Pequeno trecho de La Rosey(ou one harry aluna quietinha e nota 10 sendo a putinha safada do professor Tomlinson)
Uma coisa que eu acho que não falei, essa será larry tradicional!
[...]
"—Quietinha, princesa. – a voz rouca sussurrou perto do ouvido de Harry, fazendo estremecer pela forma que foi chamado no feminino.
As mãos grandos do professor desceram pela cintura do garoto até o bumbum arrebitado, descendo lentamente a saia curtinha revelando uma calcinha branca de renda.
Louis não evitou sorrir ao ver o material do tecido, deixando a saia cair no chão e levando seus dedos para acariciar a renda delicada. Harry suspirava afetado um pouco ansioso e as pernas cobertas pela meia rosa agitadas ao ter as mãos do professor Tomlinson apalpando o seu rabinho tao gostoso.
Os dedos grossos deslizaram entre as bochechas gordas da sua bunda e o anelar parando bem em cima da entradinha coberta, pressionando o local e fazendo Harry pular de susto.
— Senhor Tomlinson... — o de cachinhos olhou para trás por cima do ombro, revirando os olhinhos verdes e gemendo manhoso quando ele não parou de acariciar superficialmente seu cuzinho.
Louis massageou o local sensível com cuidado, algumas vezes pressionando mais fundo quase entrando a pontinha para dentro do cuzinho apertado, fazendo o cacheadinho gemer manhosinho e desesperado.
— Eu mal toquei te toquei e voce ja esta gemendo como uma putinha. — zombou, apertando a pele gord e deixando um tapa estrelado na suas coxas. — Se empina direitinho pra mim, cadela.
— Sim, professor Tomlinson... AH! — gritou quando outro tapa atingiu sua bunda gordinha e em seguida sentiu os dedos de Louis se enrolarem no tecido da calcinha e afastarem pro lado, expondo sua entradinha gulosa.
Louis ficou fascinado com a visão que estava tendo, a bunda branquinha agora com algumas marcas vermelhas estava empinada na sua direção, o cuzinho apertado e rosado do seu aluno se contraia involuntariamente, pedindo para ser fodido, as coxas grossinhas se esfregando levemente uma na outra.
Harry estava completamente delicioso, parte do corpo inteiro apoiado na mesa de madeira grande, sua saia jogada entre o tornozelo, a blusinha de botões completamente amarrotada na cinturinha fina.
O de cachinhos olhava para Louis por cima do ombro, alguns fio de cabelo caindo na testa e grudando nas bochechas coradas, enquanto ele suspirava fortemente e afetado. Os olhinhos verdes
brilhando em desejo e ansiedade esperando que o senhor Tomlinson fizesse algo logo.
Sentia seus biquinhos sensíveis roçarem na mesa por cima do tecido fininho da blusa. Sua calcinha estava tão molhadinha. Harry estremeceu levemente quando sentiu beijinhos espalhados pela sua coluna, os lábios finos beijavam e chupavam sua pele imaculada ate sua bunda, dando uma leve mordidinha ali.
Os beijinhos seguiram por toda extensão da pele, ate que a língua molhada tocou o cuzinho apertado, fazendo o cacheadinho gemer alto. Tomlinson beijou com cuidado a entradinha gulosa, para então começar a chupar bem gostoso, deslizando sua língua lentamente, lubrificando o buraquinho apertado que iria foder."
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escrevi um capítulo de momrry e louddy agora e vou postar amanhã porque fiquei umas horas chorando vendo tiktok do harry mamãe e precisava escrever 👍👍👍 vem ai um capítulo extremamente autobiográfico
gente, ficariam animados caso eu terminasse essa hoje e postasse ainda hoje?
*.°•.*°•°.
— Viu um fantasma, coelhinha?
— Porfavor, p-porfavor não me m-mate! — seus soluços já poderiam ser escutados, sua voz trêmula de medo e gaguejando, mesmo que a máscara cobrisse o rosto do garoto, poderia sentir o olhar do outro preso em si. — E-eu faço qualquer coisa! Quer dinheiro? N-não me machuque por f-favor.
Ela falava choramingando, olhando para a tal pessoa que se escondia, cada vez mais o ghostface se aproximava de si, a fazendo recuar dois passos a cada um do outro, não tendo uma saída quando acaba caindo na cama, vendo o tal homem em pé na sua frente no meio de suas pernas
O canivete deslizava por suas coxas, a meia calça fina e barata se descosturando pela ponta fina da lâmina, deixando-a mais tensa, olhando tão chorona e com um bico nos lábios, mas sentindo aquela formigaçãozinha na sua bocetinha, se debatendo mentalmente por ficar levemente excitada nessas situações.
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Já tinham alguns dias que Harry andava me evitando.
Não saberia dizer se é proposital, e muito menos o que se passa naquela cabecinha. Mas eu percebi que isso começou em algum dia que ela voltou mais cedo do balé sem eu precisar ir busca-la. Desde então, ela vem agido... diferente.
Não tenho mais a oportunidade de abraçar sua cinturinha fina e cheirar os cachinhos arrumados, por algum motivo, ela sempre arruma uma desculpa para se afastar quando tento toca-la e me aproximar. Não se deita comigo no sofá para vermos algum filme agarrados por baixo do cobertor, e muito menos me deixa deslizar a mão pela sua coxa enquanto a acomodo do meu lado.
Os beijos doces de despedida que eu recebia na bochecha toda vez que ela saia também pararam, suas manhas e necessidade de esconder o rosto na curva do meu pescoço de repente viraram algo absurdo.
Eu não sou nenhum pouco idiota, sei que a forma como nos tratamos é estranha e diferente demais para dois melhores amigos. Mas Harry nunca pareceu se importar em me deixar acariciar sua cintura, cheirar seus cachos e beijar sua bochecha por tempo demais. A iniciativa de mudar nosso comportamento também jamais iria partir de mim. Não quando tudo que eu mais queria era arrancar aquelas roupas do corpo dela e experimentar o quão apertada sua bucetinha gulosa deve ser.
Eu sempre acreditei que minha melhor amiga era doce e inocente demais para ter essas segundas intenções, então me contento em aproveitar o máximo que posso de sua inocência, e claro, busco outros métodos para aliviar meu tensão por Harry.
A ideia de gravar vídeos íntimos surgiu da minha mente ardilosa quando Harry me contou que adorava se gravar enquanto dançava. Com sua voz doce e mansa, ela não notou a forma que meu pau endureceu no moletom quando ela disse que estava mais flexível e conseguia abrir mais as pernas.
Claro que ela obviamente falava sobre alguma posição do balé, e em dias comuns eu prestaria atenção em cada detalhe que ela me contava, mas acontece que naquele dia ela estava absurdamente gostosa vestindo um conjuntinho de academia e tudo que eu consiga pensar era segurar suas coxas e comer sua xoxota bem gostoso.
Nunca neguei que Harry era o meu tipo ideal, e sempre buscava garotas um tanto parecidas com ela para foder de vez em quando. Acontece que depois que eu passei a postar vídeos meus na internet, eu passei a ser um pouco conhecido para quem prestasse atenção, principalmente quando eu dava o azar de acabar na cama de alguma garota que reconhecia as minhas tatuagens. Em um desses péssimos dias, uma das garotas ficou interessada e perguntou se podia participar. Incrivelmente, isso me viciou.
Não posso dizer que já estive totalmente satisfeito alguma vez na cama, sei que só iria me sentir assim com Harry - o que eu também estava conformado que nunca iria acontecer. Então tinha os meus métodos, eu focava constantemente nos cachos castanhos e as vezes nos seios cheios que lembravam os que eu sempre quis. Todas as garotas com quem eu fodi, eu imaginava Harry naquela situação. Somente assim para eu gozar, infelizmente.
Eu pensava em como seria enfiar meu pau todinho na sua bucetinha gorda, nos peitinhos gostosos roçando no meu rosto, nos gemidinhos manhosos que ela soltaria. Na forma como ela iria implorar e ronronar no meu colo desesperada por um orgasmo. Eu não seria nada delicado, e eu sei que ela iria gostar.
Porra, eu me lembro bem de como aquela bucetinha pequena era gostosa. No dia que encontrei ela se empinando todinha, toda peladinha e exposta, apenas com aquela toalha minúscula que ela usava. Era quase insuportável conviver com ela e seu jeito provocante.
Minha boca salivou e meu pau fisgou na minha cueca apenas por olhar a xoxota carnudinha e extremamente vermelha. Eu tive que me masturbar três vezes depois que ela saiu de casa até me aliviar por imaginar o quão apertadinha ela deve ser. A imagem dela nunca saiu da minha mente. Eu não tinha certeza se ela tinha me escutado, ou se sabia o que eu estava fazendo naquele dia. Mas, de qualquer forma, eu venho notado um comportamento peculiar vindo de uma gatinha tão inocente.
Harry anda me evitando, sim, mas quando acaba que eu consigo pega-la desprevenida e a agarrar por trás, eu sinto o corpo inteiro dela se estremecer. Ela passa horas no quarto, trancada, e quando sai, está com as bochechas coradas, os cachos molhados depois de um banho quente e sua pele avermelhada. E eu noto o quanto ela anda sensível - muito mais do que ela já, se é que isso é possível.
Me parece sujo demais deduzir o que Harry anda fazendo as escondidas, e por isso fica tão envergonhada quando me vê e eu pergunto se esta tudo bem. Mas é excitante demais a ideia que minha gatinha esteja fazendo coisas inapropriadas, e se aliviando sozinha.
Na quarta-feira a noite acontece algo que me prova quase tudo que eu estou pensando. Harry saia de um banho quente e demorado, suas bochechas estão coradas, pele avermelhada e vejo que ela esta ofegante e sonolenta. Ela já esta de pijama, vestindo um conjuntinho rosa. Minha mente traçando possibilidades do que ela poderia estar fazendo dentro daquele banheiro. A observo se dirigir para a cozinha alheia a qualquer coisa ao seu redor. Ela não percebe quando eu me aproximo dela e agarro sua cintura, a fazendo pular de susto e tentar de afastar. Mas eu não deixo, a puxando mais para mim, e abraçando sua cintura.
- L-Lou! - ela morde os lábios apreensiva e se vira para mim. Suas mãozinhas pousando no meu peito e seus cachos na altura do meu queixo. - V-você me assustou...
- O que você tem, Haz? - Aperto sua cintura de propósito, somente para vê-la estremecer e morder os lábios enchidinhos. - Parece que anda vendo o bicho-papão
- N-não! Não é nada, Lou. O que você esta dizendo?
Ver ela gaguejar e sorrir nervosa faz a minha mente viajar por tantos cenários impróprios. Me sinto um merda por deixar meu olhar escapar pros seus seios gostosos subindo e nascendo na minha frente, por ela estar ofegante. A ideia de que eu posso ter deixado ela molhada me tira o juízo.
- Só estive pensando... - aproximo nossos rostos e sinto sua pele por cima do pijama queimar no meu toque. - Você tem sido uma gatinha tão manhosa, fiquei preocupado que algo tivesse acontecido. Não tem nada pra me contar?
Vejo os olhinhos verdes se arregalarem levemente, sua bochecha queimar e pequenas lágrimas se acumularem no canto dos seus olhinhos. Harry nega sutilmente com a cabeça e sua reação só deixa meu pau mais duro na minha cueca.
- N-nao... Lou, não t-tenho. - ela engole seco e eu passo alguns segundos a encarando, me deliciando da sua expressão toda chorosa e dengosa nos meus braços.
- Ótimo, gatinha. Vou ir deitar. - digo por fim, finalmente soltando seu corpo e não resisto em apertar suas bochechas antes de ir para o quarto, a deixando sozinha na cozinha.
ᥫ᭡
É sexta-feira novamente, então, apesar do afastamento de Harry e de como as coisas andam mais intensas, é nosso costume eu vir buscá-la no balé e irmos para casa assistir filmes enquanto tenta me convencer de comer a pipoca doce de caramelo que ela sempre faz.
Por isso, me encontro caminhando pelos corredores do estúdio de dança que ela tem aula, indo em direção a sala de ensaio. Já passa um pouco mais das sete e meia, então sei que sua aula já acabou e ela provavelmente está se trocando.
Não pretendo provocá-la me intrometendo em sua aula somente para vê-la vestindo seu conjuntinho de balé com suas coxas roliças se apertando tão deliciosamente naquela meia calça rosa. Ela fica absurdamente gostosa e eu adoraria rasgar aquela meia de tecido delicado. Harry me tira completamente o juízo e eu preciso me controlar para não ficar de pau duro no meio do corredor.
- Louis! Que surpresa.... - Não evito um suspiro pesado ao ouvir a voz melodramática me chamando e me viro lentamente para encarar a garota parada no batente da porta.
- April. Oi. - Não tento ser agradável e nem um pouco educado, sei que Harry não esta por perto para eu ter que me forçar uma simpatia que não tenho.
Sei muito bem que April tenta flertar comigo em todas as oportunidades possíveis, e se fosse qualquer outro cara já teria caído nos encantos dela, mas não comigo. Desde o dia que Harry me confessou o quanto a loira é antipática com a minha gatinha, eu não faço muita questão de tentar simpatia. Loiras não fazem meu tipo de qualquer forma.
Cachos são o meu tipo. Cachos castanhos, lábios gordinhos e covinhas e olhos verdes.
- O que faz aqui? - ela morde os lábios e se aproxima de mim, sorrindo de um jeito que me dá tédio.
- Estou procurando a Harry. - digo rápido e observo seu sorriso mudar para um mais sarcástico e isso me irrita. - Já são sete e meia.
April me olha um pouco confusa por alguns segundos e depois murmura um som de entendimento e ri baixinho. Me controlo para não revirar os olhos e sair andando atrás da minha gatinha.
- Sim, mas... não teve ensaio hoje, nossa professora precisou se ausentar. - ela diz como se fosse óbvio e balança a cabeça. - Harry não te avisou?
A informação me atinge como uma água fria e eu esfrego os dedos nos meus olhos fechados com força. As lembranças de hoje pela manhã chegando na minha mente. Harry em uma camisola pequena demais. Seus cachos estão bagunçados e bochechas coradas. Ela esta sonolenta e caminha na minha direção esfregando os olhinhos. Ela diz alguma coisa sobre consulta médica, ensaio adiado e morango no café da manhã.
Mas tudo que eu consigo prestar atenção é em suas coxas grossinhas expostas, no contorno dos seus peitinhos gostosos no decote e no seu bumbum arrebitado rebolando de volta para seu quarto quando ela nota meu olhar nada discreto no seu corpo.
- Droga... eu esqueci disso. - April ainda esta me olhando de um jeito estranho e eu aceno para ela. - Certo, eu já vou indo, então.
- Esta... tudo bem, Louis? - Ela diz novamente com intenção na sua voz. - Digo, entre você e Harry...
- Como assim? - franziu o cenho e a expressão da loira agora é como se ela estivesse preocupada. - Claro que estamos bem.
Sei que minha frase soa mais como se estivéssemos em um relacionamento, mas eu não me importo.
- Ah, você sabe... Lou, eu fiquei preocupada se Harry tivesse se incomodado com o que eu disse. - Ela ri baixinho e passa os olhos pelo meu corpo.
- Do que você está falando? - digo impaciente pela possibilidade dessa garota ter magoado minha gatinha de novo e por seu olhar em mim.
- Eu sei que ela é toda tímidazinha e tal, mas eu disse que ela não precisava ter ciúmes, não é? - ela se aproxima devagar e sua mão se ergue para tocar meu braço. - Afinal, vocês são melhores amigos e... são apenas alguns vídeos.
O entendimento cai em mim e fecho os olhos com força.
Harry descobriu.
Estou fodido.
ᥫ᭡
Sempre pensei na possibilidade de simplesmente contar a Harry tudo que eu sinto por ela. Abrir meu coração e meus sentimentos. Ser totalmente sincero. Já planejei inúmeras vezes como abordar o assunto e comentar sutilmente sobre, mas, todas as vezes que as palavras estavam quase saindo de mim, algo me para.
Seja no dia em que ela me contou em ligação que teve seu primeiro beijo com um garoto da sala de biologia - eu estava em semana de provas da universidade, então não pude dirigir até nossa cidade e quebrar a cara do garoto. Sorte dele, acredito. Ou quando éramos crianças e ela me chamava de irmão-de-alma enquanto segurava minha mão e deitava sua cabeça no meu ombro. Sempre parecia que tinha algo impedindo que eu pudesse falar sobre como me sentia.
Sempre que deitamos juntos no sofá, Harry em cima de mim enquanto eu mexo no seus cachinhos bagunçados, e penso que talvez seja a oportunidade perfeita, mas, todas as vezes, nossos olhos se cruzam por alguns segundos e então ela se afasta com alguma desculpa de que precisa ir ao banheiro ou buscar água. Depois de todas as tentativas falhas de demonstrar meus sentimentos, eu coloquei na minha cabeça que talvez Harry não tenha tanto interesse em mim, então eu tentei seguir em frente. Mas claro, isso nunca deu certo. Nem mesmo todas as garotas iguais a Harry que existem no mundo, poderiam se igualar a minha Harry. A minha gatinha.
