Novatos sempre têm um jeito de instigar a curiosidade nas pessoas, seja por bem ou por mal. Mas você parecia um cara qualquer, pronto para fazer do último ano grandes feitos! Tirar boas notas, fazer amigos, e acima de tudo: entrar para o time de futebol americano. Você tinha suas peculiaridades, claro, quem não tem? Ao contrário dos outros rapazes, não tinha medo de chorar durante o filme triste da aula de filosofia. Fugia sempre do vestiário no horário de pico, afinal, era reservado até demais para tomar banho em meio aos colegas. Não concordava com as piadas de mal gosto dos outros garotos de sua idade mas, ei, encontraram um sutiã no banco de trás do seu carro. Boa, pegador! E como qualquer garoto normal, você também tinha seus segredos. O maior deles sendo que, na realidade, você nem garoto era. Tudo pela oportunidade de jogar no time de futebol, mas será que a troca de identidades valeria a pena?
THE MAN ou SPENCER RUSSO atualmente tem 30 ANOS, mora em New York e trabalha como DETETIVE DA NYPD.
Na East Wenk diziam que era muito parecido com MADISON DAVENPORT, mas atualmente vivem comparando ela com ELIZABETH GILLIES.
Em seu yearbook, SPENCE disse: ❝ When people say I can’t, I like to prove them wrong❞
Para fazer todo o seu plano dar certo, precisava contar com a ajuda de alguém. A prima, THE ACTIVIST, foi chave principal para toda a preparação e também para manter a farsa. Não teria alguém melhor para te apoiar a se infiltrar no sistema machista e garantir o seu lugar ali, certo?
A ideia era entrar no time e focar totalmente na performance, conquistar visibilidade e uma bolsa de estudos para jogar futebol na faculdade. A simplicidade ruiu quando você achou THE JOCK um pouco mais interessante que devia.
A descoberta foi por acaso, e você jurou que estaria tudo perdido assim que THE CLOWN soube seu segredo ainda no início de sua chegada. Quem imaginaria que encontraria ali uma amizade verdadeira que te apoiaria naquela ideia louca no decorrer do ano? Tornou-se um porto seguro, alguém com quem podia partilhar com honestidade o que quisesse.
Se por um lado era difícil lidar com as diversas situações em que fingir ser um garoto beirava o impossível, o repentino interesse da decidida GONE GIRL não deixava seus dias mais simples. Era uma garota legal, sim. Um pouco difícil de lidar, com certeza, mas ainda enxergava o lado bom nela. O problema era que a imagem criada de sua versão masculina parecia despertar nela uma atração não correspondida, e você não sabia bem como lidar com isso sem magoá-la ou acabar com seu disfarce.
Professores não questionaram, e mesmo que o treinador achasse suspeito sua alergia ao sol, acabou caindo no conto. Os colegas riam de suas características únicas, mas num geral, a mentira seguia bem para todos. Todos, menos THE DILLIGENT. Sempre por perto por conta de seu irmão, ela parecia analisar tudo friamente e notar detalhes que a maioria deixava passar. Questionamentos surgiam e foi questão de tempo até que ela descobrisse tudo.
bio abaixo do read more
name: Spencer Armstrong Russo
nicknames: Spence
age: 30
sexuality: heterossexual
birth: 08 de abril de 1990
sign: áries
occupation: detetive da NYPD
Quem conhecia a família Armstrong, não era estranho à fama que carregava. A família perfeita, o exemplo a ser seguido. Não eram donos de grande fortuna, mas certamente tinham um conforto material invejável. O que realmente os importava, acima de tudo, era a imagem. E por isso descobrir que a filha carregava em seu ventre um bastardo foi motivo suficiente para que uma situação se tornasse uma missão para controle de danos. Estava decidido: Patrícia Armstrong deveria se casar. Jamais saberiam que a gravidez era ilegítima se o fizessem, e havia uma lista de ótimos pretendentes que se encaixavam no padrão da mãe. Para a jovem garota, no entanto, aquilo era o fim de sua liberdade. E enganava-se quem pensava que estava menos do que realizada com a possibilidade de ter filhos; apenas não queria engajar em todo aquele teatro incitado pelos pais. Contar quem era o pai das crianças, também, era impensável. O único que sabia o que acontecia de verdade era o melhor amigo, Jonathan, que prometia apoiar qualquer decisão da garota.
