14 It's time!
Chronos underground – Base subterrânea da Clark – 2016
Jeremy Bieber POV
Eu olhava para todos os cantos, maravilhado com o que via. Eu vestia uma roupa completamente branca com detalhes azuis na lateral, como se eu fizesse parte da sociedade que vivia ali, afinal todos usavam uniforme e identificações.
A população ainda era pequena já que o projeto estava em desenvolvimento e não eram muitas as pessoas que sabiam do mesmo, até porque analisando a lei de todos os ângulos o Projeto Chronos era ilegal. Tudo deveria ser feito com a maior descrição possível.
Pessoas caminhavam calmamente, conversando entre si e sorrindo. O grande salão era todo branco e com detalhes cromados, o teto alto e muitos lugares para sentar. Todos os que estavam ali não sabiam o que realmente eram e pensavam que o mundo havia sido atingido por uma tempestade tóxica e eles eram os sobreviventes que foram resgatados pelo governo.
- Me desculpe! – alguém falou logo depois de ter dado um pequeno encontrão em meu corpo – Eu estava distraído.
Olhei para ele atentamente e pude sentir o orgulho em meu peito. Era como se meu filho estivesse parado bem na minha frente ele realmente estava, ou melhor, seu clone estava e no mesmo instante senti repulsa ao lembrar que Justin era o traidor que estava ajudando aquela maldita x2 a fugir durante essas duas semanas.
- Oh, tudo bem. – sorri e ele sorriu fraco – Qual o seu nome?
- Bieber – ele estendeu a mão -, e o seu?
- Clark – sorri e então ele soltou minha mão e apontou a cabeça de leve para um canto do grande salão.
- Preciso ir, e me desculpe mais uma vez pelo encontrão – e ele virou as costas e foi na direção do refeitório.
Ele poderia se passar facilmente por meu filho se seus braços não estivessem tão brancos sem os vestígios daquele projeto de gibi que Justin fez depois da morte de sua mãe.
Justin’s POV
Depois de uma semana eu já estava cansado de ficar dentro daquele apartamento, ainda mais com Andrew devorando America com os olhos.
O plano ainda não havia sido posto em prática porque a Clark estava atenta a qualquer movimento que acontecia na cidade. Estava vigiando qualquer vulto ruivo que andava pelas ruas de Atlanta, qualquer casal que parecia desconfiado e amedrontado. Não podíamos fazer nada por enquanto, a não ser esperar a oportunidade, mas por um lado isso era bom já que America parecia feliz com a calma que estávamos tendo depois que fugimos.
Eu amava ver a forma despreocupada que ela estava agindo, o sorriso calmo e verdadeiro que ela me dava sempre, os momentos tranquilos como o que estávamos.
- O que você está pensando, Justin? – ela estava deitada com a cabeça em meu peito, e eu fazia um cafuné nela.
- Como é bom estar assim. Nós dois juntos sem fazer nada – ela suspirou.
- Eu queria que fosse assim pra sempre – sorri -, pena que em alguns dias vamos entrar em uma tempestade.
- Mas logo tudo vai acabar e vamos ser nós dois e mais nada, Meri.
- Sem Chronos, sem Clark, sem Andrew. – ela levantou um pouco a cabeça para poder me olhar e sorriu – Apenas America e Justin.
- Sem Andrew? – a encarei um pouco confuso, afinal ela parecia tão feliz ao lado do cara que ela considerava seu amigo.
- Não sou tão boba como pareço, Drew – e então lembrei da primeira noite em que fugimos e estávamos naquele hotel de beira de estrada e certo, ela realmente não era tão boba quanto parecia -, sei que ele não é confiável quando se trata de você.
- Mas é quando se trata de você, e no momento é isso o que importa – suspirei.
- Pra mim nada importa se você não está do meu lado, Justin – a abracei forte no mesmo segundo.
Não importa o que fosse acontecer comigo, eu faria de tudo para salvar essa garota, a minha garota. Ela poderia ficar sem sentir meu cheiro, sem olhar em meus olhos e sem sentir minha mão na sua como um vício, no final ela iria apenas lembrar como um momento bom e seguiria sua vida, mas eu não iria aguentar perde-la de forma alguma. Eu já estava perdido, morto por dentro quando a encontrei e foi ela que me fez querer viver de novo, ela me deu um motivo pra querer sorrir todos os dias. Se eu a perdesse estaria morto de qualquer forma.
- Eu te amo, Meri – puxei seu rosto para perto do meu e selei nossos lábios.
- Não fale como se essa fosse a última vez – ela me deu um selinho.