A minha gatinha que agora eu descobri que anda vendo meus vídeos fodendo com outras garotas escondida. Tento ficar irritado, desconfortável ou até mesmo chateado com a situação. Mas tudo que me vêm na mente a imagem da Harry toda excitadinha me vendo foder com outras. Meu pau endurece na calça jeans enquanto em ando apressadamente o corredor do nosso prédio, em direção ao nosso apartamento.
A medida que me aproximo da porta eu checo os bolsos da minha jaqueta e solto o ar pela boca ao perceber que esqueci a chave. Mesmo com os meus pensamentos sobre Harry, meus vídeos e ela excitada ainda claros em minha mente, eu pego o celular e mando uma mensagem perguntando se ela esta em casa. Bato algumas vezes na porta e sem resposta, aguardo alguns minutos.
É estranho que ela esteja demorando para visualizar as mensagens e não tenha escutado a porta bater. Ela não estar em casa não é uma possibilidade também, considerando que é uma sexta a noite e ela não teve aula de balé, não teria motivos para minha gatinha estar em outro lugar que não seja seu quarto uma hora dessas.
Sem paciência e ansioso para encontrá-la agora que sei seu segredinho, disco seu número e escuto chamar algumas vezes. Na terceira, ela atende e eu posso jurar sentir meu pau endurecer só de ouvir a voz dela.
- Lou? - ela suspira audivelmente na ligação e sua voz sai fraca.
- Gatinha, onde você tá? - questiono e ouço ela se mexer do outro lado da linha.
- Ahn... E-em casa. Por que?
- Pode vir abrir a porta pra mim? Eu esqueci minhas chaves.
Ouço um suspiro surpreso e ela murmura algo apressada e desliga. Mais alguns segundos e porta se abre revelando a imagem mais pecaminosa da minha vida. Harry está vestindo mais um dos seus pijaminhas que me deixam maluco; um shorts curtinho rosa e uma blusa de botão branca marcando o biquinho dos seus peitos subindo e descendo a medida que eu percebo que ela esta ofegante. Minha menta dá um estalo ao constatar o que ela fazia sozinha no quarto. Seus cachos bagunçados e bochechas rosadas só reforçam minha teoria.
- Não me ouviu bater, gatinha? - questiono quando entro fechando e trancando a porta atrás de mim.
Observo a minha gatinha tentar ajeitar os cabelos para trás e cruzar os braços enquanto suspira com os lábios vermelhos.
- D-Desculpa, Lou... eu estava, hum, estava... vendo série. - ela morde os lábios e me olha com uma carinha pidona, que ela só faz quando esta mentindo e quer me convencer de algo.
- Série, é? - riu baixinho e ela assente murmurando, caminho pela sala deixando minhas coisas na móvel sob o olhar atento dela. - Estava no estúdio agora. Fui te buscar pensando que tinha aula.
- Louis! Não acredito, eu te avisei hoje... - ela finalmente ri baixinho desacreditada e se encosta na lateral do sofá.
- Eu sei, fui no automático e nem me lembrei do que você falou hoje cedo. - Volto para ela e não sou nada sutil quando meus olhos descem por todo seu corpo. - Acho que estava distraído com outras coisas.
Demoro um pouco mais meu olhar em suas coxas roliças e expostas, pensando no quanto eu gostaria de tocá-las. Harry percebe meu olhar e a vejo pressionar uma perna na outra, enquanto fica vermelha de vergonha. Ela esta molhada, e eu sei disso.
- Q-que coisas?
A observo engolir seco e ignoro sua pergunta enquanto me aproximo, nossos corpos alguns centímetros de distância e agora ela parece ter mais dificuldades para respirar. Não sei o que se passa nessa cabecinha, mas eu sei que estou causando alguma coisa nela, e isso já basta pro meu pau latejar nos meus jeans.
- Sabe... encontrei a April e ela comentou umas coisinhas... - deixo a frase morrer no ar, só pra ver a reação da minha gatinha.
Harry trava. O corpo inteiro dela dá um micro choque, como se eu tivesse encostado um fio elétrico na sua espinha. Os dedos apertam o tecido do short rosa, os olhos descem, sobem, descem de novo. Ela sabe. Eu sei que ela sabe. E ela sabe que eu sei. Eu dou um passo pra frente e ela, como sempre, dá um pra trás. Só que dessa vez, ela fica presa entre mim e o braço do sofá. Perfeitinha. Quente.
Eu encosto uma mão na lateral da sua cintura bem ali, onde ela sempre treme e deixo meu polegar deslizar pra cima e pra baixo, devagar, devagarinho, só pra torturar.
- Me vai contar porque anda tão manhosa ultimamente? - minha voz sai baixa, rouca, quase um ronronar. - Me evitando e fugindo de mim?
Harry abre a boca, mas nada sai. Só um suspiro quebradinho que me deixa duro num nível absurdo.
- N-não tô te evitando...
- Não tá, não? - rio, mas é um riso curto, quente, perigoso. - Então por que você some toda vez que eu encosto em você? Por que as bochechas ficam assim... - toco com o indicador, só pra vê-la fechar os olhos - tão vermelhinhas?
Ela engole seco. Eu abaixo um pouco a cabeça, e nossa respiração cola. Meu nariz encosta nos cachinhos úmidos dela.
- Andou fazendo muitas coisinhas escondida, não andou, minha gatinha? - sussurro contra o ouvido dela. - Hum?
O corpo dela quase desmonta. A respiração vacila. As mãos sobem, como se quisesse me empurrar... mas param no meu peito, sem força nenhuma. Só tremendo. Tocando meus músculos.
- Louis... - ela murmura, chorosinha e toda manhosa. - Eu... eu não... não sei do que você tá falando...
- Sabe sim. - seguro o queixo dela, fazendo-a olhar pra mim. - Eu ouvi sua voz no telefone, assim... molinha. Ofegante. - passo o polegar no lábio inferior dela, que abre sem ela perceber. - Você acha que eu não sei reconhecer minha gatinha quando ela tá se tocando?
O gemidinho engasgado que ela faz quase me mata. Harry solta outro suspiro, como se o ar ficasse pesado demais pra segurar. Ela tenta virar o rosto, mas eu acompanho.
- Me diz, bebê... - minha boca roça na dela, sem beijar - o que você tava vendo no seu quarto antes de eu chegar, hein?
- N-nada... Lou.
Ela solução sob meu toque, e aperto sua cintura instintivamente, deixando meu corpo um pouco mais coladinho no dela.
Eu sorrio. Lento. Sujo. Meus lábios tocam a lateral do seu rosto e meu corpo prende o dela entre o sofá.
- Não mente pra mim, minha gatinha...você sabe que eu não gosto. Você viu todos. - afirmo, não pergunto. - E ainda ficou molhadinha por minha causa.
O corpo dela treme inteiro. E eu encosto minha testa na dela, respirando contra sua boca.
- Gatinha... você não faz ideia do quanto isso me deixa maluco.
Harry tá presa entre mim e o sofá, o peito subindo rápido, como se cada respiração fosse um pedido de socorro e um convite ao mesmo tempo. Eu baixo um pouco o rosto, deixando minha boca a milímetros da dela.
Quase toca. Quase. Só pra matar ela de nervoso.
- Me conta uma coisa... - murmuro, e minha voz sai tão baixa que parece pecado. - Você... gostou de assistir, não gostou?
O corpo dela reage antes da consciência. Um arrepio inteiro percorre sua pele. Ela tenta virar o rosto, mas eu seguro de leve o queixo dela, guiando de volta pro meu olhar.
- Lou... - ela sussurra, perdida. - Eu... eu não...
- Gostou sim. - interrompo, suave, mas firme. - Eu vi nos seus olhos. Do jeitinho que você não consegue esconder nada de mim.
Ela aperta os lábios, as bochechas fervendo, a respiração toda torta. Parece prestes a chorar de vergonha e gemer ao mesmo tempo. Eu a encosto mais no estofado, meu corpo fazendo sombra no dela e minha ereção toca suas coxas nuas. Ela arregala os olhinhos verdes e boquinha gostosa abre em um gemido mudo.
- Me diz... - minha testa encosta na dela, nossa respiração vira uma só - assistir eu fodendo outras garotas te deixou molhada?
Ela solta um som quase inaudível.
Um "ah" que é pura entrega. E eu sorrio. Lento. Cruel de tão doce.
- Você gostou, então? - minha voz arranha no ouvido dela. - Que gatinha atrevida... ficou molhadinha assistindo eu tocar alguém parecia com você.
Harry fecha os olhos forte, como se isso fosse apagar a verdade da pele dela.
- Lou... eu...
- Shh... - calo ela com o dedo em seus lábios, me deliciando com a visão dela toda chorosa nos meus braços, roçando o nariz no dela - tudo aquilo que você viu... tudo aquilo que te deixou tremendo... eu sempre quis fazer com você.
Ela abre os olhos devagar, como se o chão tivesse sumido.
- Sempre. - repito, numa confissão murmurada, quente, perigosa. - E você nunca me deixou. Sempre me afastando. Me chamando de melhor amigo... mas agora você não tem para onde fugir, gatinha.
A mão dela sobe instintivamente até meu peito, mas ela não me empurra.
Ela só segura minha camisa, como se fosse a única coisa impedindo o mundo de desabar. Eu aproximo de novo, mais ainda, minha boca quase tocando a dela - quase, quase - só pra torturar. Meus olhos descem até a boca dela, depois voltam. Ela fecha os olhos brevemente e depois os abre, encarando meus lábios.
- Você... sempre quis?
Eu quase rio quando ela pergunta aquilo, como se ainda tivesse alguma dúvida.
Mas não tem humor em mim. Só ela. Só essa porra de necessidade que eu venho enterrando há tempo demais.
- Sempre quis - repito, e minha voz sai baixa, rasgando por dentro. - Desde que eu me entendo por gente, eu te quero. Você não tem ideia.
Harry aperta minha camisa. Não pra me afastar. Pra se segurar.
Como se eu fosse o único ponto fixo num quarto que tá girando. Eu seguro o queixo dela, faço ela levantar o rosto pra mim. Gosto de ver o medo e o desejo misturados nos olhos dela - é bonito. É cruel. É tudo que eu imaginei quando me toquei pensando nela pela primeira vez.
- Me conta... - eu provoco, roçando o polegar nos lábios dela. - Vai mentir pra mim agora? Vai dizer que não apertou as coxas vendo meus vídeos? Que não enfiou a mãozinha na calcinha imaginando que era eu te fodendo?
Ela fecha os olhos, respiração presa, peito subindo rápido.
Caralho... ela tá derretendo na minha frente.
- Eu... eu fiquei com vergonha - ela murmura. - Eu não devia ter visto...
Eu rio baixinho, encostando a boca na pele quente do pescoço dela.
- Não devia... ou não conseguiu evitar, gatinha?
O corpo dela treme. Ela solta um som tão suave que quase me ajoelho ali mesmo.
- Me diz - sussurro no ouvido dela, minha voz quase um toque. - Você se tocou pensando em mim?
Nada. Só o silêncio dela, denso, quase pornográfico.
E então ela levanta os olhos - grandes, brilhantes, implorando pra eu não parar.
- Eu... pensei - ela admite, e a voz quebra. - E eu... gozei.
Fecho os olhos. Respiro fundo. Tento não gemer.
- Puta que pariu, Harry...
Aperto a cintura dela porque, se eu não segurar, minha perna vai falhar. É isso que ela faz comigo sem nem tentar.
- Você vai me matar - eu digo contra a boca dela, quase rindo, quase chorando.
Ela tenta falar alguma coisa, mas eu encosto a testa na dela e corto qualquer tentativa de fuga.
- Escuta bem - falo baixo, firme, sem espaço pra mal-entendido. - A partir de agora, eu não vou fingir que não te quero. Não vou ignorar o fato de que você goza pensando em mim. Não vou ser seu "melhor amigo" enquanto você treme desse jeito na minha mão.
Minha mão sobe pelas costas dela, lenta, reclamando cada centímetro como se fosse meu por direito. Chego perto da boca dela. Tão perto que eu sinto o suspiro dela na minha língua. Mas não beijo. Não ainda. Quero ela desesperada. Ela abre a boca, mas nada sai. É tão bonitinha assim, toda quebrada, tremendo entre as minhas mãos... que eu quase esqueço de respirar.
Quase.
Eu passo o polegar na boca dela de novo, bem devagar, só pra ver o lábio inferior tremer.
- Sabe o que eu tô pensando agora? - murmuro, minha voz arranhando na garganta. Ela engole seco. - Que você foi uma gatinha muito atrevida.
Aperto mais a cintura dela, trazendo o corpo dela pro meu como se eu tivesse todo o direito. E, por Deus, ela deixa. Ela cede.
- Muito atrevida mesmo - repito, mais perto, roçando minha boca na dela, sentindo o suspiro quente bater no meu rosto. - Assistir meus vídeos escondida... gozar pensando em mim... e depois olhar pra minha cara como se nada tivesse acontecido.
Ela solta um som baixinho, quase um pedido de desculpa. Eu rio. Baixo. Perigoso.
- Má - digo, encostando minha testa na dela. - Você foi muito má comigo, Harry.
Minha mão sobe pro pescoço dela, segurando de leve, só o bastante pra ela sentir o comando, não o aperto. O olhar dela fica vidrado, hipnotizado, molhado. Ela respira fundo, o peito subindo rápido, e então a voz sai... quebradinha, toda do jeito que destrói qualquer resto de autocontrole que eu ainda tinha.
- Lou... - ela soluça, baixinho, chorosinha - eu não quis... eu juro que eu não...
Ah, mas quis sim. E o pior (ou melhor) é que eu vejo nos olhos dela: ela tá dizendo não com a boca, mas o corpo dela tá gritando sim pra mim desde o primeiro momento. Eu seguro o rosto dela entre as minhas mãos, acariciando as bochechas quentes, sentindo cada tremor, cada pedacinho de vergonha que ela tenta esconder.
- Ei... - murmuro, com um sorriso lento, quase cruel - você sabe que não adianta mentir pra mim, né?
O lábio dela treme. Ela fecha os olhos, quase se encolhendo contra mim. Minha boa gatinha confusa. Eu aproximo mais, meu nariz deslizando pela bochecha dela até chegar na orelha.
- Eu vou te ensinar a ser uma boa gatinha pro seu Lou agora - sussurro, bem quente, bem baixinho, sentindo ela arrepiar inteira. - Você quer isso?
Ela fica imóvel por um segundo. Presa. Engolindo seco. Lutando consigo mesma. E então, finalmente, cede. Sua voz vem tão fraquinha, tão manhosa, tão envergonhada... que eu sinto meu corpo inteiro reagir.
- S-sim... - ela respira, contra o meu peito - Eu quero... Lou, por favor.
Eu puxo o queixo dela pra cima, fazendo-a olhar pra mim. Os olhos grandes, brilhando, implorando sem perceber.
- Fala direito, gatinha - digo, roçando minha boca na dela sem beijar. - Fala como eu gosto de ouvir.
Ela geme baixinho, a voz falhando, mas saindo:
- Eu quero ser boa, Lou...
- Eu quero ser sua gatinha boa...
E eu sorrio contra os lábios dela, finalmente deixando meu hálito misturar com o dela.
- Assim que eu gosto.
Eu deixo o "gatinha boa" dela pairar no ar por um segundo, saboreando cada sílaba. O corpo dela tá grudado no meu, quente, tremendo, respirando como se estivesse aprendendo a viver pela primeira vez. Aí eu me inclino, pego o lábio inferior dela entre os meus dentes e puxo - lento, provocando, maldoso. Só o suficiente pra ela soltar aquele gemidinho que me arranca o chão.
Ela se inclina pra frente, buscando a minha boca, quase me beijando. Eu seguro o rosto dela com firmeza e me afasto só o bastante pra vê-la desabar de frustração.
- Não. - digo, baixo, quente. - Você não vai me beijar ainda.
Os olhos dela se abrem devagar, enormes, surpresos, manhosos. Ela tenta se aproximar mesmo assim, como se não tivesse ouvido. Eu seguro o queixo dela de novo e faço ela parar.
- Só vou te beijar quando você aprender a sua lição, gatinha. - deixo um sorriso lento, arrogante, bem de propósito. - Até lá, minha boca é proibida pra você.
Ela solta um suspiro choroso, quase um reclaminho, e eu quase cedo. Mas não. Não agora. Eu passo o dedo pelo canto da boca dela, limpando a lágrima que nem chegou a cair.
Meu olhar desceu para os peitinhos grandes, avantajados no tecido fino da camiseta, quase estourando aqueles botões tão delicados. Harry morde o lábio inferior e olha para mim enquanto balança levemente seu corpo. Um gesto tímido mas que carregava grande malícia por trás. Ela estava se insinuando. Como uma verdadeira putinha.
Sorrio levemente e puxo sua cintura ate ter seu corpinho inteiro colado no meu. Os montinhos gostosos roçando no meu peitoral.
- Seja uma boa gatinha e me deixa ver seus peitinhos.
- Você.... quer que eu tire a minha blusinha, Lou?
