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lucien montanari, cinquenta anos. licantropo. jacob elordi. @lucienthropy

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✶ㅤㅤ𝗠𝗔𝗥𝗖𝗛'𝗦 𝗕𝗜𝗥𝗧𝗛𝗗𝗔𝗬 𝗚𝗜𝗙𝗧ㅤ⸻ㅤ𝖺𝗇𝖽 𝗂'𝖽 𝗀𝗂𝗏𝖾 𝗎𝗉 𝗳𝗼𝗿𝗲𝘃𝗲𝗿 𝗍𝗈 𝗍𝗈𝗎𝖼𝗁 𝗒𝗈𝗎 '𝖼𝖺𝗎𝗌𝖾 𝗂 𝗄𝗇𝗈𝗐 𝗍𝗁𝖺𝗍 𝗒𝗈𝗎 𝖿𝖾𝖾𝗅 𝗆𝖾 𝒔𝒐𝒎𝒆𝒉𝒐𝒘. 𝗒𝗈𝗎'𝗋𝖾 𝗍𝗁𝖾 𝖼𝗅𝗈𝗌𝖾𝗌𝗍 𝗍𝗈 𝐇𝐄𝐀𝐕𝐄𝐍 𝗍𝗁𝖺𝗍 𝗂'𝗅𝗅 𝖾𝗏𝖾𝗋 𝖻𝖾 𝖺𝗇𝖽 𝗂 𝖽𝗈𝗇'𝗍 𝗐𝖺𝗇𝗇𝖺 𝗀𝗈 𝘩𝑜𝑚𝑒 𝗋𝗂𝗀𝗁𝗍 𝗇𝗈𝗐.
𝟐𝟎𝟐𝟎 dezenove anos de namoro. para qualquer pessoa comum aquilo seria quase uma vida inteira, mas para mavrick não era. para um vampiro que já tinha visto décadas passarem diante de seus olhos, dezenove anos deveriam ter sido apenas uma fase que se dissolveria na memória como tantas outras que vieram antes. mas não com lucien. porque, quando ele pensava melhor, esses dezenove anos nem sequer eram completos. se fosse preciso, talvez precisasse reduzir esse número pela metade. dos dezenove, quase nove tinham sido passados separados. era impressionante perceber que, olhando para trás, quase todos aqueles rompimentos tinham sido originados por lucien. era quase ridículo admitir que um único homem fosse capaz de causar tanta perturbação em uma criatura que já existia há mais de um século. ainda assim, era exatamente isso que acontecia. o licantropo tinha se tornado o eixo de uma quantidade absurda de decisões, brigas e despedidas que mavrick jamais teria imaginado viver novamente depois de tantos anos de existência. tudo culpa daqueles malditos olhos castanhos… que não eram apenas castanhos. ele conhecia cada variação daquele olhar. sabia quando o castanho parecia mais escuro, quase preto, quando lucien estava cansado ou irritado. sabia quando a luz revelava nuances mais claras, um tom quente, quase dourado, quando ele estava relaxado ou feliz. e sabia reconhecer, acima de tudo, aquele olhar específico que o montanari só dirigia a ele. com o passar dos anos, aquele mesmo olhar se tornaria responsável pelos piores términos que o lynch já havia enfrentado. ele não costumava admitir isso para ninguém. para qualquer observador externo, as separações entre ele e lucien sempre pareciam apenas mais uma das explosões temperamentais que definiam o relacionamento deles. gritos no corredor do hotel, portas batendo, ameaças que nenhuma pessoa sensata diria para alguém que ama. quem assistia aquilo de fora dificilmente imaginaria o quanto o silêncio que vinha depois era pior.
mavrick odiava ficar longe de lucien. as noites no hotel pareciam mais longas. os corredores ficavam mais vazios. as pequenas manias que lucien tinha deixavam de acontecer e, aos poucos, ele percebia o quanto aquelas coisas tinham se tornado parte natural da sua existência. mesmo assim, havia um limite muito claro que jamais ultrapassaria. ele não se humilharia para voltar. não imploraria por um lugar na vida de ninguém, não pediria para ser escolhido e não aceitaria ser tratado como uma opção. era uma linha que ele mantinha intacta desde muito antes de conhecer lucien, e por mais que aquele relacionamento tivesse destruído muitas outras certezas ao longo dos anos, essa ainda permanecia firme. e a verdade era que, nos dois últimos términos realmente graves que haviam enfrentado, lucien não havia o escolhido. ele sabia, sem qualquer dúvida, que lucien o amava. depois de um tempo, o amor do licantropo por ele era quase escancarado. estava nas cartas que ele escrevia, nos quadros que pintava, nas crises de ciúme, nos momentos de reconciliação que sempre terminavam com os dois destruindo o quarto e um ao outro antes de fazer as pazes. lucien o amava. mas, em alguns momentos decisivos, esse amor não tinha sido suficiente para que ele escolhesse mavrick. era revoltante ver que o homem que dizia amá-lo, o homem que brigava com ele como se o mundo fosse acabar, ainda assim era capaz de olhar para a própria família e decidir que aquele era o lado que precisava preservar primeiro. a família de lucien sempre parecia existir acima de qualquer coisa que eles construíam juntos. e mavrick não era estúpido o suficiente para fingir que não entendia aquilo. ele entendia perfeitamente o que significava lealdade familiar. seria hipócrita condená-lo por isso quando ele próprio colocava hemrick no topo das prioridades dele desde muito antes de lucien aparecer em sua vida. mas havia uma diferença brutal entre as duas situações. mavrick nunca precisou escolher entre hemrick e lucien. nunca houve um momento em que ele tivesse olhado para um dos dois e decidido que o outro precisava ir embora. as duas coisas simplesmente coexistiam na vida dele, sem qualquer disputa, sem aquela sensação de que amar um significava perder o outro. lucien, por outro lado, já tinha feito aquela escolha. mais de uma vez. e talvez fosse exatamente por isso que, ao longo dos anos, mavrick nunca teve certeza de que aquele relacionamento sobreviveria. passou muito tempo acreditando que, em algum momento, o amor que sentiam um pelo outro não sustentaria aquela relação. mas agora… agora era diferente. nos últimos meses, havia algo novo entre eles. não era uma calmaria. aquilo provavelmente nunca existiria entre um vampiro como ele e um licantropo como lucien. ainda discutiam. ainda se provocavam. mas havia uma estabilidade que mavrick nunca tinha sentido antes. e pela primeira vez em dezenove anos de uma relação que parecia sempre à beira do colapso, mavrick percebeu que talvez — finalmente — aquilo fosse suficiente para construir algo que não acabaria no próximo conflito.
