Pra você dar nome
Todos temos um limite. É admirável quando alguém consegue ultrapassar seus limites mesmo que as consequências sejam absurdamente trágicas ou pouco dolorida. O incerto é o que motiva as pessoas a continuar, e não há nada mais prazeroso do que dizer que se tentou. Não há derrota quando há luta, apenas perda, que pode ser reparável ou não. É certo que cheguei ao meu limite, e ultrapassá-lo não seria pouco dolorido, porque não terminei um caso de amor que não deu certo. Sinto que perdi ou arrisquei perder uma grande amizade, e essa dor é absurda. Eu apaguei nosso histórico de conversas, mas conservei alguns áudios seus, inclusive o penúltimo em que você diz "Não tem mais nada aqui", enquanto fala mais uma vez sobre seu inÃcio de namoro, e diz o quanto essas lembranças doem. No inÃcio você diz "Deixa eu te contar uma historinha..." e a sua voz era tão triste que eu queria estar ao seu lado para afagar a sua dor. Meu eu oscilando entre a a amiga protetora e a menina apaixonada por algo que nem ela mesmo sabe o que é. Eu poderia te contar várias historinhas sobre o quão dolorido foi te ver com outras pessoas e te ouvir dizer diversas vezes que não poderia ficar, enquanto carregava meu mundo em tuas mãos. Eu só queria te encontrar no final de um dia cansativo e te ouvir dizer que estava ali porque era exatamente ali que você queria estar, e era no meu peito que você queria afagar o peso do mundo, da vida, dos dias monótomos que dão um giro 360°, mas naquele momento você se libertava do mundo terreno e vivia um plano transcendental que era o nosso encontro. Um milagre. O amor estaria ali entre nós. Te ouvi falar tanto de outros amores que acabei criando uma barreira entre o que eu sentia e a nossa amizade. Guardei tudo em uma caixa e deixei que outras pessoas entrassem na minha vida e aos poucos fossem levando tudo embora, em uma faxina, uma mudança... Mas você era aquela caixinha de recordações que não abrimos mão, não jogamos fora, se quer mostramos para qualquer pessoa, por medo de corromper, de rasgar, de se perder entre outros olhares... É verdade que ao te ver me vem lembranças boas e ruins, e é certo que sempre guardarei essa caixinha que você insiste em abrir ao me ver. Talvez eu tenha mesmo estragado tudo com minha insegurança e meu medo, mas parei de criar um martÃrio e comecei a pensar que ambas erramos. Como você mesmo disse "Tudo que aconteceu só serviu para te mostrar que tem um rombo enorme com o nome dela no teu peito''. Como você pode então dizer que estaria pronta para começar algo justo comigo?
Foi bonito te olhar nos olhos e perceber que você de fato quis estar ali ao meu lado. Talvez por isso falei tanto dos teus olhos, pois eles me revelaram coisas que eu nem sabia que existiam. Foi lindo te abraçar e literalmente estar em teus braços, porque eu esperei por esse abraço por muito tempo, e minha espera valeu a pena. Eu realmente fiz planos para nós, mas como diria uma velha canção da minha adolescência ''Você tenta então me convencer que é melhor não fazer planos para você...'' Assim você me disse diversas vezes que não era uma boa pessoa. E eu só queria te olhar mesmo da maneira mais bonita que eu pudesse, por que era com você que eu queria estar naquele momento e em diversos outros. Você mal percebeu, mas em pequenos momentos você fez minha insegurança se proliferar e me tornei refém do meu próprio medo, tentando te afastar com a mesma intensidade com que tentava te manter por perto.
No entanto, nada foi mais dolorido do que te ouvir falar que estava feliz. Eu mal conseguia tomar um café sem pensar em você e em tudo, e você me disse que estava feliz e que era para eu te esquecer. Olha, acho que nesse momento percebi que não taria argumentos para usar com você. Não há argumentos que possam ser utilizados com alguém que se diz feliz com a sua ausência. Eu realmente me rendi. De fato, quero muito que sua felicidade seja constante, e se longe de mim isso seja possÃvel, não seria tão egoÃsta em te pedir mais uma vez que me deixasse em um cantinho qualquer da tua casa.
Você chegou e mal me deu espaço para que as coisas acontecessem naturalmente e eu mal pude pensar se isso seria bom para nós, por que os momentos em que pensava sempre chegava a conclusão que seria bom. Esse jogo eu não sei mesmo jogar. Gastei todo meu life, me envenenei e te pedi um antÃdoto para retornar, mas você me recusou. Você não estava mesmo jogando tudo fora, era apenas eu que estava no ápice do meu drama. você não tinha antÃdoto algum. Me desculpa, eu realmente não queria ter te magoado, e principalmente ter me magoado. Eu continuo te incluindo em meus planos futuros, como um meio de te manter aqui por mais tempo.
Eu não sei o que será de ''nós'', e estou te escrevendo isso enquanto deixo doer toda essa saudade e essa incerteza do futuro. Não sei quando você irá ler, mas quero que saiba que sinto muita saudade de você e do seu carinho, do seu afeto e desse elo que criamos no decorrer desses dois anos. Eu realmente amo você, e percebi isso em um desses dias que te encontrei pela manhã, e que foram tão simples, mas imensamente significativos. Não sei se conseguirei um dia te ver apenas como um passante ou como alguém que desenvolvi uma amizade, mas espero ansiosamente por isso. Como te disse, quero você na minha vida. E se o tempo for cruel conosco, saiba que um dia eu quis muito ficar, mas hoje eu quero isso multiplicado por mil. E como diria a canção do 5 a seco "Sempre que der, mande um sinal de vida de onde estiver dessa vez. Qualquer coisa que faça eu pensar que você está bem, ou deitada nos braços de um outro qualquer, que é melhor do que sofrer de saudade de mim como estou de você..."
Com amor, Ana.
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