Ela suspira manhosa e um pouco insegura, mas pressiona mais ainda seu corpo no meu, se esfregando em mim. Como a porra de uma gata no cio. Eu assinto e vejo ela se afastar um pouco para ter espaço. Seus dedinhos sobem trêmulos pros primeiros botões da blusa e ela começa a desabotoar lentamente. Sua pele vai sendo exposta e eu acompanho com o olhar atento enquanto ela tira a blusinha dela para mim.
Deixa o tecido cair sobre os ombros e eu prendo a respiração ao encarar os biquinhos rosados daqueles seios deliciosos. Vejo Harry ficar vermelha e abaixar a cabeça, totalmente envergonhada e tímida com meu olhar no seu corpo. Eu sorrio levemente e acaricio sua cintura, guiando seu corpo até ela estar sentadinha no braço do sofá.
- Olha pra mim, gatinha. - peço e ela levanta o olhar atento ao meu, seus cachos um pouco bagunçados caem em sua rosto graciosamente e seus olhos verdes me hipnotizam. - Eu posso?
Coloco uma mexa de cabelo atras da sua orelha e me inclino para sussurrar perto da sua bochecha, deslizando a ponta do meu nariz na pele avermelhada, a ouvindo suspirar e então sinalizar com a cabeça uma autorização tímida. Sem esperar muito, minha mão sobe instintivamente pra sua cintura e eu agarro seu peitinho gostoso entre os dedos.
- Lou... - ela geme baixinho e fraca, as perninhas abrindo para me acomodar entre elas.
A minha gatinha geme como uma verdadeira putinha enquanto eu aperto seus seios e minha ereção toca suas coxas roliças.
- Sensível aqui, gatinha? - sussurro contra sua boca, puxando de leve o biquinho durinho.
Um arrepio visível corre por ela, dos ombros até a ponta dos dedos. As perninhas se fecham por um segundo por puro reflexo - e depois se abrem de novo, me chamando.
Meu olhar sobe do corpo dela até encontrar o rosto corado, os olhos grandes demais pra fingir qualquer coisa. Eu me sinto no céu. Seus seios estão na minha mão e ela geme desesperada para eu fazer mais alguma coisa.
- Você é tão gostosa. - digo baixo, controlado. - Eu imagino o quão apertadinha você deve ser aqui em baixo.
Meus dedos apertam seu biquinhos com força, para então descer minha mão lentamente até seu shorts. Minha palma alcança o tecido molhado, sentindo sua xoxota latejar enquanto se baba inteira. O peito sobe e desce rápido demais e estremece no lugar.
- Lou... - ela agarra meu braço e para meus movimentos. - Lou... não...
Ela choraminga pra mim com um biquinho choroso nos lábios e sua voz manhosa como uma gatinha no cio. Ela pede para eu parar, mas ao mesmo tempo, força minha mão para sua xoxotinha novamente. Meu dedos se encaixam no seu grelinho inchado por cima do tecido e não perco tempo em começar a acaricia-lo
- Boa gatinha. - murmuro sentindo o molhado entre suas pernas. - Tão boa.
Harry ronrona parecendo satisfeita com o elogio, enquanto seu quadril inclina na minha direção e se esfrega na minha mão. Sinto sua xotinha pingar e molhar todo o tecido do shorts fino, quando meus dedos aumentam a fricção, ela treme e arreganha as pernas. Uma mancha escura se acumula no tecido enquanto eu seguro seu grelinho e torço entre os dedos, a fazendo gritar e se contorcer tentando afastar minha mão.
- L-lou... a-ah, assim n-não - seus gritinhos saem meio desesperados, mesmo que seus movimentos não demonstrem tanto esforço pra me afastar. Ao contrário, sinto ela se molhar mais.
- Minha gatinha não gosta de ser judiada? - minha voz sai doce e mansa, enquanto ainda aperto seu grelinho inchado por cima do shorts. Ela nega lentamente com um biquinho choroso nos lábios, suas pernas permanecem abertas pra mim. - Pensei que quisesse ser boa.
- E-eu quero... quero ser boa, papai.
Ela continua a gritar e repetir que quer ser uma boa garota, e eu observo seus peitinhos gostosos balançarem enquanto ela treme nos meus braços. Paro com os movimentos na sua xotinha, somente para segurar seus cachinhos bagunçados e atrair sua atenção pra mim.
- Seja uma boa garotinha do papai e vira pra mim.
Sua resposta vem um gemidinho alto e manhoso, ao mesmo tempo que arregala os olhinhos pela forma que eu chamei. Mesmo assim, como uma boa gatinha, ela desce do estofado e se vira lentamente. Seu bumbum arrebitado roçando no meu pau enrijecido ainda dentro da calça, ela morde o lábio inferior enquanto se empina timidamente melhor pra mim. Eu agarro seus cachos e a faço deitar o tronco inteiro no braço do sofá, seus seios pressionados no estofado claro e seu rabinho totalmente encaixado no meu quadril.
- Agora o papai vai te ensinar a ser uma boa gatinha. - puxo levemente seus cachos, a fazendo gemer baixinho, enquanto encaixo meu pau na sua bucetinha, me esfregando levemente ali.
Ela geme como uma verdadeira putinha desesperada, gritando e pedindo por mais. Largo ela deitada ali e meus dedos correm pela sua silhueta, a cintura fina, o quadril avantajado e finalmente sua bunda gordinha. Agarro o cós do seu shortinho e começo a descer o tecido e deixando cair nos seus pés, expondo seu bumbum e enfim a bucetinha gorda que eu tanto sonhei experimentar.
Ela esta exatamente na posição que eu a vi a primeira vez, empinadinha e bem molhada, totalmente vermelha de tanto se esfregar. Sinto Harry ficar mais agitada a medida que me aproximo da sua buceta exposta, acariciando suas coxas grossas para acalmá-la.
- Papai... por favor!
- Desesperada, gatinha? - zombo da sua expressão dengosa e meu hálito quente bate contra seu grelinho todo inchadinho. Ela choraminga mais um pouco, como se implorasse por algo. - Quer saber o que vai acontecer agora?
Ela assente desesperadinha, suas perninhas agitadas e a bucetinha gulosa pingando. Não me contenho em morder com força suas coxas grossinhas, a fazendo espernear novamente. Aliso sua pele leitosa e seu bumbum imaculado, apertando a carne gostosa e imaginando o quão deliciosa ela ficaria vermelha.
- Sabe como o papai ensina minha gatinha a ser boa? - ela nega e eu intensifico o aperto em sua bunda. - Levando uns tapas.
Harry franzi a testa sutilmente, a expressão cansada e manhosa se transformando em confusão para então ela finalmente entender o que iria acontecer. Não demora para ela começar a chorar e negar desesperada, mas quando eu volto a apalpar seu rabinho, ela se mistura em uma confusão entre rebolar nas minhas mãos e negar chorando.
- Papai, não, por favor...
- Você é um putinha mal comida. - ela chora mais e eu dou o primeiro tapa forte nas suas coxas, arrancando um grito esganiçado dela. - Quer ser boa pro papai Lou? Então vai obedecer e contar todos os tapas que eu der. E se voce errar alguma vez, eu vou dobrar seu castigo. Me ouviu bem?
- S-sim, papai, ouvi. - ela choraminga desesperada, eu paro meus movimentos para me erguer e tirar minha jaqueta. Não falo em voz alta, mas observar minha Harry vulnerável e peladinha pra mim enquanto eu ainda estou completamente vestido me tira do eixo. Minhas mãos vão para sua bunda novamente e eu abro as bandas gordas, expondo sua xoxota melada.
Observo buraquinho guloso piscar enquanto jorra mais do seu melzinho pra fora e a visão me faz gemer rouco, desejando meter a língua nela. Mas sei isso é algo que ela nao merece ainda, então me contenho em apertar a pele ate ficar avermelhada e então pesar a mão ao estalar um tapa forte no seu rabinho. Ela grita desesperada para então gemer alto como uma puta.
- U-um... - a ouço murmurar baixinho, lembrando que ainda precisa se concentrar nas minhas ações. Dou outro tapa e ela grita. - Dois!
Harry grita e geme desesperada quando meus tapas vêm fortes e certeiros, sua pele branquinha e sensível lentamente se transformando em um tom vermelho com a marca dos meus dedos.
- Sete, oito! AH! - Continuo espancando sua bunda gorda, e chega a ser cômico como nem no décimo tapa a sua pele ja esteja totalmente vermelha.
Não paro com o seu castigo e quando a contagem chega nos trinta, a bunda dela ja se aproxima em um tom escuro de vermelho, quase roxo. A voz dela ja esta fraca e suas pernas perderam a força, mas mesmo assim, minha gatinha se esforça em continuar sendo obediente contando. Percebo que, quanto mais eu espanco sua bunda, mais alto e mais manhosa ela geme. A minha gatinha esta adorando sentir dor.
- Trinta e dois, hum! - ouço seu gemidinho manhoso e ela empinar sua bundinha mais na minha direção. - Trinta e... quatro...
Automaticamente, paro com meus movimentos ao ouvir suas palavras. Harry parece perceber instantaneamente o que fez e paralisa também e, lentamente, ela vira o rostinho na minha direção. Seus cachinhos bagunçados, as bochechas vermelhas e a boquinha inchada quase me fazem esquecer seu erro por um momento, mas quando ela soluça e começa a chorar, meu pau volta a latejar dentro da minha cueca.
- L-lou... D-Desculpa...
Ela choraminga desesperada quando eu a interrompo, mas nao me importo com suas desculpas, puxo seus cachos com força e ergo seu corpo. Suas costas encostam no meu peitoral e minha mão livre segura suas bochechas vermelhas, ate formar um biquinho nos seus lábios.
‐ Sua vadia inútil, eu avisei o que aconteceria se errasse.
– D-desculp-
Um tapa forte acerta sua bocheca esquerda e Harry chora desesperada com minhas palavras rudes, seu corpo borbulhando ela lentamente se esfrega em mim. Seu bumbum vermelho encaixado no meu pau enrijecido eu só penso em comê-la propriamente logo.
— Cala a boca, eu nao mandei voce falar. To vendo que vou ter que deixar de ser bonzinho com voce. – acerto outro tapa forte em seu rosto, a fazendo gemer alto e chorar mais ainda. — Tão gostosa... mas uma gatinha tão má.
Desço meus dedos pelo seu corpo e agarro os seios gostosos, torcendo os biquinhos rosados, ate chegar na sua xoxota melada, sinto seu buraquinho guloso piscar e jorrar mais do seu melzinho na minha mão.
— De joelhos. — sussurro contra seu biquinho choroso enquanto meus dedos apertam o grelinho inchadinho. Harry arregala os olhinhos verdes na minha direção e os lábios gordinhos se abrem devagar, ate ela assentir inebriada quando a solto do meu aperto.
Vejo minha gatinha se virar lentamente e então, começar a se ajoelhar aos meus pés. Perco o ar com a visão que eu tenho. Harry esta ajoelhada na minha frente, as coxas roliças levemente abertas, sua xoxota pingando no piso de madeira e seus cachinhos cobrindo parcialmente seu rosto corado. Ela me olha de cima, com os olhos grandes e manhosos, a boquinha gostosa e abertinha quase esperando para que eu enfie meu pau ali.
Desabotoo meus jeans acompanhado pelo olhar dela, meu pau faz um volume considerável na cueca e eu aperto por cima do tecido, nunca quebrando nosso contato visual. Mas Harry parece bem mais interessada no meu volume, sorrio canalha e me aproximo dela, minha ereção coberta quase tocando seu rosto enquanto a seguro no lugar pelos seus cachos. Ela esta toda vermelhinha de vergonha e tesão.
— Vamos, gatinha, papai esta esperando. Põe a boquinha.
Ela coloca a língua pra fora e lambe lentamente o tecido umido por cima do meu cacete. Harry ronrona e esfrega a bocheca no meu pau, lambendo e tentando sugar tudo que conseguia por cima do tecido elástico da cueca. Esfrego meu pau mais algumas vezes no seu rosto, ate que perco a paciência naquele joguinho sujo e coloco minha ereção pra fora. Harry se assusta levemente quando o pau pesado encontra seu rosto, mas nao não espero e começo a empurrar para dentro da boquinha gostosa.
— Eu sei que quer ser boa pro papai, então me mama direitinho.
Harry tenta acomodar todo meu cacete em sua língua e quanto sinto a cabecinha do meu pau tocar sua garganta fundo, nao espero seu comando para comecar a meter na sua boca. Os lábios inchadinhos se arrastam por todo meu comprimento, sua boquinha molhada e bem quentinha acomoda meu pau inteiro. Seguro seus cachos com força quando começo a meter mais forte e nesse momento Harry volta a gemer abafada.
— Boquinha gostosa. — Gemo rouquinho quando os dentinhos de coelho raspam no meu pau. — Que delicia, gatinha. Voce é tao boa.
Barulhos molhados ecoam pelo apartamento junto aos seus gemidos excitadinhos e abafados. A visao do meu pau entrando e saindo da sua boca é demais para mim.
— Vai deixar o papai gozar na sua boca, meu bem? — Ela revira os olhos excitada e mexe com a cabeça, me fazendo aumentar os movimentos. A ouço engasgar algumas vezes e em seguida encho sua boca com toda a minha porra. — Engole tudo...
Me afasto brevemente enquanto ela engole tudo, com algumas gotinhas escapando pela lateral dos seus lábios. Sua boca esta molhada e ela respira ofegante olhando para mim.
– Tudo bem? — Toco de leve a bocheca vermelha, passando o dedo carinhosamente pela pele marcada. Harry concorda com a cabeça e fecha os olhos, suspirando talvez cansada.
Estou tão focado no nosso momento que não percebo as horas passando e muito menos que talvez a minha gatinha esteja ficando exausta, apesar de estar gostando, não sei o quanto ela esta acostumado a isso — e pela minha saúde mental, espero que pouco.
– Vem, gatinha.
Pensando nisso, ajudo a levantar e agarro sua cintura, trazendo seu corpo mole ate mim e nos guiando até cairmos sentados no sofá. Harry vem automaticamente para o meu colo, suas coxas gostosas se acomodando em cima de mim e seu rosto encontrando caminho para se esconder entre a curva do meu pescoço, assim como ela sempre faz.
Sorrio satisfeito ao perceber que ela voltou a agir normal comigo, acrescentando o fato dela estar nua sob meu corpo e ter acabado de me chupar, isso só melhora meu humor. Abraço sua cintura com força e beijo seus ombros, seus dedos estao nos fios soltos da minha nuca e sinto sua respiração batendo contra minha pele.
Traço pequenos beijos até a curva do seu pescoço, mordendo e chupando a pele quente. Harry estremece no meu colo, murmurando e gemendo baixinho perto do meu ouvido.
– Você foi muito boa... — Sussurro beijando a lateral do seu rosto e agarrando seus cabelos. — Gatinha do papai... vou dar o que voce quer.
Harry geme afetada e eu guio seu rosto para ela me olhar nos olhos, nossas respirações quentes batendo uma contra a outra, seus lábios inchadinhos e vermelhos roçando nos meus, ela esta começando a ficar agitada em cima de mim e para acabar logo com a sua tortura eu dou a ela o que ela quer, e o que eu sempre quis.
Nossos lábios se chocam com uma iniciante calma, seu quadril se encaixa no meu e meu pau fisga na sua coxa. Sinto Harry desesperada enquanto ataca os meus lábios, ela tenta me acompanhar, mas meu aperto firme em seus cachos nao permite que ela faça muito. Minha língua invade a boca dela e tudo se torna uma bagunça de pequenos gemidinhos e saliva. Aperto suas coxas quando ela suga minha língua da mesma forma que sugava meu pau minutos atrás.
– Papai... – Harry choraminga manhosa quando nós afastamos um pouco, se encaixando em mim e meu pau tocando sua bunda gordinha. – Por favor.
— Ainda não está satisfeita? — agarro a carne gorda do seu rabinho, pressionando minha ereção entre as bandas. Eu sei o que ela quer, e é obvio que eu estou louco para meter nela como sempre quis, mas não me contenho em fazê-la implorar por isso. — O que a minha gatinha quer? Fala pro papai....
Ela chora mais, negando levemente e ficando vermelha como um tomate. Sorrio para ela e não me contenho em estalar um tapa forte na bunda gorda, a fazendo se espernear.
— Papai!
— Estou achando que minha gatinha não aprendeu a lição corretamente...
— Eu aprendi! Papai, eu sou uma boa gatinha... — choraminga desesperada. — Por favor, papai, eu sou uma boa gatinha.
— Não esta parecendo... a minha gatinha claramente precisa de alguma coisa e não quer me falar. — Puxo seus cabelos e meus lábios vão para seu pescoço, beijando e lambendo a pele. — Papai odeia não dar o que minha filhote quer.
— E-eu... Ah!
— Hum?
— E-eu quero que o papai toca a minha bucetinha. – Sua voz finalmente sai e meus dedos correm lentamente pelo seu corpo ate tocarem o montinho molhado, sentindo o grelinho inchadinho. A ouço gemer alto.
— E o que mais, gatinha? Só isso? — faço uma massagem gostosinha no grelinho sensível, a ouvindo suspirar e chorar perto do meu ouvido. – Só as mãos do papai na sua xoxota?
— Dentro, papai... — Harry geme baixinho e bem manhosinha. — Eu quero o dedos do papai dentro da minha florzinha.
