Eu aprendi muitas coisas. Senti saudade de muita gente. Ouvi coisas que jamais pensei ouvir da boca de alguĂŠm. E senti outras que nunca julguei possĂveis. Eu decorei fĂłrmulas absurdas que esqueci em quinze dias. E gravei frases inteiras para toda a vida. Sonhei sonhos que pareciam tĂŁo distantes e que, no entanto, me encontrei com eles na outra esquina. Eu confiei em lĂĄbios que mentiam e menti para outros que confiavam nos meus. Eu odiei pessoas que amava e atĂŠ amei as que julguei nunca poder. Esqueci fases as quais nunca pensei superar. E aprendi liçþes incrĂveis com pessoas nem tĂŁo incrĂveis assim. SĂł entĂŁo percebi que a dor ensina mais que o riso. E foi aĂ que cresci centĂmetros impressionantes em carĂĄter, apesar de continuar com a mesma altura desde os treze. Entendi que idade nĂŁo significa nada. Eu aprendi que a vida ĂŠ muito mais sobre renĂşncia. E que ser aceito tem muito mais a ver com ser vocĂŞ mesmo do que ser como os outros. Porque sĂł assim podemos aceitar nĂłs mesmos. E ĂŠ sĂł o que importa. Viajei pouco de carro ou aviĂŁo, mas conheci muitos lugares nos horizontes da minha mente. JĂĄ imaginei tanto, a ponto de passar a acreditar ser verdadeiro. Eu perdi centenas de vezes. Pessoas, jogos, momentos que deixei passar, palavras que nĂŁo anotei, mas, principalmente, perdi muito medo. Como eu jĂĄ disse, a vida ĂŠ sobre renĂşncia, e ĂŠ o que eu tenho feito. Rendi-me a felicidade e renunciei a tristeza. Renunciei tudo aquilo que me fazia aparentemente bem, mas que me corroĂa aos poucos. Rancores, vergonhas e atĂŠ bondade. Compreendi que ser bom demais nĂŁo faz bem a saĂşde. Nem ao coração. Aprendi muito mais no Ăşltimos meses, do que jamais havia aprendido atĂŠ aqui. E eu diria: isso nĂŁo chegou ao fim. Eu sou um eterno parĂŞnteses em aberto.