mavrick percebeu que a decisão tinha sido tomada naquela noite. lucien tinha chegado tarde do trabalho, e ainda assim, tinha feito questão de puxar mavrick para a cama como sempre fazia. aquela insistência em transformar algo impossível — um vampiro dormindo — em uma rotina doméstica nunca tinha deixado de divertir mavrick. e, como muitas outras vezes, ele ficou observando. o licantropo respirava profundamente quando dormia, às vezes franzia levemente o cenho, como se ainda estivesse processando alguma coisa mesmo inconsciente. o cabelo sempre ficava bagunçado contra o travesseiro, e ele se encolhia instintivamente na direção do namorado. era uma rotina que se repetia noite após noite. mas naquela em específico, alguma coisa tinha sido diferente. não pela conversa sobre o livro, nem pela discussão ridícula sobre a adaptação do filme, nem pela forma como lucien se irritava com detalhes fictícios como se conhecesse pessoalmente personagens que existiam apenas em páginas antigas. aquilo era apenas lucien sendo lucien. o que ficou gravado na memória de mavrick foi a resposta do outro quando perguntou como imaginava frederick. “com você, é claro.” lucien não tinha dito aquilo tentando impressioná-lo. ele simplesmente acreditava naquilo. acreditava que todas as histórias de amor levavam até mavrick. e mavrick passou o restante da madrugada pensando nisso enquanto lucien finalmente dormia outra vez, com o rosto afundado no travesseiro e um braço pesado apoiado sobre o quadril dele. o livro ainda estava aberto no colo do lynch, mas ele não leu mais nenhuma linha.
no dia seguinte, quando estava sozinho, ele ainda estava pensando nisso. pensando em tudo, na verdade. em dezenove anos de um relacionamento que nunca tinha sido estável por muito tempo. em todas as vezes que eles terminaram. em todas as vezes que voltaram. pensou em cada uma das vezes em que lucien foi embora. e também em cada uma das vezes em que voltou. e foi por isso que aquela conversa aparentemente simples sobre um personagem de romance ficou presa na cabeça dele. porque lucien continuava acreditando naquela história de amor. mesmo depois de tudo. mesmo depois do momento em que mavrick rejeitou o pedido de casamento que ele fez no início do relacionamento. ele lembrava perfeitamente daquele momento. lembrava da expressão de lucien quando ouviu a recusa. lembrava de como o assunto nunca foi retomado diretamente depois disso. na época, parecia a decisão mais lógica. ele tinha vivido décadas suficientes para saber que promessas eternas feitas cedo demais quase sempre terminavam em tragédia. lucien era novo, instável, estava descobrindo quem era. aquilo parecia uma fase intensa que inevitavelmente acabaria. o problema era que não acabou. eles continuaram se amando intensamente. continuaram brigando como se cada discussão fosse a última coisa que fariam antes de se destruírem completamente. continuaram terminando e voltando, terminando e voltando, como se existisse uma força invisível puxando os dois de volta sempre que tentavam seguir caminhos diferentes. e no meio de tudo aquilo, lucien nunca deixou de ser exatamente quem era.
lucien sempre foi tradicional em certos aspectos. mavrick demorou um tempo para aceitar isso. desde o começo, o outro insistia em pagar jantares que claramente estavam muito acima do que ele podia bancar, abrir portas, presentear com flores como se estivesse vivendo em algum romance antigo. mavrick odiava aquilo no início. era ridículo vê-lo insistindo em pagar tudo como se fosse uma questão de honra. mas com o tempo ele entendeu. não era sobre dinheiro. era sobre como lucien enxergava o relacionamento deles. e mavrick aprendeu a respeitar aquilo da forma dele. não completamente, claro. lucien podia insistir em pagar jantares ou planejar encontros, mas isso nunca impediu mavrick de fazer coisas que o licantropo não tinha como recusar. a biblioteca particular no hotel era prova disso. aquela sala inteira existia apenas porque lucien gostava de ler, principalmente clássicos. a sala de pintura também surgiu assim, construída depois que mavrick descobriu que lucien tinha começado a pintar. algumas semanas depois, uma nova sala apareceu no hotel, equipada com tudo que ele poderia precisar. até a academia não era por acaso. aquilo, mavrick sabia perfeitamente, tinha sido um gesto completamente egoísta. ele gostava de assistir lucien treinar assim como gostava de observá-lo dormir.
