Eu sou feita de tão pouca coisa e meu equilíbrio é tão frágil, que eu preciso de um excesso de segurança para me sentir mais ou menos segura.
Clarice Lispector. (via motivando)

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Eu sou feita de tão pouca coisa e meu equilíbrio é tão frágil, que eu preciso de um excesso de segurança para me sentir mais ou menos segura.
Clarice Lispector. (via motivando)

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O que estou sentindo agora é uma alegria. Através da barata viva estou entendendo que também eu sou o que é vivo. Ser vivo é um estágio muito alto, é alguma coisa que só agora alcancei. É um tal alto equilíbrio instável que sei que não vou poder ficar sabendo desse equilíbrio por muito tempo - a graça da paixão é curta.
Clarice Lispector. (via motivando)
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Nada disso precisa do seu nome: é você e é facilmente você. Fácil, simples, direto: você. Com as objeções infernais na minha cabeça, com as manias previsíveis de surgir quando eu já estou cambaleando de tristeza, com o sorriso aberto de quem acordo de bom humor sabe-se lá como. Acaba sendo você sem eu nem precisar dizer. E que bom que é você, que siga sendo. Aceito as noites que a insônia vira o seu nome, mesmo que ele nunca se revele. Pois eu sei. Eu sempre saberei.
Camila Costa. (via camilacosta)
Desejo que não tenha tanta pressa que esqueça de colher estrelas com os olhos, nas noites em que o céu vira jardim, e levar para plantar no seu coração as mudas daquelas mais luzentes. Que tenha sabedoria para encontrar descanso e alimento nas coisas mais simples da vida. Que a cada manhã a sua coragem acorde bem juntinho de você, sorria pra você, e o convide para viverem uma história toda nova, apesar do cenário aparentemente costumeiro. Que tenha saúde no corpo, saúde na alma, saúde à beça.
Ana Jácomo. (via versificar)

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Ter quem te acolha e te traga flores mesmo de mãos vazias, pois a presença também é um verdadeiro jardim. Ter um peito onde deitar, um ombro onde encaixar a cabeça e repousar os pensamentos escuros de um dia muito claro, mas confuso. Ter um perfume preferido para procurar na multidão e um par de olhos aflitos para encarar. Ter um coração onde o colar o seu. Ter para onde ir, voltar, correr, estacionar. Ter a quem recorrer. E ter quem desperte o sábado nublado não como um dia novo, mas como um ano inteiro a sorrir pela frente. E quem fique, ainda que vá. E quem diga, ainda que cale. E quem ame, ainda que falhe. Ter a quem amar… Em quem se acabar.
Camila Costa. (via versificar)
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Só hoje eu já te quis mil vezes, desde o instante em que acordei. Não sei se é o sol forte, o estresse ou a saudade que latejaram minha cabeça a semana inteira, a ponto de não conseguir dormir. Talvez você não faça a mínima ideia da falta que faz aqui, talvez você nem consiga um tempo para pensar nisso. Mas eu penso. Fruto da desocupação típica das férias de verão, minha mente vazia te imagina em cada segundo que vivo sem você ao lado. Perdi a conta de quantos dias faltam para rever esse sorriso e enfim sorrir também. Só hoje eu já te vi mil vezes nos meus sonhos de olhos abertos e atentos. Esses olhos que você diz serem gigantes quando canta a nossa música. E só hoje eu já cantei mentalmente aquele lalaiá trezentas e setenta e três vezes enquanto apertava os meus próprios braços contra o tórax em uma tentativa quase inútil de abraço. Mas não substitui, nada pode preencher esse vazio quando você não está. É como se o meu dia não estivesse completo quando não tenho sua voz para ouvir. O seu silêncio causa tumulto aqui.
Rio-doce (via rio-doce)
“Quem passa, mal vê. Olham-na de fora, assim sempre tão quieta e tão pequena, os olhos calmos, às vezes de ressaca da maré, quase tão parados quanto profundos. Quem a vê assim, parada ao léu numa praia ou num café, acham-na louca de pedra, “doida, doidinha”. Vêem os cabelos sempre presos, o rosto limpo dado à tapa ao vento frio da estação, a miudez daquele ser sempre tão centrado em si, de olhos tão amendoados quanto petrificantes, e deixam escapar um pensamento desconfiado, um olhar mal dado como o de quem olha as presas de um leão. Mal sabem eles, que ela, a menina, estava mais para gatinho doméstico de tanta doçura. Era tão pequenina por fora, mas tinha um coração que não caberia nem em alguém três vezes maior… e que cabia, sabe-se lá como, ali dentro do seu casaco tamanho P.
rio-doce (via rio-doce)
Na maioria das vezes, as coisas realmente bonitas e importantes acontecem em uma segunda-feira. Ou, quem sabe, às 18:37 de uma quarta preguiçosa. Quem sabe ainda, em plena manhã de sábado, aquela que costumávamos passar dormindo. Na maioria das vezes, as melhores palavras estão longe de serem ensaiadas e os momentos mais marcantes não têm data escolhida. Simplesmente, acontecem. Assim como um fruto que cai de repente da árvore e que, por isso, pode acertar nossa cabeça ou levar-nos à descoberta da gravidade. As coisas que valem à pena, geralmente, não têm hora marcada, plano ou roteiro, são espontâneas e, ainda por cima, de graça. Guarde isso: Os melhores momentos são aqueles que, se te perguntam a hora, você não se lembra, mas, em compensação, lembra de cada segundo.
rio-doce (via rio-doce)