Sinto minha ereção doer de tanto tesão que eu sinto no momento, ver Harry implorar toda manhosa me pedindo para foder sua buceta virou meu som favorito. Me sinto viciado em seu corpo e no seus gemidos, meus dedos entram no seu buraco apertado, molhando minhas mãos e apertando as juntas. Harry geme mais desesperada, gritando e se contorcendo em cima de mim, e eu sequer usei meu pau nela ainda.
— Assim, amor? — Indago, torcendo minhas digitais no seu interior molhadinho. — Gosta assim? Gosta dos dedos do papai dentro do seu buraquinho?
Fodo sua bucetinha gulosa com minha mão, minha palma batendo contra seu grelhinho sensível e as mãos delicadas de Harry seguram meus biceps com força.
— S-sim, sim, papai, gosto muito! AH!
Quando sua xoxota começa a piscar desesperadamente e meus dedos se apertam no seu interior, eu afasto minha mão rapidamente.
— Ah! Não! — Agora lágrimas grossas escorrem pelas bochecas coradas da minha gatinha, seus olhos verdes brilham no molhado e um biquinho insatisfeito enfeita seus lábios gostosos. — Papai, não! Por que parou?
Suas unhas pintadas de rosa arranham meus braços e ela tenta puxar rudemente meus dedos para dentro dela novamente. Ela esta agindo agora como uma gatinha arisca, somente porque eu tirei o que ela queria. Não gosto nada de sua reação, e não é difícil segurar seus braços e então virar nossos corpos no sofá. As costas de Harry batem contra o estofado e ela parece acordar da sua pequena birra ao se assustar com o movimento brusco.
— O que pensa que está fazendo? – seguro sua cinturinha fina, puxando seu quadril ate de encontro no meu, pressiono meu pau em sua barriga. — Você nao aprendeu nada com a sua lição? É tão desesperada assim?
— Lou... — ela soluça e eu minha mão preenche seu rosto em um tapa forte.
— Cala a boca. Só foi receber um pouco de atenção que voltou a ser essa vadia desesperada. — Seguro seu rosto entre meus dedos, formando um biquinho nos seus lábios. — Não dá para ser bonzinho com você. Viu o que você fez?
Me ergo brevemente somente para mostrar meu antebraço para ela, as pequenas marcas das suas unhas curtas se formando em linhas avermelhadas agora na minha pele. Seus olhinhos se enchem de lágrimas novamente, e ela começa a murmurar desculpas desengonçadas, tentando tocar os ferimentos.
— Fica quieta. — Me ergo no sofá, ficando de joelhos e afasto sua mãos atrevidas do meu corpo.
Harry esta jogada no estofado, os cachinhos bagunçados pelo tecido claro e as pernas abertas, sua xoxota melada ja se econtrava em um vermelho escuro. Seu rosto está inteiro vermelho e repleto de lágrimas, as bochechas quentes e seu biquinho manhoso nos lábios, tentando me persuadir.
— Me perdoa, papai....
— Você vai ter que fazer mais que isso. Papai ficou muito chateado. — Arqueio as sobrancelhas, terminando de desabotoar minhas calças e arrancando ambos tecidos do meu corpo. Meu movimento faz Harry morder os lábios trêmula.
— O senhor vai me perdoar? — Ela me olha com aqueles olhinhos verdes que eu sou completamente apaixonado, sua voz doce e dengosa saindo tão naturalmente me tira do eixo. Ela sabe exatamente como me dobrar inteiro.
— Minha gatinha vai ter que se esforçar pra me agradar.
— Eu vou... eu faço o que você quiser, papai. — Sua voz sai fraca, e ela nem ousa se mexer. Meus dedos agarram seus cabelos pela nuca e eu ataco seus lábios.
Sinto meu gosto misturado ao seu em sua língua, Harry tenta tocar meus ombros, mas eu puxo seus pulsos e prendo com a minha mão acima da sua cabeça. Ela está quase totalmente imóvel quando volta a gemer entre meus lábios e tenta tocar nossos quadris.
— Mandei você ficar quieta. — Cravo meus dedos no seu quadril, a fazendo choramingar, e viro seu corpo no sofá. Harry se assusta com o movimento brusco, soltando um gritinho alto.
Ela olha pra mim por cima dos ombros, seu rabinho agora esta todo empinadinho na minha direção. É confusão estampa seu rosto.
— O que o papai vai fazer? - Ela pergunta confusa, e eu agarro o bumbum arrebitado, apertando a carne toda vermelhinha. Alguns pontinhos roxo estampando a pele sensível.
— Minha gatinha não queria desculpar?
— Sim! Sim, papai... eu quero ser boa.
— Ótimo.... Porque agora eu quero meter bem fundo na sua bucetinha. Coloca as mãos para trás. — Ela segue minhas ordens automaticamente, jutando os pulsos nas costas. Eu puxo seu corpo, a fazendo ficar de joelhos e com a cabeça deitada no sofá.
Olho ao meu redor e pego seu shortinho esquecido jogado no tapete, o tecido esta mole e bem maleável, então é facil usá-lo para amarrar suas mãos para trás do corpo. Harry tenta protestar e me olha confusa.
— Papai, não. — Ela chora mais, tentando se soltar, mas eu ignoro seus pedidos irritado, dando um tapa forte em sua coxa.
— Se reclamar mais uma vez eu vou te largar aqui sozinha e insatisfeita. — Dou outro tapa em sua bunda, abrindo as bandas gordas e meu olhar cravando na sua xoxota melada. — Você acha que eu não posso encontrar alguém melhor para foder? Você mais do que ninguém sabe que eu tenho boas opções...
Minha voz sai rude para a persuadir, o que funciona pois mais lágrimas grossas escorrem pelo seu rosto bonito.
— Não! Papai, por favor, não faz isso...
— De repente a minha gatinha não gosta mais da ideia de me ver fodendo com outras? — Meu riso sai debochado, com uma mão segurando minha bunda e com a outra punhetando meu pau lentamente. — Você acha que é boa o suficiente para me satisfazer?
— Sim! Eu sou, papai! — Teima com a voz irritada agora. Ela está com ciúmes e isso me faz aumentar a velocidade da minha mão no meu pau. — A minha bucetinha ta toda meladinha, papai... Só para você.
Gemo rouco com suas palavras, aproximo meu pau da sua entradinha apertada, forçando para meter dentro.
— Papai vai meter bem gostoso no seu buraquinho guloso.
Quando meu pau entra inteiro dentro dela, Harry estremece, pressionando seu rosto contra o estofado e tentando abafar seus gemidos. Sua xoxota melada pressiona o meu pau de forma deliciosa, mais alguns segundos e eu começo a movimentar meu quadril.
— Awn papai... – sua voz sai abafada, nosso quadris batendo um contra o outro fazendo um barulho erótico que ecoa por todo o apartamento.
Seguro seu pulso preso entre os dedos e apoio meu pé no chão e o joelho no sofá para começar a foder mais forte. Sua bunda gorda balança no ar, fazendo pequenas ondas quando da de encontro comigo. Minhas bolas pesadas batem contra suas coxas, deixando tudo mais sensível e avermelhado. Sinto sua bucetinha gulosa toda molhadinha e deslizando pelo meu cacete.
— Porra, tão apertadinha e gulosa. — Fixo meu olhar no meu pau saindo e entrando do seu buraquinho, a visão me faz estremecer.
— Mais, papai... mais! Isso! — geme alto arqueando as costas quando eu moldulo meu quadril na sua direção.
— Que bucetinha gostosa, amor. — Me inclino na sua direção, o movimento fazendo meu pau se afundar mais nela. — Você é tão linda e ainda mais deliciosa assim, deixando o papai comer sua xoxota bem gostoso.
— Papai pode fazer o que quiser comigo, eu sou só sua. — Sussurro fraca, os lábios gordinhos roçando nos meus quando voltamos a nos beijar. Sua língua agora invadindo minha boca em um beijo molhado e desengonçado pela nossa posição. — Papai ta gostando?
— Muito, meu amor. Papai está muito satisfeito. Minha gatinha merece gozar. — Peço quando aumento as estocadas e levo meus dedos até seu grelinho, a estimulando enquanto fodo sua buceta. — Você foi muito bem. Uma boa garota do papai.
Harry se aperta no meu pau e goza forte, molhando toda minha ereção. Ela geme e se contorce inteira e eu sinto sua xoxotinha sensível. Quando estou para sair de dentro dela, ela começa a se agitar.
— Não, papai! Dentro, faz dentro de mim. — pede com carinho e manha em sua voz. Parece inacreditavelmente ela estar pedidno para eu gozar dentro dessa forma.
— Minha gatinha quer que o papai encha ela de leitinho? — ela concorda prontamente, rebolando o bumbum arrebitado. — Boa menina.
Volto a meter rápido e forte, seu aperto me fazendo gozar e explodir dentro dela com algumas estocadas. Minha porra preenche seu buraquinho apertado, vazando pelas laterais. Harry geme necessitada e toda manhosa. Me afasto lentamente e vejo minha porra escorrer por entre suas coxas.
O corpo mole e cansado da minha gatinha despenca no sofá, suas pernas estão dobradas e seus cachos jogados de lado. Ela respira ofegante e trêmula. Solto suas mãos e meu coração aperta quando a vejo com os braços moles e sem força.
Meu corpo ainda ferve e eu estou me recuperando dos meus dois melhores orgasmos, mas me concentro em cuidar da minha Harry agora.
— Gatinha. — chamo com cuidado, acariciando seu corpo docemente, meus dedos fazem um carinho leve em seus cabelos a observando com os olhos fechados e respiração profunda. – Meu bem, fala comigo.
— Hum... — ela murmura manhosa, me arranca um risinho. — Lou...
— Vêm cá, vamos cuidar de você. — Puxo seu corpo com delicadeza, passando um braço pelas suas pernas e outro no seu ombro. A ergo no meu colo e caminho pelo nosso apartamento completamente nu e com o meu mundo nos braços.
Já no banheiro, a coloco sentada no balcão da pia e ligo o chuveiro. Harry esta sonolenta e não fala muito, mas se mantem agarrada ao meu corpo e eu não a deixo afastada nem por um segundo, tanto por necessidade tanto quando eu temer que ela vá cair se eu soltá-la.
Lavo seus cabelos cuidado e deixo a agua escorrer pelo nosso corpo pelo o que parece horas. Não falamos mais do que o necessário mas sei que em algum momento teremos que conversar propriamente sobre tudo.
Por ora, deixo os minutos passarem e quando vejo necessidade de voltar para o mundo real eu desligo o chuveiro nos enrolo em toalhas novas. Harry finalmente parece acordar quando entramos no seu quarto, enrolei ela numa das minhas toalhas limpas para ajudá-la a se secar.
A vejo procurar algumas roupas no guarda roupa, para finalmente pegar uma blusa qualquer jogada na comoda e vestir. É uma blusa minha, e eu não faço ideia de como veio parar nas suas coisas.
Quando ela se vira para mim com os fios molhados e uma escova de cabelo na mão, ela parece finalmente perceber que eu ainda estou com a toalha enrolada na cintura. Suas bochecas coram automaticamente e a desvia o olhar.
— Ah, sério, gatinha? — Rio desacreditado, tentando me aproximar. — Vergonha?
— Lou! Fica quieto. — ela murmura mal humorada, de costas para mim tentanto se distrair enquanto penteia os cabelos.
A surpreendo ao abraçar sua cintura e cheirar seu pescoço cheiroso. Não deixo ela tentar se afastar enquanto ri envergonhada e com o sorriso mais lindo do mundo.
— Para, Lou! — gargalha alto quando passo a fazer cócegas no seu pescoço e quadril.
— Você não tem ideia do quanto me deixa maluco. – Digo sincero, deixando beijos molhados pela sua pele. — Eu quero ter você para sempre. De corpo e alma. Eu não aguento fingir que só sou seu amigo, gatinha. Me deixa ter você por inteira, por favor.
Minha voz é sincera e eu sei que ela sabe que não me refiro a parte sexual, mas quero deixar isso claro. Ela me olha sobre os ombros e então se vira, ficando na ponta dos pés para alcançar e abraçar meu pescoço.
— Lou... eu sempre gostei de você. Eu quero mais... Quero mais do que ser só sua amiga. Eu sempre quis.
Meu coração palpita forte dentro do meu peito, um sorriso enorme rasga meu rosto e eu abraço seu corpo firmemente, a girando no ar. Harry gargalha e eu sinto o tipo de felicidade que somente ela consegue me arrancar.
Sei que teremos muito o que conversar e resolver ainda. Sei que tudo que aconteceu não chegou nem perto de tudo que ela merece para aceitar que eu seja o seu namorado. Mas também sei que, por ora, é tudo que nos basta.
passei o dia lendo livros ingleses em facsímile do século 16 e tudo que eu queria era uma fanfic aguinha com açúcar mas eu simplesmente não acho NENHUMA. alguma sugestão?! pode ser ao3, wattpad, português, inglês… só queria relaxar 😭😭😭 (únicas exigências: ltops e terminada)
Onde Louis é apenas um mecânico solitário que vê sua rotina ser atormentada por cachos delicados e covinhas seduzentes.
Ou onde Harry vai a uma corrida clandestina e tem certeza de que Louis é dele —em todos os sentidos.
avisos: ltops, hbottom, Harry como uma garota cis, pwp, oneshot (parte 1 de 2)
Harry não sabia se estava mais nervosa pelo barulho dos motores, que rangiam alto como o de caminhões, ou pelo fato de estar ali –porque, porra, ela conseguia sentir o cheiro da ilegalidade pairando no ar. Estava longe de ser um território Styles.
Ela nunca tinha visto nada igual antes. O cheiro de gasolina queimava suas narinas e as luzes amareladas dos postes mal iluminavam as pessoas reunidas na beira da estrada. Tudo vibrava com a música alta e a fumaça corria solta por causa dos pneus cantando, tão desordeiros quanto as batidas de seu coração.
Ela andava devagar, atenta a tudo e todos, tentando fingir que não estava apavorada, tentando se misturar ao local –apesar de que seu rosto entregava que ela não era familiar.
–Harry, relaxa– Yohana disse. Ela era meio asiática e meio latina, bolsista em sua escola e aquele ambiente era comum para ela. O que a deixava naturalmente mais calma que Harry –É só ficar perto de mim, beleza?
Mas foi perambulando entre os grupos de pessoas e os carros estacionados que o viu. O mundo ao seu redor pareceu ficar mais silencioso.
Louis estava agachado ao lado de um carro vermelho –Harry não saberia dizer que marca era aquela nem se a pergunta valesse um milhão de libras–, a pouca luz refletindo seu rosto concentrado. O macacão estava fechado até o pescoço, as mãos sujas de graxa e os olhos fixos no motor, como se nada o distraísse. Ou existisse.
Havia algo nele… Real. Cru.
Algo que Harry nunca tinha visto em sua vida perfeita.
Sem perceber, ela parou de andar. Yohana foi na frente, mas já estava com um grupo grande, não seria difícil voltar a achá-la. Ela quis fazer uma coisa… A amiga podia esperar, certo?
Louis levantou o olhar quando ouviu passos muito mais perto do que ele gostaria. E quando viu Harry o observando, levantou-se e franziu o cenho –não hostil, mas como quem tenta entender por que diabos uma garota de saia rodada e um salto alto Mary Jane, parecendo uma boneca, estava ali.
Harry sentiu um frio no estômago, repensando se foi uma boa ideia.
–Oi– disse, tentando soar casual.
Louis piscou devagar.
–Tá perdida?
–Não… Só… Olhando– Harry observou o motor, como se entendesse o que visse –Tá consertando?
Louis limpou as mãos no pano que ficava apoiado em seu ombro.
–Não.
Silêncio.
–Ah– ela murmurou –É que… Hum… Você parece saber muito bem o que está fazendo.
Louis não respondeu, apenas abaixou-se novamente e voltou ao que fazia antes. Focado. Bonito demais para a sanidade de qualquer garota.
Harry sabia que aquilo foi um “se manda” silencioso, mas não conseguiu ir embora.
–Eu nunca vim à uma corrida assim– ela continuou –É… Intenso.
–É– Louis respondeu sem olhar.
Harry enrolou um cacho entre os dedos, meio sem graça. Chegava a ser engraçado ela estar nesse tipo de situação, pois ela geralmente não se esforçava para chamar atenção.
–Você corre também?
Louis soltou o ar pelo nariz, quase uma risada cética. Se pela pergunta ou pela insistência, Harry não saberia dizer.
–Não.
–Só arruma carros?
–Isso.
Outra resposta curta. Deus, esse garoto sabia falar como um ser humano ou só estava sendo selvagem com ela? Parecia um monólogo.
Harry mordeu o lábio, começando a achar que o problema era ela. Será que estava o incomodando?
Entretanto, como quem estava hipnotizada, ela não se foi. Pelo contrário, se esgueirou mais para perto, cautelosa.
–Posso… Ver?
Finalmente ele olhara para ela novamente. Não havia simpatia, nem hostilidade –só uma espécie de alerta, como se ele avaliasse um risco e se valia a pena corrê-lo ou não. Decidiu que essa seria sua primeira e única corrida da vida…
–Se você sujar esse sapato aí, não pode falar que a culpa é minha– ele disse, fingindo desinteresse.
