É uma história com conteúdo espiritual
Menção a crenças espirituais
A curiosidade Ă© algo que nĂŁo tem limites, Harry sabia muito bem disso. Aos seus 19 anos ele tinha o melhor passatempo que um jovem apaixonado pelo terror teria. Amava o mundo de filmes de terror e relatos espirituais que assistia em seu celular quando tinha tempo. Harry sempre foi muito curioso para saber mais sobre os espĂritos, por isso decidiu comprar uma Spiritbox.
Inicialmente seus amigos nĂŁo gostaram muito da ideia de ir se comunicar com espĂritos em uma casa velha abandonada, eles achavam isso besteira e que nĂŁo iria dar em nada. Mas, Harry insistiu tanto que convenceu dois deles, Zayn e Niall. Liam nĂŁo gostava dessas coisas, era muito cĂ©tico quando se tratava de coisas de outro plano. Agora em um grupo a parte em seu WhatsApp que Niall nomeou de Os Gasparzinhos, Harry digitava o que seria perguntado para os prováveis espĂritos.
Teriam que se deslocar de suas residĂŞncias no final da tarde para se encontrarem e trocar informações de como fariam aquilo. Zayn, já tinha pesquisado casas abandonadas por Doncaster, encontrando uma um pouco distante do bairro em que eles moravam. Niall era o mais medroso do trio de amigos, falando o quanto estava com medo de algum deles ser possuĂdo por um ser das trevas. Zayn que dirigia o carro em direção a casa abandonada se sustinha com expressões calmas e ria do que seu amigo medroso suponhava que iria acontecer. Já Harry, era o mais animado a curiosidade nĂŁo cabia dentro de si.
Mais alguns quarteirões e lá estava eles, em pĂ© de frente a grande casa velha. Niall obviamente nĂŁo deixou de comentar como aquela casa parecia ter sido de uma bruxa. Os amigos caminharam para dentro da residĂŞncia empurrando o portĂŁo de grades enferrujadas e corroĂdas pelo tempo, ao adentrar o lugar velho, Harry sente uma energia, nĂŁo algo ruim, mas algo que ele nunca tinha sentido antes, achava que estava levando a brincadeira do seu amigo que estava com medo a sĂ©rio demais, se balançou para tentar afastar aquela sensação.
Niall caminhava trás de Zayn e na frente de Harry, para garantir sua segurança como havia dito anteriormente para os amigos. Harry segurava uma pequena bolsa com a Spiritbox. Desceram até o porão da casa e a sensação de presença se fez presente de novo em Harry, ele não sabia o que estava acontecendo pois nunca foi sensitivo com coisas assim.
Harry pegou o aparelho colocou no centro do porĂŁo escuro já que nĂŁo havia luz ali alĂ©m da pequena lanterna em uma das mĂŁos de Niall, programando a caixa que os espĂritos deveriam usar para falar com eles. Depois de tudo pronto, os amigos estavam prontos para a sessĂŁo de caça fantasmas. Se sentaram no chĂŁo empoeirado, Harry colocando os fones para que nĂŁo ouvisse nada do que era falado pelos espĂritos.
A estratĂ©gia da Spiritbox Ă© a seguinte, os amigos ouviriam o que o espĂrito respondia por enquanto que o outro que estava de fone perguntava e daria espaço no tempo para o espĂrito responder. EntĂŁo, Harry que já sabia as perguntas de cor e salteado, já com os fones começou as perguntas.
— Olá, tem alguém aqui, conosco? — desenrolou a primeira pergunta seguindo o combinado de tempo para resposta.
— Eu estou aqui! — Assustando os demais ali na roda, o som da pequena caixa se faz presente como um sussurro.
— Se estiver alguĂ©m aĂ, qual o seu nome? — Harry faz a prĂłxima pergunta mantendo seus olhos vendados e seus fones de ouvido no lugar.
— Louis, meu nome é Louis. — Os amigos assustados decidem interromper o que estava acontecendo, tirando vendas e fones do rapaz que estava fazendo as perguntas.
