Da criação
Eu já quis fazer várias coisas. Já quis fazer Enfermagem, uma ideia absurda para alguém como eu, que chega a passar mal quando vê agulhas. Também já quis fazer Direito, Design, já quis até ser aeromoça, e não me pergunte o motivo. Mas foram várias vontades que vieram e foram, com o passar dos anos e das minhas mudanças. Mas um dos interesses que se manteve ao longo desse tempo é pela escrita. Bom, ainda gosto muito de desenhar. Também fiz, por um tempo, um curso de teatro, mas por alguns motivos, acabei abandonando. Quem sabe, um dia, eu volto.
Mas, voltando para a escrita, acho algo fascinante. Sempre sonhei em escrever algo, de preferência romances (thriller, terror, drama, entre outros gêneros), ter o poder de criar um universo paralelo onde eu pudesse entrar, mexer todas as suas estruturas, combinar e recombinar todos seus elementos para surgir algo novo. Mas, sempre que eu tento escrever algo mais sério, para além dos textos sobre cotidiano ou apenas para exercitar a escrita, sinto que tudo sai muito clichê. Ou apenas mais do mesmo. Tudo parece ser algo que já vi em algum filme, que já li em algum livro, como uma cópia sem graça. Penso numa personagem, mas ela parece uma caricatura. Penso numa motivação, mas parece muito infantil ou raso.
Mas não é como se eu tivesse desistido disso. Lá no fundo, ainda tenho algumas ideias, ou ao menos, um esboço amorfo de uma ideia que, talvez, seja promissora. E é comum termos algumas ideias que parecem absurdas ou mesmo nada inovadoras, e quando pensamos nelas, as descartamos. Mas, e se essa ideia (ou “proto-ideia”, enfim) puder ser lapidada para algo mais concreto? Ou se pudermos guardar essa ideia até que emadureça, para gerar mais frutos doces? Eu sempre joguei fora tudo que dava errado, algum desenho que não me agradou, textos que eu achava muito melodramáticos ou mal escritos, tentativas frustradas de aprender algo. Minha vó costura e, em um belo dia, tentou me ensinar a mexer na máquina de costura. Mas eu simplesmente estraguei aquele pedaço de pano, não consegui e deixei pra lá. Fui para meu quarto estressada, pensando que não era para mim. Mas eu deixei pra lá na primeira tentativa. E se eu persistisse por mais algumas vezes, eu teria conseguido costurar uma calça, ou um remendo qualquer?
Já estou pensando há algum tempo em aprender bordado. Também tenho me interessado mais em voltar a escrever, mesmo que eu fique um longo período sem escrever nada; em desenhar, em aprender a criar algo com as minhas mãos. Pode ser bobo e só ilusão da minha parte em achar que posso ter algo de especial (para além dessas reflexões se somos especiais ou só mais alguém nesse imensidão do universo...), mas às vezes, assim como todo mundo, eu sinto algo dentro de mim, que precisa ser expressado, transbordado. Mas não basta simplesmente sentir isso e esperar que esse processo ocorra de forma perfeita, que basta sentir para escrever um grande livro, ou para pintar uma gloriosa tela, uma bela arte pronta para ser exposta e apreciada. Até mesmo a expressão de algo que parece natural exige trabalho e dedicação. Não basta sentir, deve-se saber a melhor forma de suportá-lo, de transmiti-lo. Não basta ter uma ideia, deve-se aprimorá-la, alimentá-la, cuidar como um filho, sua própria criação, e saber como colocá-la no mundo. Portanto, quando tiver uma ideia, não descarte-a por impulso, mesmo no primeiro momento de frustração. Guarde-a bem, cuide bem daquilo que tem muito de você.

















