j.
quando eu te levei pra conhecer a água morna do mar do sul da bahia, eu estava tentando te dizer que o meu amor por você tem crescido tanto como a jiboia que te dei de presente e agora está no meio da sua cozinha
eu sei que eu não tenho tantas palavras na minha boca como você, mas esse é o meu jeito de te deixar a par sobre onde meus pés teimaram a entrar e afundar antes de descobrir que você existe em outro estado e aí sim permitir que exista em alguma parte de mim
eu não vou mentir e falar que desde a primeira vez eu tinha certeza que seria você porque há algo de errado comigo quando eu preciso atravessar a mesma porta em uma quinzena de oportunidades até confirmar que tudo bem eu cruzá-la sem esmagar os meus dedos (ou até pior)
eu te contei que há quase uma dupla de anos atrás o meu coração estava envolto em uma nuvem que chovia e evaporava a maior parte da minha paz e você não entendia como eu ainda conseguia ficar ali
a verdade é que a gente pode se acostumar com o barulho do tique taque do relógio até ele parecer não doer mais os nossos ouvidos, mas se você voltar a reparar é possível perceber o quanto é agonizante o tempo escorrendo em nossas orelhas
depois disso, eu notei que desde quando você foi tomar aquele café comigo eu não tive medo
eu sei que eu demorei um pouco até sentir amor, mas medo não
e foi quando eu entendi que pensar em você daqui trinta décadas não me assusta
me comove
eu quero que o tempo seja bom conosco.


