Não foi com animação que os Armstrong receberam a decisão de Patrícia de que casaria então com um Russo, mas era melhor do que ter a imagem de uma mãe solteira manchando a sua família. Para os recém casados, não era uma farsa inteiramente difícil de manter: eles se amavam, sim, há muito tempo; apenas não estavam apaixonados. A notícia que acalentou a nova família foi que a gravidez, na realidade, se tratava de gêmeos. Blake veio primeiro, e Spencer o seguiu em menos de dois minutos. Concordaram que as crianças não saberiam que Jonathan não era o pai biológico, e que manteriam-se casados ao menos até ambos terem dezoito anos. Parecia uma vida fácil de se levar ao lado do melhor amigo, e assim foi por muito tempo.
Os gêmeos eram a alegria da casa, e embora extremamente próximos, também eram praticamente opostos. Enquanto Blake era calmo, pacífico e diplomático, Spencer era hiperativa, determinada e até impaciente. Do mesmo modo, Blake era o garotinho da mamãe, e Spencer sempre fora apegada ao pai. Com a teimosia de um burro empacado, não havia nada que pudesse fazer Spence mudar de ideia quando colocava algo na cabeça, e em especial se alguém duvidava de que ela conseguiria. A garota não sabia ao certo, apenas odiava a ideia de ser... comum. Ela queria ser forte, queria ser rápida, queria ser algo mais. Para Patrícia, no entanto, aquilo queria dizer que a sua única garotinha estava constantemente cheia de terra, arranhões pelo corpo e muito, muito longe dos vestidos e bonecas. A mulher tentava, tentava mesmo; mas não havia nada que Spence apreciasse menos do que toda aquela etiqueta e modos. Queria correr, ser criança, jogar futebol. Ah, sim, esse último fora discussão por muito tempo! Jonathan a apresentara ao esporte, a ensinara a jogar e era o primeiro a apoiar suas decisões. A esposa, por outro lado, não poderia achar mais inadequado a uma garota! Não que sua opinião tivesse em qualquer momento impedido a jovem Russo de fazer alguma coisa.
Na escola, todos a conheciam. Mas não era ela quem carregava a grande fama, já que seu irmão costumava ser o centro da atenção. Blake era, por falta de palavras, perfeito. Inteligente, popular, bonito. Spencer não se incomodava, pois acreditava que quanto menos expectativas tivessem sobre ela, maior era a possibilidade de surpreender. E, bom, “surpresa” seria uma palavra justa para a reação de Patrícia ao saber que a filha tentava conquistar um primeiro time de futebol americano feminino na escola. E ela até conseguiu, o time feminino sucedeu por um bom tempo, até o meio do segundo ano quando as verbas não eram suficiente para mantê-lo — o que, em outras palavras, queria dizer que tudo seria concentrado ao time masculino. Poderia jurar que aquilo seria a pior notícia do seu ano, se não pela de que seus pais se divorciariam. Ela simplesmente não entendia, e mais, não aceitava. Como eles podiam fazer aquilo? De repente tudo estava de cabeça para baixo: Spencer e o irmão se mudariam para a cidade vizinha, morando apenas com a mãe e ingressando em uma nova escola no último ano. O que mais poderia dar errado? Pouco antes da mudança, o universo respondeu: o irmão teve um terrível acidente de moto. Motorista bêbado, sinal vermelho. Blake quebrou a bacia, mas ao menos a esperança de recuperação era boa. Em um ano ou menos, tudo deveria retornar ao normal.