Levantaram Harry que nĂŁo estava entendendo nada e aconselharam eles saĂrem o mais rápido possĂvel dali. Niall corria como se nĂŁo houvesse amanhĂŁ sendo seguido por Zayn com os olhos arregalados, Harry segurando os equipamentos nĂŁo entendia mas os seguia com rapidez. Já fora da residĂŞncia entrando no carro, Niall se faz presente dizendo que isso nĂŁo era de Deus e que nĂŁo queria lembrar disso nunca e muito menos brincar novamente com aquilo. Os amigos explicaram o que aconteceu, mas Harry achava besteira e que os amigos deveriam voltar atĂ© a casa para se comunicar com aquele espĂrito.
Zayn deixou seus amigos em suas respectivas casas e Harry ao entrar no seu quarto se sentiu decepcionado com os amigos medrosos. A curiosidade percorreu sua mente e decidiu ouvir a gravação em sua caixinha, por tanto a gravação sĂł poderia ser ouvida uma vez e seria apagada em seguida. Sentou-se sua cama e apertou o botĂŁo para ouvir a gravação. Ouvindo sua voz inicialmente perguntando se havia alguma presença, acelerando a gravação para ouvir a resposta e logo seu corpo esfriou e uma onda elĂ©trica passou por seu corpo "Eu estou aqui" a voz do espĂrito sussurro. Como aquilo era possĂvel? E mais uma vez sua prĂłpria voz foi ouvida, e logo o nome do espĂrito foi ouvido "Louis".
A gravação se encerrou e apagou-se sozinha, Harry estava incrédulo. Aquele nome e voz pareciam tão familiar, ele se esforçou pra lembrar se já tinha ouvido aquele nome antes mas nada veio em sua mente. Resolveu por guardar a caixa em seu roupeiro, já estava tarde e se deu por vencido quando o sono lhe encontrou. Após algumas horas de sono, algo estava errado rolou três vezes na cama e abriu os olhos, sentindo uma sensação estranha, não estava com medo mas de repente seus pelos que ele nem sabia que existiam estavam arrepiados ao ouvir de dentro do roupeiro a Spiritbox repetindo incessantemente o nome que havia sido dito anteriormente na casa abandonada. Louis, Louis, Louis. Levantando-se indo de encontro com o guarda-roupas abriu e pegou a caixinha, ela estava desligada. Aquilo não poderia estar acontecendo, ele estava louco? Ele pensou nessa possibilidade.
Entrou no grupo de amigos e contou o que havia acontecido, seus amigos que por algum motivo ainda estavam acordados naquela madrugada disseram que era loucura voltar naquela casa, que ele poderia ir sozinho, mas eles nĂŁo iriam.
Harry nĂŁo havia esquecido daquele nome nem um dia sequer, mesmo cheio de responsabilidades, ele ainda poderia ouvir aquela voz sussurrando o nome. Ele já estava decido, iria voltar na casa velha sozinho e descobrir o que aquele espĂrito queria. Comprou novos aparelhos para se comunicar com o espĂrito e pediu um uber.
Já dentro da residência com aquela mesma sensação que tinha sentido no primeiro dia, ele sentou-se espalhou os aparelhos que havia trazido, que consistia em um K2 medidor eletromagnético e uma Spiritbox mais antiga que não precisaria de uso de fones ou vendas.
Ao ligar o K2 a presença estava altĂssima, nĂŁo estava com medo apesar de estar sozinho. Ligou a caixa e começou as perguntas.
— Tem alguém aqui comigo? — Perguntou e esperou a resposta.
— Estou aqui, Harry! — O espĂrito se comunicou falando o nome do garoto que estava ali com a boca entreaberta se perguntando como o espĂrito sabia seu nome se ele nĂŁo havia dito.
— Quem Ă© vocĂŞ e por quĂŞ eu senti sua presença em meu quarto? — Perguntou de uma vez esperando a resposta do espĂrito.
— Você não irá lembrar de mim, mas eu sou sua alma gêmea. Alguém que te amou por várias vidas, nessa não podemos ficar juntos carnalmente. Mas, eu vim te ver e te garantir que estarei te esperando na eternidade. — O silêncio estava pairando por ali, Harry não conseguia formular uma frase na sua cabeça, pensou no que seus amigos lhe disse sobre ser loucura voltar ali.