Harry sorriu, aliviada por arrancar uma frase um pouco maior.
Aproximou-se devagar, inclinando o corpo para espiar o interior do carro. Louis olhou para ela, avaliando-a. Não de uma maneira sexual ou algo do tipo, mas sim curioso. Ela realmente não parecia fazer parte daquele ambiente.
A garota queria realmente prestar atenção, mas tinha ciência demais do olhar de Louis. Talvez não era a atenção que queria dele, mas pelo menos tinha alguma. E ela queria tanto que isso não soasse como uma pick me patética.
–Como você sabe onde mexer?– ela perguntou, tentando distrair a própria mente.
–Simplesmente sei– respondeu, com os braços cruzados sobre o peito.
–Mas como sabe que essas peças são as certas?
Louis parou. Harry o olhou sobre o ombro, perguntando-se se não estava sendo intrometida demais –era óbvio que ela não entendia nada do assunto. Ele parecia dividido entre suspirar de impaciência e responder de uma vez de forma grosseira para ver se ela calava a boca.
Mas quando seus olhos encontraram os verdes dela, ele não conseguiu fazer nenhum dos dois.
–Porque eu escutei o motor– essa havia sido a frase mais gentil que ele lhe direcionara desde o começo –Ele me diz onde dói.
Harry se virou por completo, escorando-se na parte lateral do capô.
–Como… Alguém falando?
Louis passou o olhar por todo seu rosto. Bem devagar.
–Pra quem presta atenção, sim.
Harry sentiu um arrepio inesperado, engolindo em seco.
Louis então virou de costas, quebrando o contato visual e jogando o pano sobre o ombro de novo.
–Vai começar– ele disse, indicando com a cabeça para a movimentação que começava a se formar ao redor da pista improvisada –Você deveria ir. Isso aqui não é lugar para alguém como você.
Harry arqueou uma sobrancelha, intrigada.
–E que tipo de pessoa eu sou?
Louis hesitou. Apenas por um segundo. Ele não queria falar nada que a ofendesse, mas talvez deveria –talvez ela não voltasse. Mas quando a olhou novamente, ele não teve essa coragem.
–Simplesmente sei– repetiu, voltando-se para o carro, pondo fim a conversa.
Simplesmente sei. Assim como sobre os carros?
Harry tentou não martelar a dúvida na cabeça enquanto voltava para Yohana.
—
Harry não entendia muito bem porque suas pernas o levaram até ali.
A corrida já tinha terminado, as pessoas estavam se dispersando, cada uma indo para o seu carro, e o cheiro de borracha queimada já esfriava sobre o vento. Ela devia ter acompanhado Yohana até o carro, mas mentiu, dizendo que precisava fazer uma coisa –que não deu detalhes– e para esperá-la no carro.
Ela não podia ir embora. Não ainda. Não quando Louis não saia de sua cabeça.
Harry o encontrou do jeito mais fácil possível: sozinho, guardando as ferramentas dentro da maleta e terminando de ajeitar suas coisas sob a caminhonete velha. Visto dali, ele parecia tão frio e inquebrável… Talvez por isso totalmente irresistível.
Engolindo o nervosismo, ela se aproximou.
Louis levantou os olhos devagar, sem surpresa, como se já esperasse que ela voltaria –não ansiosamente, deve-se dizer.
–Styles– ele disse, seco. Não era um cumprimento. Era uma constatação.
A garota sentiu um arrepio. Não de medo, mas de como Louis fazia seu sobrenome parecer um incômodo.
–Só Harry está bom– respondeu, tentando se sentir mais confiante do que se sentia –Você sabe meu sobrenome.
Ele fez uma careta que tentou disfarçar.
–Você foi assunto hoje.
–E o que entregou que era eu?
Louis a olhou de cima a baixo, como se perguntasse “não é óbvio?”.
–É difícil de ouvir um sobrenome desse nesse tipo de lugar– ele fez uma pausa –Ainda mais quando metade do pessoal está apostando se a menina rica vai desmaiar ou vomitar.
Harry riu, mesmo sentindo as bochechas queimarem.
Ele ocultou a parte que quase todos vieram perguntar o que ele estava fazendo com a princesinha dos Styles. Como se fosse ele que tivesse ido atrás dela.
–E você? Apostou em quê?– ela questionou, divertida.
Louis observou-a por um longo momento, como se tentasse decidir se valia a pena responder. Ele podia ver o que estava tentando fazer.
–Achei que você ia embora na metade– ele disse, finalmente –Mas não foi.
Harry respirou fundo, juntando toda sua coragem para continuar:
–Talvez eu estivesse e-
Louis levantou a mão, interrompendo-a sem cerimônia.
–Não precisa terminar– a voz dele era firme, quase fria –Seja lá o que você veio procurar aqui, não vai achar comigo.
Harry piscou. Várias vezes. Surpresa pela dureza. Não esperava um sorriso, claro, mas… Uma batida de porta na cara assim?
Louis voltou a empurrar as coisas de volta na caminhonete, decidindo que a conversa acabou.
–Escuta,– ele completou, parando completamente, ainda de costas para ela –Esse lugar não é pra você… E eu também não.
Harry sentiu o estômago apertar –não de vergonha, mas de uma curiosidade ainda maior, teimosia pura.
–Eu só queria conversar– murmurou, tentando não se sentir afetada.
Louis encontrou seu olhar virando a cabeça em cima do ombro. Havia algo ali, sim –não interesse declarado, mas reconhecimento. Como se avisasse por obrigação, como se já tivesse passado por uma situação semelhante antes.
–Conversa com qualquer um– ele gesticulou vagamente, abanando a mão para as pessoas que ainda haviam sobrado no meio da rua e bebiam algo que parecia barato –Eu tenho coisa pra fazer.
Foi um corte. Direto, limpo.
Harry abriu a boca para responder, mas nada pareceu se encaixar na conversa atual. Então apenas assentiu, engolindo o amargo de quem esperava um doce, mas lhe foi tirado.
Deu um passo para trás, o salto fazendo um barulho alto no asfalto.
Depois outro.
Louis não disse nada. Fazendo o que estava fazendo como se Harry já não estivesse mais ali.
Mas, perante a luz fraca, Harry captou um detalhe: Louis a olhou novamente –rápido e quase imperceptível– quando achou que ela já estava de costas.
O tipo de olhar que queima mais, por ser escondido. Deixando uma sensação eterna pelo não dito.
Harry sentiu o peito apertar outra vez, mas não de frustração, dessa vez. E sim de certeza.
Ela tinha acabado de ser dispensada –claramente– e racionalmente deveria ir embora e nunca mais voltar. Mas nada naquela troca apagou o que sentiu. Muito pelo contrário.
—
Harry pensou a semana inteira naquela maldita corrida. Se fosse honesta com ela mesma, ela não parou de pensar em Louis. Ela tinha que vê-lo de novo.
Era bizarro, ele mal lhe deu moral ou trocou uma meia dúzia de palavras com ela e ainda assim ela não conseguia esquecê-lo.
Quando chegou na escola em uma quarta-feira aleatória, Harry correu em busca de Yohana. Achou-a pegando suas coisas no armário e não perdeu tempo em pular no seu pescoço.
–Por favor, não me venha com seus dramas, eu estou com ressaca!– ela disse, fechando os olhos, parecendo cansada.
–Bebendo numa terça?
–Harry, admiro muito você por aguentar essa escola sóbria– respondeu, como se explicasse o porquê de tamanha irresponsabilidade.
–Eu não tenho muita escolha– ela murmurou, tão baixo quanto um sopro, enquanto soltava a amiga.
–O que?– Yohana fez uma cara confusa.
–Nada– Harry foi rápida em abrir um sorriso.
Um silêncio se instalou entre as duas e a latina não demorou para estreitar os olhos para Harry, que parecia levemente –ou muito– ansiosa.
–Tá bom, desembucha.
–Yo,… Então– ela começou, mordendo a parte interna da bochecha, hesitante –Você disse que às vezes acontecem outras corridas, né?
–Hum– concordou, desconfiada –Por quê?
Harry tentou parecer casual. Enrolou uma mecha de seu cabelo, arrastando o mesmo salto que usara na corrida no chão polido da escola. Não convenceu nem ela mesma.
–Eu… Gostei. Da vibe. Da adrenalina. Foi… Diferente.
Yohana riu. Alto. Chamando atenção de todo o corredor.
–Aham. A princesinha dos Styles gostou da adrenalina, é?
Harry deu um tapa em seu braço, fazendo cara feia para ela.
–Vai se ferrar! Foi legal, sim! Eu quero ver de novo, tá?
Yohana ficou em silêncio por alguns segundos, analisando-a. Ela sabia que ali tinha mais do que Harry queria lhe contar, mas não pressionou.
–Tá– ela levantou as mãos –Você quer ir de novo porque foi legal. Eu entendi. É melhor você ir comigo do que inventar de ir sozinha.
Harry tentou parecer indiferente, mas uma animação queimou seu estômago e apareceu em seu sorriso.
–Então você vai me levar?
–Vou– ela apontou para Harry –Mas se der polícia, é cada uma por si. Não vou arranjar encrenca por causa de uma garota que pode ter uma equipe inteira de advogados a sua disposição.
Harry levantou as mãos, inocentemente.
–Prometo me comportar. Vou colocar minha melhor roupa!
–Eu não faria isso se fosse você– mas Harry já estava longe demais para ouvir.
___
Harry passou a tarde inteira inquieta, como se tivesse tomado café com energético. A ponto de Yohana bater na porta do quarto e erguer as sobrancelhas.
–Pronta?– ela perguntou –Ou vai ficar andando em círculos até abrir um buraco no chão?
Harry fingiu naturalidade, jogando uma jaqueta de couro legítimo –que ela torcia para que os outros achassem que não era– sobre os ombros.
–Tô animada, só isso.
A outra garota riu, aquele riso de quem já conhece as manias da amiga.
–Animada? Harry, você nunca ligou para uma corrida clandestina. Uma vez que te levo e agora parece ser seu hobby favorito. Que diabos aconteceu lá?
–Nada– ela respondeu rápido demais –Só… Achei legal. Adrenalina e tal, sabe.
–Aham– ela estreitou os olhos, mas continuou sorrindo –Sei. A senhorita “eu prefiro festas com bebidinhas frutadas” agora ama poeira, motor e gente gritando.
Harry deu de ombros, tentando parecer casual.
–Quem sabe eu só estava precisando sair da minha zona de conforto. Tentar coisas novas.
–Certo, novidade– ela deu um tapinha no ombro da amiga enquanto caminhavam até o carro –Vamos antes que essa sua empolgação evapore.
Mas a empolgação não evaporou. E talvez nunca fosse.
Quando chegaram ao local onde ocorreria a corrida dessa vez –era sempre um local diferente, Harry soubera, e também se pegou questionando como eles marcavam essas coisas. Harry mal prestou atenção nos carros fazendo fila, no barulho dos motores ou no cheiro de pneu queimado. Ela estava inquieta, olhando para todos os lados como quem espera algo… Ou alguém.
Yohana notou de rabo de olho.
–Você tá que nem uma criança procurando algodão-doce. Nunca vi isso.
–Só tô… Curtindo o ambiente– ela insiste.
Ela ergueu as mãos em rendição, rindo.
–Beleza, beleza. Vai lá “curtir”. Eu vou pegar uma bebida.
E, assim, livre da atenção dela, foi fácil para Harry seguir seus impulsos e se esgueirar para seu objetivo principal e inicial: procurar Louis no meio do tumulto.
O coração acelerou quando finalmente o viu, sozinho, encostado em um carro preto, como se o mundo inteiro fosse barulho –menos ele.
Harry se aproximou devagar, como se aquele pedaço de chão estivesse a desabar se ele pisasse forte demais. As mãos dele estavam sujas de graxa –para variar– e ele vestia uma camisa branca manchada, com o olhar perdido longe dali. Até notar a sombra de Harry chegando perto.
Louis levantou o olhar preguiçosamente, como quem reconhece o incômodo que irá passar.
–Você de novo– não foi hostil, mas também não era exatamente acolhedor.
Harry forçou um sorriso, tentando parecer alguém que só estava de passagem.
–Aham. É… Eu vim de novo– ela pigarreou, sem saber muito bem o que dizer –A corrida da semana passada foi interessante.
Louis arqueou uma sobrancelha, como quem não acredita no que ouvira.
–Hum. Interessante.
Harry assentiu, firme demais para soar natural.
–Foi.
Silêncio.
Louis voltou seu olhar para o carro, dando a Harry a oportunidade de ir embora sem que ele precisasse ser rude.
Mas ela não foi.
–Vai correr hoje?– perguntou, tentando recuperar o terreno.
Louis soltou um suspiro nasal curto, quase um riso abafado.
–Talvez.
–Você pilotando deve ser…– Harry parou, sem saber exatamente como continuar –Uma visão e tanto.
Louis olhou de lado, finalmente virando um pouco o corpo na direção dela. Os olhos azuis tinham aquela intensidade gelada e calculada, mas que mandava uma chama intensa para o meio de suas pernas.
–A maioria das pessoas que volta aqui é pela adrenalina– Louis comentou, devagar –Mas você…– ele estreitou os olhos –Não tem cara de que veio por isso.
Harry sustentou o olhar, tentando não parecer que foi pega no flagra.
–E qual “cara” eu tenho?
Louis limpou a mão na calça, cruzando os braços em frente ao peito. Um gesto pequeno, mas que dizia: estou prestando atenção em você agora.
–De quem veio procurar por algo– depois corrigiu-se: –Ou alguém.
A garganta de Harry secou.
–Não sei do que você está falando.
Louis inclinou a cabeça, um sorriso mínimo –só o canto dos lábios, quase imperceptivelmente.
–Claro que não.
Harry desviou o olhar por um instante, olhando para o Mustang atrás dele –bonito, antigo, imponente, mas que não parecia estar nos seus melhores dias. Quando voltou-se para o garoto, havia algo novo na voz.
–Posso ver o carro?– não era desculpa, mas também não era a intenção principal.
Louis hesitou por um momento. Não porque não queria mostrar, mas porque mostrar seria como permitir que Harry chegasse mais perto. Mais dentro de sua vida… Talvez.
Mas abriu espaço, por fim, dando um meio passo para o lado.
–Vê aí. Só não encosta no capô– avisou –Ainda está quente.
Harry sorriu, as covinhas decorando suas bochechas e dando-a um ar inocente. Inocente o suficiente para que Louis esquecesse que ele era o objetivo dela ali.
Aproximou-se do carro, passando a mão pelo ar, sem tocar realmente –respeitando o cuidado. Louis observava. De braços cruzados, cara fechada e reparando em cada detalhe daquela garota invasiva.
Louis não podia deixar de admitir que ela era linda. Linda como uma garota nenhuma outra tinha se mostrado para ele até então. Os cabelos cacheados, os lábios cheios, as bochechas coradas, o corpo muito bem delineado. Perfeitinha demais para se encaixar em seus padrões: desarrumado, sujo e pobre.
Harry virou-se, devagar, os cachos acompanhando o movimento.
–Ele é bonito. Dá pra ver que você cuida muito bem.
Louis assentiu, olhos presos nos verdes dela.
–Não é meu… Mas é, eu cuido bem do que está sob minha posse.
Harry assentiu com a cabeça, sem saber o que dizer, corando.
–E você… Hum… Cuida bem das pessoas também? Ou só dos carros?
Louis secou o sorriso, mas não a afastou.
–Depende da pessoa.
–Ah.
–É– ele deu um pequeno passo para trás, desfazendo qualquer tipo de intimidade que eles tenham criado –Vai assistir a corrida com a sua amiga, garotinha.
–Garotinha? Quantos anos você acha que eu tenho?!– ela pergunta, exacerbada, colocando uma mão no peito, quase ofendida.
Louis deu um sorriso de canto.
–Tenho certeza de que sou mais velho que você.
–Isso não te faz a voz da experiência, senhor mais velho que eu– Harry retrucou, debochada –E só para você saber, eu tenho dezessete, faço dezoito mês que vêm!
–Ou seja, completamente ilegal– ele provocou.
–Acho que você se esqueceu de onde nós estamos…
Louis abriu um sorriso ainda maior. Ele podia ser quatro anos mais velho, mas ela sabia como lhe responder como um igual.
–Touché.
—
O galpão pulsava com luzes vermelhas e música grave –algo tipo reggaeton estava tocando. A festa pós-corrida sempre era assim: suada, ruidosa, cheia de gente meio bêbada e completamente imprudente.
Harry foi arrastada por Yohana, mas não demorou muito para que ela se perdesse intencionalmente da vista dela. Afinal, ela não tinha ido ali para curtir. Não como os outros, pelo menos.
Louis estava em um canto menos iluminado, apoiado num dos pilares de concreto, segurando um copo vermelho. Ombros relaxados, expressão fechada, olhando para a pista de dança improvisada como quem não se vê ali de forma alguma.
Ele era, sozinho, mais interessante que um grupo inteiro de homens que sabiam conduzir uma dança com sensualidade.
Harry parou a alguns passos de distância e ficou o observando –descaradamente. Louis sentiu. Levantou o olhar e a encontrou.
