logo pulei em cima de Matt, fincando o instrumento em seu pescoço. No mesmo momento ele deu um grito agudo e começou a sangrar. Era muito sangue, o que me assustou. Matt foi ficando mole e então caiu no chão. Quando ele tentou agarrar minha perna com o pouco de força que lhe restava dei mais uma fincada em seu pescoço e então seus olhos se fecharam. Peguei o quadrado metálico que ele sempre usava para abrir as portas e saí correndo, mas seu corpo jogado no chão me assombraria para sempre.