observar lucien tinha se tornado parte da rotina dele. sabia exatamente o significado de cada expressão no semblante dele. sabia reconhecer o momento exato em que lucien estava prestes a perder a paciência. sabia quando uma discussão ainda podia ser evitada e quando já era tarde demais. e no meio de tudo isso, havia uma coisa que ele também sabia. lucien nunca esqueceu aquele primeiro pedido de casamento. às vezes ele realmente se perguntava por que o montanari aceitou continuar naquele relacionamento depois disso. por que aceitou anos e mais anos de uma relação intensa, destrutiva, cheia de brigas e reconciliações, sem aquela promessa que ele claramente valorizava. a resposta estava na conversa da noite anterior. e foi naquele momento que a decisão começou a se formar.
imediatamente, mavrick começou a se programar. ele não queria nada espalhafatoso. a última coisa que ele queria era transformar aquele momento em mais um espetáculo para a cidade inteira comentar. todo mundo já tinha assistido brigas suficientes entre eles ao longo dos anos. aquilo precisava ser só dos dois. a única coisa em que ele não economizou foi nas alianças. mavrick procurou um joalheiro que trabalhava exclusivamente com peças sob encomenda e pediu algo que não existisse em nenhum outro lugar. a aliança era pesada, feita em platina com banho de ródio begro e no centro da peça havia um diamante negro lapidado. enquanto segurava aquela pequena caixa nas mãos dias depois, era inevitável que o lynch não sorrisse ao imaginar o momento em que ele colocaria aquela aliança no dedo de lucien.
o rooftop do hotel estava reservado apenas para os dois. pequenas luzes douradas estavam suspensas entre as estruturas do terraço, formando linhas suaves que iluminavam o espaço sem roubar a atenção da vista da cidade abaixo. algumas velas de vidro escuro estavam distribuídas ao redor, projetando reflexos sobre o piso e sobre a mesa posicionada no centro do espaço. a mesa estava preparada para um jantar íntimo, com toalha escura, talheres alinhados e duas taças já prontas para o vinho. ao lado do arranjo central repousavam dois vasos com flores — as mesmas que lucien havia escolhido naquele buquê em 2000. ele subiu os últimos degraus com a mão entrelaçada na do namorado. sentia o calor da pele do licantropo contra a sua, algo que nunca deixava de parecer estranhamente vivo para ele. quando chegaram ao topo e o espaço se abriu diante deles, mavrick virou o rosto na direção dele antes que lucien pudesse dizer qualquer coisa. ‘ é uma noite especial. ’ ele se inclinou apenas o suficiente para roubar um selinho rápido antes de conduzi-lo até a mesa. puxou a cadeira para que o outro se sentasse exatamente da forma que o montanari sempre fazia com ele nos restaurantes, algo que durante anos havia sido motivo de discussões entre os dois, porque lucien insistia em tratar certos rituais como se fossem inegociáveis dentro de um relacionamento. mavrick nunca admitiria em voz alta o quanto havia aprendido a apreciar essas pequenas tradições.
o vinho foi servido primeiro. era o mesmo vinho do restaurante italiano onde tiveram o primeiro encontro. mavrick lembrava perfeitamente da noite em que lucien havia pedido a garrafa mais cara do cardápio. desta vez era a vez de mavrick pagar. conversaram enquanto degustavam do vinho. lucien falou sobre o livro que estava lendo naquele momento, um dos muitos clássicos que ele insistia em revisitar de tempos em tempos, e mavrick ouviu com atenção, fazendo comentários ocasionais que deixavam claro que estava acompanhando cada palavra. quando a comida chegou — farfalle com bacon, brócolis e cogumelos — o licantropo apenas ergueu uma sobrancelha com aquele pequeno sorriso satisfeito que sempre surgia quando reconhecia comida italiana bem preparada. massa nunca falhava com um italiano. mavrick também foi servido. ele não sentia absolutamente nada ao comer. nenhum prazer, nenhum sabor que pudesse saciá-lo da maneira que o sangue fazia. ainda assim, pegou o garfo e começou a comer ao mesmo tempo que lucien. era um gesto simples, mas fazia parte daquilo que o licantropo valorizava: momentos domésticos e a sensação de que, por algumas horas, eles podiam existir apenas como um casal comum.
quando o jantar terminou, eles continuaram ali, compartilhando outra taça de vinho enquanto a sobremesa era servida. conversaram mais um pouco, sem pressa, como se aquela noite pudesse se estender indefinidamente. outra taça veio depois da sobremesa, e apenas quando mavrick percebeu que lucien parecia completamente satisfeito que ele finalmente decidiu que era o momento certo. o vampiro se levantou da cadeira e estendeu a mão. ‘ venha. ’ o licantropo aceitou o gesto sem questionar, e foi conduzido até a beirada do rooftop, onde a cidade se estendia abaixo deles. ficaram ali por alguns minutos apenas observando a vista, lado a lado, sem dizer nada. depois de algum tempo, mavrick se virou completamente na direção de lucien. ele não sabia exatamente como começar aquilo. em todos aqueles anos de existência, nunca havia pedido ninguém em casamento. ainda assim, quando olhou diretamente para o namorado, não houve hesitação na forma como começou. ‘ eu te amo. ’ não havia razão para começar de outra forma. aquilo era o centro de tudo.