E foi o misto de péssimas notícias que a presenteou com a oportunidade. A ideia inicial era lutar outra vez por um time feminino na nova escola, mas correria risco de mais uma vez tudo dar errado. Ela queria - e conseguiria!! - visibilidade para uma bolsa da faculdade, e aquela era enfim sua chance. Blake tinha suas ressalvas, mas concordou com o plano. Foi assim que a Spencer de repente era o Spencer, ao menos na escola. Com a ajuda também da prima e nova vizinha, decidira que se o mundo exigia que ela fosse um garoto pra jogar futebol, então assim ela o faria. Não era fácil, não mesmo. Mas funcionou! Com problemas e obstáculos, mas funcionou por algum tempo. O segredo, no entanto, veio à tona ainda no final do último ano, pouco antes da formatura. Para sua surpresa, a história passou a ser bem recebida pela bancada avaliadora e logo conquistava a tão sonhada bolsa - que, inclusive, a permitia jogar no time tradicionalmente masculino na faculdade.
Objetivo alcançado! Agora era só provar que era a melhor jogadora, e tudo à partir dali caminharia perfeitamente. Exceto que, veja bem, ela não era. E descobrir que não era tão excepcional quanto idealizava era frustrante. Sem chances de seguir a carreira profissional, não sabia bem o que fazer à partir dali. A graduação era quase que uma formalidade, mas foi à partir da aula de justiça criminal que encontrou um novo foco. Parecia ter esbarrado em algo para o qual servia de verdade: o senso de justiça, a determinação, a persistência, até mesmo o condicionamento físico pelos anos do esporte. Chame de acaso, destino ou apenas falta de opções, mas encontrou ali uma resposta. Com o apoio do irmão, decidiu apostar naquela mudança de carreira. Afinal, se ela não era excepcional em nada, então ao menos tentaria ser a melhor no que escolhesse. Formar-se na academia de polícia foi fácil; o dia a dia nas ruas que mostrava as dificuldades. Já com vinte e dois anos, iniciava a experiência como policial da NYPD, com o objetivo muito claro de se tornar uma detetive. Foi necessário seis anos de experiência até enfim conquistar aquele patamar, e apesar da ambição inerente à sua persona, não tem planos tão breves de buscar um cargo superior e administrativo já que a melhor parte do que faz, para Spencer, é a ação.
headcannons:
> Spencer já quebrou o braço esquerdo duas vezes, o dedo do pé direito, o anelar da mão esquerda, o nariz e deslocou o ombro (dos dois lados, em ocasiões diferentes). Tem algumas marcas pelo corpo de ferimentos de quando era mais jovem, e alguns pela profissão atual conquistadas em perseguições e situações do tipo.
> Até hoje não sabe que Jonathan não é seu pai biológico, e nem a verdade sobre de quem de fato é filha.
> O pai, na realidade, é um criminoso. Patrícia se envolveu com o homem ainda no início da juventude, o único que sabia do caso e da identidade do homem era Jonathan. Quando descobriu a gravidez, teve medo de se envolver naquele mundo com uma criança, e por isso nunca contou a ele. Disse para os pais, ainda, que não sabia de quem eram os bebês.
> Seu irmão continua sendo o filho perfeito aos olhos da mãe. Blake trabalha como diretor de departamento de uma empresa de marketing, é casado e tem duas filhas. Tem um ótimo relacionamento com ele.
> Patrícia não vê com os melhores olhos a filha de trinta anos, solteira e sem filho, que corre perigo todos os dias e ainda não aprendeu a usar maquiagem. Apesar da relação entre elas ter melhorado consideravelmente desde a época da adolescência, também não é a mais tranquila.
> Jonathan se casou de novo quando Spencer já estava na faculdade, e apesar de ter demorado a se acostumar, acabou aceitando a madrasta. Tiveram um filho e agora Spencer tem mais um irmão, hoje com sete anos. A relação entre eles continua tão boa quanto sempre, e tem muito medo de decepciona-lo.
