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Anotações sobre o IDEB e a Prova Brasil
Analisamos o Censo Escolar no site Qedu, a respeito da Prova Brasil, uma avaliação educacional nacional sobre a qualidade do aprendizado nas redes públicas de ensino do Brasil que avalia duas competências dos alunos: a de leitura e interpretação de textos (português) e a resolução de problemas matemáticos (matemática). Todos os alunos brasileiros de 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, matriculados em escolas públicas com pelo menos 20 alunos nas séries avaliadas, realizam a prova. A Prova Brasil fornece resultados por escola, municÃpio, estado e Brasil. No site do QEdu temos disponÃvel para análise o resultado da avaliação dos alunos, o perfil deles e dos professores e um mapa detalhado da infraestrutura e outros aspectos das escolas de todo o Brasil.
Em relação aos mais de 90 mil estudantes do 9º ano que realizaram a Prova Brasil 2011 no RS, entre 20% e 40% desse montante nunca leem livros, revistas, jornais, quadrinhos e nem frequentam bibliotecas, mas 60% deles utilizam a internet diariamente e entre as crianças do 5° ano os Ãndices são quase os mesmos, proporcionalmente, em um montante de mais de 50 mil entrevistados. Entre os jovens do 9° ano, 39% tem uma ou duas televisões em casa e 37% tem duas ou mais, 92% tem DVD e 59% tem computador com internet, sendo os Ãndices semelhantes entre os alunos do 5° ano. 37% dos jovens do 5° ano passam mais de 4 horas por dia assistindo à TV, navegando na internet ou jogando jogos eletrônicos e 41% no 9° ano. 24% dos alunos do 9° ano tem mãe com o Ensino Médio Completo e 23% das mães tem escolaridade até o 4° ano do Ensino Fundamental. 62% desses estudantes tem interesse em estudar e trabalhar após o Ensino Médio.
Em um universo de mais de 10 mil professores entrevistados no RS, menos de 10% afirmaram que não participar das decisões relacionadas com o seu trabalho, e quase todos consideram que a equipe de professores leva em consideração suas ideias e eles as de outros colegas. Quase todos consideram também que o ensino que a escola oferece aos alunos é muito influenciado pela troca de ideias entre os professores e que tentam coordenar o conteúdo das disciplinas entre as diferentes séries.
Entre os mais de 7 mil professores de matemática entrevistados, as práticas pedagógicas mais utilizas são: fazer exercÃcios para fixar procedimentos e regras (83%); 65% criam situações problemas para estimular raciocÃnios diferentes e mais complexos que a maioria dos exemplos usuais; 80% exercitam gravar as regras que permitem obter as respostas certas dos cálculos e problemas; 64% aprimoram a precisão e a velocidade de execução de cálculos. Apenas a metade utiliza notÃcias dos jornais e situações do cotidiano como base da aprendizagem e apenas 40% utilizam a pesquisa e a exploração como prática pedagógica.
Entre os também mais de 7 mil professores de português entrevistados, 38% utilizam como prática semanal copiar textos do livro didático ou do quadro-negro/lousa; cerca de 45% promovem discussões e exercÃcios gramaticais a partir de textos de jornais e revistas; 51% leem contos, crônicas, poesias ou romances. Apenas 34% utilizam criação de textos em projetos temáticos.
Na 1ª Coordenadoria Regional de Educação – Porto Alegre, a população é de 1 467 823 habitantes (estimativa IBGE 2013), sendo que quase a totalidade vive no meio urbano.
MatrÃculas Porto Alegre:
MatrÃculas Anos Iniciais Ensino Fundamental - 97.506 estudantes
RS: 787.782 - Brasil: 15 764 926
MatrÃculas Anos Finais Ensino Fundamental - 73.990 estudantes
RS: 626.950 Brasil: 13 304 355
MatrÃculas Ensino Médio - 52.028 estudantes
RS: 416.123 Brasil: 8.622.791
MatrÃculas EJA - 21.512 estudantes
RS: 146.765 Brasil: 3.772.670
MatrÃculas Educação Especial - 1.964 estudantes
RS: 14.761 Brasil: 194.421
(Total de Escolas de Educação Básica: 1.044)
Em relação à infraestrutura, do total de escolas de educação básica da cidade, 96% possuem cozinha mas só 61% oferecem alimentação, 82% tem água filtrada, 32% possuem dependências acessÃveis aos deficientes e 35% possuem sanitários acessÃveis aos deficientes. Porém, 90% possuem internet, 85% com banda larga, 90% tem DVD, 85% possuem impressora, 67% te xerox, 39% possuem retropojetor e 91% possuem televisão. Nas dependências, só 60% possuem biblioteca, 51% tem laboratório de informática, 27% tem laboratório de ciências, 42% possuem quadra de esportes, 26% possuem sala de leitura. Só 13% possuem sala para atendimento especial e 64% possuem sala para os professores. 31% ainda possuem sanitários fora do prédio de aulas.
