Aquele onde Alex Turner é um jovem confinando tentando superar seu ex... E falhando miseravelmente quando o encontra numa festa.
• Não tem pão pras safadas. Hoje é só pras gays tristes que não superam ex.
• Isso é uma adaptação de algo que fiz quando adolescente e decidi editar e postar. Eu era uma gay triste com saudades da minha ex também.
Jogava meus braços para o alto e gritava junto com todos naquele porão o refrão de “We will rock you” do Queen. Além de mim, havia cerca de 30 pessoas naquele cubículo apertado debaixo da escola. Pessoas que também estavam enlouquecendo enquanto a voz de Freddie Mercury preenchia o cômodo tornando possível ouvir todas aquelas palmas e gritos numa distância considerável daquela parte da escola. Todos pareciam estar excitados com a festa com aquelas bebidas estranhamente coloridas e com as três caixas de som que, com o som em sincronia, faziam você se sentir num show da banda.
Quando entrei nesse colégio, há um ano, eu sabia que me surpreenderia com muita coisa, mas nunca imaginei que nesse lugar poderia descobrir uma espécie de fã base do Queen que fazia festas em homenagem à banda toda sexta-feira. Festas as quais foram as mais épicas que eu já havia ido em toda minha vida, mesmo que fosse apenas a quarta vez que eu participava.
—you got blood on your face, your big disgrace… —Todos, incluindo eu, cantavam em coro. Era algo tão alto e em sincronia que dava a impressão que as paredes estavam tremendo ao ritmo de nossas vozes e mais uma vez o refrão icônico começou junto com todos nós batendo palmas ao ritmo da batida. Era insano ver tanta gente ligeiramente chapada cantando músicas que me marcaram tanto.
Aos poucos a noite ia passando e músicas como Don't Stop Me Now, I Want to Break Free, We Are the Champions, Crazy Little Thing Called Love, Killer Queen e, até mesmo, a icônica Bohemian Rhapsody tocaram ao decorrer da noite e todas, sem nenhuma exceção, faziam as pessoas naquele lugar enlouquecerem.
Logo depois das três da manhã o som foi abaixado, isso significava que a festa já havia terminado. A maior parte das pessoas naquele horário já estava bêbada demais para sequer se levantarem e isso resultou em um mar de pessoas caídas no chão, umas por cima das outras. Para mim, aquilo chegava a ser cômico ainda mais porque parecia que eu era o único minimamente sóbrio naquele porão.
Não precisei dar muitos passos para achar Matt e Jamie, que já estavam apagados sentados num sofá de dois lugares, enquanto Nick estava jogado em cima dos dois usando o braço do sofá como uma espécie de travesseiro. Eu jogaria na cara do responsável Nicholas O'Malley o fato de que fui o único do grupo que ainda estava de pé após as três.
Andei mais um pouco encontrando pessoas ainda acordadas mas que já estavam mais para lá do que para cá. Aparentemente eu era o único realmente acordado naquele lugar mas não pretendia dormir cedo, pelo menos não enquanto a letra e a batida de Somebody To Love não saíssem da minha cabeça.
—can't anybody find me somebody to love… —Cantei num tom baixo o refrão da música enquanto batia minha mão na minha coxa no ritmo da música enquanto ia em direção à porta do porão aproveitando o fato de ninguém ali estar consciente o suficiente para me ouvir,.mesmo que minha voz es
ecoasse pelo silêncio que se encontrava naquele lugar.
—Minha maior pergunta nesse momento é: por quê eu nunca elogiei sua voz? —Alguém disse, um pouco alto, me fazendo logo ir atrás da fonte da voz.
—Caralho. Nem bêbado eu tenho paz. —Disse, me preparando para sair logo dali quando acho a fonte da voz do lado contrário da onde eu estava. —Ótimo. —Sussurro logo que tento abrir a porta, mas percebo que ela está trancada. —Por quê você trancou a porta, Miles?