Por um segundo, nenhum dos dois desviou, deixando que a atmosfera ficasse densa ao redor.
Então Harry andou até ele. Sem hesitação. Sem rodeios.
Louis soltou um suspiro baixo, entornando o resto da bebida que tinha em seu copo.
–Você não aprende mesmo, né?– a voz era baixa, grave, mas não demonstrava um ataque, apenas cautela.
Harry chegou perto o bastante para Louis sentir o cheiro de sua bebida doce e seu perfume caro.
–Se você quisesse que eu não viesse– disse Harry, com aquele sorriso que parecia inocente –Teria me mandado embora da corrida de um jeito mais convincente.
Louis olhou para seus lábios antes de voltar para os olhos. Se martirizou por isso.
–Você não deveria estar bebendo– murmurou.
–Você também não– rebateu ela, dando de ombros –Mas aqui estamos.
–Eu sou legal– relembrou Louis.
Harry riu.
–Explica isso para a polícia se você for pego dirigindo, então.
Louis apertou o copo em mãos, porque, porra, ela tinha razão. Irritado consigo mesmo, ele suspirou fundo, mas não deu um passo para trás.
–Você tá bem soltinha, né?
–Honesta!– corrigiu, inclinando a cabeça –Ou você preferia que eu ficasse fazendo de conta que não passei a semana inteira pensando em você?
Louis travou o maxilar, desviando o olhar. A sinceridade bateu fundo demais. Gostaria de pensar que a garota estava assim por causa da bebida e que no dia seguinte ela nem se lembraria disso, mas sabia que isso era o tipo de coisa que ela falaria sóbria –ela era bem óbvia em suas intenções com Louis.
–Você tem dezessete, garotinha– relembrou-a, pois isso tinha que ser argumento o suficiente.
Harry sorriu de canto, em pura provocação.
–Agora que você sabe vai ficar usando isso sempre?– ela bebeu um gole de bebida antes de continuar –Eu tenho quase dezoito, caso você tenha deletado essa informação da sua mente.
Louis soltou um riso curto, incrédulo.
–Isso não muda porra nenhuma.
–Muda para mim– ela diz, encostando o ombro no mesmo pilar, quase roçando no dele –Significa que eu sei exatamente o que eu quero e o que eu preciso para conseguir.
Louis respirou fundo, como se aquilo estivesse começando a irritá-lo –não por ser ruim, mas porque estava ficando verdadeiro demais.
–Olha, eu sei o que você está fazendo.
–Ótimo!– Harry inclinou-se em sua direção. Só um pouco –Assim eu não preciso disfarçar.
Louis a encarou, sério, como se avaliasse cada palavra.
–Você não tem noção do tipo de confusão que está procurando.
–Tenho sim– Harry rebateu, firme, direta –E ainda assim vim até aqui. Melhor, eu pedi para vir até aqui.
–Sua amiga?
Mas não precisava de resposta, estava claro que sim. Louis já tinha visto Yohana outras vezes antes dela aparecer com Harry, deslocada com suas roupas de grife.
A tensão ficou mais densa. Pessoas passavam ao redor, rindo, bebendo, dançando –mas entre eles, era tudo diferente. Eles viviam no próprio mundinho, como se as coisas ao redor não os afetasse, pois já tinha muito a se pensar ali dentro.
Louis finalmente falou, em voz baixa:
–Por que você veio hoje? De verdade.
Harry não piscou.
–Porque da última vez que eu te vi… Você me mandou embora antes que eu entendesse o que…– ela se interrompeu, tentando organizar os pensamentos –Caramba, o que é isso que acontece quando a gente fica perto. É como um imã que me puxa pra você e eu não consigo… Não. Eu não quero me afastar.
Louis prendeu a respiração. Ele não esperava por aquilo dito tão cru, tão sem rodeios.
–Harry…
–Fala– provocou Harry, mordendo o lábio inferior, com os olhos brilhando de álcool e coragem –Diz que não é nada. Diz que eu estou fantasiando. Que eu sou uma garotinha sonhadora.
Louis não disse. Não conseguiu.
Só desviou o olhar para qualquer lugar que não fosse Harry e o quão próximo ele estava.
Harry sorriu devagar.
–É– murmurou –Eu sabia.
Yohana apareceu gritando o nome de Harry lá no fundo da festa, mas ela nem virou.
Louis finalmente encontrou seus olhos, temendo que ela fosse mas ao mesmo tempo ansiando que ele desse fim a essa tortura e voltasse para sua amiga. Era tão confuso, com nenhuma garota foi tão confuso, que merda!
Ele tentou recuperar o controle da situação, respirando fundo antes de dizer:
–Você deveria ir.
Harry se aproximou, ao invés. O suficiente para que sua boca ficasse perto do ouvido de Louis –sem tocar, apenas o hálito tórrido o queimando.
–Se você queria que eu fosse, não teria ficado parado enquanto eu falava tudo isso.
Louis fechou os olhos por um segundo. Foi o máximo de deleite que se permitiu: ouvir aquela voz doce enfeitiçá-lo como uma sereia faria com o pescador.
–Vai, Harry– ele repetiu, num tom que traía o que realmente queria.
Harry deu um passo para trás, mas não desviou o olhar nem por um segundo.
–Eu vou, mas você sabe que isso não acabou.
E, antes de se afastar por completo, disse baixinho:
–Você sente. Tanto quanto eu.
Louis não respondeu, mas o silêncio que ficou disse tudo.
—
Era mais tarde na festa quando Harry encontrou Louis –desta vez perto de um grupo que fazia bastante barulho. Não era um jogo oficial, ninguém estava sentado em roda ou coisa do tipo. Era apenas um monte de gente batendo garrafas na mesa improvisada, rindo alto e apostando tragos.
Um cara gritou:
–Duelo! Quem perde, bebe!
Harry olhou, curioso.
Louis estava ali, encostado na mesa, braços cruzados, observando –tentando não participar, mas também não indo embora.
Era um jogo simples: dois participantes olhavam um para o outro, quem desviasse o olhar primeiro, bebia. Era divertido, porque os outros envolta podiam fazer palhaçada, mexer com eles ou qualquer outra coisa que fosse desviar a atenção dos participantes.
Era o jogo perfeito para Louis, com aquele olhar que até as medusas sentiriam inveja.
Harry nem pensou.
–Eu quero jogar– anunciou, os olhos já em Louis.
O grupo vibrou, achando graça. Louis ergueu o olhar, lento e pesado –o mundo pareceu diminuir.
–Não– Louis disse, de imediato, firme.
–Ah, qual é, cara!– alguém bateu em suas costas –Você é o nosso melhor jogador!
–Não– pareceu definitivo.
–Porra, se Tomlinson não quer que se foda ele. Eu jogo– outro cara se pronunciou, se sentando no sofá velho que tinha ali –Vem cá, gatinha.
Louis suspirou fundo, tentando não se irritar com a cantada fajuta, mas ver Harry indo até ele sem hesitar foi demais. Ele caminhou em passos largos até os dois e, com uma carranca fechada, disse:
–Tá, eu jogo. Sai do meu lugar, Phill.
O garoto em questão não se opôs, mas não pareceu muito feliz ao sair resmungando.
Harry, por outro lado, sentou-se sorrindo enquanto esperava Louis fazer o mesmo.
–Uma rodada– especificou Louis, sentando de frente para a garota no sofá.
Eles ficaram de frente um para o outro, tão próximos que Harry sentiu o cheiro de álcool na respiração de Louis. E ele percebeu que ela estava trêmula –mas não de medo.
Louis apoiou uma mão no encosto estofado do sofá, corpo inclinado, postura firme. Harry ergueu o rosto, encarando.
–Valendo!– alguém gritou.
E então começou.
Louis olhava como se quisesse atravessar. Frio, intenso, segurando tudo o que sentia como se fosse um metal quente entre as mãos. O ar denso e pesado fazia o ar difícil de respirar, mas olhar para Harry fazia ser fácil viver.
Harry sustentava o olhar de volta, mas era completamente diferente –era esperançoso, como quem vê um incidente iminente. Ela abriu um sorriso, insolente, lento e perigoso, como quase todos os seus até então.
–Você não vai vencer– murmurou.
Louis sentiu o impacto daquelas palavras por inteiro. E, por um segundo, o álcool venceu a lógica.
Em um momento ele estava encarando aqueles verdes lindos e amazônicos e no outro olhava para aquela boca vermelha e brilhante, sorrindo para ele. Só para ele.
Não conseguiu se conter.
Ele segurou o queixo de Harry com uma mão firme e a puxou pela metade de um segundo, colando a boca na dela.
Foi rápido. Duro. Quente.
Um beijo que parecia reprimido desde o primeiro encontro.
Tão forte que Harry fez um som baixo, surpresa, deixando Louis aprofundar o toque quando sentiu os dedos em seu pescoço.
E então…
Louis soltou-a como se tivesse encostado em fogo. Tão rápido como tudo começou, também acabou.
Levantou e recuou dois passos, a respiração acelerada e olhos arregalados.
–Eu… Ar– foi tudo o que ele disse antes de escapar para fora do galpão enquanto os gritavam e se desesperar com algo do tipo:
–ISSO QUE É PERDER O JOGO! MANDOU BEM, LOUEH!
Harry tentou sorrir e fingir que isso não a havia abalado, mas era em vão. O rosto queimou de vergonha, mas ela não hesitou em ir atrás de Louis, aproveitando o alvoroço da situação para se perder.
O ar fresco ajudava a situação, mas pouco. Louis estava com as mãos apoiadas nos joelhos, respirando fundo como se tivesse corrido uma maratona.
Harry chega perto, ofegante também, deslizando a mão no braço dele.
–Eu preciso te falar uma coisa– diz ela, com uma urgência que Louis nunca viu antes –Aquilo.. Hum… Foi o meu primeiro beijo.
Louis fechou os olhos.
Droga.
Porra.
Merda!
–Harry…– ele começa, mas a voz vacila –Você não devia ter me contado isso. Olha… Aquilo… Aquele momento não foi um beijo.
Silêncio imediato.
Harry desaba um pouco por dentro. Não era aquilo que ela esperava ouvir, de todas as coisas, ainda mais no seu primeiro beijo.
–Ah– ela diz. Só isso. Como se não conseguisse montar mais qualquer outra frase –Então é assim que você vê.
Louis passa a mão no rosto.
–Eu to querendo dizer que foi um acidente. Que a gente tava bêbado. Que-
Ele tenta explicar, mas Harry escuta outra coisa: rejeição.
Ela dá um passo à frente, olhar quente e agressivo –decidido.
–Você acha que aquilo não foi um beijo?– ela pergunta, voz baixa, quase um sussurro.
–Foi um erro– ele insiste, mas o tom falha. Ele não queria realmente acreditar nisso.
Harry aproxima-se mais. As mãos sobem devagar, tocando o rosto de Louis com uma delicadeza que não combina com o coração disparado dos dois.
–Então deixa eu te mostrar a diferença.
Louis congela.
E Harry o beija.
Não como antes. Não rápido. Não acidental.
Era mais; profundo, quente, úmido. Havia língua e movimentos desgovernados. Um beijo de uma não beijadora –porque era isso que Harry era, até então.
Era o tipo de beijo que arranca o ar, que atravessa tudo, que diz “eu esperei por isso e agora tenho”.
Louis perde o chão. Os dedos seguram a cintura da garota com força, como se tentasse se agarrar a uma realidade alternativa. Onde não precisasse lutar contra si mesmo.
E, por um momento, –curto, perigoso e verdadeiro– ele se permite relaxar, deixar as coisas fluírem.
E ele odeia cada segundo em que gosta disso.
Quando finalmente se separam, o rosto dele está vermelho, os lábios entreabertos e molhados de saliva.
–Isso nunca mais… Nunca mais vai acontecer– ele consegue dizer, mas é fraco, quase um pedido para que o mundo o deixe em paz –Esquece, Harry. Por favor.
Harry dá um meio passo para trás, abalada. O beijo parecia ter sido uma porta aberta, mas bastou que Louis caísse em si novamente que a tranca voltava a se fechar. Com duas voltas, ainda.
–Certo…– ela diz, mas a voz se quebra.
Louis já estava andando para o próprio carro quando ouve e vê, por cima do ombro, uma das piores cenas que já vivenciou. A garota deixava lágrimas mancharem seu belo rosto em um choro silencioso. E o pior, ele sabia que era o motivo.
___
Os dias seguintes passaram devagar. Se arrastando em climas quentes e ensolarados, sem se importar que Harry parecia mais trovoadas e nuvens cinzas.
Ela tentou fingir que nada havia acontecido. Tentou se convencer de que tinha sido só um beijo errado numa festa barulhenta, com gente muito bêbada e luzes fracas. Tentou rir quando Yohana contava suas piadas engraçadas. Tentou prestar atenção quando os professores davam matéria de prova. Tentou voltar a ter a rotina confortável que sempre foi lhe imposta com a vida fácil que sempre teve.
Mas o gosto não saia da boca.
Não o gosto de físico–o outro. O da experiência quebrada. Da vergonha silenciosa. Da decepção de entregar-se sem receber em troca.
Era estranho pensar que aquele tinha sido seu primeiro beijo. Não foi romântico, como sempre pensara que ia ser –apesar da química inegável que tinha com Louis–, nem bonito. Ela não queria soar dramática, mas agora ficaria para sempre em sua memória; não a ação, mas as palavras duras que foram faladas depois.
Às vezes, Harry se pegava encarando o nada, lembrando da mão de Louis em sua cintura, como se a quisesse ali.
Ela não contou para Yohana. Não contou para ninguém.
Apenas… Guardou.
Até que, numa tarde qualquer, depois de pouco mais de uma semana, sem nem perceber que estava repetindo um vício perigoso, soltou:
–Você vai na corrida esse fim de semana?
Yohana ergueu a sobrancelha.
–Que isso? Vai virar tradição essa porra, agora?
Harry deu de ombros, tentando parecer casual.
–Sei lá… Não tenho nada melhor para fazer mesmo, então por que não?
Era mentira. Os pais só a deixavam sair aos fins de semana porque viajavam tanto que se sentiam mal de deixá-la sozinha, mas sempre exigiam estudos fervorosos dela. Mas Yohana não tinha como saber.
–Posso te levar, sim– ela respondeu –Mas vê se dessa vez assiste a corrida, né? Das outras vezes você parecia no mundo da lua.
Harry riu, sem humor.
Ela achou melhor não comentar o verdadeiro motivo: que só queria ver Louis. Nem que fosse de longe, apenas para saber que ele era real. Que o que ela teve com ele foi real, mesmo que por um breve segundo.
___
Harry reconheceu o lugar antes mesmo de o carro parar. O coração já estava acelerado quando Yohana desligou o motor.
–Vai ficar me olhando assim até a corrida começar?– ela provocou, rindo –Parece até que tá esperando alguém aparecer do nada.
Harry desviou o olhar rápido demais.
–Nada a ver.
Mentira. Ela o viu quase que imediatamente.
Louis estava próximo a caminhonete, conversando com dois caras, postura relaxada demais para quem normalmente se isolava. O estômago de Harry apertou –ele estava lindo, como sempre.
Ela ficou onde estava, sem saber se devia se aproximar. Tinha prometido a si mesma que não faria papel de boba novamente.
Mas não precisou se decidir.
Louis quem a olhou primeiro –os olhos azuis já estavam nela quando ela o avistou. E dessa vez ele não desviou.
O olhar demorou um segundo a mais do que seria neutro. Um segundo que dizia: eu te vi. Depois, ele se despediu dos caras com um gesto curto e caminhou na direção dela.
Acontece que Louis também não parou de pensar no beijo durante aqueles dias. Não no ato em si, mas na imagem que o perseguiu e o atormentou: o rosto choroso de Harry. Ele tinha sido duro, mais do que queria e, com certeza, mais do que precisava. Sabia que tinha falado aquilo por medo, e não porque era verdade.
Por isso se aproximou de Harry sem esperar que ela o fizesse. Culpa? Ou algo assim…
Harry sentiu o corpo ficar em alerta.
Louis parou a uma distância respeitosa –nem perto demais para pressionar, nem longe demais para parecer indiferente.
–Sua amiga dirige bem– ele comentou, apontando discretamente para o carro de Yohana –Ela devia pensar em competir.
Yohana abriu um sorriso de orelha a orelha. Era meio que seu sonho correr, mas ela não tinha confiança o suficiente para se inscrever.
–Obrigada! Mas quem sabe um dia, não é mesmo?
Louis assentiu, quase sorrindo.
Harry observava em silêncio. Aquilo já era estranho o suficiente: Louis conversando casualmente. E pior, não dando indícios de que queria parar. Gentil…
Ele então voltou a olhar para Harry. Não intenso, como antes, mas cauteloso. Humano.
–Você voltou– ele disse, sem acusação no tom.
–Voltei– Harry respondeu, simples.
Um silêncio breve se instalou. Não desconfortável, apenas carregado. Uma nuvem de tensão pairando sobre a cabeça dos dois. Yohana notou, mas tentou fingir que não… Harry teria muita coisa para lhe explicar mais tarde.
–A corrida hoje vai ser mais curta. A pista não tá muito segura, sabe? Semana passada alguém estourou as rodas nos meio-fios, já estavam bêbados demais– Louis disse, para quebrar o silêncio.
