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You only live once, right? CITY ON FIRE (2023)
Parthenope deleitava-se em ver seus projetos em ação. Gostava de espaços movimentados, nĂŁo mausolĂ©us intocados; preferia a bagunça viva do dia a dia Ă s imagens congeladas dos portifĂłlios e revistas de arquitetura. A forma deve servir ao homem, nĂŁo o homem Ă forma. Visitando seus projetos assim, podia ver o que errara, o que podia ainda melhorar. SerĂĄ que o espaço para que as pequenas bailarinas guardassem suas bolsas estava adequado? SerĂĄ que aqueles bancos de madeira que colocara na entrada tinham utilidade? Mas se seu objetivo fora ver o espaço em ação, com todas aquelas pequenas bailarinas andando por aĂ, Parthe enganara-se quanto ao horĂĄrio.
Ou talvez ela apenas quisesse um momento Ă sĂłs com Alessia.
Parthe entrou no estĂșdio, procurando por ela em uma das salas. Ă claro que estaria mentindo se dissesse que sua relação era estritamente profissional. Que nĂŁo notara â e retribuira â os olhares da bailarina durante a confecção do projeto. Que nĂŁo adorara o tom de provocação e flerte da PĂĄscoa. Com o coração saltitando como as bailarinas, ela encontrou a outra na sala espelhada. Observou por um momento, sem que ela notasse sua presença, como o projeto era inteiramente adequado a Alessia, com seus cabelos soltos e ainda ligeiramente presos pelos grampos, e as roupas de bailarina que caiam-lhe tĂŁo bem. "NĂŁo pare por minha causa. NĂŁo quis atrapalhar a aula com os pequenos," Parthe falou, finalmente, cruzando o piso de linĂłleo para encontrar Alessia e dar-lhe um beijo da bochecha, de cumprimento. "Pensei que quisesse um momento mais solo para me mostrar como ficou o estĂșdio." Havia um tom levemente provocador em sua fala, como se testasse as ĂĄguas. "EntĂŁo? ReclamaçÔes, sugestĂ”es, feedbacks sĂŁo bem vindos."
Era engraçado como o sorriso bobo aparecia de forma automĂĄtica na presença da arquiteta, sem nem mesmo fazer algum esforço, soltou um riso anasalado com o comentĂĄrio da mesma, pensando no quanto ele nĂŁo fazia sentido, pelo menos para si que conhecia as crianças para quem dava aulas. â NĂŁo atrapalharia, vocĂȘ ficaria surpresa em como eles gostam de plateia, a aula atĂ© rende mais quando tem um pai ou dois assistindo. â Afirmou boba, por um momento relembrando as situaçÔes onde todos se comportaram e foram dedicados por terem alguĂ©m assistindo, em sua maioria um pai ou mĂŁe. NĂŁo foi Ă toa que Alessia pediu um design de banquinhos dentro da sala e nĂŁo somente pelo lado de fora, foi uma estratĂ©gia muito bem pensada nos pequenos. Assistiu Parthe atravessar a sala em sua direção, paralisando por um momento, sem mesmo saber o que acontecia consigo, correspondendo ao beijo dado apenas em um reflexo, pois parecia uma adolescente novamente para quem assistia de fora, por sorte nĂŁo existia plateia naquele momento. O comentĂĄrio alheio lhe pegou de surpresa, costumava ter uma resposta na ponta da lĂngua para muita coisa, mas com Parthenope ponderava antes, tentando nĂŁo soltar a frase errada na hora errada. â Achei que quisesse ver o estĂșdio com vida que sĂł as crianças conseguem trazer. â Respondeu sincera, nĂŁo era num todo uma mentira, mas nĂŁo poderia negar que o outro cenĂĄrio - sem as crianças - tambĂ©m lhe agradava. â Mas vocĂȘ tĂĄ sempre convidada a vĂȘ-las. Gosto da ideia de hoje tua atenção estar em mim. â Rebateu com os olhos fixos na outra, distraindo-se por alguns segundos para mirar os lĂĄbios Ă sua frente, deixando implĂcito que gostou de estar solo com ela. â SĂł elogios, acredito que tudo que vocĂȘ toque, nĂŁo tem reclamaçÔes. â Respondeu Ă pergunta alheia, ainda que nĂŁo soubesse mais se estava falando da parte profissional ou deixando sua mente fĂ©rtil vagar pelas cenas que seu corpo gostaria de vivenciar. â Antes de focar no estĂșdio, eu preciso tirar essa roupa. VocĂȘ pode vir comigo. â Informou, voltando sua atenção ao que estava prestes a fazer antes da mulher chegar.