‘ eu te amo como nunca amei ninguém em todos esses meus anos de existência. eu te amei mesmo nos anos em que estávamos separados. e eu também te odiei nesses momentos. ’ soltou uma pequena exalação pelo nariz, quase um riso seco. ‘ eu te odiei por fazer isso comigo. por me deixar sozinho com esse sentimento ridículo que não diminuía, não importava quanto tempo passasse. eu te odiei por ainda sentir falta do seu cheiro impregnado em cada cômodo desse hotel. por sentir falta de você grudado no meu pescoço como um parasita. por sentir falta de você roubando minhas roupas, dormindo na minha cama como se ela fosse sua por direito, discutindo comigo por coisas inúteis e me irritando até eu querer te jogar pela janela. ’ ele deu um pequeno passo mais perto. ‘ eu te odiei porque cada uma dessas coisas fazia falta. e porque sem elas eu me sentia vazio. ’ os olhos dele escureceram. ‘ eu existi décadas antes de você nascer. vivi guerras, vi impérios caindo, cidades inteiras desaparecendo. nada disso me afetou da forma como você me afeta. nada. você me deixa furioso. você me deixa fora de mim. você me deixa louco de uma forma que nenhuma criatura neste mundo jamais conseguiu. e é exatamente por isso que eu te amo. ’ ele gesticulou um pouco durante o discurso, mas o olhar dele estava completamente fixo em lucien agora. ‘ eu quero a sua presença irritante todos os dias. eu quero nossas discussões absurdas. quero você roubando minhas roupas, invadindo minha cama, ocupando cada espaço do meu hotel e dos meus pensamentos pelo resto da minha existência. eu não quero uma eternidade onde você não esteja. ’ então ele deu um passo para trás. a mão deslizou para dentro do bolso do casaco e voltou segurando a pequena caixa onde estavam as alianças. antes que qualquer outra palavra fosse dita, mavrick se ajoelhou diante dele, abrindo a caixa lentamente para revelar os dois anéis. levantou o olhar novamente para o rosto de lucien e terminou, com uma confiança absoluta na própria voz. ‘ é exatamente por isso que eu quero me casar com você, lucien montanari. então… você quer casar comigo? ’
o silêncio que veio depois pareceu se expandir pelo rooftop inteiro. lucien ficou parado por um segundo. dois. três. mavrick não desviou o olhar em nenhum momento. então lucien riu. era uma risada curta, incrédula, emocionada, como se o cérebro dele ainda estivesse tentando acompanhar o que tinha acabado de acontecer. ‘ dezenove anos. eu esperei dezenove anos para você finalmente dizer isso. ’ lucien disse e o polegar dele passou pela mandíbula de mavrick. ‘ e você ainda consegue fazer parecer que está me fazendo um favor. ’ mavrick abriu a boca para responder, mas lucien falou antes. ‘ sim. é claro que eu quero casar com você. ’ talvez tenha sido o sorriso mais genuíno de toda a existência de mavrick. ele logo se levantou e não hesitou em puxar lucien para beijá-lo. foi um beijo intenso. cheio de anos acumulados de separações, voltas, brigas, desejo e aquela ligação absurda que sempre os puxava de volta um para o outro. quando se separaram, mavrick pegou a aliança e deslizou lentamente no dedo de lucien. depois lucien pegou a outra e colocou no dedo de mavrick. ‘ eu te amo. incondicionalmente. ’ ele puxou lucien pela gola da camisa e o beijou de novo. porque algumas coisas entre eles nunca seriam delicadas. e talvez fosse exatamente por isso que sempre seriam inevitáveis.
@lucienthropy
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para um starter com lucien montanari responda esse post com uma frase daqui, daqui ou daqui + um local de ninivae. limite de 6 starters / um por player.
𝚁𝙾𝚇𝚈'𝚂 𝙱𝙸𝚁𝚃𝙷𝙳𝙰𝚈 𝙶𝙸𝙵𝚃 ⸻ da tua amiga que te ama muito <3
1988 - estática.
lucien estava fazendo treze anos. ele sabia disso porque grazia mantinha ele atualizado sobre o seu aniversário e nos últimos anos havia criado o costume de trazer um bolo de cenoura para ele. o licantropo tinha um metabolismo extremamente rápido e ele costumava comer o bolo inteiro em uma única noite. ele, infelizmente, não tinha sentido de que as coisas poderiam ser deixadas para depois. ele não tinha geladeira. ele sabia que existia, mas ele não tinha acesso. e se ele deixasse para depois, havia o medo silencioso de que não veria mais o bolo. então, ele comia. e ele se permitia pedir coisas, pois grazia sempre lhe oferecia um livro de presente. a biblioteca dos neroni era gigantesca e lucien se perdia nas histórias, conhecendo o mundo do seu próprio jeito. persuasão de jane austin foi o escolhido da vez. nessa época, lucien havia pegado gosto pelos livros de romance. depois de ler jane eyre, orgulho e preconceito, a princesa prometida e muitos outros, grazia forneceu sua cópia anotada de persuasão.