- Essa é a primeira vez que falo isso. – soltei um riso leve – Você foi a primeira a falar.
- Mas não fui a primeira a me declarar e óbvio que eu tive que tomar a iniciativa. Você é muito lerdo!
- Você vai ver o lerdo – fui pra cima dela e comecei a distribuir beijos por todo o seu corpo, deixando um rastro de arrepios por onde minha boca passava. No momento em que ela soltou um suspiro profundo comecei a fazer cócegas nela, arrancando uma gargalhada deliciosa da minha garota que se contorcia tentando fugir de minhas mãos.
Andrew’s POV
Eu estava do lado de fora do quarto em que Justin e America estavam e tudo o que se ouvia dali era silêncio. Quando já estava desistindo escutei America gemer o nome de Justin e então uma corrente elétrica passou por todo meu corpo e no segundo seguinte escutei sua risada invadir o ambiente. Ela gargalhava tão alto que seria possível ouvir do fim do corredor.
- Para, para, pa-ra, Justin! – ela gritou em meio aos risos – Idiota!
Justin falou alguma coisa, mas não consegui entender já que ele não estava tão histérico.
- Eu não vou falar isso! – ela ria muito alto – Minha barriga ‘tá doendo, amor! Para!
E então as risadas acabaram e o silêncio se instalou novamente. Meu coração se contorceu ao escutar ela chamar ele de “amor”. Eu queria entrar no quarto e soca-lo até a morte, e então dar a chance de eu ser o amor dela.
Durante essa semana peguei o telefone várias vezes pronto pra ligar pro Jeremy e falar que o filho que havia traído sua confiança estava em Atlanta e completamente desligado, mas então percebia que ficaria muito na cara para America que teria sido eu o xis nove que entregou o seu “amor”, e por isso resolvi deixar o plano correr como o combinado e no fim deixar Justin para a morte cruel nas mãos de seu pai, que pelo o que falava quando nos encontrávamos na Clark não teria remorso algum em matar o filho.
- Bom dia! – falei ao ver os dois se aproximarem para tomar café na manhã seguinte.
- Bom dia, Ands – America sorriu e se sentou, Justin sentando ao seu lado.
- Tenho uma notícia! – os dois me olharam atentamente – Bom, a Clark e Jeremy acalmaram um pouco os nervos já que não há nenhuma pista sobre a localização de vocês, e vejo isso como um sinal para colocar o nosso plano em prática. O que acham?
Os dois se olharam por alguns segundos e pude perceber que Justin queria saber se America se sentia preparada para o que tinha que fazer. Ela assentiu para ele com um sorriso.
- Estamos prontos – ele falou de forma séria.
America’s POV
Estava na hora de colocar nosso plano para destruir o Chronos em prática, e mesmo não querendo mostrar nada para Justin, eu estava com medo. Muito medo de tudo dar errado, Justin se machucar e Jeremy colocar suas mãos podres em mim, me fazendo pagar da pior forma possível por ter fugido e prejudicado seu projeto que valia milhões de dólares.
Outra coisa que me preocupava muito era o interesse de Andrew em nos ajudar. Ele não queria ajudar Justin e isso me atormentava, porque isso fazia com que Justin estivesse praticamente sozinho e se algo desse errado eu não poderia fazer nada para ajudar, já que eu estaria no lado oposto da Clark fazendo a minha parte do plano.
- Pronta? – Justin me encarava enquanto eu colocava o pequeno canivete na cintura da minha calça. Segundo eles eu tinha uma grande habilidade pra acertar pessoas com objetos pequenos, mas de forma certeira. O irmão de Andrew soube disso na prática.
- Sim – falei firme, o olhando fundo nos olhos. Justin me puxou para perto de si de um jeito delicado, logo me abraçando forte. Me senti em casa. Justin era meu lar, tudo o que tinha. Ele é meu porto-seguro.
- Por favor, America, tome cuidado! – ele sussurrou e então segurei seu rosto em minhas mãos, fazendo com que o mesmo me encarasse.
- Se cuide também, Justin. Se não for por você, faça por mim. Não posso te perder.
- Tudo o que eu faço é por você, Meri.
Caminhava rápido pelo centro de Atlanta. Sempre olhando para os lados de forma nervosa, como se eu estivesse perdida. Obviamente eu estaria chamando a atenção de quem quer que estivesse observando, e essa era a intenção.
As ruas estavam cheias, pessoas caminhando de um lado para o outro apressadas e então no meio da multidão avistei vários homens de preto vindo em minha direção. Olhei para o outro lado e também havia vários homens lá. Eu estava encurralada.