Tudo o que envolvia roupas, moda e revirar armĂĄrios, era algo que Eva fazia questĂŁo de participar, tinha feito amizade com vĂĄrias senhorinhas da cidade com um Ășnico propĂłsito de poder futricar seus armĂĄrios e trazer a vida peças incrĂveis que haviam sido esquecidas pelo tempo. EntĂŁo, quando Alessia a convidou para olhar seu antigo armĂĄrio, na casa da mĂŁe, nĂŁo tinha como ela recusar, fora que era sempre bom passar um tempo ao lado da amiga, seus olhos atentos passavam de roupa a roupa, fazendo notas mentais de quais peças poderiam ser transformadas em algo diferente e quais ainda estavam em boas condiçÔes, seu cĂ©rebro trabalhava rapidamente jĂĄ imaginando tudo o que poderia criar, se Alessia lhe desse a oportunidade. A ruiva voltou a realidade quando sentiu o peso do colchĂŁo mudar, fazendo-a piscar algumas vezes, se voltando para a amiga e fixando o olhar na saia curta. " vocĂȘ ainda tem seus vintes anos. mas admito que essa saia daria um Ăłtimo cropped, sĂł precisa de algumas pequenas alteraçÔes. " disse animadamente, estreitando os olhos e sorrindo para a outra, e sem nem perceber viu seu olhar se desviando da saia por um momento e passando pelas pernas a mostra da morena, logo piscando e voltando sua atenção para a pergunta que ela lhe fizera. " e quem disse que eu nĂŁo faço? por exemplo, ontem mesmo eu... eu fiz um bolo e foi um desastre. "
Alessia tambĂ©m adorava brincar com a moda vez ou outra, mas um dos motivos de chamar Eva para lhe ajudar a filtrar boa parte das suas roupas antigas, era justamente a facilidade que a ruiva tinha de visualizar peças novas com peças velhas, alĂ©m das mĂŁos de fada brincando com os diversos tecidos e modelos. Franziu o cenho com o comentĂĄrio alheio, existe um grande abismo entre literalmente seus vinte anos e seus vinte e poucos, para ser mais exata, seus vinte e nove anos. Muita coisa havia mudado, alĂ©m de sua personalidade, tambĂ©m o Ăłbvio, pois seu corpo jĂĄ nĂŁo possuĂa as mesmas medidas do que anos atrĂĄs, ainda que tivesse um corpo modelado por causa de sua profissĂŁo e esforço fĂsico. â Eu quis dizer literalmente meus vinte anos, quase dez anos atrĂĄs, quando eu vestia menos de 36 e roupas curtas ainda faziam sentido. â Rebateu, quase lamentando que a informação havia mudado. â Ă por isso que vocĂȘ Ă© a melhor, vocĂȘ presta atenção em tudo, com certeza meus peitos sĂŁo menores que meu quadril. â Comentou sincera e divertida, considerando a opção dada pela amiga. Levantou, abrindo o fecho na lateral da saia, a Ășnica coisa que ainda lhe permitiu vestir a peça e com um pouco de esforço, puxou o tecido para baixo, retirando-o o suficiente atĂ© que escorregasse sozinho. Se virou bruscamente, um tanto incrĂ©dula com a fala alheia. â Um bolo? Era disso que eu tava falando, algo divertido e realmente prazeroso. Quanto tempo faz que vocĂȘ nĂŁo tenta se envolver com alguĂ©m? Em cinco meses que eu tĂŽ aqui jĂĄ acho que faltam pessoas na minha cama. â Confessou sincera, colocando a saia na pilha de roupas que Eva tentaria salvar.
