â Toma açaĂ comigo â vocĂȘ começou, balançando Haechan de um lado pro outro. Ele continuava mexendo no celular, completamente tranquilo, como se vocĂȘ nĂŁo estivesse perturbando â o que era irĂŽnico, jĂĄ que ele fazia o mesmo com vocĂȘ o tempo todo.
â TĂŽ sem grana.
â Ai, que saco⊠sĂł tenho amigo duro.
â Sou teu amigo por acaso? â ele questionou, finalmente largando o celular pra te encarar.
VocĂȘ revirou os olhos, segurou o rostinho dele e beijou seus lĂĄbios, que automaticamente fizeram um biquinho, como se jĂĄ esperassem por aquilo.
VocĂȘ riu â e riu ainda mais quando ele começou a cutucar suas costelas, fazendo cosquinhas enquanto te deitava no sofĂĄ do apĂȘ dele. Haechan sĂł parou quando lĂĄgrimas se acumularam no cantinho dos seus olhos de tanto rir.
â Quer que eu peça pelo iFood ou cĂȘ quer sair?
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compra presentes pra vocĂȘ sem data especĂfica, simplesmente porque passou por alguma loja e lembrou de vocĂȘ;
ficou ridiculamente feliz quando soube que vocĂȘ gosta de animais, porque ele ama a Daegal e quer que vocĂȘ participe da experiĂȘncia de cuidar dela;
ama quando vai nos shows dele, e faz questĂŁo de ficar na ĂĄrea do palco mais perto de vocĂȘ, te procurando na multidĂŁo, e assim que acha, faz vĂĄrias poses pra vocĂȘ;
eu queria que vocĂȘ fosse o meu mais pequeno mundo, onde eu iria ser o morador de seu coração pulsante.
eu te amo tanto que chega a doer.
quando vocĂȘ canta pra mim eu sinto que estou me apaixonando por mais um de todos esses teus detalhes que te fazem tĂŁo incrivelmente lindo, por dentro e por fora.
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â Vem logo! A ĂĄgua tĂĄ sensacional! â Jaehyun chamou.
VocĂȘ sorriu, sentada na areia daquela praia remota, sem saber o que fazer. Era um biquĂni preto modesto, mas, mesmo assim, vocĂȘ sĂł conseguia pensar nas suas imperfeiçÔes â no excesso de gordurinha aqui e ali. Fez que nĂŁo com a cabeça, esperando que Jaehyun ficasse satisfeito com o gesto, mas ele insistiu:
â Se vocĂȘ nĂŁo vier, vou te buscar aĂ!
VocĂȘ amava ĂĄgua, e Jaehyun sabia que a sua insegurança nĂŁo estava nas ondas calmas. Mesmo te conhecendo hĂĄ apenas duas semanas, jĂĄ tinha sido o bastante para participar de um jantar em famĂlia e ser bombardeado por fotos suas de quando era menininha, histĂłrias antigas e seus tios dizendo que ele estava muito branquinho e precisava se bronzear. Jaehyun assentiu, concordando com a cabeça enquanto olhava apenas para vocĂȘ.
Aquilo fez vocĂȘ se arrepender por ter demorado tanto para se juntar a ele. VocĂȘ se continha para nĂŁo corar mais do que jĂĄ estava, sentindo o coração quente, tal qual o rosto. Respirou fundo quando ele afastou seus cabelos para trĂĄs. Jaehyun definitivamente nĂŁo era um tonto â e definitivamente nĂŁo gostava quando vocĂȘ se escondia.
â NĂŁo tem por que se esconder de mim, princesa.
Jaehyun acariciou seu rosto, ambas as mĂŁos sobre suas bochechas, os polegares alisando sua pele com um carinho que nenhum homem antes havia direcionado a vocĂȘ. Colheu a lĂĄgrima que escorreu sem que vocĂȘ percebesse, e vocĂȘ sorriu, pensando no quanto ele devia te achar uma idiota.
VocĂȘ riu, concordando com um leve aceno de cabeça, envolvendo a cintura dele com os braços.
â Ă⊠eu nĂŁo sou, nĂŁo.
â Mas eu acho que sou galanteador. Um pouquinho â provocou, mordendo o seu lĂĄbio inferior de propĂłsito, sĂł para comprovar a prĂłpria suspeita.
