le flĂąneur
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le flĂąneur

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greek breaks // athens, 2026 // shot with minolta riva
Fondue night in Paris. This was the early 2000s and yes those are baby bottles with red wine in them.
Marcos Vidal Font, Sensible Encounters Lichtenberg anarchive, 2024, found materials in four flaneur walks, 85 x 50 x 68 cms.

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VocĂȘ olha pro mundo real atravĂ©s de uma tela, mas Ă© o mundo real mesmo que vocĂȘ tĂĄ vendo?
Para, respira! Antes de vocĂȘ apontar a cĂąmera do celular pra mais uma coisa, eu preciso que vocĂȘ entenda o que tĂĄ acontecendo nesse gesto tĂŁo banal.
Porque no meio dessa estética futurista toda, Lemos (2013) é bem direto: a Realidade Aumentada não aumenta nada, ela diminui. Quando informaçÔes começam a ser coladas em objetos, pessoas e lugares, parece que a realidade ficou mais rica, mais completa. Mas, no fundo, isso faz o mundo parecer mais simples do que ele realmente é!
Boa notĂcia: vocĂȘ nĂŁo tĂĄ delirando. MĂĄ notĂcia: estĂŁo contando uma histĂłria pra vocĂȘ, e chamando isso de tecnologia.
Mas de onde veio isso tudo?
O termo âRealidade Aumentadaâ surgiu em 1992 com Tom Caudell, dentro da Boeing. A ideia parecia simples e genial: em vez de vocĂȘ entrar num universo virtual, o virtual invade o seu mundo.
Parece bonito, e é. Mas tem um detalhe que ninguém anuncia no folder.
Lemos (2013) explica que a RA faz com que a informação cole às coisas, aumentando a realidade informacional do usuårio.
Pensa no flĂąneur, aquele personagem do sĂ©culo XIX que vagava pela cidade sem destino, lendo os signos urbanos de maneira aberta, ambĂgua, pessoal. O usuĂĄrio de RA tambĂ©m lĂȘ a cidade, sĂł que pela lente do dispositivo, e o que ele vĂȘ sĂŁo etiquetas eletrĂŽnicas fixas, disponĂveis para qualquer um que acesse o sistema. Ou seja, sempre Ă© a mesma histĂłria. E quem nĂŁo tem etiqueta⊠simplesmente some do mapa!
E o que fica invisĂvel quando a tela decide o que vocĂȘ vĂȘ?
Essa Ă© a pergunta que Lemos (2013) deixa no ar de um jeito desconfortĂĄvel: o que acontece quando vocĂȘ aponta a cĂąmera pra um lugar e nada aparece? SerĂĄ que depois de algum tempo o mundo como ele Ă© vai se tornar invisĂvel aos olhares nĂŁo mediados?
Ă aqui que Lopes, Vidotto, Pozzebon e Ferenhof (2019) entram na conversa pra lembrar de um detalhe importante: a RA tem potencial enorme, mas a barreira mais frequente nĂŁo Ă© tecnolĂłgica, Ă© humana. Professores, usuĂĄrios, criadores de conteĂșdo â a maioria nĂŁo domina o desenvolvimento das aplicaçÔes, entĂŁo o sistema acaba nas mĂŁos de quem tem interesse comercial em contar a histĂłria por vocĂȘ.
Olha o ciclo fechando...
E tem mais, Gama Neto (2016) mostra que mesmo em contextos educacionais pensados pra ser mais livres, a realidade misturada ainda depende de escolhas de quem programa o que vai aparecer na tela.
A neutralidade tecnolĂłgica Ă© um mito bem produzido.
No fim, a pergunta de Lemos (2013) continua ecoando como aquela fofoca impossĂvel de ignorar: o que faz com que um objeto seja portador de uma narrativa e outro nĂŁo?
Quem decide o que merece existir na sua tela? Quem escolheu o que vocĂȘ vĂȘ quando levanta o celular?
Alerta de Spoiler: nĂŁo foi vocĂȘ!
E quem sou eu? esse segredo eu nĂŁo conto pra ninguĂ©m. vocĂȘs sabem que me adoram⊠xoxo ;*