beatriz até que imaginava que se manter em monteluna seria tĂŁo fĂĄcil. mas mesmo sabendo que era outro paĂs, com uma moeda diferente â e carĂssima, diga-se de passagem â, ela havia deixado a parte financeira para depois, achando que as coisas se resolveriam quando chegasse à  cidade. jĂĄÂ passado um tempo desde sua chegada, o arrependimento batia forte. as contas nĂŁo fechavam tĂŁo bem quanto ela pensava e para nĂŁo ficar parada, tentava vender seus serviços de restauração de fotos. ainda nĂŁo tinha muitas encomendas, sua estratĂ©gia era oferecer o trabalho a qualquer um que parecesse minimamente interessado. tinha se embananado toda na hora de explicar a origem da foto à  alessia. ajeitou o peso do corpo de um pé pro outro, meio sem graça. ânĂŁo, imagina. até que somos parecidas, mas acho que sou de longe demais para ser a reencarnação dela.â brincou, apontando pra imagem. âessa foto é da dĂ©cada de 30. é da bisavó do rapaz que me encomendou. ele queria restaurar para dar de presente para a avĂł. achei bonitinho da parte dele.â
Tentou prestar mais atenção na explicação alheia, para ver se dessa vez compreendia a informação e nĂŁo pĂŽde deixar de rir com o primeiro comentĂĄrio feito por beatriz. â NĂŁo sabia que reencarnação era exclusiva de um local, achei que era possĂvel em qualquer lugar do mundo. â Rebateu divertida, deixando claro a brincadeira, ainda que se fosse questionada sobre o assunto, realmente acreditava na possibilidade. â Melhor eu te entregar ela de volta antes que estrague. â Afirmou um tanto preocupada, devolvendo a foto para a outra com delicadeza. â Outro dia um rapaz me pediu ajuda para fazer um presente para a mĂŁe com uma foto, esse quis restaurar uma foto para a avĂł, acho que temos uma geração de homens sensĂveis por aĂ.

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â° starter fechado com @serxnc
Alessia estava se retirando do local em companhia de Serena, apĂłs terem permanecido alguns minutos na fila para pegarem doces, pedindo que os colocassem nos sacos de papeis tradicionais com a intenção de irem para outro lugar em vez de saborear no estabelecimento, foi quando ouviu os comentĂĄrios das senhoras que estavam prĂłximas, achou um absurdo as palavras um tanto fortes que proferiram, demorando alguns segundos atĂ© perceber que estavam se referindo Ă amiga ao seu lado. O sangue ferveu em seu corpo, sua respiração se fez pesada e seu coração acelerou, quase saindo pela boca junto Ă resposta que lançou sem piedade e preocupação, em defesa da amiga, deixando as mulheres constrangidas com as prĂłprias atitudes e tambĂ©m resmungando baixo sobre a bailarina, que certamente tambĂ©m virou alvo logo em seguida e pelas suas costas. Alessia virou para a amiga ainda enraivecida, erguendo os doces em mĂŁos. â Na prĂłxima vez eu vou jogar os doces nelas, vocĂȘ deveria fazer o mesmo. â Afirmou, pela sua raiva, com toda certeza faria.
Francesca nĂŁo tinha percebido a foto deslizar para fora da sua carteira atĂ© ouvir o comentĂĄrio da mulher. Sem saber ao certo qual das fotos dos seus familiares havia deixado cair, se aproximou para vĂȘ-la junto com ela. "Ah..." murmurou ao ver de quem se tratava. "Sei que somos muito parecidas, mas Ă© sĂł a minha mĂŁe quando era mais jovem," explicou, fitando a fotografia por mais alguns segundos como se estivesse vendo pela primeira vez. "Hm... acho que ela conseguiu ficar ainda mais bonita com a idade."
NĂŁo fitou a imagem por muito tempo depois de notar uma certa indiferença na menina, que nĂŁo reclamou, mas tambĂ©m nĂŁo pareceu feliz com a fotografia nas mĂŁos de Alessia. â Eu nĂŁo lembro muito da sua mĂŁe, sĂł de vocĂȘ pequeninha na escola. â Comentou, tinha uma memĂłria bem nĂtida da Ă©poca em que frequentaram a mesma escola, com diferença que Alessia estava anos na frente. â Eu sou suspeita em falar, mas acho que as mulheres ficam melhores com o tempo. â Afirmou fazendo uma expressĂŁo divertida, nĂŁo era como se escondesse sua paixĂŁo por mulheres em um geral. Levou a mĂŁo Ă outra, devolvendo o item pessoal delicadamente.