ele tinha uma certa dificuldade de visualizar algumas coisas, principalmente pessoas. aos treze anos, um dos poucos filmes que tinha assistido havia sido “rebel without a cause”, então todos os personagens tinham o rosto do james dean e da natalie wood, com pequenas variações conforme sua criatividade permitia. em persuasão, sua anne elliot e seu frederick wentworth eram exatamente assim. naquela época, independente do que descobriria sobre si mesmo no futuro, costumava imaginar-se na posição de ambos os personagens. existia uma fome dentro de si de entender os sentimentos humanos e ele queria ser colocado naquelas situações. com apenas treze anos, lucien não tinha se desenvolvido como ser humano, acima de um licantropo. seu lobo era parte de sua rotina, mas amar não era. ele não recebia amor, apenas obsessão. ele não amava, apenas sobrevivia.
deitado na cama de noite, lucien passou anos se imaginando nas cenas dos livros. dos clássicos aos livros modernos, das carruagens aos carros e motos, das tardes com piqueniques às noites acesas das maiores cidades europeias, lucien se perguntava se tinha alguém esperando por ele. se haveria alguém que ele amaria tanto quanto anne elliot amou frederick wentworth, um amor que sobreviveu à anos de separação.
1999 - iris by the goo goo dolls.
a floresta havia se tornado um refúgio. depois de ser jogado no mundo real há menos de três anos, lucien era facilmente impressionado e superestimulado pelo mundo ao seu redor e precisava do silêncio. ele não se achava diferente por isso, mas sim prejudicado. as coisas que ele via e ouvia eram demais para ele e ao mesmo tempo apenas o esperado do mundo real. mundo real. ele sentia seus ossos se contorcendo com o termo que se repetia em sua mente. ele sabia que aquele mundo era o que havia destinado para ele, mas o destino não parecia ser grande fã dele. foi o que ele sentiu quando viu mavrick pela primeira vez naquela caverna.
os olhos azuis inibriantes se levantaram e encontraram os seus. ambos dividiram um semblante parecido de pavor, mas por motivos diferente. o de mavrick mudou rapidamente, mas o de lucien permaneceu o mesmo. e seguiria conforme ele se afastava para o lado oposto depois de uma interação com o vampiro. ele sabia o que deveria fazer. deveria desprazer aquela criatura e tudo que ela representava. deveria sentir nojo da cena. jamais deveria ter voltado para casa e escrito aquela primeira carta, alimentando aquele sentimento em seu peito. deveria ter enterrado aquilo, para nunca mais ver ou pensar. mavrick poderia ter sido apenas um encontro noturno indesejado, mas não foi o que aconteceu. deitado em sua cama, com um lençol cobrindo sua cabeça e uma lanterna iluminando seu colo, lucien escreveu palavras tortas num caderno velho:
“Mavrick,
Você é desprezível. Tudo que você toca fica impregnado com o que você é e apodrece em silêncio. Essas frases feitas nunca fizeram tanto sentido. O seu cheiro ficou grudado em todos os lugares dessa cidade. Está nas ruas úmidas depois da chuva, nos becos onde a luz mal ousa entrar, nas folhas que farfalhejam com o vento de outono. Eu acho que ele sempre esteve lá, na verdade. Eu apenas não notei. Eu não notei o perigo que vivia tão perto de mim. De todos os lugares do mundo… Eu caminhei direto para você naquela noite, como uma presa fácil.
Se eu tivesse forças eu te mataria. Destruiria tudo que você ama. Porque eu não tenho força? Talvez eu nunca tenha o suficiente para ir contra um vampiro. O que resta de mim, quando não há forças de ir contra um monstro?
L.M.”
2000 - unchained melody by the righteous brothers.
ele se olhou no espelho uma última vez antes de sair. o nervosismo em seu rosto era dolorosamente ridículo. mavrick era uma criatura centenária e devia estar acostumado com pessoas caindo de amores aos seus pés. ele precisava se lembrar disso, pois se tudo desse errado… ele tinha uma boa desculpa. como ele poderia competir com todas aquelas pessoas que já haviam passado pela vida do lynch e tentado algo? ele era apenas mais um… mas no fundo, ele sabia que não era só isso. enganar o seu instinto era mais difícil do que parecia.
seu instinto era um problema por si só. estar vivendo como um alfa era novidade para ele. apenas quatro anos sendo o herdeiro da família montanari tinha moldado um novo cotidiano para ele. ele não era mais um menino inocente preso numa mansão. ele era quem sempre deveria ter sido. exceto que ele não se sentia assim. sua imagem no espelho refletia isso mais do que seu novo corte de cabelo ou seu terno cinza bem engomado. ele desviou o olhar para o buquê de flores que havia escolhido. o buquê era composto por rosas lavanda acinzentadas, um cravo lilás claro de pétalas recortadas, uma rosa spray rosada menor e uma protea em tom marrom-rosado com pétalas rígidas e alongadas. entre as flores havia um cardo roxo profundo, de formato espinhoso. a base do arranjo era formada por folhas largas e escuras de magnólia, acompanhadas de pequenas flores arroxeadas e alguns ramos secos e curvos que se projetavam para fora do conjunto. tudo estava envolto em papel cinza texturizado, dobrado em camadas ao redor das flores. era escuro, gótico, nada fofo. perfeito para mavrick. mesmo tendo certeza absoluta que aquilo seria algo que agradaria mavrick mais do que um buquê de rosas vermelhas espalhafatosas, ele ainda tinha medo de estar deixando seus sentimentos o guiarem mais do que a razão. o vampiro poderia achar estúpido e rir da cara dele, até onde ele sabe. lucien só queria fazer questão de que tinha feito tudo que podia para demonstrar o quanto estava apaixonado. verdadeiramente.
