1. vocĂȘ vai errar com pessoas que ama. vai ser imaturo, birrento, egoĂsta e ruim. vocĂȘ serĂĄ ruim com pessoas que ama. e o remorso, a culpa ou o sentimento de âhm, preciso voltar atrĂĄs, aqui neste pontoâ poderĂĄ aparecer pouco depois da situação ou poderĂĄ demorar meses, quem sabe anos. Ă© importante vocĂȘ ter em mente que, sim, isso Ă© um aviso para que volte Ă quele momento que te dividiu e te tornou diferente do que era antes pro que Ă© agora. o lapso de consciĂȘncia, a conversa que nĂŁo veio, o silĂȘncio descomunal: vomita antes que te mate. que te afogue e te coloque sob um jugo pesado e que te nĂŁo faz crescer.
2. solidĂŁo Ă© um processo contĂnuo e duradouro. vai demorar desse verĂŁo atĂ© o outro. quem sabe um pouco menos. pode ser constante, atĂ© mesmo quando vocĂȘ encontra aquela-pessoa-incrĂvel-que-te-faz-flutuar-em-plumas-douradas. porque a gente passa muito tempo procurando alguĂ©m e assim que encontramos, percebemos que o vazio, o oco e o silĂȘncio permanecem. e vĂŁo permanecer pois eles sĂŁo os vieses da vida. ou melhor: sĂŁo as partes que a vida nos dĂĄ para que aprendamos, ferrenhamente, a sermos da melhor maneira possĂvel. sermos pessoas melhores, amigos, pais, filhos, namorados e assim por diante. a solidĂŁo molda a gente. faz a gente pedir perdĂŁo. rever conceitos. a investigar o porquĂȘ de determinado movimento. o porquĂȘ do coração latejar sozinho atĂ© quando hĂĄ uma festa dentro do seu quarto com todos os vizinhos mais legais do planeta terra. a solidĂŁo opera um milagre na nossa mente no sentido de nos permitir que evoluamos. passa a nĂŁo doer estar consigo mesmo. passa a ser magnĂfica a experiĂȘncia de olhar para si mesma com olhos calmos, tranquilos, sem o barulho do mundo. passa a ser intransigente qualquer outro movimento de alguĂ©m que nĂŁo o seu. a solidĂŁo ensina vocĂȘ a colocar a mĂŁo na prĂłpria pele; a nĂŁo ter medo do prĂłprio pensamento; a tentar entender tudo que vocĂȘ Ă©: da pele ao coração, da maneira como respira Ă maneira como ama. o espaço que a solidĂŁo exerce com vocĂȘ Ă© sobretudo para te ensinar. para dizer: olha aqui, olha bem pra vocĂȘ, vocĂȘ estĂĄ aqui porque precisa crescer. porque precisa aprender a estreitar o laço afetivo e honesto consigo mesmo. porque ninguĂ©m vai te salvar de vocĂȘ. porque a responsabilidade do cuidado nĂŁo vem de fora: Ă© vocĂȘ, quem precisa estender as mĂŁos, pegar o prĂłprio coração e sair correndo.
3. relacionamento afetivo nĂŁo tem que ser seu projeto de vida. seu projeto de vida Ă© vocĂȘ. se dormiu bem. se acordou disposta e disponĂvel pro mundo. se o coração ainda queima por sentir o sol. se o peito ainda estrala de felicidade quando vĂȘ os amigos. quando sente o colo da mĂŁe. quando a cerveja do bar tĂĄ geladinha. quando as mĂșsicas aleatĂłrias do celular dĂŁo as mĂŁos e a sequĂȘncia fica audĂvel por horas e horas. seu projeto de vida tem que ser vocĂȘ fazendo as pazes com o que te habita internamente. quando vocĂȘ doma todos os seus medos. quando vocĂȘ nĂŁo alimenta as inseguranças. quando vocĂȘ estende seus ouvidos para ouvir o que tua alma tĂĄ dizendo. quando sua autoestima nĂŁo Ă© detonada por palavras de ordem. se depois de vocĂȘ conseguir olhar para si mesmo com compaixĂŁo, com afeto e amor. se depois de vocĂȘ absorver cada caracterĂstica que te forma e saber de todos os traumas, e ao saber, conseguir tratĂĄ-los. se vocĂȘ descobrir todos os caminhos oscilantes que dĂŁo para o centro da sua dor. se vocĂȘ conseguir identificar onde exatamente estĂĄ o buraco por onde vazam as suas lĂĄgrimas. o Ășnico relacionamento afetivo que importa, agora, Ă© o seu com vocĂȘ mesmo. aproveita o tempo ocioso e cria pontes entre sua essĂȘncia e o seu estar no mundo. expande o corpo. cresça a mente, o espĂrito, coração.