Palo Alto (2013) dir. Gia Coppola
â° starter fechado com @parthedellatorre
Um pouco antes da Ășltima aula iniciar, lembrou que a responsĂĄvel por complementar boa parte da estrutura do estĂșdio, nunca esteve presente para vĂȘ-lo em uso, jĂĄ que antes havia deixado a relação puramente profissional, ainda que houvessem sensaçÔes implĂcitas em suas interaçÔes. O contato no evento de PĂĄscoa abriu uma curiosidade e acendeu uma luz na bailarina, fazendo-a pagar para ver no que daria. NĂŁo muito sĂștil, enviou uma mensagem para Parthenope convidando-a para assistir a aula, entretanto, o tempo passou, a aula acabou e Alessia se viu sozinha no espaço espelhado, como em muitas outras vezes.
Era amante do silĂȘncio e da solitude, algumas vezes aproveitava do momento final para desenhar alguns passos frente ao espelho, para nĂŁo perder a prĂĄtica e muito menos o costume, mas naquele nĂŁo seria um dia desses, entĂŁo apĂłs ajeitar um pouco o espaço, fazendo algum tempo por ali, decidiu cobrir-se com um de seus roupĂ”es, quase como saĂdas de banho compridas, escondendo a peça tĂpica e colada que vestia por baixo, seus fios de cabelos escuros decidiu soltar, deixando-os um tanto bagunçados e marcados pelos grampos de cabelo que usava anteriormente. Ficou um tanto surpresa ao ouvir o barulho que indicava presença na entrada e abriu um sorriso ao colocar seus olhos sobre Parthe. â Achei que vocĂȘ nĂŁo viria mais, a aula com os pequenos jĂĄ acabou, mas ainda posso te mostrar como ficou o projeto totalmente pronto, eu sĂł tinha começado a me desmontar. â Declarou a observação de forma carinhosa, talvez terminaria o que começou antes de seguir em diante.
a dĂșvida de alessia parecia tĂŁo genuĂna que alec duvidou da foto que tinha trazido do brasil consigo. precisava montar um presente do dia das mĂŁes para sara mas queria fazer no estilo nostĂĄlgico e italiano para honrar as raĂzes da mĂŁe. dizer que estava tendo dificuldades era um eufemismo, por isso nĂŁo hesitou em perturbar a filha da prefeita assim que a avistou ali na confeitaria. "quer dizer... sim? meus pais sempre disseram que era eu, tem atĂ© meu nome e a data atrĂĄs." apontou para a parte traseira da foto. "meu cabelo era liso mas os cachos vieram depois." a criança sorridente em cima da bicicleta com a mĂŁe segurando realmente nĂŁo parecia tanto consigo por causa da falta dos cachos, tinha que dar esse desconto.
Segurou o riso, tentando nĂŁo constranger o rapaz e entĂŁo virou a foto Ă procura das informaçÔes que o outro falou, apesar de estarem em outra lĂngua, data era uma informação tĂŁo simples que nĂŁo parecia tĂŁo incompreensĂvel assim, entretanto parte sua era cĂ©tica, pois poderia pegar a foto de qualquer criança, escrever um nome e uma data, porĂ©m fez o questionamento para mexer com Alec. â Eu acredito, mas preciso dizer, vocĂȘ era mais bonitinho quando era pequeno. â Soltou sem hesitar.