Depois de reunir suas coisas, Harry está subindo as escadas do porĂŁo atĂ© que sua curiosidade percorreu seu corpo, deixando seu pescoço virar para trás por algum motivo, lá embaixo no porĂŁo escuro havia uma silhueta iluminada como uma áurea, se formando levemente o perispĂrito.
Ao se formar, Harry pode ver o rosto e corpo como se fosse uma pessoa encarnada, mas havia a áurea brilhante ali. Ele viu os olhos azuis o olhando com um semblante amoroso. Então, fechou os olhos por alguns segundos e os abriu e já na tinha mais nada ali. Se retirou daquele lugar e não comentou nada com os amigos sobre o ocorrido.
Harry agora com 23 anos arruma seu terno de cor creme, acompanhado por sua mãe que tem os olhos avermelhados por um choro recente ao ver que seu filho mais novo vai se casar. O homem mantém um sorriso leve nos lábios e confirma a sua mãe que está tudo bem e não irá abandoná-la.
O que Harry escondia de todos era que ele nunca amou seu noivo, Nick era um cara legal e ele realmente gostava de Harry. Mas, esse amor nunca foi correspondido totalmente. Ele nunca iria imaginar na vida dele casar com alguém que não amasse, mas ele aceitou o carma que nessa vida não tinha alguém que ele amaria de verdade.
Sua cabeça poderia ter vários pensamentos, mas o que ele nĂŁo esquecia era daquelas palavras que ouvirá quando tinha 19 anos em uma casa abandonada. Os olhos daquele espĂrito o assombrava, nĂŁo de uma maneira ruim, mas fazia ele perder noites de sono imaginando o que teria acontecido nas suas vidas passadas com aquele rapaz. Ele nĂŁo queria ir atrás de charlatĂŁes que iria fazer ele engolir uma dĂşzia de palavras sobre a sua vida passada. Optou por deixar aquilo em segredo, nunca revelou nada quando era perguntado sobre a Spiritbox por seus amigos. Mas agora ele tinha um casamento para enfrentar.
Agora aos seus 70 anos, está Harry deitado em sua cama sozinho. Muitas coisas tinham acontecido, depois do seu casamento alguns anos depois de se formar na faculdade de Direito, Harry se divorciou de Nick. Nada tinha acontecido, mas realmente era falta de amor por parte de Harry. Ele não casou-se novamente ou namorou, tinha pequenos encontros sexuais mas nada além disso.
Nas suas Ăşltimas lembranças ele olhava para um ponto fixo no teto, relembrando de toda sua vida atĂ© ali, o que viveu e deixou de viver. Sua mente o leva para a infância lembrando de como amava brincar com sua irmĂŁ, depois sua adolescĂŞncia ao lado de seus trĂŞs melhores amigos que haviam falecido a alguns anos atrás. E para encerrar aquele Ăşltimo pensamento, voltou ao dia que viu o espĂrito de Louis. Harry sentia escapar algumas lágrimas de seus olhos caĂdos e cheios de rugas pelo envelhecimento, pensou em como sua vida poderia ter sido se aquele espĂrito estivesse encarnado.
Ao encerrar os pensamentos, fechou seus olhos e enxergou na escuridĂŁo o rosto de Louis.
Em uma manhã ensolarada lá estava Harry com seus 19 anos, uma nova vida para ele. Claro que ele não sabia que havia vivido outras, entrou na biblioteca de sua escola que estava vazia se não fosse um corpo de um rapaz ali perto de umas das várias prateleiras de livros.
Parou e olhou para aquele corpo que virou para encarar os passos que adentrava a biblioteca. Sentiu seu coração errar várias batidas e seu corpo formigar. Aqueles olhos, os olhos azuis que ele não sabia de onde tinha visto antes. Os dois agora estavam a encarar-se para descobrir de onde tinha visto um ao outro.
A eternidade pode lhe reservar tantas surpresas. O amor atravessa vidas!
Logo a história estará no Wattpad no user @ AlwaysLarry1D da uma conferida lá!