Em relação a situação dos professores de Porto Alegre, em pesquisa realizada em 2011 com 963 professores das redes estadual e municipal, cabe salientar que 29%, (286 professores), realizaram sua formação na graduação há mais de 20 anos e menos da metade realizou formação continuada em cursos com mais de 40 horas desde então.
Dos professores entrevistados, quando perguntados sobre possÃveis causas dos problemas de aprendizagem dos alunos da(s) série(s) avaliada(s), 86% consideraram que eles são decorrentes do meio em que o aluno vive e 81% creem que decorrem do nÃvel cultural dos pais dos alunos. 95% acreditam que os problemas estão relacionadas à falta de assistência e acompanhamento da famÃlia nos deveres de casa e pesquisas dos alunos e 74% creem que estão vinculados à baixa autoestima dos alunos. Porém, 92% afirmam que os problemas de aprendizagem decorrem do desinteresse e falta de esforço do aluno e 75% creem que decorre da indisciplina dos alunos em sala de aula.
57% (529 pessoas) consideraram que os problemas se relacionam à sobrecarga de trabalho do(as) professores(as), dificultando o planejamento e o preparo das aulas. Do total, 66% (604 professores) consideram os problemas escolares relacionados ao baixo salário dos professores, que gera insatisfação e desestÃmulo para a atividade docente.
46% (426 professores) responderam que conseguem desenvolver mais de 80% do conteúdo previsto para o ano letivo e só 29% acreditam que quase todos os alunos concluirão o ensino médio. Somente 7% acreditam que quase todos os alunos entrarão para Universidade e 44% acreditam que poucos ingressarão em um curso superior.
O Ideb mostra a proporção de alunos que demonstraram o aprendizado o adequado:
Desempenho IDEB Porto Alegre 2011
5º ano (11.946 alunos) - Ideb: 4.8
Português – 38%
Matemática – 29%
9º ano (11.582 alunos) - Ideb: 4.0
Português – 27%
Matemática – 13%
Desempenho IDEB RS 2011
5º ano (86.278 alunos)
Português – 42%
Matemática – 38%
9º ano (91.353 alunos) - Ideb: 4.4
Português – 28%
Matemática – 17%
Ensino Médio – Ideb: 4.0
Desempenho IDEB Brasil 2011
5º ano (2.280.315 alunos) - Ideb: 4.9
Português – 37%
Matemática – 33%
9º ano (2.481.059 alunos) - Ideb: 4.4
Português – 22%
Matemática – 12%
Ensino Médio – Ideb: 3.9
Fonte: Censo Escolar/INEP 2013 | Qedu.org.br.
Análise do QEdu - Atividade 5
Registre o desempenho dos alunos para o Brasil/RS/Cidade selecionada em Matemática e Português: Português, 5º ano (POA) - 41% Escola escolhida - 32%
Português, 9º ano (POA)- 30% Escola escolhida - 24%
Matemática, 5º ano (POA)- 33% Escola escolhida - 32%
Matemática, 9º ano (POA)- 15% Escola escolhida - 12%
Descreva as condições da escola (Coronel Afonso EmÃlio Massot, na qual estudei): A escola possui boas estruturas de infraestrutura e dependências, possuindo sanitários, bibliotecas, cozinha, laboratório de informática, quadra de esportes, sala de professores, equipamentos, internet, merenda, etc. Porém peca no atendimento especial, onde não possui acesso e nenhuma sala de atendimento especial ou para portadores de deficiência fÃsica. Sala de leituras também não há.