quando olhar para trás nesse momento, lucien suspiraria de alívio. e quando as noites seguintes e os outros encontros viessem na sua memória, também, ele saberia que fez o melhor que pode. que buscou os sinais sútis de mavrick para o que gostava ou não gostava. que fez questão de pagar tudo. de segurar portas. de ouvir o outro falar e deixar bem claro que não existia lugar no mundo onde queria estar além dali.
em uma das cartas escritas previamente ao seu momento de coragem, lucien escreveu:
“Queria quebrar a barreira que cresce entre nós dois. E é tudo culpa minha. Se eu a quebrar, se eu disser o que quero, você vai rir de mim? Achar que eu sou um idiota por querer ou que quero? Ou pior, vai dizer que quer o mesmo, mas apenas por um breve período? Eu não sei qual dessas respostas me destruiria mais. E é impossível não pensar nisso. Na destruição que você me causa. Já causa. É presente, mais do que uma premonição. Você me destrói e eu fico apenas esperando o próximo golpe.”
2002 - the scientist by coldplay.
o ano conturbado parecia não chegar ao fim. depois de começarem a namorar, passarem um tempo separados e reatarem o relacionameto, lucien se encontrava oficialmente morando no hotel. as portas do local já estavam abertas para ele há pelo menos dois anos, mas ele ainda não tinha tido coragem de dizer com todas as palavras que estava morando lá. agora, sim. suas coisas já estavam lá e ele, ainda que tímido, vivia livremente entre os hóspedes. já tinha seu espaço no guarda-roupa, sua escova de dentes no banheiro e seu lado da cama. ele ia trabalhar e sonhava com o momento em que poderia estacionar sua camionete de volta no seu lugar de sempre e veria na sacada do quarto de mavrick o seu namorado o esperando.
foi num dia de folga que ele se encontrou em tamanha situação de melancolia que chorava com uma música no seu ipod. as notas finais de the scientist termiaram, quando mavrick levantou o rosto ao sentir o peito de lucien tremer. ele tirou o seu lado do fone e buscou uma explicação no rosto do licantropo.
“por que… por que você está chorando?” e havia um princípio de sorriso ali, porque claro que tinha. ele sabia que lucien tinha ficado emotivo com a música, mas certamente não sabia o que viria a seguir.
“eu te amo.” lucien suspirou, aliviado. “eu te amo e eu não aguentaria mais ficar longe de você. se nós… se nós não tivéssemos feito as pazes. eu não sei, eu não sei… eu só te amo, muito.”
e depois de um tempo, mavrick iria colocar essa música apenas porque lucien gostava. porque o clichê da música combinava com eles. porque ambos sabiam o quanto se amavam. e davam valor para a felicidade que eles tinham, para a rotina, para os desentendimentos e as diferenças. porque mavrick guardava as cartas e agora lucien finalmente conseguia se expressar.
2006 - chasing cars by snow patrol.
ele tentou. ele olharia para trás e perceberia que tentou muito, mas talvez existisse algo que ele pudesse fazer diferente. porque ele se culparia para sempre por esse término. o primeiro sério. o que estabeleceu precedentes. ele escondeu o relacionamento deles de sua família o máximo que conseguiu, mas eventualmente… a notícia chegou nos montanari e a tragédia anunciada teve seu fim. ele entendia a dificuldade de entender como ele podia amar um vampiro, alguém como mavrick, mas ele jamais conseguiria entender como isso podia causar tamanha repulsa. tamanha contrariedade. e ele precisou fazer aquela escolha, por força, mas precisou. ele sabe que escolheu errado, agora. era essa sua chance de fazer diferente.
ele sabe, agora, que jamais vai amar qualquer pessoa daquela família como ama mavrick, mas naquele momento ele só queria ser aceito. ele só queria ser o filho que voltou dos mortos para salvar a família de um fim trágico. ele queria seguir o destino traçado para ele e no processo acabou sendo o culpado de tudo de ruim que viria a seguir. talvez se não tivesse trocado mavrick por sua família há vinte anos, eles nunca tivessem terminado de novo. e de novo. ele ainda seria a pessoa que mavrick ama, a que pode acordar ao seu lado todos os dias e viver aquela vida que lucien havia sonhado quando lia livros de romance na infância. se culpar era fácil, mas lucien se martirizou e transformou sua tristeza em obsessão.
a pintura viria como resultado, não como processo. ele viria a pintar dezenas de quadros de mavrick, buscando desesperadamente ainda se lembrar de cada detalhe do rosto dele. o vampiro nunca falou nada, mas para ele o fato de não poder tirar fotos do homem que amava era uma falta. pois ele sabia da possibilidade de um novo fim para eles, e quando esse fim chegou, lucien não tinha nada a se apegar além de coisas indiretas. roupas, principalmente. um colar. alguns CDs. nenhum registro real. os quadros se tornaram a única maneira de recordar mavrick quando ele quisesse. exceto, é claro, pelas vezes que lucien seguia mavrick por aí com sua camionete.
