Alfred Kubin (1877–1959), “Die Pest” (The Plague), c. 1902
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Alfred Kubin (1877–1959), “Die Pest” (The Plague), c. 1902

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Pandemic days
@fernandoflessati
Efemérides
Cinco años de la pandemia, cinco años desde que dijeron eso de que íbamos a salir mejores...
Hablamos de todo ello en el nuevo número de @el.estafador
#covid #pandemia

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Observados coágulos fibrosos brancos incomuns em cadáveres
Um levantamento internacional realizado ao longo de quatro anos com 808 embalsamadores de cinco países documentou um fenômeno que vem despertando crescente interesse entre pesquisadores da área forense: o relato recorrente da presença de estruturas fibrosas brancas, resistentes e incomuns no interior de artérias e veias de cadáveres embalsamados. Publicado na revista científica International Journal of Innovative Research in Medical Science, o estudo constatou que entre 66% e 83% dos profissionais consultados afirmaram ter observado essas formações, cuja incidência, segundo suas estimativas, atingiria entre 19% e 27% dos corpos preparados para embalsamamento. Embora os autores enfatizem que a pesquisa não estabelece a origem nem a causa dessas estruturas, os resultados revelam um aumento consistente desses relatos a partir de 2020–2021 e defendem que o fenômeno representa um potencial sinal de alerta científico, justificando investigações independentes com análises histopatológicas, bioquímicas e espectroscópicas para determinar sua composição e esclarecer sua etiologia.
Um levantamento internacional realizado ao longo de quatro anos com 808 embalsamadores de cinco países documentou um fenômeno que vem desper
A Lua
O planeta Terra, em sua existência milenar, mais uma vez enfrentou uma catástrofe: a pandemia de Covid-19. Hospitais se transformaram em cenários de guerra, profissionais da saúde lutavam contra o burnout e o medo, fazendo das tripas coração para salvar o máximo de vidas que pudessem. Mães, pais e filhos, homens e mulheres, adultos e crianças, todos sem exceção foram atingidos diretamente — contraindo a doença — ou indiretamente - com o decreto de quarentena e outras restrições por mais de um ano — pelo vírus que até hoje carrega controvérsias sobre sua verdadeira origem, beirando desde teorias da conspiração a um mero acidente. Depois da primeira vacina anunciada, a vida da humanidade voltou aos trilhos da normalidade aos poucos. Mas para Joana, nada mais foi o mesmo. Embora, felizmente, ela não tenha perdido nenhum familiar ou entrado num estado depressivo por conta do isolamento forçado — sabia que algo estava errado, e não era consigo mesma ou com as pessoas ao seu redor.
Era com a Lua.
Joana passou muito tempo a observando durante a quarentena. Pela janela do seu quarto no segundo andar da casa ela contemplava o caos causado pela pandemia, e à noite, a luz lunar iluminava a escrivaninha onde ela documentava aquele período desastroso em seu diário. Também fazia anotações sobre a própria Lua - um novo interesse descoberto no confinamento -: como ela estava naquela noite, qual seria sua influência nos oceanos e mares do mundo, fases e até mesmo contos antigos envolvendo o satélite. Então sim, ela sabia que algo estava muito errado. A crença de sua infância em que a Lua a seguia estava se tornando real. Ela sentia que aquela rocha espacial estava observando-a, mesmo de dia, aparecendo timidamente entre as nuvens apesar do sol radiante, e à noite essa sensação se intensificava pois na escuridão, Selene se destacava e cumpria sua missão: iluminar os caminhos das criaturas noturnas. Ela tentou rir de seu pensamento bobo, dizendo que era apenas o cansaço ou o deslocamento social após um período sem contato com outras pessoas. Joana sempre olhava para o céu em busca da presença do que um dia já foi seu objeto de observação. Seu hábito de sempre verificar como o disco prateado estaria naquela noite também se intensificou numa tentativa de se esconder do astro o melhor que pudesse. Nas noites em que a Lua era cheia, Joana fechava as cortinas para fugir do brilho prateado, mas a luz penetrava pelo tecido e se estendia até a cabeceira da cama como uma mão tenebrosa e de unhas grandes, tentando alcançar os cabelos castanhos de Joana num afago medonho. Enquanto o resto do mundo se desprendia do pânico da pandemia, Joana se tornava mais reclusa e temerosa para sair de casa como se algum demônio a estivesse esperando depois da porta de casa. Seu desconforto transparecia em seu rosto que já fora sereno e belo, e agora estava marcado pelo medo; as bochechas grandes haviam desaparecido, dando lugar às saliências dos ossos, seus lábios que despertavam o desejo de vários meninos estavam ressecados, e olheiras profundas decoravam seus olhos castanhos dando um tom melancólico para eles. Seus pais, colegas e até mesmo a psicóloga desacreditaram quando ela contou o que estava acontecendo, Joana sabia que aos olhos deles, ela estava enlouquecendo — que “merecia atenção psiquiátrica”, dizia a psicóloga.