Era apenas uma informação banal –a qual ele sabia que Harry não dava a mínima. Mas isso não era sobre corrida, era uma tentativa de manter a conversa viva.
Harry entendeu.
–Mesmo assim eu gosto de assistir– respondeu –Dá pra sentir a vibração de longe.
Louis assentiu lentamente.
–É… Dá mesmo.
Os olhos deles se encontraram novamente. O verde e o azul conectando-se além de palavras. Não havia desculpas ditas. Mas ainda estava diferente: tinha cuidado, respeito, espaço.
Yohana percebeu mais uma vez a tensão e decidiu lhes dar um pouco de privacidade. Estava claro que eles tinham mais para conversar do que ela tinha para assistir.
–Vou ali pegar uma bebida antes que acabe– ela disse, sem intenções reais de ser ouvida, já que eles pareciam presos no próprio mundinho.
Louis sentou-se no lugar antes ocupado por Yohana.
–Você…– ele parou, como se estivesse escolhendo as palavras –Você ficou bem depois da outra noite?
Harry não esperava por aquilo. Ela achava que Louis tinha esquecido, assim como a mandara fazer.
–Fiquei– mentiu.
Louis assentiu novamente, aceitando sua resposta –mas seu olhar suavizou, como se parte da culpa encontrasse um lugar para pousar, mesmo que ele suspeitasse que era mentira.
–Que bom.
Eles ficaram em silêncio por um longo período. Yohana ainda não tinha voltado e o clima estava voltando a ficar pesado.
Harry cruzou uma perna sobre a outra, descansando as mãos sobre o colo. Louis não pode deixar de notar as unhas bem feitas e pintadas em um vermelho que destacava seu tom de pele.
–Você sempre vem em todas as corridas?– perguntou, apenas para manter a conversa respirando.
Louis inclinou a cabeça.
–Quase todas. Os caras sempre precisam de alguma ajuda ou outra com os carros, sabe? Não sou o único mecânico, mas sou o melhor e eles sabem– um canto de sua boca se ergueu em um quase sorriso –E você? Não parece muito do tipo que gosta de lugares barulhentos.
Harry soltou um riso curto.
–Não sou mesmo– depois, mais honesta: –Mas aqui é… Diferente.
Louis entendeu o que não foi dito.
–Diferente como?
Harry demorou meio segundo para responder.
–Menos previsível.
Ele assentiu.
–É. Aqui nada vem com um manual.
O comentário pairou entre eles com mais significado do que transparecia.
Harry observou as mãos de Louis –ainda com vestígios de graxa, unhas curtas, marcas de trabalho duro e um tanto grossas. Tão diferente das mãos dos garotos que tinham em sua escola, acostumados com a vida fácil.
–Você trabalha com isso desde quando?– perguntou.
–Desde sempre, praticamente– Louis olhou para onde ela estava olhando e de repente sentiu vergonha, escondendo as mãos no bolso do macacão –Meu tio tinha uma oficina, sabe? Ele me criou e eu tentava retribuir da melhor forma que podia, mesmo que às vezes eu mais atrapalhasse que ajudasse.
Harry riu da piadinha mal feita.
–E você gosta?
Louis pensou um pouco antes de responder.
–Não é sobre gostar. É sobre precisar fazer– ele percebeu que soou um pouco grosso, então acrescentou: –Mas tem dias que eu gosto, sim.
A garota sorriu.
–Dá pra ver quando você fala de carro. Você fica menos… Fechado.
Louis arqueou uma sobrancelha.
–Tão óbvio assim?
–Um pouco.
Louis riu de verdade dessa vez –breve, baixo, mas riu.
–E você?– foi a vez dele perguntar –O que você gosta, além de se meter onde não conhece?
Harry fez uma careta fingida de surpresa.
–Eu não me meto em qualquer lugar!
–Só nos mais barulhentos e perigosos.
–Exato!
Eles sorriram cúmplices. Era estranho como a conversa fluía melhor agora. Sem pressão, sem bebida, sem gente olhando.
Louis permaneceu em silêncio, esperando Harry responder. Ele não pode deixar de notar que ela mudara de assunto de propósito, mas deixou que ela falasse no tempo dela.
–Eu…– ela começou, indecisa, mordendo o lábio inferior. O que ela diria? Nem sabia do que gostava, não como se ela tivesse um hobby, como Louis.
Louis esperou, pacientemente.
Ela soltou um riso sem graça, baixinho, quase como uma lufada de ar.
–Isso pode parecer patético, mas, na verdade,...– ela coçou a nuca –Eu não sei.
Louis franziu a testa.
–Não sabe?
–Não sei do que eu gosto de verdade– a confissão saiu mais baixa do que esperava, quase envergonhada –Tipo, eu faço um monte de coisas, mas nada parece realmente meu. Sempre teve alguém decidindo por mim. Ou esperando algo de mim.
Ela ergueu os ombros, desconfortável.
–Acho que nunca parei pra descobrir.
Louis sentiu algo apertar no peito –uma empatia silenciosa que ele não esperava.
–Isso não é patético– ele disse, simples.
Harry arriscou um olhar.
–Não?
–Não– ele deu de ombros –Só significa que você ainda não encontrou seu lugar no mundo. E tá tudo bem.
Harry absorveu aquilo como quem recebe algo precioso demais para responder na hora.
O silêncio voltou, mas agora diferente –mais humano e mais próximo.
Harry arrumou a barra da saia, como se estivesse juntando coragem para continuar.
–Você sempre foi assim? Mais na sua?
Louis respirou fundo antes falar algo.
–Sempre. É mais fácil, sabe? Menos expectativa dos outros.
–E menos confusão– Harry completou, sem perceber o peso da palavra.
Louis olhou para ela por um longo momento, parecendo ter uma questão interna.
–É… Menos confusão.
O garoto percebeu de longe a amiga de Harry voltando. Passou a mão na nuca, nervoso –coisa que não combinava com ele.
–Harry… Eu queria que você entendesse uma coisa.
Harry ergueu o olhar, atenta.
–Eu gosto da sua companhia. De verdade– ele escolheu as palavras com cuidado –Mas eu não posso te dar… O que você tá procurando. Não agora. Talvez nunca.
O coração de Harry apertou –não como um choque, mas como um aperto lento, resignado, oprimido.
–Então você quer que a gente…– ela começou.
–Seja amigo– Louis completou, direto, mas gentil –Se você topar. Eu não quero mais continuar te afastando, mas também não quero mais te machucar.
Harry engoliu em seco. Amigo não era o que ela sonhava, mas perder Louis também não estava sob cogitação. Não agora, pelo menos, que ele se permitiu abrir tanto com ela.
–Tá– ela disse, após um minuto inteiro –Eu consigo tentar.
Louis pareceu aliviado –e, ao mesmo tempo, estranhamente triste.
Yohana apareceu finalmente, alegre como sempre e com o copo de bebida pela metade, interrompendo o momento.
–Desculpa a demora, parei para conversar com uns amigos. O que eu perdi?
Louis deu um sorriso educado, se levantando.
–Nada demais, eu já estava de saída.
Antes de se afastar, ele deu um passo na direção de Harry –hesitando por um instante, como se avaliasse se devia ou não– e então inclinou-se, deixando um beijo rápido e leve na bochecha dela.
Não foi romântico. Não foi provocativo.
Apenas um gesto de cuidado.
–Fica bem, tá?– ele murmurou.
E foi embora.
Harry ficou parada, o rosto quente e o peito bagunçado.
Tinha acabado de concordar em ser só amiga, mas o beijo na bochecha fazia seu coração bater como se ainda houvesse esperança.
E talvez –só talvez– existisse mesmo.
___
Os dias não mudaram de uma vez. Eles foram se encaixando uns nos outros, como peças pequenas formando algo maior sem que nenhum dos dois percebesse exatamente quando começou.
Harry passou a aparecer nas corridas mesmo quando Yohana não ia –que por falar nela, agora sabia de toda sua história com Louis e não aprovava, mas também não opinava sobre para a amiga. Às vezes chegava mais cedo só para sentar na traseira da picape de Louis enquanto assistia ele mexer nos carros dos corredores.
No começo, ela fazia perguntas demais –muito bobas, outras curiosas demais para alguém que claramente não entendia de mecânica. “Isso aí serve pra que?”, “E se você errar essa parte?”, “Você já correu em algum desses carros?”.
Louis respondia com frases curtas, meio defensivo no início. Mas, aos poucos, começou a explicar de verdade –desenhando com o dedo no ar, apontando peças, usando exemplos simples para que ela entendesse. Ele podia ver que ainda assim era confuso para ela, mas achava muito fofo vê-la tentar.
E Harry ouviu como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Não pelo carro, mas por Louis.
Com o tempo, Harry começou com pequenas ofertas: uma garrafa da água gelada em um dia quente, um lanche que sua empregada preparou para ela, mas ela achou que Louis ia gostar mais do que ela, uma música que ela mostrou pelo celular.
Nada grandioso, mas constante.
Louis não era muito de agradecer –apenas aceitava– e isso, estranhamente, era mais íntimo do que a palavra “obrigado”.
Eles passavam a dividir silêncios sem desconforto. Harry ia à oficina de Louis após a escola, sentava no sofá velho dele e ficava assistindo-o trabalhar –ou, às vezes, fazia sua lição de casa e estudava enquanto ouvia ele xingar quando algo dava errado.
Em algum momento, Louis começou a perceber que deixava Harry chegar perto demais do que normalmente protegeria: tocar seus instrumentos, invadir seu espaço, sua concentração.
E Harry começou a perceber que aquele galpão improvisado, cheio de óleo de motor e metais, era o único lugar onde ela não sentia como se precisasse performar algo.
Eles se tocavam sem perceber: quando Louis vinha descansar perto dela no sofá e, por muitas vezes ficava curioso para saber que tipo de matéria eles estudavam nessas escolinhas de ricos e acabava passando o braço em volta do pescoço de Harry; ou quando Louis segurava sua mão e a levava para mostrar algo no motor; ou Harry vinha ajudá-lo e seus ombros chegavam a se encostar.
Nada declarado, mas muito carregado.
As conversas também passaram a ser diferentes.
Harry começou a falar mais da própria vida, de como os pais quase não paravam em casa mas ainda assim colocavam expectativas nela –e só ai Louis percebeu uma semelhança entre eles, pois ambos eram sozinhos nesse quesito– e de como sua vida inteira já tinha sido planejada e ela não tinha nem o direito de opinar pois já estava acostumada a “agradar” os pais.
Louis a ouvia com paciência, percebendo que talvez sua vida fosse tão limitada quanto a dele. Por motivos diferentes, mas ainda assim.
Às vezes, ele dizia:
–Isso parece ser cansativo.
E Harry sentia como se finalmente alguém estivesse enxergando algo que ela mesmo não sabia explicar.
Louis, por sua vez, começou a deixar escapar pequenos fragmentos de si: histórias soltas de sua adolescência, noites dormindo na oficina, de como às vezes matava aula para ficar vendo o tio trabalhar para aprender o que seria seu futuro.
Nada organizado, mas real.
A relação foi ficando confortável demais para ser casual. E intensa demais para ser apenas amizade –mesmo que ninguém dissesse isso em voz alta. Eles estavam se dando muito bem.
Até que um dia as coisas mudaram.
Harry foi animada para o galpão naquele dia. Estava abafado naquela tarde, o sol baixo atravessava as frestas do telhado e iluminava partículas de poeira no ar. Um carro diferente, incompleto e sujo, estava parado bem no centro da oficina. Desmontado em partes, como um corpo aberto em uma mesa de cirurgia.
Ela viu Louis sentado no sofá, lendo algum tipo de livro/manual/jornal –ela realmente não sabia dizer– com uma cara amarrada. Percebeu logo que algo não estava certo.
–Oi– ela disse, para começar –Aconteceu alguma coisa?
Louis demorou um pouco para responder.
–Um cara me passou esse Mustang– disse, finalmente, levantando os olhos para o carro –Um modelo bem antigo. Raro.
Harry arregalou os olhos.
–Isso é incrível!
Ela olhou para o carro também. Não podia dizer muito sobre pois não entendia nada de mecânica, mas era um lindo carro. Azul marinho, capô grande e bem estruturado. Daria um belo exemplar quando pronto.
Louis soltou um meio sorriso.
–É… E não é.
Ele se levantou e caminhou até o carro, apoiando as mãos no buraco da janela.
–Pra deixar ele rodando de verdade, eu vou ter que praticamente reconstruir tudo. O motor, suspensão, parte elétrica… É como começar do zero.
Harry acompanhava atenta, séria.
–Mas você consegue, né?
–Tecnicamente? Sim– Louis respirou fundo, de olhos fechados –Financeiramente? Não.
Harry nem pensou antes de falar:
–Eu posso ajudar?
Louis ergueu o olhar de imediato, virando-se para ela.
–Não.
–Por que não?– Harry rebateu, rápido –Não faz sentido você ficar travado quando existe uma solução óbvia.
–Óbvia pra você.
–Louis, dinheiro não é um problema pra mim. Não vai me fazer falta nenhuma.
A frase saiu errada. Harry percebeu tarde demais.
O maxilar de Louis travou.
–Esse é exatamente o problema, Harry.
–Qual problema? Eu tô te oferecendo ajuda!
–Você tá me mostrando o quanto vive em outro planeta.
Harry cruzou os braços, já na defensiva.
–Ah, então eu sou a alienígena da história?
–Você não entende o peso das coisas, Harry. Você nunca teve que pensar duas vezes antes de gastar.
–Isso não faz de mim uma pessoa ruim!
–Não, mas faz inconsequente.
–Inconsequente?– Harry riu, sem humor –Você nem me conhece o suficiente pra falar isso.
–Conheço o bastante pra saber que resolve tudo com dinheiro.
Harry deu um passo à frente.
–Porque às vezes dinheiro resolve mesmo! Você que insiste em tornar tudo nem drama de sobrevivência.
Louis sentiu o golpe.
–Drama?– a voz dele subiu –Você acha que é drama saber se eu vou conseguir manter esse projeto vivo? Eu sonhei com um desses a minha vida inteira, Harry, e eu gostaria muito que ele fosse meu.
–E eu tô tentando te ajudar!
–Eu quero que ele seja meu, não nosso.
Harry se sentiu ofendida.
–Você acha que eu cobraria o carro de você?
–Cinquenta, cinquenta, não é assim que funcionam negócios?
–Louis, eu não quero fazer negócios com você, eu só quero investir no seu sonho!
–Não, Harry, o que você tá tentando fazer é me controlar.
–Eu não tô!
–Tá sim. Do seu jeito bonito, educado, mas tá. Você entra na minha vida achando que pode organizar tudo como se fosse mais um ambiente da sua casa perfeita.
Harry empalideceu, não acreditando que Louis falara aquilo depois de tudo o que contara para ele.
–Você não sabe nada sobre a minha casa.
–Sei que você nunca dormiu com medo de não pagar uma conta.
–Isso não te dá direito de me tratar como se eu fosse uma idiota mimada!
–Dá sim, quando você age como uma.
O ar entre eles ficou pesado, quase irrespirável.
Harry sentiu algo quebrar.
–Você me deixa ficar, me deixa ouvir suas histórias, me deixa achar que faço parte da sua vida… Mas na hora que eu tento entrar de verdade, você me empurra pra fora como se eu fosse um erro!
Louis desviou o olhar, atingido –mas não recuou. O orgulho falava mais alto.
–Talvez porque você seja.
Harry piscou, tentando manter a postura. Se recusaria a chorar na frente dele novamente.
–Então você acha que eu sou um problema.
–Eu acho que você complica tudo.
–Eu só tô tentando não ser inútil.
A frase escapou sem filtro.
Louis olhou para ela, confuso.
–Inútil?
–É. Porque eu não sei fazer nada de verdade, Louis! Eu não tenho nada que seja meu, eu não sei do que eu gosto e você ainda faz parecer que a única coisa que eu posso oferecer é dinheiro!
Louis respirou forte, a culpa e a raiva se misturando.
–Isso não é culpa minha.
–Não, mas você reforça!
Eles estavam falando mais alto agora. O eco do galpão fazendo tudo parecer ainda mais forte.
–Você não sabe dividir espaço, Harry!
–E você não sabe deixar ninguém chegar perto!
–Porque quando eu deixo, dá nisso!
–Nisso o quê?!
Louis passou a mão pelo rosto, exausto e irritado.
–Em duas pessoas que não falam a mesma língua.
Harry ficou em silêncio por um instante. Ela queria rebater, dizer que ele estava errado, que essas últimas semanas foram as melhores de sua vida. Que ela nunca se sentira tão bem antes e que ela não só o entendia como o enxergava. Mas nada adiantaria, Louis não queria ouvir –ele estava abalado, irritado e frustrado demais consigo mesmo até para ouvir a própria voz.
Então ela engoliu o orgulho uma última vez.
–Eu só vim aqui pra te avisar que vai ter uma festa lá em casa. Meu aniversário– a voz saiu mais baixa, mas firme –Dezoito anos.
Louis não respondeu. Ele sequer a olhava.
–Você pode ir… Se quiser– Harry deu um meio sorriso amargo –Mesmo depois de tudo.