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Depois de um tempo, o sargento Barton parou de questionar certas escolhas de abordagem da parte de Spencer. Era um fato que a detetive tinha um número exemplar de casos resolvidos e era mesmo talentosa no que fazia; apenas se entregava demais algumas vezes. ‘Eu tenho certeza que consegue resolver os casos sem agir como se estivesse em uma comédia policial’, escutou uma vez de um de seus colegas. Mas oras! O que ela tanto fazia demais, afinal? Porque se disfarçar (ou fantasiar, como alguns chamariam) para se camuflar em algum ambiente claramente funcionava para ela. Alguém que olhasse de fora pensaria que a Russo agia daquele modo para chamar atenção, mas os que a conheciam sabiam muito bem que era daquele jeitinho que funcionava sua cabeça. Teoricamente, aquela noite não tinha como dar errado: não falaria diretamente com quem estava investigando, Kellan Brooks, tentaria na realidade um atalho com seu filho, Neil. Que tinha gostos muito, muito específicos. Então lá estava Spence, policial formada, vestindo as roupas pequenas demais que pegara emprestada de Victoria, no meio daquela boate de BDSM. ‘Tem certeza que é uma boa ideia?’ Escutou no pequeno ponto escondido no ouvido a voz de sua colega, que insistiu em ficar do lado de fora para auxiliar caso algo desse errado. “Claro, eu só preciso de algumas informações, você nem precisava estar aqui.” Falou baixo, antes de entrar no local e varrer o espaço em busca de seu alvo. Caminhou até o bar, esperando que dali pudesse ter uma boa visão da maioria das pessoas.
- Olha pra mim. - Disse parando em frente a @spencextheman segurando-a pelo ombro. Impedindo que a prima voltasse, ou saísse correndo. - Estamos planejando isso a semanas, você está ótima..mo. - Corrigiu rapidamente olhando em volta para ter certeza que ninguém as tinha visto. - Vai dar tudo certo! - a última frase saíra quase que como uma pergunta, porém o otimismo de Dorothea era marcante e presente. A ideia de Spencer era loucura, e poderia dar errado de várias formas possíveis. Mas jamais diria isso para ela, até mesmo porque a própria Thea ficara empolgada com os planos mirabolantes. Talvez pelo fato de ser algo do qual poderia se agarrar e não pensar na ex? Talvez. Tinha também o fato de ser apaixonada pela prima, via-a como a irmã. Era daquele tipo de conexão que ultrapassa a relação sanguínea. Faria qualquer coisa por ela. Mesmo que isso significasse mentir para a escola inteira. Sorriu a incentivando - Vai dar tudo certo. - Repetiu pausadamente, respirando fundo ao final, liberando a tenção e abriu o sorriso novamente. - Aposto que vai fazer o maior sucesso com as meninas.. - O sorriso alargou-se, apontando o dedos para ela arqueando as sobrancelhas brincando com ela para quebrar o clima de tenção.
Spencer sentia os músculos contraírem em tensão — que ideia idiota!! Não que não tivessem tentado lhe avisar, claro. Blake foi bastante categórico ao apontar onde aquilo poderia dar errado, mas claro que Spencer sendo quem era, teimaria até o final. E Thea tinha embarcado naquela loucura. Agora se arrependia, pois o coração batia rápido e ela podia jurar que desmaiaria. O cabelo estava bem preso por baixo da peruca curta e os seios sofriam amassados pela faixa, o que queria dizer que no mínimo seguia apresentável. Encarou Dorothea quando lhe agarrou os ombros, tentando respirar fundo. Não sentiu tanta firmeza nos dizeres de início, mas quando a morena repetiu, Russo soltou o ar na tentativa de se acalmar e assentiu. “Vai dar tudo certo” Repetiu, com decisão na voz que não exatamente refletia fielmente o que ela sentia por dentro. Revirou os olhos para a brincadeira alheia, mesmo que acabasse por rir. “Ah, eu tenho certeza que elas irão adorar o garoto novo de um metro e sessenta e rosto delicado” Teria sorte se no mínimo não chamasse tanta atenção. “Tudo bem, vamos lá. Eu sou um homem. Um homem gostoso. É isso.” Ajeitando a postura, começou a caminhar. Para o lado errado. P
