O Peso do Teu Eco
Eu quis fincar raízes no teu solo instável,
Fazer de nós o plano, a linha e o cais.
Busquei a firmeza do amor durável,
Onde o chão cedia um pouco mais.
Mas nossos passados sentaram-se à mesa,
Trouxeram fantasmas, feridas, temores.
O trauma antigo cobrou sua certeza,
E desbotou a vivacidade das nossas cores.
E abrimos frestas, janelas, portões...
Deixamos que o mundo pisasse no ninho.
Vozes alheias ditaram razões,
E o que era nosso perdeu o caminho.
Agora o silêncio é um eco que gela,
E o tempo conspira para não te apagar.
Qualquer outro toque é uma cópia vaga,
Nenhum outro riso consegue curar.
Comparo os abraços, procuro teu traço,
Em faces distintas que tentam ficar.
Mas fico rendida, presa a esse laço,
Sem conseguir ninguém mais amar.
O mundo continua, mas a alma congela,
Nessa corrente que o fim não desfez.
Ah, como eu quero, como eu quero ela...
Com todos os erros, mais uma vez.
—moura