VocĂȘ se afastou em resposta, mas Jaehyun capturou sua mĂŁo, descarado, admirando cada centĂmetro do seu corpo sem vergonha nenhuma. VocĂȘ o chamou pelo nome, fazendo sinal para que ele focasse nos seus olhos, e, quando enfim as mĂŁos se desvencilharam, vocĂȘ sorriu, contemplando o seu amor de verĂŁo.
recadinho da sun: escrevi isso, nĂŁo tĂĄ grande coisa, mas eu amei porque ficou autĂȘntico e muy fofito!! espero que vocĂȘs gostem!! amo vocĂȘs!! âĄâžâž
㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀TOCANDO AGORA
㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀Come Around Me â Justin Bieber
㠀㠀㠀VocĂȘ era completamente obcecada por mĂșsica. Seus pais tinham grande influĂȘncia nessa paixĂŁo â na verdade, toda a famĂlia tinha. Todos estavam com um pezinho no meio artĂstico.
Sua mĂŁe jĂĄ era uma bailarina esplĂȘndida antes mesmo de vocĂȘ nascer, uns 26 anos atrĂĄs. Sua irmĂŁ mais nova tinha acabado de iniciar uma carreira sĂłlida nos palcos de teatro, em musicais que te faziam chorar. Seu pai era o melhor maestro do mundo â pelo menos diante do que vocĂȘ escrevia nas cartinhas de Dia dos Pais.
Foi no finalzinho do Ășltimo perĂodo que percebeu: queria ser produtora musical.
Desde entĂŁo, ajudou amigos a entrarem no mercado musical, viajou pra lugares que nunca imaginou conhecer, passou vergonha pronunciando palavras erradas â mas, no final, sempre levava alguma cantada de um cara charmoso.
â Eu tĂŽ atrapalhando?
VocĂȘ olhou pro lado, saindo do transe em que vocĂȘ mesma tinha se colocado. O estĂșdio era grande em comparação com aquele em que trabalhou quando se formou, anos antes. Seus colegas estavam distantes de corpo â nĂŁo de mente, como vocĂȘ.
Mark se sentou na poltrona ao seu lado.
Mark Lee?
â Ai, meu Deus â vocĂȘ murmurou, esfregando os olhos, repreendendo-se no mesmo instante ao lembrar do rĂmel.
Devia ser uma sina sua gostar de canadenses.
A coisa começou com Justin Bieber e a frustração de não ter sido uma one less lonely girl. Depois se estendeu pro Shawn Mendes, Zion Kuwonu e⊠Mark Lee.
VocĂȘs tinham se conhecido hĂĄ um ano. VocĂȘ nem sabia direito quem ele era â na verdade, sabia da existĂȘncia de um grupo, mas nĂŁo os nomes.
E chegar atrasada naquele evento realmente nĂŁo estava nos seus planos.
No entanto, vocĂȘ ficou encarregada de levar seu cachorrinho ao veterinĂĄrio naquela quarta-feira.
Foi o encontro mais clichĂȘ possĂvel â daqueles que passam na SessĂŁo da Tarde toda semana.
VocĂȘ esbarrou com tanta força em Mark que seus fones voaram longe. Mesmo preocupada com os fones bluetooth carĂssimos â e definitivamente sem vontade de escutar o mundo lĂĄ fora â vocĂȘ olhou pra ele.
Foi muito bom olhar pra ele.
Quatro meses atrĂĄs, ele esteve no concerto da sua irmĂŁ. VocĂȘ recebeu um beijinho na bochecha e uma promessa de que ele voltaria.
VocĂȘs nĂŁo namoravam, nem nada disso. VocĂȘ entendia a posição dele.
No fundo, sĂł nĂŁo queria admitir que gostava dele. Do tipo querer andar de mĂŁos dadas.
â O que vocĂȘ tĂĄ fazendo aqui? â vocĂȘ perguntou, interessada, com um sorriso surgindo sem aviso.
â Sabia que a gente tem alguns colegas em comum â ele apontou discretamente pra um amigo seu no estĂșdio.
VocĂȘ assentiu.
De repente, começou a reparar em si mesma. Mark estava perfeito, como nas outras vezes em que se viram pessoalmente â trĂȘs, se contasse a vez em que vocĂȘ estava na multidĂŁo (embora duvidasse que ele tivesse te visto).
Seu cabelo parecia oleoso? Mesmo tendo lavado no dia anterior?
O rĂmel estava borrado?
E o batom?
