Confessional Treze
Céu claro, nuvens fofas de algodão flutuavam placidamente, raios de sol aqueciam a terra e a brisa leve espalhava o perfume suave das flores. Nada parecia fora do lugar, o dia estava calmo. Mas para quem cresceu aprendendo a ler sinais no ar, o dia estava calmo demais. Só os pêlos se eriçando na nuca te alertaram. Mas não seria o suficiente de qualquer forma. Em uma fração de segundo, o que era luz, brisa e pássaros cantando se tornou uma tempestade de raios e de vento. O dia que estava calmo tomou a forma de um furacão e você não soube dizer o motivo. E no olho do furacão não se enxerga, não se ouve. Se sente. Se espera. E se agarra à própria fundação. Não adianta muito procurar culpados. É a natureza das coisas: às vezes não é sobre entender, mas sobre se permitir sentir o que estava represado. Às vezes o que era calmaria se torna um dique estourado, levando lama e destruição, mas lavando da estrutura tudo o que já não serve. Mesmo que doa. Especialmente se doer. Nem tudo que dói é para o nosso bem. Normalmente, dor é só dor. Nós só vamos tirar um possível benefício depois que a dor não machuca mais. Quando é cicatriz. Quando é só uma memória desconfortável e um lembrete para não caminhar naquele local de novo sem nenhum equipamento de segurança básico. Mas enquanto dói, deixa doer. É seu direito humano sentir dor. Confusão. Injustiça. Raiva. Ódio. Medo. Só não deixe que os sentimentos vençam. Você vence no final. Sempre venceu todas as vezes. Vai vencer mais uma. E mais uma. E mais uma. E mais uma. - 29 de março de 2026



