2007/2021 - linger by the cranberries.
o relacionamento deles, público e conturbado, havia se tornado problema de todos naquela cidade. quando eles reataram em 2011, ambos já estavam calejados das coisas vividas, mas o sentimento estava lá e ainda mais forte. apenas quatro anos depois, eles já estavam separados novamente. e em menos de três anos, juntos de novo. entre recaídas e declarações de amor intensas, lucien saia do hotel aos berros, mavrick quebrava coisas, lucien ameaçava colocar fogo no hotel, mavrick ameaçava lucien de morte, lucien acordava com o pescoço marcado de mordida, e mavrick também tinha seu pescoço massacrado. as brigas eram muitas, mas eles não aguentavam ficar muito tempo longes um do outro. a ideia de deixar de viver aquilo por besteiras era torturante. eles encontravam razões para estarem juntos.
eles estavam separados há quase três anos quando reataram pela última vez. o ano era 2018 e lucien voltava do seu último turno nos bombeiros com linger do the cranberries tocando no rádio falho da sua camionete. ele passava sempre pela mesma rua, além de ser bem movimentada, mavrick estava entrelaçado no seu motivo. como tudo que ele fazia na vida. naquela avenida, o restaurante do primeiro encontro dos dois ainda se encontrava ativo. era um pequeno sobrado que abrigava um restaurante italiano tradicional. ele conhecia a família dona do local e eles o tratavam com muito carinho. na noite do primeiro encontro deles, lucien havia pedido o vinho mais caro do cardápio e havia pago em muitas parcelas. mais do que qualquer restaurante aceitaria. só de pensar nisso, seu peito doía. não por arrependimento pelos turnso que trabalhou para pagar por aquela noite, mas por todos os erros que tinha cometido que o trouxeram até ali. ele não pretendia estacionar, mas o que viu o fez quase bater no carro da frente. dentro do restaurante, mavrick estava sentado na mesa do primeiro encontro deles. ele estava arrumado, perfumado (lucien conseguia sentir o cheiro do outro mesmo do lado de fora) e esperando alguém. alguém que não era ele. seus passos foram automáticos. ele entrou sem fazer cerimônia, quase quebrando o vidro da porta no processo. puxou a cadeira e sentou-se na frente de mavrick. não tinha um plano, mas tinha muito a dizer.
“você não tem esse direito.” estava engolindo sua fúria a cada palavra. o desespero transpareceu e ele não tinha muito orgulho disso, mas mavrick pareceu gostar. lucien soube imediatamente que eles causariam uma cena ali. “lá fora. agora. fora. fora daqui, agora. vamos, levanta!” ele bateu na mesa na última palavra, levando sua mão até a de mavrick, que estava sobre a mesa. ele não lembra com detalhes como eles chegaram na rua, mas chegaram. ele lembra de brigarem antes disso. mavrick era teimoso, bem mais do que ele. mas lucien sabia implorar. o que lembra, é que rapidamente ele já estava chorando. desesperado.
“você não tem esse direito! como você pode fazer isso comigo? você…” ele estava com os olhos transbordando com as lágrimas que ele tanto queria esconder. ele se sentia patético. mavrick tinha o dom de fazer ele esquecer quem ele era. “esse é o nosso restaurante, mavrick…” sua voz estava acabando e ele sentia sua garganta doendo de angústia. “eu não sou maluco de tentar controlar o que você faz ou quem você encontra. mas isso? isso aqui é demais!” ele tentava manter sua distância, mas era cada vez mais difícil. ele lembra da dor e lembra do desespero. e lembra de implorar, também. “eu não aguento viver sem você. é o que você quer escutar? quer que eu me ajoelhe aqui e implore por você de volta? eu não aguento a ideia de que você estava aqui esperando outra pessoa! sabendo… sabendo o que isso faria comigo. sabendo que meu amor por você não morreu.”
horas depois, quando lucien beijava o corpo de mavrick no quarto deles, ele imploraria novamente. imploraria por uma vida. por aquele amor interminável. dessa vez era diferente. ambos sabiam disso, de alguma maneira. as coisas que haviam feito eles se separarem no passado já não os impediam agora.
2022 - howl by florence + the machine.
o universo achava sua maneira de separar os dois. a aliança deles tinha sido a última coisa que ele tinha visto antes de se transformar e também a primeira coisa que viu quando voltou. a presença de grazia tinha desencadeado a transformação fora de época e seu corpo não estava preparado. ele não lembrava de nada, mas as coisas rapidamente foram voltando para ele. lucien tenta não pensar nesse dia. nas coisas que fez, nem nas escolhas que tomaria depois. ele tenta focar na imagem de mavrick preocupado com ele. tenta esquecer a parte em que mavrick descobre tudo que aconteceu. na forma como seu rosto enrijeceu. na maneira como terminou as coisas. na maneira como quase terminou com a sua vida. como jurou que nunca mais teriam algo. como o amor deles morreu e apodreceu bem na sua frente. lucien tinha conseguido. ele tinha destruído tudo e dessa vez ele não achava que poderia consertar as coisas. ele havia lutado a vida inteira para sobreviver, e depois para não ser visto como uma anomalia. como um monstro. e agora ele havia se reduzido a isso.