Spencer estava nervosa. Tão nervosa que amaldiçoava a escolha feita, mas sabia muito bem que não havia espaço para arrependimentos ali. Primeiro que, se descobrissem - tão cedo, ainda! - ela seria uma grande piada; e segundo que perderia a sua grande chance de entrar para o time. Respirou fundo, recordando-se das dicas de Dorothea e de Blake. Arrumou a postura e subiu a manga da blusa comprida e quente que agora a sufocava, em especial pela faixa incomoda no tórax que pressionava os seios. Será que ao menos não poderia ter nascido um tanto menos abençoada naquela área? Facilitaria aquela parte do trabalho. Estava adiantada e portanto ajudava a organizar os ursos de pelúcia na estante, feliz pela barraca um tanto ficar distante do centro da fogueira o que queria dizer que talvez o fluxo de pessoas não fosse dos maiores ali. Colocava-se na ponta dos pés para alcançar a última prateleira quando ouviu a bonita voz, e então virou-se na direção da colega. Spencer sorriu com simpatia verdadeira, tentando mascarar o nervosismo que ainda estava ali, e então estendeu a mão. Como o irmão dela cumprimentaria alguém? Se fosse um cara, tentaria algum daqueles toques esquisitos. Mas achou de boa neutralidade e educação o aperto de mãos, é, parecia equilibrado. “Spencer” A voz saiu mais grave que o comum. Após treinar tanto, imaginaria que sairia com alguma naturalidade, mas não tinha muita certeza. “Sou novo. Fui transferido agora.” Explicou, mesmo que não tivesse sido solicitado. Ah, o nervosismo. “Pois é, parece que vai ser bacana. É fácil, e as pelúcias costumam chamar atenção” Comentou, pensando a respeito da arrecadação enquanto abria a pequena portinha lateral para que a loira entrasse na barraca também - como um cavalheiro! Os olhos distraíram-se ao focar nos sapatos bonitos que ela usava e que combinavam com a bela roupa. “Nossa, os seus sapatos são lindos.” O comentário saiu tão natural que não teve tempo de frear, mas logo os olhos arregalaram ao perceber o que fazia. O que tá fazendo, Spence? “Digo, eu, ahm. Minha irmã adoraria. Por isso notei. Caramba, tá enchendo rápido aqui. Acho melhor continuar arrumando porque logo chega gente.”
Tinha acabado de ser transferido? Puxa, aparentemente era seu dia de sorte, uh? Pois era o dia em que a abelha rainha voltava e a ordem em East Wenk era retomada. Sorriu de lado, da forma mais charmosa que pode, porque queria chamar sua atenção. Não que fosse difícil, ela sabia disso. Todo mundo a queria, tinha certeza que não seria diferente com o novato. “Bom, fico feliz em poder te receber pessoalmente, Spencer.” o tom de voz soou levemente afetado, o sorriso aumentando “Preciso te levar para dar uma volta em um ritual de boas vindas, não acha?” o sorriso da loira aumentou, enquanto ela enrolava uma mecha de cabelo a frente do rosto com a pontinha do dedo. “Me chamo Victoria, é um enorme prazer te conhecer. Precisando de qualquer coisa, pode contar comigo, sweetie” ela passou a ponta da língua sobre o lábio inferior “Espero que venha bastante gente na nossa barraquinha. Mas sinceramente, tendo nós dois aqui, duvido que não seja a barraca mais popular, você não acha?” arqueou uma das sobrancelhas, com um sorrisinho de lado. Estava se virando de costas para ajeitar as pelúcias, quando ouviu o elogio, o que fez ela rodar sobre os saltos e se virar para o rapaz com um sorriso encantado. Meu deus, ele era atraente demais, e agora começava a parecer ainda mais interessante. “Você gostou mesmo? Ah, você tem uma irmã? Adorável! Você se dá bem com ela? Eu adoraria conhecê-la” conhecer sua irmã e toda sua família. Ah, um novato. Era tudo que precisava para começar o ano bem. Quem sabe não arrumava finalmente o primeiro namorado?
