vocĂȘ ria e dizia âmeu bem, a vida Ă© um monte de reencontros e recomeçosâ enquanto dava um gole e outro na garrafa de cerveja duvidosa naquela sexta-feira Ă noite. me olhou com os olhos semicerrados de quem jĂĄ sentia o efeito do ĂĄlcool e chegou perto de mim. eu nunca gostei de cerveja, mas amei o gosto dela quando teus lĂĄbios encostaram nos meus.
âmeu bem, a vida Ă© um monte de reencontros e recomeçosâ
e depois disso, nossas bocas, assim como nossos corpos, se reencontraram e se recomeçaram vĂĄrias vezes. tua silhueta marcada pela luz que entrava pela veneziana da janela ainda Ă© quadro pintado na minha memĂłria, e ainda sinto o perfume que vocĂȘ deixou no meu edredom nas noites que meu desejo encontrava o teu.
âmeu bem, a vida Ă© um monte de reencontros e recomeçosâ
vocĂȘ me disse que amava contar histĂłrias, pois parecia que podia reviver aquele momento vĂĄrias vezes, quantas vezes quisesse. Ă© por isso que hoje, sentada no bar com alguns amigos que fiz depois de vocĂȘ, gosto de contar a histĂłria do dia que bebemos vinho barato e passeamos pelas vielas e becos da cidade, falando sobre coisas aleatĂłrias entre um encontro e outro da tua boca na minha.
âmeu bem, a vida Ă© um monte de reencontros e recomeçosâ
nos reencontramos e recomeçamos vĂĄrias vezes, porque no final era a vontade de ser. seguramos nossas mĂŁos como quem nĂŁo quisesse aceitar o fim, mas, no fundo, sabĂamos que precisĂĄvamos nos encontrar.
uma longe da outra.
te vi partir com as lĂĄgrimas nos olhos de quem nĂŁo queria contar nossos momentos para reviver, queria vivĂȘ-los. tive que ir embora na certeza que nĂŁo queria me enroscar em mais nada que nĂŁo fossem teus braços.
meu bem, a vida é um monte de reencontros e recomeços, e espero te reencontrar no mesmo ponto que te vi partir, e recomeçar contigo uma história que não tenha mais fim.