4. autoestima Ă© apenas uma montanha-russa com altos e baixos. Ă s vezes, nosso carrinho estĂĄ lĂĄ em cima. Ă s vezes, lĂĄ embaixo. nĂŁo se esqueça, no entanto, que vocĂȘ Ă© um parque de diversĂ”es inteiro, com outros caminhos, atraçÔes e destinos. vocĂȘ precisa, sim, ficar horas na fila atĂ© entrar e sentir a adrenalina e a frustração do sentimento. mas o passeio Ă© maior do que isso e vocĂȘ precisa entrar na fila de outros brinquedos, precisa se vestir com outros passatempos, precisa revisitar outros espaços, traumas, quem sabe soluçÔes. e precisa, tambĂ©m, se curtir. curtir o momento, outros frios na barriga, outras descobertas. uma montanha-russa nĂŁo pode definir vocĂȘ e aquilo que vocĂȘ Ă©. a gente pode trabalhar nossa autoestima diariamente, mas precisamos saber que hĂĄ outras coisas que podem ser trabalhadas. e que estĂŁo lĂĄ (ou melhor, aqui dentro), implorando para serem vistas. nĂŁo torne seu carrinho a Ășnica atração do seu incrĂvel, maravilhoso e magnĂfico parque de diversĂ”es.
5. o medo vai brotar nas suas costas diariamente. vai supor diĂĄlogos. quererĂĄ explicaçÔes. e vocĂȘ tentarĂĄ pular numa piscina vazia, fazendo alusĂŁo Ă quela vez que tentou fugir porque fugir parecia certo e menos doloroso. ninguĂ©m quer encarar o medo. mas ele estĂĄ aqui. e estarĂĄ amanhĂŁ. e em dezembro. o ponto Ă© que se vocĂȘ nĂŁo descobrir maneiras de olhar olho-no-olho, de insistir no contato fĂsico, de tentar desdobrĂĄ-lo, entendĂȘ-lo e mandĂĄ-lo passear, ele continuarĂĄ colocando em vocĂȘ uma espĂ©cie de farfo. medo do amanhĂŁ. medo do que virĂĄ. de nunca encontrar alguĂ©m. de nĂŁo amar novamente. de falhar com meus amigos. com a famĂlia. comigo mesma. e assim por diante. o que fazer? nĂŁo permitir a chantagem. antes disso, levantar a voz, gritar: hoje nĂŁo! hoje nĂŁo permito o medo se instalar. hoje nĂŁo! hoje nĂŁo permito o medo tirar de mim a capacidade messiĂąnica que sinto em viver cada milĂ©simo de segundo e tentar aproveitar ao mĂĄximo minha existĂȘncia no mundo.
6. ferida nĂŁo cicatriza de um dia pro outro. demanda tempo, esforço, cuidado e atĂ© mesmo carinho. nĂŁo precisa-se construir um altar imaculado em volta da dor que ficou na pele, na memĂłria, no coração. mas Ă© preciso conversar com ela, tirĂĄ-la da parede do quarto, colocĂĄ-la frente a frente numa conversa reveladora dos porquĂȘs aquilo dĂłi tanto. Ă© preciso ser honesto consigo prĂłprio pra seguir. 'errei aquiâ. 'falhei naquiloâ. 'fui horrĂvel aqui tambĂ©mâ. 'eu nĂŁo deveria ter colocado tal pessoa num pedestalâ. 'eu nĂŁo deveria ter me colocado num pedestalâ. e assim sucessivamente. ferida nĂŁo sara se a gente coloca flor ao redor dela. ferida cicatriza quando a gente confronta, enfrenta e descasca para, depois sim, viver a rotina como se ela nĂŁo estivesse ali. vocĂȘ jĂĄ viu uma ferida em processo de cicatrização? quanto mais vocĂȘ coloca o dedo, mais seu organismo entende que aquela parte precisa de proteção. nĂŁo permita que ela cresça e tome conta de vocĂȘ. ao contrĂĄrio: que vocĂȘ a conheça tĂŁo bem que seja capaz de deixĂĄ-la sair do seu corpo, organismo, casa, vida, tudo o mais.
7. vocĂȘ Ă© uma boa pessoa. se te conforta saber, todos nĂłs estamos errando diariamente com as mesmas coisas. socamos a mesma ponta de faca toda vez. voltamos e tentamos seguir pelo mesmo caminho tortuoso que das outras vezes. exercemos nossa mais humana capacidade de errar, falhar, ferir e ser ferido. para continuarmos amanhĂŁ. semana que vem. daqui quinze anos. o meu conselho? tente entender o que vocĂȘ Ă©. seu lugar no mundo. qual espaço vocĂȘ ocupa na vida. na sua vida. se vocĂȘ compreender o milagre da sua existĂȘncia quem sabe [quem sabe] os outros tambĂ©m farĂŁo o mesmo. existir e viver, que se alinham na mesma frequĂȘncia, partem daquilo que vocĂȘ Ă©.
e vocĂȘ Ă© lindo.