Era sĂł um gloss quase sem cor, mas ainda assimâŠ
Trabalhar como recepcionista numa academia tinha seus prĂłs e contras. Os prĂłs eram simples: um bĂceps exposto depois de uma nota ruim jĂĄ era suficiente para melhorar o seu humor; as interaçÔes com clientes e funcionĂĄrios eram leves, quase sempre agradĂĄveis. Ăs vezes, te chamavam de ârisadinhaâ â nĂŁo sĂł porque vocĂȘ era naturalmente sorridente, mas porque, vez ou outra, deixava escapar um risinho meio porquinha, sem perceber.
Os contras, por outro lado, eram inevitĂĄveis: se comparar com mulheres de corpos impecĂĄveis que passavam por vocĂȘ o tempo todo⊠e desenvolver uma nova paixonite a cada semana.
Na Ășltima, tinha sido Kihyun.
â O Kihyun nĂŁo vem? â vocĂȘ perguntou a Johnny, os olhos inquietos varrendo a porta de entrada, como se ele pudesse surgir a qualquer segundo.
Johnny negou com a cabeça, e foi o bastante para vocĂȘ murchar.
Jaehyun jĂĄ nĂŁo era novidade. Na verdade, tinha sido um marco: duas semanas inteiras indo ao bebedouro da academia com a desculpa esfarrapada de encher a garrafinha dâĂĄgua, sĂł para observĂĄ-lo entre um aparelho e outro. Em uma dessas vezes, vocĂȘ quase deu de cara com a parede â a de verdade, infelizmente, e nĂŁo o peitoral de algum cara gostoso. Uma pena.
VocĂȘ nĂŁo gostava de fofoca, mas Johnny era a exceção. Era o personal trainer em quem vocĂȘ mais confiava, aquele que te protegia como se vocĂȘ fosse, de fato, sua irmĂŁ mais nova.
Tinha cogitado contar ao Changbin, mas entre vocĂȘs sĂł existiam histĂłrias engraçadas â e vocĂȘ nĂŁo queria manchar aquilo com algo que se aproximava demais de um incĂŽmodo real.
Porque era isso que vocĂȘ sentia: incĂŽmodo.
â De novo?
â Sim, euâŠ
Foi entĂŁo que vocĂȘ o viu.
E, de repente, tudo fez sentido.
VocĂȘ esperava, sinceramente, que ele começasse a frequentar a academia na semana seguinte â nĂŁo por qualquer motivo nobre, mas porque precisava de um novo alvo para os seus olhares descarados. Ele parecia uma boneca de tĂŁo perfeito.
VocĂȘ ajeitou o cabelo quase por reflexo â e Johnny percebeu na hora.
VocĂȘ sorriu, um pouco envergonhada por ter falado tanto antes mesmo de se apresentar. Haechan retribuiu com o mesmo tipo de timidez doce e, naquele instante, vocĂȘ teve vontade de simplesmente⊠voar nele.
Nos dias seguintes, ele passou a frequentar a academia com uma regularidade quase religiosa. Ăs vezes, ficava parado ao lado de algum aparelho, claramente perdido, encarando o prĂłprio celular enquanto fingia entender o que estava fazendo. Os QR codes estavam ali para ajudar, mas ele parecia mais interessado em disfarçar a confusĂŁo do que em resolvĂȘ-la.
Qual era o problema desses homens? De onde vinha essa convicção irritante de que podiam tudo? Ele realmente achava que vocĂȘ se impressionaria com dois carros na garagem â sendo que um nem era dele?
Ou com a cadeirinha infantil no banco de trĂĄs?
Que ridĂculo.
â Amor!
VocĂȘ se virou imediatamente.
Reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
Por um segundo â um Ășnico segundo â, o pior passou pela sua cabeça: ele tinha namorada. Era claro. Era Ăłbvio. Homens eram assim, nĂŁo eram?
Mas nĂŁo.
Ele estava olhando para vocĂȘ.
â Amor, vocĂȘ tĂĄ bem?
VocĂȘ ficou imĂłvel, surpresa demais para reagir. Estar fora do balcĂŁo facilitou quando ele se aproximou e deixou um beijo leve na sua bochecha, murmurando baixinho:
â Confia em mim.
â TĂŽ bem, amor â vocĂȘ respondeu, entrando no jogo, ainda que o coração estivesse completamente descompassado.
Don LotĂĄrio finalmente perdeu aquela expressĂŁo nojenta. Haechan nem sequer olhou para ele â toda a atenção dele estava em vocĂȘ.
E, de alguma forma, aquilo bastava.
â Te levo pra faculdade hoje?
VocĂȘ assentiu.
Nem percebeu quando o outro homem foi embora, derrotado, levando consigo as caixas de bombom e o ego ferido.