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Charlie observou o homem se afastar parecendo dar uma Ășltima olhada na fotografia antes de guarda-lo no bolso, a loira se perguntou o que exatamente ele via quando olhava para a foto, a prĂłpria Charlie tinha algumas muitas fotos de sua filha, as quais se permita olhar vez ou outra, ainda era difĂcil. Depois de se permitir um momento de nostalgia, a loira balançou a cabeça afastando os pensamentos, voltando sua atenção para a garota a sua frente. " ele parece feliz em conseguir a foto de volta. " comentou com um pequeno sorriso. " fora sua habilidade de encontrar fotos perdidas, como tem sido seu dia? "
Observou o homem pegar a foto de sua mĂŁo e se afastar apĂłs tambĂ©m dar uma breve olhada na mesma, quem sabe culpa de Alessia que colocou uma dĂșvida enorme no coitado, por um momento o silĂȘncio reinou entre as duas, atĂ© a loira quebra-lo. â Ele pareceu feliz em ver vocĂȘ. â Disse sugestiva, dando uma cutucada na mulher com o braço e voltou um sorriso para a mesma. â Tenho certeza que ele observou vocĂȘ bem mais do que eu observei aquela foto. â Afirmou, erguendo uma das sobrancelhas. â Meu dia tĂĄ sendo um desastre, acabei de estragar um clima. â Respondeu ainda acreditando que o rapaz poderia ter feito de propĂłsito.
"Infelizmente sou eu." Respondeu hĂĄ mais velha, enquanto pegava novamente da fotografia "Um colega meu de universidade tirou a foto. Precisava para uma aula, mas ficou horrĂvel. NĂŁo sei o que ele fez, mas nĂŁo posso entregar isto como trabalho final." Um suspiro saiu dos lĂĄbios da loira, agora ela tinha que ter o dobro do trabalho de fazer algumas selfies para finalmente ter algo decente para terminar o seu trabalho.
Fez uma careta engraçada, nĂŁo escondendo seu desprezo pela foto. Poderia nĂŁo ser fotĂłgrafa, mas com seu trabalho aprendeu um pouco sobre iluminação e ouviu tantas vezes para ficar na luz certa, no Ăąngulo certo e no lugar certo. â NĂŁo vou mentir, ficou horrĂvel. â Desabafou sincera, aproveitando que a prĂłpria comentou a respeito. â Eu sei, ele nĂŁo entende nada sobre iluminação ou Ăąngulo. E vocĂȘ precisa de um lugar mais adequado pra fazer uma foto. Talvez no estĂșdio de dança, Ă© projetado pra ficar bem nas fotos. â Comentou, lembrando do espaço que construiu hĂĄ alguns meses.
Felippo soltou uma gargalhada alta, daquela que vinha fĂĄcil na presença de Alessia, a olhando como se nĂŁo acreditasse no que tinha acabado de ouvir. "Olha, AlĂȘ, se vocĂȘ queria uma desculpa pra conferir, era sĂł pedir. NĂŁo precisava tentar ser sutil." devolveu com aquele costumeiro sorriso sacana que adornava seu rosto. Ele franziu o cenho movendo a mĂŁo de modo exagerado como se dissesse um 'deixa para lĂĄ' antes de continuar. "Ainda tĂŽ inteirinho. Sem fios brancos onde importa... Mas sou eu ai. VocĂȘ estava lĂĄ. Certeza que nĂŁo lembra quando cortei o cabelo? Okay que minha mĂŁe nĂŁo deixou passar mais de dois dias com um mullet mas geral viu"
Franziu o cenho em reação a resposta alheia, mas logo desfez a expressĂŁo, dando lugar ao sorriso fĂĄcil. â Ew. Eu nĂŁo quis ver isso aĂ nem quando a gente namorou de mentira. â Rebateu divertida, lembrando do passado que hoje era uma situação engraçada para ambos. â VocĂȘ sabe que eu gosto de outra coisa. â Completou fingindo uma expressĂŁo inocente. â Agora nĂŁo sei se onde importa Ă© onde todo mundo enxerga ou ... â Foi incapaz de terminar o questionamento, apesar de que sua curiosidade realmente existia. â Quer saber, deixa pra lĂĄ. â Deu de ombros, nĂŁo tinha muita certeza se gostaria de ouvir a resposta. â Eu realmente nĂŁo lembro, mas se eu fosse sua mĂŁe tambĂ©m nĂŁo deixaria, ficou engraçado. â Completou, sendo impossĂvel nĂŁo rir do amigo.