Victoria era muito bonita, mas mais do que isso, ela era popular. Spencer não precisava de muito para reconhecer; ela tinha mesmo o brilho comum do grupo de amigos de seu irmão e reconheceria aquela energia em qualquer lugar. Apesar de não poder dizer que se sentia parte daquela galera, tampouco os odiava não antiga escola. Afinal, Blake jamais permitiria que qualquer um a tratasse mal, o que reduzia os motivos para que ela odiasse mesmo os mais mesquinhos. A loira era, portanto, familiar de uma certa maneira. E sinceramente? Era confortável ter qualquer coisa minimamente familiar àquele ponto, considerando que era um terror a ideia de estar ali sem o irmão gêmeo. “Obrigado” Spence agradeceu, genuinamente. Claro que se perguntassem a ela, preferia ter continuado seus dias como sempre, sem as mudanças e o último desenrolar das coisas. Estava nervosa, sentia falta dos amigos, do pai e o irmão não podia protegê-la na escola. Ainda sim, estava feliz em perceber que talvez, como a loira, o restante das pessoas naquela escola fossem bacanas. “Se tiver um tempo, acho que seria bom. Assim conheço tudo.” Comentou, a respeito da proposta de mostrar tudo a ela. Não sabia se o elogio a fizera desconfiar de qualquer coisa, mas quando a garota se mostrou animada, pensou que talvez ela tivesse focado demais na própria aquisição que não sentira qualquer estranheza. “Gostei” Já tinha elogiado, o melhor era entrar na dança. “As cores. Bacana.” Assentiu, aliviada por um instante quando outro assunto entrou à tona, apenas para se sentir nervosa mais uma vez logo em seguida. Não bastava mentir sobre quem era, tinha que mentir sobre o irmão também. “Sim. Blake. É minha irmã gêmea, me dar bem é quase inevitável” Apesar do tom brincalhão, era um fato. “Mas não da. Para conhecê-la, digo. Ela estuda em casa” Devia falar sobre o acidente? Não… Não sabia? Céus, o que devia dizer? “Não gosta muito do nosso sistema escolar, diz que oferecem muitas distrações” O que!? Mas que coisa mais idiota!! “Ela é meio louca. Mas enfim, e você, Vic, tem irmãos?”
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Spencer precisava de uma pausa; tanta gente na barraca começava a deixá-la nervosa. E se a descobrissem? Repensava o plano milhões de vezes, mesmo que soubesse que já não tinha volta. A amiga que a ajudava a comandar o tiro ao alvo era bastante simpática, o que a tranquilizava um pouco — mesmo que por vezes parecesse gentil até demais. Mas, ei, bem melhor que o contrário. “Futebol, Spence. Pense no futebol” Murmurou para si mesma conforme caminhava, a boca cheia com um pedaço generoso de cachorro quente fazendo com que a frase fosse ininteligível. Distante o suficiente da concentração de pessoas, a Russo respirou fundo e ergueu as mangas da roupa quente, observando a movimentação dali de longe. Ah, como estava com saudade de sua cidade! Suas amigas, sua escola… seu pai. Alem de tudo aquilo, nunca tinha estudado sem o seu irmão antes, o que deixava tudo mais difícil. Antes que os olhos pudessem se atrever a lacrimejar, balançou a cabeça para afastar os pensamentos que não ajudariam em nada. “Você vai conseguir. É forte, é inteligente e tem um hot-dog tamanho família na mão! Nada é impos…” A frase foi interrompida ao perceber com sons de passos que havia alguém ali - há quanto tempo, será? “Ah. Oi. Digo, oi.” Engrossou a voz, pigarreando. “Eu tava, hm, repetindo meu mantra. Faço isso antes de jogos, e, coisas novas. O que eu posso fazer? O cara aqui ama hot-dog. Eu sou o cara, e esse é meu hot dog” Falou, amaldiçoando-se pela aleatoriedade das próprias falas e sorrindo em seguida, esperando que o nervosismo no máximo a fizesse passar por um garoto com problemas. “Que cabelo lindo!” O elogio saiu naturalmente, afinal, não pareceria ter qualquer intenção se fosse A Spencer falando. Mas não era. “Deve ser um shampoo caro.” Tentou contornar, mais uma vez, apenas imaginando o tamanho da própria cova que cavava.