A solidão de carregar uma ameaça invisível pesava mais do que a ameaça em si. Se não estivesse vivendo aquilo, ela também jamais acreditaria se alguém lhe contasse que estava sendo perseguido pela Lua.
O terror começou a tomar seus sonhos. Acordava subitamente nas madrugadas, suando frio e com o coração acelerado. Nos sonhos, a Lua era diferente: a luz prateada era cegante, o que tornava mais bizarro a face estranha que surgiu em Luna, traços que Joana reconheceu como humanos mas as proporções lhe causavam estranheza — olhos grandes que ocupavam todo o círculo lunar, mas um era perfeitamente redondo e o outro estreito e inclinado; as pupilas eram pequenas demais e não estavam alinhadas, dando a impressão que observavam direções distintas. As narinas eram assimétricas, e a boca, larga demais e exibia um sorriso artificial e permanente com dezenas de dentes perfeitamente finos e alinhados. As orelhas ficavam em posições diferentes. Joana sempre se encontrava numa espécie de gaiola, como se aquela figura extravagante e medonha fosse um ser humano observando a tristeza de um passarinho enjaulado. Sim, era assim que Joana se sentia desde que tudo aquilo começou: um passarinho na gaiola sendo observado pelo meliante que a capturou.
Dessa vez, parecia mais real. A Lua, ou o que quer que fosse aquilo, movia a bocarra em sílabas que Joana não conseguia decifrar. O olho mais estreito agora estava arregalado, e as narinas dilatadas. O brilho que cegava começou a diminuir e a gaiola balançava como se estivesse acontecendo uma forte ventania. Mas ali não tinha vento, chuva ou qualquer outro fenômeno, era apenas ela e a criatura que fingia ser a Lua. Ou aquela seria a verdadeira forma do satélite? Se não fosse tão desesperador, Joana comemoraria por ter descoberto o “outro lado da Lua” que tantos cientistas gostariam de registrar numa fotografia. Segurando nas grades para se manter firme, Joana esperava acordar logo daquele pesadelo, e prometeu a si mesma aceitar que estava ficando louca e procuraria ajuda psiquiátrica. A criatura, contrária aos planos de Joana, começou a girar numa velocidade que causou tontura aos olhos de Joana. Ela estranhou e um medo profundo se instalou em seu interior: a Lua se mantinha imóvel o tempo todo, e por que agora ela estava se movimentando daquela forma? A luz estonteante estava se apagando como uma lâmpada velha em curto circuito, e a gravidade causada pelo giro da Lua provocava movimentos ainda mais bruscos na gaiola e Joana se segurava com toda a força que seu corpo magro e cansado ainda possuía. Pedaços rochosos começavam a se soltar da Lua, grandes e pequenos, voavam com toda força em todas as direções, naturalmente atingindo Joana. Um filete de sangue quente escorreu da testa, passando pelo olho esquerdo.
E ali, Joana percebeu: ela não iria acordar. O cérebro humano não consegue reproduzir a morte.
Total confianza con estos mangarras subnormales.