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Eu me apaixonei pelo teu caos. Quando vi, já havia me perdido em você e nas suas milhares de partículas. Eu não sabia o que poderia acontecer. O que é que a gente faz quando uma força maior te comprime e te puxa para perto? A gente pula?… ou fica? Meu coração pede pra eu ficar. Ficar e aceitar sua bagunça. Ficar e fazer parte do teu universo. Ficar e te olhar devagar para compensar todas as vezes que já te olharam com pressa. Ficar e segurar sua mão para provar que algumas pessoas a gente não solta por nada. Ficar. Porque fugir não é uma opção quando já se está completamente preso a alguém. E eu… bem, eu estou totalmente embaraçada no teu caos. E juro que, ainda que fosse possível ir embora, já não me lembro o caminho de volta.
Rio-doce (via rio-doce)
E então o sábado não me trouxe nenhuma nova era no dia seguinte. Era apenas mais um domingo, como tantos outros que ainda viriam. Não trouxe o tédio bom que é ficar remoendo e colhendo as lembranças do sábado a noite. Enfim, era só mais um domingo. Daqueles em que não há circo, nem parque, nem show ou drama. Apenas o dia que precede o retorno à vida de cão. Não era um século avassalador que começava depois de um dia memorável, proclamando a independência, vencendo a guerra ou sambando descalço até a banda desmontar o palco. Era só mais um dia sem feira na semana. Quando o ócio tenta nos engolir de todas as maneira e a cama chama, o choro vem visitar e toda a força adquirida numa sexta-feira passada se esvai. Só mais um domingo, como tantos outros que virão, em que o peito se esvazia de pouco e a cabeça se enche de muito. E esse muito invade as veias e os pulmões de tal forma que a gente já não pode respirar ar puro: tudo dói, tudo sangra exageradamente. Como tantos outros que virão, era só mais um domingo em que uma borboleta azul esvoaçante na janela emociona e faz tremer até três quartos do corpo. Em que a gente vai desfalecendo sozinho, vendo até o fim de semana nos abandonar sem dó ou piedade, como a borboleta abandona a flor. Não era uma nova vida começando, era só mais um domingo, desses em que a gente se deixa morrer de pouquinho em pouquinho. Mas tudo bem. Amanhã a gente dá um jeito de renascer. Quem sabe o que vem depois de um domingo? Pode ser o começo de uma semana, pode ser o começo de uma vida.
Rio-doce (via rio-doce)
Eu dancei sobre os escombros. Achei livros empoeirados debaixo dos montes de entulho. Persegui borboletas mortas e radioativas, acreditando ainda na beleza de suas cores. Eu chorei lágrimas de puro sal sob as tempestades mais aterrorizantes. Fechei os olhos para adormecer sentindo o chão tremer. A dor da gente é sempre uma guerra. Há morte, há terror e medo. Não se enxerga um palmo à frente e cada passo é um risco. Tudo pode desabar. Mas eu saí viva de dentro das ferragens e levantei os olhos para o céu. Ouvi a melodia dos sinos ao longe. Eu renasci. Porque toda dor é uma quase morte. A gente é soterrado para depois emergir, devagarinho, de joelhos, as mãos sujas, a boca seca, em busca de um raio de sol, que seja. Eu construí castelos de areia de construção. Pintei um muro com meu sangue vermelho queimado. Fiz de um grito no escuro, poesia. Porque toda dor vira arte quando parte. E a gente vira artista, se não quiser virar morte. Eu escrevi diários de guerra e fiz da tristeza, arma. Aos poucos, me reconstrui até não mais restar vestígios de uma guerra violenta bem aqui dentro de mim. Porque toda guerra tem seu fim. E todo fim, seu recomeço. Eu floresci dos escombros só pra dizer que, dessa vez, a primavera vence.
rio-doce (via rio-doce)