Victoria caminhava sobre os saltos altos e atraía olhares de todos os lados. Queria muito que os olhares fossem graças ao vestido que ocupava seu corpo, cuidadosamente escolhido para aquela ocasião. Mas não, claro que não. Os olhares vinham graças ao seu retorno. Depois de quase um ano fora, sem dar explicação a ninguém, sem dar qualquer atualização em sua vida no orkut, sem qualquer foto de paparazzi. Nada. Ela simplesmente estava de volta, com o queixo erguido de sempre, a expressão séria e o sorriso presunçoso. Seus pais achavam que era de boa reputação que trabalhasse em uma das barracas de atividade do evento, e sinceramente? Não estava em posição de questionar os mais velhos, mesmo que a ideia não lhe agradasse. Se bem que, assim que entrou na área designada e deu de cara com @spencextheman, ela mudou de opinião. O sorriso aumentou, ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha. Gente nova no pedaço, era hora de conhecer a rainha de East Wenk. “Parece que a noite não vai ser tão ruim assim, afinal, uh?” ela apoiou o corpo no balcão da barraca e arqueou as sobrancelhas “Qual o seu nome, cutie?”
Spencer estava nervosa. Tão nervosa que amaldiçoava a escolha feita, mas sabia muito bem que não havia espaço para arrependimentos ali. Primeiro que, se descobrissem - tão cedo, ainda! - ela seria uma grande piada; e segundo que perderia a sua grande chance de entrar para o time. Respirou fundo, recordando-se das dicas de Dorothea e de Blake. Arrumou a postura e subiu a manga da blusa comprida e quente que agora a sufocava, em especial pela faixa incomoda no tórax que pressionava os seios. Será que ao menos não poderia ter nascido um tanto menos abençoada naquela área? Facilitaria aquela parte do trabalho. Estava adiantada e portanto ajudava a organizar os ursos de pelúcia na estante, feliz pela barraca um tanto ficar distante do centro da fogueira o que queria dizer que talvez o fluxo de pessoas não fosse dos maiores ali. Colocava-se na ponta dos pés para alcançar a última prateleira quando ouviu a bonita voz, e então virou-se na direção da colega. Spencer sorriu com simpatia verdadeira, tentando mascarar o nervosismo que ainda estava ali, e então estendeu a mão. Como o irmão dela cumprimentaria alguém? Se fosse um cara, tentaria algum daqueles toques esquisitos. Mas achou de boa neutralidade e educação o aperto de mãos, é, parecia equilibrado. “Spencer” A voz saiu mais grave que o comum. Após treinar tanto, imaginaria que sairia com alguma naturalidade, mas não tinha muita certeza. “Sou novo. Fui transferido agora.” Explicou, mesmo que não tivesse sido solicitado. Ah, o nervosismo. “Pois é, parece que vai ser bacana. É fácil, e as pelúcias costumam chamar atenção” Comentou, pensando a respeito da arrecadação enquanto abria a pequena portinha lateral para que a loira entrasse na barraca também - como um cavalheiro! Os olhos distraíram-se ao focar nos sapatos bonitos que ela usava e que combinavam com a bela roupa. “Nossa, os seus sapatos são lindos.” O comentário saiu tão natural que não teve tempo de frear, mas logo os olhos arregalaram ao perceber o que fazia. O que tá fazendo, Spence? “Digo, eu, ahm. Minha irmã adoraria. Por isso notei. Caramba, tá enchendo rápido aqui. Acho melhor continuar arrumando porque logo chega gente.”
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