—Porque eu precisava de cinco minutos. Só isso. Cinco minutos sem você fugir de mim. Estou tentando fazer isso desde que terminamos, mas você nunca me dá uma chance. —Miles começa a caminhar lentamente em minha direção me fazendo recuar o máximo até bater as costas na porta.
—Porque será hein? —Digo num tom sarcástico tentando esconder meu nervosismo e desespero. Encosto minhas mãos na madeira da porta numa tentativa inútil de me afastar mais e, quem sabe, atravessar a porta. Ele estava perto. Perto demais, eu diria. Era possível sentir sua respiração ofegante e o seu habitual hálito de hortelã batendo em meu rosto. Logo seus braços se levantaram e ele encostou suas mãos na porta, numa parte um pouco acima dos meus ombros, talvez para ter certeza que eu não fugiria dessa vez.
—Olha, eu sei que errei, ok? Mas eu quero me redimir, quero provar que estou melhor. Já se passou quase um mês, eu não venho saindo com ninguém e… —Ele começa e eu ri sem humor.
—Uhum, claro. Não é como se você não estivesse grudado com a Emma Adams desde o começo da semana. —Digo me lembrando da senhorita ruiva saindo com o Miles após a aula de Física enquanto ela exibia um largo sorriso como se ele fosse um prêmio ou um troféu que precisasse exibir a qualquer custo.
—Ela não larga do meu pé, o que você quer que eu faça? Nunca transamos, na verdade, nunca sequer a beijei. Nossas conversas não passam de coisas superficiais mas por algum motivo ela acha que somos íntimos. —Miles diz num tom de desabafo, como se estivesse revoltado por conta de uma garota que não o deixava em paz mas ele era manipulador, era óbvio que era uma maneira de me fazer cair mais uma vez.
Mas isso não iria acontecer.
—Isso já não me importa, eu não vou te dar outra chance.
—Por quê, hm? Nick me disse que tem um novo cara na história. Ethan, certo? O que ele tem de tão especial? —Observei Miles abrir um sorriso vitorioso enquanto falava. Ele parecia feliz em ter algo para me atormentar. —E não, o Nick não abriu a porra da boca por vontade própria. Eu só mencionei que seria uma pena se todos soubessem sobre aqueles três jogadores de vôlei e o vestiário. Ele entendeu rapidinho o recado.
—VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO! —gritei, tentando empurrá-lo para longe.
—Mas eu já fiz. E o que foi feito jamais será desfeito. —Ele me pressionou mais contra a porta. —E então, o que ele tem de tão especial?
—Eu não tenho que te responder nada, assim como você não tem o direito de se meter na minha vida. VOCÊ ME TRAIU! Agora pode fazer o favor de me deixar sair? —Digo num tom de voz grossa, tentando me manter em pé mesmo que eu estivesse tremendo dos pés à cabeça.
—Você não vai a lugar nenhum, Alex. Eu sei que você quer estar aqui tanto quanto eu quero. Você sente falta de mim, dos meus abraços no meio da noite quando você dormia no meu quarto. E bom… —Ele aproxima o seu rosto do meu ouvido. —Você sabe que sente falta dos meus beijos de boa noite. —Volta a olhar para meus olhos. —Por que se fazer de tão difícil?
Eu já estava com vontade de chorar. Eu não podia admitir que aquilo era verdadeiro. Eu não podia admitir que sentia falta de um cara com quem fiquei por dois meses e que, ainda por cima, me traiu.
—Me deixa sair, Miles… —Digo baixo. Não demorou muito para que eu voltasse novamente para o mundo no qual éramos apenas eu e ele. Onde nós éramos um casal feliz e que nada interromperia nosso amor.
Sinto o polegar de Miles deslizar em meu lábio inferior, me fazendo levantar o rosto. Logo senti-o pressionando seus lábios vermelhos contra os meus, iniciando um beijo calmo quanto foi o nosso primeiro.
Não é um romance lindo. Eu havia caído mais uma vez numa das armadilhas de Miles Kane.
E, pela pior das razões, eu não me arrependia de nada.