Diários Noturnos Os devaneios de quem sente muito O Sol e a Lua: os dois extremos
“É tão cruel que o mundo fez a gente viver o maior amor de nossas vidas e nos condenou a viver uma vida sem poder vivê-lo… o sol e a lua, os dois extremos.”
Tem amores que não acabam porque faltou sentimento. Acabam porque a vida, o tempo, os medos, as distâncias ou as circunstâncias não conseguiram acompanhar a intensidade deles.
É isso que dói tanto. Não é olhar pra trás e pensar “não era amor”. É justamente saber que era.
Era presença. Era verdade. Era encontro.
Como se duas partes do universo tivessem se reconhecido por alguns instantes… mas em horários diferentes do céu. O sol e a lua existem no mesmo mundo, sentem a mesma gravidade, influenciam o mesmo mar, mas quase nunca conseguem permanecer juntos no mesmo horizonte.
E ainda assim, um nunca deixa de existir por causa do outro. Eles seguem se procurando nos rastros: no calor que fica depois do pôr do sol, na claridade que sobra antes do amanhecer, na sensação de “eu conheci algo raro”.
Porque algumas verdades bonitas carregam uma tristeza impossível de separar delas.
É como olhar um eclipse: raro, lindo, memorável… e breve. Você sabe que aconteceu de verdade, viu com os próprios olhos, sentiu no corpo inteiro, mas não consegue segurá-lo.
E eu acho que o mais cruel desses amores é que eles continuam vivos dentro da gente de formas pequenas: numa música, num silêncio específico, num jeito de olhar pro céu, num toque imaginado, num “ela gostaria disso”.
O amor vai embora da rotina, mas não necessariamente da existência.
É estranho perceber que a vida continua mesmo depois que algo dentro da gente parou naquele instante específico. Naquela troca de olhar. Naquele abraço que, sem saber, virou memória eterna.
E por um tempo, a gente acredita que nunca mais vai existir outro céu bonito daquele jeito. Que o universo gastou toda a sua poesia em uma única pessoa.
Mas o céu… o céu é infinito demais para acabar em um único pôr do sol.
Talvez existam amores que chegam para incendiar. Outros, para acolher. Uns nos atravessam como tempestade. Outros ficam como casa.
E talvez o maior erro de quem sente muito seja achar que, porque algo foi intenso, aquilo precisava necessariamente durar para sempre.
Nem tudo que é eterno… permanece. Às vezes, a eternidade acontece justamente no impacto.
Tem pessoas que passam pela nossa vida e deixam marcas tão profundas que continuam existindo dentro da gente mesmo depois da partida. Como o calor do sol na pele depois que ele desaparece do horizonte. Como a luz da lua atravessando a madrugada inteira sem dizer uma única palavra.
E dói. Meu Deus… como dói.
Porque amar alguém e não poder viver esse amor por completo é uma das experiências mais humanas e mais cruéis que existem.
Mas ainda assim existe algo bonito nisso. Porque no meio de um mundo tão distraído, tão superficial e tão apressado… nós sentimos.
De verdade. Com profundidade. Com alma.
- Em busca da cura











