Carrego a mudança em meu ventre.
A dor de ter que me parir
in - can - sa - veis vezes
e morrer
per - sis - ten - te - men - te.
Para construir, eventualmente
é preciso
destruir.
Não se pode remendar
o que já não se sustenta.
É ter que suportar o peso
da própria existência
que pesa
pesa
pesa.
Acreditar no (im)possível me deixa rouca,
me deixa roxa,
com a cabeça cheia de tombos
e um punho dilacerado
de tanto esmurrar
pontas de faca
na tentativa de prosseguir
viva.
Fera enjaulada,
artista da fome.















