eu te namoro antes de ser tua
Sacudi meus lençóis e nĂŁo tirei as evidĂȘncias da sua estadia curta. VocĂȘ, que adormece tĂŁo logo se deita, despertou algumas perguntas que quero responder. Deixei de lado essa minha constante repetição, o temor constante de saber o que acontece no seu lado do abismo. Investigo seus olhos, seu nariz, sua boca rosada, seus cĂlios longos. Nos cinzas-acastanhados da sua Ăris procuro resposta, exausta apĂłs fingir de cega tanto tempo. Nos meus castanhos profundos, quase negros, vocĂȘ enxerga perguntas que julga saber a resposta. Julga saber tudo de mim porque deixei tocar minha pele, julga saber tudo de mim porque me viu adormecer em paz algumas vezes. Me peguei pensando numa tarde, olhando pela janela, se a paz Ă© vocĂȘ. Te empresto de mim com tanta frequĂȘncia que mais parece jĂĄ ter parte sua por aqui. Te deixo tomar conta de mim por algumas horas e meu peito jĂĄ tem teu nome nas discagens de emergĂȘncia.
[vocĂȘ Ă© algo que hĂĄ muito tempo eu nĂŁo via hĂĄ muito tempo eu nĂŁo tinha]
Meu peito sacudiu, cheio de terremotos prĂłprios, quando seus sentidos saĂram do vislumbre e invadiram meus tĂmpanos. Investigo sozinha o que quer dizer quando Ă© vocĂȘ quem o faz, buscando sentido alĂ©m da sua boca tĂŁo perto do meu ouvido. Te investigar Ă© sina, desejo, destino, procurando por mais que nĂłs entre os laços que vocĂȘ vem fazendo em minhas linhas mais soltas. Lugares invertidos, posiçÔes trocadas. VocĂȘ me devora com olhos, mĂŁos, lĂĄbios. Todos os caminhos jĂĄ conhecidos, jĂĄ compreendidos, nĂŁo me prepararam para lidar com a avalanche de te ver tentar me devorar com a alma.
[como sempre, como nunca eu te namoro antes de ser tua]





