O desempenho dos alunos tem a ver com as condições dos professores? Acredito que em parte, sim, pois percebo nos dados que a maioria dos professores ganham um salário desvalorizado para a profissão. Porém, algun lecionam há mais de 5 anos, são formados, mas não se especializaram, não investem em formação continuada. Porém, apesar da formação continuada ser importantÃssima, creio que por ser o salário não digno, e trabalhar muitas horas, fica mesmo difÃcil de tentar continuar estudando. Talvez também a maioria dos professores por estarem na faixa etária entre 40 e 49 anos, penso que eles podem estar defasados em relação ao ensino, por fora das realidades, modas dos alunos, pregando um ensino tradicional, assim desmotivando os alunos a estudarem. Percebo que os professores acondicionam os problemas de aprendizagem dos alunos ao meio que o aluno vive; ao nÃvel cultural dos pais destes alunos; à falta de assistência e acompanhamento da famÃlia nos deveres de casa e pesquisa do aluno; a baixa autoestima, ao desinteresse, falta de esforço e indisciplina do aluno (?). Ora, creio que esta última questão esteja relacionada é diretamente com o professor, e não com o aluno, pois percebemos claramente a diferença de atenção e interesse dos alunos quando o professor é bom naquilo que faz.
 VEJAMOS AS CONDIÇÕES NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Qual é a escolaridade da maior parte das mães de crianças que estão no 9o. ano? A maioria (24%) terminou o ens. médio mas não completou a faculdade, e 23% completaram a 4.ª série, mas não completaram a 8.ª série (antigo ginásio).
 Qual é a proporção de jovens e crianças que nunca leem? De acordo com os dados, que incluem as leituras de livros, revistas, quadrinhos e jornais, as crianças (5º ano) tem mais o costume de ler e frequentam a biblioteca mais do que os jovens (9º ano) que quase não leem e passam o tempo mais na televisão e internet.
 O que a maior parte dos jovens pretende fazer ao concluir o 9o. ano? Continuar estudando e trabalhar (62%).
 Quais são os equipamentos de comunicação que jovens e crianças dispõem em casa? Maioria deles dispõem de televisão (98-99%), rádio (93-96%), videocassete ou dvd (91-92%) e computador (63-76%).
 Quanto tempo os alunos gastam assistindo TV, navegando na internet ou jogando jogos eletrônicos? Os jovens passam gastam muito mais horas realizando estas atividades do que as crianças repare:
Alunos do 5° ano:
1 hora ou menos: 37%
2 horas: 19%
3 horas: 12%
4 horas ou mais: 32%
 Alunos do 9° ano:
1 hora ou menos: 20%
2 horas: 19%
3 horas: 20%
4 horas ou mais: 41%
PROFESSORES
Dos professores em Matemática e Português: qual é a prática pedagógica mais comum? Dos professores de Matemática, fazer exercÃcios para fixar procedimentos e regras (83%) e falar sobre suas soluções, discutindo os caminhos usados para encontrá-las (80%). Dos professores de português, ler contos, crônicas, poesias ou romances (51%) e fazer exercÃcios sobre gramática relacionados com textos de jornais ou revistas (49%).
 Dos professores em Matemática e Português: qual é a prática pedagógica mais Incomum?
Professores de Matemática: lidar com temas que aparecem em jornais e/ou revistas, discutindo a relação dos temas com a matemática, 30%.
Professores de Português: ler, discutir com colegas e escrever textos relacionados com o desenvolvimento de projeto temático (34%).
 Registre fatos que na sua visão dificultam a aprendizagem. Justifique. A meu ver, a maioria das escolas, pelo menos no RS, tem uma boa infraestrutura nas escolas, e pelos dados do 9°ano, percebo que mais de 50% gostam da matéria (português e/ou matemática). Por isso levo a crer que a dificuldade na aprendizagem está no professor, na forma com que ele ensina; na maneira com que ele dá a matéria, isso se é que as matérias que ele dá não estão defasadas.
 Destaque fatos que na sua visão melhoram a aprendizagem. Justifique. Para mim, melhora a aprendizagem a teoria-prática, quando relacionamos os conteúdos com notÃcias, fatos, cotidiano, ou seja, trazer à tona as novas tecnologias e os temas atuais.