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o anĂșncio no Instagram chegou trazendo uma surpresa para nisan: a foto de andrea estampada bem do lado da prefeita. claro, haviam outras pessoas na imagem agradecendo o sucesso da pĂĄscoa mas o que a turca realmente prestava atenção era no fato de que a mulher que tinha conquistado sua atenção hĂĄ alguns meses estava realmente ali. andrea lhe bloqueou no tiktok, Ășnica rede que tinham contato, a ausĂȘncia da pessoa ao qual seu coração parecia tanto desejar tinha sido difĂcil de lidar nos Ășltimos dias. agora, porĂ©m, tinha uma pista. foi por isso que nĂŁo hesitou em ir atĂ© a prefeitura em busca da moça, sĂł nĂŁo contava que a pessoa que estava recepcionando os visitantes iria tentar negar a existĂȘncia da outra. "vocĂȘ estĂĄ brincando comigo? o Instagram da prefeita acabou de publicar uma foto dela com a andrea! por que diabos vocĂȘs insistem em dizer que nĂŁo tem ninguĂ©m com esse nome?" reclamou de forma exasperada. o celular foi entĂŁo tirado do bolso enquanto abria rapidamente a o perfil para mostrar a foto e questĂŁo. "aqui, andrea, a prefeitura e esse monte de gente desnecessĂĄria." indicou. antes que qualquer outra palavra fosse trocada, um barulho atrĂĄs de si lhe chamou atenção. ao se virar, um suspiro atĂŽnito lhe escapou. "cĂ©us, finalmente! vocĂȘ me incentivou a vir atĂ© aqui e entĂŁo me bloqueou? poxa! eu achei que estĂĄvamos indo a algum lugar!" aquelas nĂŁo eram as primeiras palavras que queria despejar na outra... mas o que mais poderia fazer a nĂŁo ser reclamar da situação? a feição assumia uma sombra mais desanimada, magoada. "por que vocĂȘ fez isso comigo?"
Aquele foi mais um dia que precisou dar apoio Ă sua mĂŁe, mais um dia agitado na prefeitura que costumava ser tĂŁo calma, o evento de PĂĄscoa havia sido um sucesso e conquistado muitos dos turistas e novos moradores com sua hospitalidade e foi com essa energia que o fotĂłgrafo convidou Alessia a fazer parte da foto que sairia na capa do jornal local, pedindo para que abrisse seu maior sorriso, aquele perfeito que sĂł ela sabia dar, o que a morena nĂŁo sabia, era que a foto seria publicada tambĂ©m nas redes da prefeitura, jĂĄ que elas quase nunca eram usadas, mas quem sabe a nova leva de visitantes faria essa situação mudar e traria mais da tecnologia para a cidade tĂŁo pacata e que aos poucos ficava para trĂĄs. Assim que a sessĂŁo de fotos, cumprimentos e sorrisos acabou, Ale ainda permaneceu um pouco na sala de sua mĂŁe, finalmente tendo seu momento familiar com aquela que lhe deu Ă vida, mas eventualmente tambĂ©m precisou se retirar, tanto os seus compromissos quanto os de sua mĂŁe nĂŁo haviam acabado para o dia, entĂŁo saiu pela porta, seguindo pelo Ășnico corredor que levava atĂ© a entrada principal. Um pequeno tumulto jĂĄ era notado, uma jovem falando um pouco mais alto do que o normal num lugar tĂŁo silencioso era impossĂvel passar despercebido. Paralisou a respiração por alguns segundos, em um susto causado pela reação da outra em lhe ver, sua expressĂŁo era confusa, pouco entendia do que saĂa da boca da mulher, mas ao mesmo tempo entendia tudo, estava apenas com dificuldade de assimilar o que ouviu. â Eu incentivei? Bloqueei? â Questionou repetindo as palavras chaves da acusação que recebeu. â Eu nĂŁo incentivei ninguĂ©m e nem bloqueei vocĂȘ. â NĂŁo demorou para iniciar o ciclo de negativas, estava assustada, mas ainda sim tentou manter um tom de voz amigĂĄvel enquanto seus olhos passearam pelo local atrĂĄs de alguma figura que prestava atenção na cena, a Ășltima coisa que precisava era um escĂąndalo no meio da prefeitura. â VocĂȘ tĂĄ maluca? Eu nem conheço vocĂȘ. â Afirmou sem hesitar.
