[Texto de Bruna Alencar (2021)]👇🏼
O ano era 1937, 19 verões se passaram, ela estava casada há 1 e ainda não entendia o que era aquilo que chamavam de amor.
Suas tias e vizinhas mais velhas diziam "Você se acostuma". Ela se reclinava ao aprendizado um tanto confuso.
Seu esposo a visitava 1 ou 2 vezes ao dia, ela preferia quando o cheiro era de loção pós barba do que ao de vodka. Ela cedia aos seus encantos não tão delicados e aos caprichos, mas ainda não entendia o que era.
Suas amigas ainda solteiras invejavam suas roupas, casa, beleza e marido. "Só faltava-lhe um filho" elas diziam.
Mas ela ainda não sabia o que era...
Certo dia ela resolveu sair e andou, andou, e andou, até que chegou em uma praia, eram por volta das 19 horas, avistou aquela areia, tirou os sapatos e sentiu-a entre seus dedos dos pés e continou andando, andando e andando, até sentir a água lamber seus tornozelos e então engolir sua cintura.
Ela sentia a maresia em seu rosto, nuca, cabelos... O cheiro de sal entrava por suas narinas e seu cérebro a presenteava com adrenalina. A água morna a embalava, era como se ela pudesse escutar "vai".
Ela tentou andar um pouco mais à frente, mas as ondas a impediam, ela tentou mais vezes e as ondas a derrubaram e ela se viu sufocada e confusa. Então ela percebeu que aquela era a mesma sensação que sentia todos os dias. Ela insistiu mais uma vez e nadou, nadou, e nadou à frente, passando pelas fortes ondas que de encontro à ela surgiam. Parou, e boiando se virou para a cidade.
Seus pés, sua cintura, seus ombros não se viam mais, mas sua cabeça estava ali, seus olhos conseguiam enxergar as luzes da cidade. Ela deu um longo suspiro e começou a gargalhar.
E então, finalmente ela entendeu.
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