Era um convite, embora soasse mais como uma despedida mal resolvida.
Louis ficou parado, incapaz de responder. De reagir.
Harry assentiu sozinha.
–É. Eu imaginei.
Então ela saiu, segurando as lágrimas para quando estivesse no carro.
Quando alcançou a porta do galpão, ela olhou para trás e disse com o fio de esperança que seu coração insistia em manter:
–Oito horas. Você sabe o endereço.
___
A música estava alta demais, as luzes coloridas ficavam girando por todos os cantos, as risadas se perdiam em meio a multidão e a casa ficava cada vez mais cheia –como se Harry tivesse tantos amigos assim.
A garota já nem contava mais quantos copos tinha bebido. Claro, não estava bêbada a ponto de perder o controle –ela estava naquele estado tênue de solta, leve e risonha, com aquele calor no peito que fazia tudo parecer o máximo mesmo que no dia seguinte não fosse mais.
Ela ria alto, gesticulava mais do que o normal, encostava nas pessoas sem perceber. Mas ainda assim, ela estava linda.
Os cachos compridos caiam sobre os ombros desnudos e pálidos. Usava um vestido tubinho simples vermelho com um salto alto da mesma cor, entretanto conseguia ser a pessoa que mais chamava a atenção. E não apenas por ser a aniversariante, mas porque tudo nela era convidativo e elegante, desde o sorriso doce com aquelas covinhas profundas, até o modo como se movia entre as pessoas em busca de espaço.
E por mais divertido que estivesse, uma parte dela ainda estava atenta a porta.
Quando Louis finalmente apareceu, parado meio sem jeito na porta de entrada –com uma calça jeans simples e uma camisa branca de botão– ela demorou alguns segundos para registrar que ele era real e não apenas um pensamento insistente da própria cabeça.
Então um sorriso veio. Grande, aberto, luminoso demais para alguém que tinha passado dias magoada.
Harry se levantou do sofá em um pulo, assustando Yohana –que já se atracava com um engomadinho qualquer ao seu lado– e praticamente correu na direção dele.
–Você veio!– foi o que ela disse antes de se jogar nos braços dele.
Louis mal teve tempo de reagir quando braços o envolveram em um abraço forte e desajeitado. O cheiro do perfume dela invadindo suas narinas junto com o frescor doce de alguma bebida.
Por um segundo, ele ficou rígido.
Mas então relaxou –devagar– subindo a mão pelo corpo de Harry até se fechar em suas costas. Foi um abraço um pouco breve, mas que durou tempo o suficiente para saber o quão quente e macio o corpo dela era. E –ele se odiou por reparar– o quanto ela se encaixava nele como se tivesse sido feita sob medida.
–Oi– ele disse, meio sem fôlego.
Harry se afastou o suficiente para encará-lo, os olhos brilhando. Deus, ela era tão óbvia!
–Eu achei que você não vinha.
Louis engoliu em seco.
–Eu… Queria falar com você.
O tom sério destoava daquele ambiente.
–Sobre aquele dia… Eu f-
–Não– Harry disse, rapidamente, colocando a mão sob a boca de Louis. Ela sorriu gentil, mas ainda havia algo firme em sua postura –Hoje é meu aniversário. Eu não quero estragar.
Antes que Louis pudesse insistir, Harry já tinha puxado-o pela mão, fazendo-o acompanhá-la.
–Vem. Shot comigo. É obrigatório!
–Harry, eu nem-
–Aniversário, lembra?– ela ergueu uma sobrancelha, de modo teatral –Sem discussão.
Louis se deixou ser arrastado, abrindo um sorriso de quem não acredita que cedeu.
A cozinha estava cheia demais, gente demais falando ao mesmo tempo, copos coloridos de plástico jogados por todo o balcão de mármore branco. E ainda assim, tudo parecia extremamente limpo e organizado. Podia ser porque tudo ali era extremamente bem polido, refinado e limpado cuidadosa e religiosamente todos os dias –e isso só lembrava a Louis o grande abismo que havia entre suas realidades, chegou a se envergonhar de já ter oferecido água a Harry em um copo que comprou por dois reais em uma promoção relâmpago.
Harry serviu algo em dois copinhos e lhe entregou um.
–Essa é forte. Eu acho– ela riu, meio sem saber.
–Você acha?
–Confia em mim.
E eles viraram juntos.
Louis fez uma careta automática com o gosto e sentiu queimando quando passou pela garganta. Mas ele, definitivamente, já tinha tomado coisas piores.
Harry riu alto, quase tropeçando para trás.
–Viu? Tradição de aniversário.
Louis sorriu, apesar do desconforto.
Ao redor deles, pessoas bonitas demais e roupas caras demais, conversas sobre viagens, festas e mais roupas, coisas que Louis nunca tinha vivido ou experimentado –e provavelmente nunca teria.
Ele sentia os olhares curiosos, avaliando-o. Não pareciam hostis, mas Louis sabia que eles deviam achá-lo um alienígena e se perguntou se era assim que Harry se sentia em seu território.
Sentia-se tenso.
Mas toda vez que começava a ficar insuportável demais, Harry aparecia de novo ao seu lado –oferecendo outra bebida, puxando conversa, apresentando-o a alguém. Como se, instintivamente, soubesse que Louis precisava de um ponto de apoio. Uma âncora em meio a esse mar desconhecido.
–Você está muito quieto– Harry comentou em dado momento, encostando perto demais por causa do barulho.
–Só observando– ele respondeu.
Harry sorriu torto.
–Você observa demais.
Louis ia responder, mas um grupo passou rindo alto e esbarrando neles sem pedir desculpas. Seu corpo foi jogado contra o de Harry e ele pode sentir os seios da garota em seu peito.
Ele sentiu o incômodo subir.
A casa não era dele. A linguagem não era dele. As pessoas não eram dele.
Mas Harry era. E ela estava ali, olhando-o com tanta esperança que doía.
Ele apertou os olhos com força e se afastou um pouco, voltando a sua posição de antes.
___
Harry estava determinada a aproveitar cada segundo que conseguisse roubar dentro da própria festa.
Toda vez que conseguia escapar de alguém –seja para uma foto, um parabéns aleatório, uma pergunta idiota sobre música, ou até barrar aqueles que queriam se esgueirar pelo andar de cima– ela voltava para Louis como se fosse um reflexo automático. O corpo encontrava o dele antes mesmo do pensamento.
Encostava ao lado dele na bancada, inclinava o rosto para falar por cima da música, sorria daquele jeito mais pequeno, mais verdadeiro, que não usava com mais ninguém ali.
–Você ainda tá vivo?– Harry brincou, oferecendo um copo que ela não lembrava de ter ido buscar.
–Por enquanto– Louis respondeu.
Harry riu, apoiando-se na bancada, tão perto de Louis que seus corpos se tocavam.
–Eu odeio essas festas, sabia?– Harry confessou, sem drama, como quem revela um segredo pequeno –Mas hoje… Tá menos pior.
Louis ia perguntar o porquê –mesmo que no fundo ele já soubesse–, mas alguém gritou o nome de Harry do outro lado da sala.
Harry fechou os olhos, frustrada.
–Droga.
Ela tocou rapidamente o antebraço de Louis –leve, quase nada– e saiu, já pedindo desculpas por cima do ombro.
Louis ficou onde estava, parado, sentindo todo o lado do corpo que Harry estava monopolizando quente.
Observou-a de longe.
Viu ela sorrir para outras pessoas, mudando o tom de voz, a postura, o tipo de atenção que oferecia. Como ela se personalizava e se moldava para atender a todos. Viu como todos pareciam querer um pedaço dela. Como ela pertencia àquele excesso –ou, ao menos, performava muito bem que sim.
Sentiu uma fisgada incômoda no peito.
Quando Harry voltou, alguns minutos depois, estava ainda mais solta. O sorriso mais lento e o olhar mais brilhante.
–Prometo que agora eu fico– disse, como se fosse uma jura.
Eles ficaram próximos de novo. Harry parecia ter essa coisa com espaço pessoal –ou era apenas com Louis.
Ela começou a falar de alguma lembrança boba da infância, algo sobre uma piscina enorme e uma festa que deu errado por causa de um cachorro.
Louis, no entanto, parecia prestar mais atenção na forma como a boca dela se movia, com o sorriso se expandindo a cada frase.
Harry gesticulava demais. Encostava no próprio braço, no balcão, no espaço entre eles.
–... e aí todo mundo saiu correndo molhado, foi um caos total– ela concluiu, rindo.
Louis sorriu, mas porque o sorriso dela era lindo e contagiante. Ele sequer prestou atenção na história, mas estava pronto para responder algo quando foi interrompido:
–Harry!
Uma voz a chamou.
Harry suspirou, revirando os olhos, antes de abrir o sorriso mais gentil que conseguiu.
–Eu volto. Juro.
E saiu outra vez.
Louis apoiou a mão no balcão atrás de si, respirando fundo.
Ele não queria sentir aquilo. Aquela expectativa boba. Aquele sentimento que ele sabia nomear mas que era como Voldemort.
Quando Harry retornou pela terceira vez, já tinha dois copos.
–Agora ninguém me tira daqui– anunciou, teatralmente.
Eles brindaram. Aquela bebida era doce puro, Louis gostaria muito de saber o que era aquilo.
Harry encostou um pouco mais perto agora –se proposital ou não, nem ela saberia dizer. A música vibrava no chão. O calor dos corpos ao redor deixava o ar tenso.
E então alguém entrou no espaço deles.
Um cara alto, loiro, confiante e com um sorriso fácil.
–Desculpa interromper– ele disse, olhando diretamente para Harry –Mas eu precisava te conhecer. Oi, sou Theo.
Louis sentiu essa interrupção como um ataque.
Já Harry sorriu educado.
–Oi, Theo. Eu sou Harry.
–Você tá incrível hoje– o garoto, que parecia um universitário, continuou –A festa também, mas digo… Você tá um absurdo!
Louis observou em silêncio.
O jeito como Theo olhava para Harry, se inclinava para dentro de seu espaço –como ela fazia com ele, droga!– e como ele a elogiou, deixava claro suas intenções.
Harry respondia por educação, mas o corpo se afastava no automático –sinal esse que Theo ignorava– chegando cada vez mais perto de Louis.
–Você sempre faz festas assim?– ele insistiu em manter a conversa.
–Nem sempre– ela respondeu, breve.
Louis percebeu algo estranho acontecer dentro dele: uma tensão no maxilar, um calor subindo pelo peito,uma vontade absurda de se fazer presente na conversa, de se impor de algum modo.
Mas ele não tinha esse direito.
Então apenas ficou parado. Olhando como um terceiro.
Theo riu de algo pequeno demais para ser engraçado e, num gesto quase casual, tocou o braço de Harry.
O toque foi rápido, mas foi o suficiente.
Louis sentiu o estômago revirar e desviou o rosto, olhando para a parede enquanto bebericava sua bebida.
Harry lançou um olhar para Louis –um pedido silencioso que nem ela mesmo entendia o que significava.
Louis nem viu. Estava fechado. Distante.
Harry voltou sua atenção para Theo.
–Eu vou ali falar com umas pessoas, mas a gente se vê depois– Theo disse, confiante, como se já estivesse combinado.
–Talvez– Harry respondeu, educada, mas vaga.
Theo se afastou.
O espaço que ele deixou parecia pesado entre eles.
Harry soltou o ar devagar.
–Desculpa– ela murmurou, sem saber exatamente por quê.
–Não precisa– Louis respondeu rápido, tentando ao máximo deixar o tom neutro.
Mas precisava.
O silêncio entre eles ficou carregado de algo que nenhum dos dois estava pronto para falar.
Louis sentia o limite que ele mesmo impôs gritar por dentro. Gritando para que ele acabasse com esse negócio de amizade, pois ele sabia que nunca seria só isso.
Harry sentia o vazio estranho de não ter sido escolhida naquele microinstante.
E a festa ao redor deles continuava, indiferente.
___
A festa foi perdendo força aos poucos, como uma onda que recua sem ninguém perceber exatamente como começou.
A música foi ficando mais baixa, as risadas mais espaçadas, os grupos se desfazendo um a um até que não sobrasse mais ninguém.
Exceto Louis.
Que continuou ali, orbitando Harry sempre que dava. Com conversas curtas, comentários soltos, risadas pequenas. Nada tão intenso quanto antes –mas também não era distante.
Era como se estivessem reaprendendo a existir no mesmo espaço depois da briga.
Harry estava claramente bêbada, mas não de um jeito perigoso. Apenas mais lenta, solta, rindo das próprias falas, apoiando o peso no que estivesse mais perto sem nem perceber.
Quando o último convidado foi embora, Louis percebeu um pequeno desequilíbrio na forma como Harry andava.
–Ei– ele segurou o braço dela com cuidado após fechar a porta da frente –Você tá bem?
–Tô ótima– Harry respondeu, arrastando um pouco as palavras –O chão que tá estranho.
Louis suspirou, mas sorriu.
–Vem, garotinha. Vamos nos sentar.
Ele ajudou ela a caminhar, mas ela entendeu tarde demais a sua fala.
–Ei! Garotinha não, agora eu tenho dezoito anos, esqueceu?
Isso não mudava nada, mas Louis não iria discutir com ela. Não enquanto ela não tivesse condições de rebater a altura, pelo menos.
Ele fez ela se sentar, mas ela praticamente despencou nos almofadões, rindo sozinha.
–Isso aqui é macio demais– comentou, esticando as pernas de qualquer jeito.
O vestido subiu bastante durante a queda, revelando que a calcinha fazia parte da paleta de cores daquela noite. Louis desviou os olhos rápido demais, tirou os saltos dela e a cobriu com a manta que decorava o sofá.
–Tenta ficar quieta um pouco.
Harry fez um biquinho dramático. Louis não pode impedir seus olhos de correrem por ali.
–Você tá mandão hoje!
–Alguém tem que ser responsável.
Harry virou o rosto para ele, os olhos meio pesados, mas atento. Ele estava de sua altura, sentado no chão zelando por ela.
–Você ficou.
Louis demorou mais do que alguns minutos para responder.
–Fiquei.
Harry sorriu pequeno.
O silêncio que se instalou não era desconfortável. Era calmo.
–Sobre aquele dia…– Harry começou, a voz baixinha –Eu sei que passei dos limites.
Louis respirou fundo.
–Eu também disse coisas que não deveria.
Harry franziu a testa, pensativa.
–Eu não queria te fazer sentir pequeno. Eu só… Não sei como ajudar sem tentar resolver.
Louis assentiu devagar. Parte dele imaginava aquilo.
–Eu sei. E eu não deveria ter jogado na sua cara daquele jeito.
Harry brincou com a barra da manta, envergonhada.
–Eu fiquei com medo de você não vir hoje. Yohana falou pra eu não ter esperanças, porque você não ia vir.
–Eu quase não vim mesmo.
Harry levantou o olhar, rápido.
–Quase?
–Eu não queria que a nossa última conversa fosse aquela.
Harry absorveu aquilo como algo importante.
–Ainda bem que você veio, então.
O clima ficou mais leve, honesto. Menos ofensivo.
Harry piscou devagar, abrindo um bocejo, claramente lutando contra o sono –e perdendo.
–É meu aniversário– murmurou, quase que para si mesma.
–É– Louis concordou, com um sorriso discreto.
Harry virou de novo o rosto para ele, meio séria agora.
–Eu posso pedir um presente?
Louis arqueou uma sobrancelha.
–Já não teve bebida o suficiente por hoje?
Harry riu, baixinho. Contida.
–Não é isso.
Ela hesitou por um segundo –o que não era de seu feitio.
–Um beijo.
A palavra ficou suspensa entre eles.
Louis sentiu o corpo inteiro reagir antes de a cabeça conseguir organizar qualquer argumento que fosse lógico.
–Harry…
–Só um– Harry insistiu, a voz suave, quase sonolenta –Eu prometo esquecer amanhã.
Ela não estava segura dessas palavras –e esperava não esquecer mesmo–, mas se era o que Louis precisava ouvir, ela diria.
Louis olhou para ela por um longo tempo, decidindo o que fazer.
Viu a confiança torta. A vulnerabilidade. O carinho que não sabia para onde ir.
Ele sabia que não devia.
Mas mesmo assim se inclinou.
Foi um beijo simples. Um toque de lábios leve, cuidadoso, mas que demorou mais do que Louis prometera que seria. Ia além do pedido, era um desejo dele também.
Ele pensou, que se aquele fosse o último, então que fosse uma despedida.
Os lábios de Harry eram macios contra os seus. Ele adorou a sensação.
O mundo pareceu encolher naquele pequeno tempo.
Quando Louis se afastou, Harry ainda estava sorrindo.
Era pequeno, satisfeito, quase infantil.
–Gostei– ela murmurou, a voz já pesada de sono.
Os olhos dela se fecharam logo em seguida. A respiração ficou lenta, tranquila.
Louis permaneceu imóvel, olhando para ela dormindo tão serena como se não tivesse acabado de causar uma bagunça em seu coração.
Ele sabia que aquele beijo tinha acabado de bagunçar mais coisas do que resolver. Mas mesmo assim sorriu. Ele se deixou permitir o gosto de Harry, porque ele sabia que era um dos poucos luxos que ele teria na vida.