2026 - cardigan by taylor swift.
a primeira transformação acorrentado aconteceu alguns meses depois do término com mavrick. ele passou um tempo afastado de todos, mas quando voltou ele sabia o que precisava fazer. suas transformações erráticas eram perigosas demais para ele ignorar. se ele fizesse qualquer coisa para machucar mavrick ele não conseguiria viver consigo mesmo. mesmo que estivesse tentando viver uma vida normal, ele sabia que quando estivesse em sua forma de lobo ele poderia deixar seu instinto o levar até o vampiro e ele não poderia lidar com isso. ele mesmo construíu a gaiola no seu porão. ele sabia muito bem que aquela gaiola o prenderia por tempo o suficiente nas noites de lua cheia. sua família perguntaria por ele, mas ele podia inventar algo.
quando acordou da primeira transformação, havia deslocado ambos os ombros e aberto um corte do seu joelho até a parte externa do seu glúteo. a dor o cegou e voltaria a acontecer pelos anos a se seguir. seria sua penitência por seu descontrole emocional. seria uma lembrança de que havia deixado vampiros controlar sua vida a tal ponto. ele era um perigo para as outras pessoas, mas principalmente para aqueles que amava. para aqueles que sempre amaria. para aquele que mesmo no seu estado mais primitivo, conseguia inundar sua mente. lucien iria se manter preso naquela jaula, construída por ele mesmo, desejando estar livre. desejando que as cicatrizes que agora já se sobrepõe em certas partes de seu corpo sejam lembrança suficiente do motivo pelo qual ele nunca mais pode implorar por um perdão que nunca virá.
2020 - lover, you should've come over by jeff buckley.
“o que você está fazendo?” a voz de lucien saiu um pouco rouca do sono. ele estava deitado na cama deles, encolhido contra o travesseiro. mavrick não dormia, mas lucien sempre pedia que eles deitassem juntos. gostava de dormir abraçado nele e também gostava da sensação de normalidade naquilo.
“eu estou observando você dormir.” a resposta veio com tamanha naturalidade que lucien se perguntou se aquele já era um fato de conhecimento dele. ele tirou o capuz do moletom da cabeça e se espreguiçou, mudando de posição, mas ainda mantendo seu rosto virado para mavrick.
“você sempre faz isso?” não tinha nada negativo em sua voz e sim um carinho. ele sabia que mavrick tinha que fazer alguma coisa para se distrair enquanto ele dormia, mas não imaginou que fosse aquilo.
"às vezes. eu não queria seguir o livro sem você." mavrick deu de ombros, e lucien percebeu que mavrick ainda tinha sua cópia antiga de persuasão no colo. ele estava morto depois do seu último dia de trabalho e havia chegado em casa ansioso pelo momento em que mavrick iria finalmente escolher um livro para eles lerem juntos e para a surpresa de ninguém, ele havia escolhido um título já conhecido por lucien. fazia parte.
"eu já li ele muitas vezes, não precisava ter parado. independente de onde você seguisse lendo, eu não iria me perder." lucien garantiu, levantando da cama e indo até o outro. pegou o livro e folheou algumas páginas a mais enquanto enquanto pegava mavrick e o puxava para o seu colo.
"eu não quis. se não terminarmos hoje, eu alugo o filme para mais um dia." mavrick garantiu. eles tinham alugado o filme de 2007 no youtube. mesmo a contragosto de lucien, que revirou os olhos.
"eu não quero ver aquele filme. aqueles atores..." ele soltou um suspiro. "eles não são a anne e o frederick." ele garantiu, como se os personagens fossem seus amigos próximos. "eles não são daquele jeito. nem um pouco."
"e como eles são?" mavrick perguntou, encantado com a indignação de lucien. o licantropo sabia que ele estava pronto e preparado para fazer alguma provocação, só não sabia como ou quando viria.
"a anne, bem... eu não sei direito. ela nunca tem rosto na minha imaginação. fica sempre mudando. uma mistura de várias atrizes." ele deu de ombros, o que fez mavrick franzir o cenho. para alguém tão indignado, lucien certamente não tinha certeza do que falava.
"e o frederick, como se parece?" esperando uma resposta tão duvidosa quanto a anterior, mavrick não estava preparado para a rapidez que lucien respondeu:
"com você, é claro." deu de ombros, porque aquilo era a coisa mais óbvia possível. porque, em algum momento, lucien percebeu que todos os livros de romance eram sobre mavrick. não importava qual história ele abrisse, qual página escolhesse ao acaso. era como se cada história de amor que já tinha existido ou fosse existir estivesse apenas tentando explicar aquilo que mavrick era para ele. como se cada verso triste, cada despedida, cada reencontro escrito no mundo tivesse sido feito para dar nome àquilo que ele sentia. todo livro, todo filme, toda música, tudo era sobre mavrick. e ele prometeu que nunca mais o machucaria e que precisava fazer o que fosse preciso para manter aquela promessa.
🪶 ⎯⎯ 𝒮𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑 𝐂𝐀𝐋𝐋 𓂃
para um starter com lucien montanari responda esse post com uma frase daqui, daqui ou daqui + uma atração da festa. limite de 7 starters / um por player.

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