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Hoje eu me aceito bem mais. Deixei de olhar para os meus defeitos e descobri o que existe de bom dentro de mim. Deixei de me sentir culpada e responsável por tudo o que acontece em minha volta. O resultado foi uma alma mais leve. Me encontrei em mim, comecei a contar até três, até dez, até vinte, se preciso. Agora rio mais dos problemas. Não deixo para depois as dores bobas, deixo mesmo de lado, fora de meu campo de visão. Aprendi a suportar certas lembranças apenas deixando de falar a respeito. Aceitei, finalmente aceitei, que elas vivem e viverão para sempre em mim, mas eu posso dosar a mania de lembrar. Eu que sempre gostei de ver o lado bom das coisas, passei a viver esse lado bom. Do meu jeito, aceitando meu gosto pelo silêncio e conversas a dois. A gente tem o vício de achar que o inferno está em nós mesmos, quando só falta um pouco de compreensão. Fazemos de tudo para entender a opinião do outro, a vida do outro, mas não nos entendemos. Não buscamos descobrir nossa verdadeira personalidade. Se o estresse é falta de sono, se a falta de sono é estresse. Às vezes a gente só precisa de um pouquinho de amor próprio, antes de qualquer outro.
rio-doce (via rio-doce)
Sou isso o que você pode ver: crua desse jeito. Sem maquiagem, sem óculos escuros, sem enfeites. Eu sou assim, da maneira mais densa e transparente que alguém pode ser. Eu juro! pode olhar bem aqui dentro dos meus olhos, minhas galáxias inteiras, completas. Todas as órbitas expostas, os cometas, os buracos negros. Todos os meus estragos estão aqui, bem aqui, evidentemente na palma da minha mão, nas cicatrizes da minha pele. Eu sou esse universo em expansão que todo mundo vê. Está tudo aqui, os defeitos, os gostos, os atos, os sentimentos. Todos grandes demais para tentar esconder. Então eu mostro: cruamente, eu sou isso. Feliz o bastante para viver, triste o suficiente para pensar em poesia e chorar nas sextas-feiras. Um tanto quanto emocionalmente apegada, a ponto de querer engolir o universo inteiro e armazenar bem dentro de mim. Mais sentimental que metade do planeta Terra para compensar a falta de sentimento alheio. Eu sou isso o que você pode ver a olho nu e nada mais. Os meus pedaços já estão espalhados demais por aí e eu já não posso guardá-los no âmago. Basta me olhar devagar e pronto: fui decifrada.
Rio-doce (via rio-doce)