â° starter fechado com @tramedevangeline
Experimentava algumas roupas, uma parte jĂĄ havia permanecido na casa da sua mĂŁe, outra parte ficou em seu apartamento em outro paĂs e uma pequena parte veio consigo, ainda nĂŁo tendo tempo de terminar de buscar suas coisas ou atĂ© mesmo decidido se valeria a pena buscar. Alessia sentou na cama, jogando todo seu peso no colchĂŁo, sem mesmo tirar a peça de roupa que havia colocado, peça essa que jĂĄ nĂŁo fazia mais sentido com sua personalidade atual, estaria ela tendo a crise dos trinta dos anos? â Olha o tamanho dessa saia, eu usava ela quando eu tinha uns vinte anos. VocĂȘ lembra? â Comentou com a amiga, ninguĂ©m melhor que Eva para conversar sobre o drama das suas roupas. Observou por um tempo as pernas aparentes no reflexo do espelho, a peça estava tĂŁo curta e apertada, que ela mesma quase enxergava a prĂłpria calcinha, fora que estava nada confortĂĄvel. Ficou em silĂȘncio, com a roupa veio as lembranças de anos atrĂĄs, da Ă©poca das festas escondidas nos galpĂ”es de casa, um sentimento estranho passou pelo seu corpo, seria ele a nostalgia? â Quanto tempo faz que vocĂȘ nĂŁo faz algo por vocĂȘ desde que o Carlo nasceu? â Questionou a ruiva.

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" mas Ă© a cara dele, Ă© sĂł imagina-lo com um pouco mais de barba. " disse erguendo seu olhar da foto para o rapaz parado na frente nas duas, que parecia tentar imitar a mesma pose da foto. " e bem, talvez seja de um parente? a estrutura do rosto Ă© bem parecida. eu acredito que seja vocĂȘ, ou no mĂnimo, alguĂ©m da sua famĂlia. " completou assentindo algumas vezes.
Ă, pensando desse jeito... A barba realmente muda um homem. â Concordou ao imaginar o rapaz com um pouco mais de barba, em seu pensamento passava algo indiscreto, que deveria deixar preso por lĂĄ. Ele estĂĄ mais bonito na foto. Apesar de nĂŁo se relacionar com homens, era capaz de notar e atĂ© assumir a beleza de alguns. â Acho que nunca vamos saber com certeza. â Disse ainda duvidando das informaçÔes recebidas, mas estendendo a mĂŁo ao homem, entregando a foto ao dono. â Toma, de qualquer forma ela Ă© sua. â Comentou, esperando o mesmo pegar a fotografia e possivelmente continuar seu trajeto pela rua.
O homem precisou segurar o riso esperando que a mulher pudesse avaliar a foto que tinha desenterrado da gaveta. Tinha o rosto mais novo, praticamente um bebĂȘ cheio de sonhos, no dia em que foi fazer faculdade. "Estou te dizendo, sou eu sim. Fazem para lĂĄ de 10 anos" confidenciou com o riso nos lĂĄbios cruzando os braços na frente do peito olhando saudoso para a foto junto a mulher "Ăpoca boa... NĂŁo tinha tantos fios brancos e nem dor nas costas. Era outro homem"
Sua expressĂŁo nĂŁo mudava, quanto mais Felippo tentava lhe convencer de que aquele era ele quando mais novo, mais o cenho de Alessia franzia, nĂŁo era como se ela nĂŁo tivesse conhecido o homem em sua juventude, ambos nascerem e cresceram na cidade e tinham a mesma idade. â Eu sei que fazem e Ă© por isso que continuo dizendo, nĂŁo parece vocĂȘ. â Insistiu sem acreditar, tinha algo diferente do que lembrava. â Fios brancos e dor nas costas? Como ousa? VocĂȘ e eu temos a mesma idade. Eu nĂŁo sou tĂŁo velha assim. â Rebateu incrĂ©dula, fazendo uma expressĂŁo divertida enquanto sua mente ia longe na imaginação. â E outra, vocĂȘ nĂŁo tem fios brancos, deve tĂĄ dentro das calças, porque nĂŁo tĂĄ na cabeça. â Completou sem pensar, nĂŁo percebendo que poderia soar indiscreta.