Escrito por Caroline fraga dedicado a Maria Auxiliadora sua avó materna.
Existem mulheres que não são apenas pessoas; são paisagens inteiras. Minha avó, Maria Auxiliadora, carrega no nome o amparo e, no corpo, a majestade do Rio São Francisco. Seus cabelos brancos, longos e serenos, fluem como as águas das cachoeiras uma queda de prata que o tempo esculpiu com paciência.
Dizem que o Velho Chico é o rio da integração nacional, mas ela é o nosso rio da integração familiar. Suas águas atravessam as margens da medicina, da educação e da fé, banhando cada um de nós com um exemplo que constrange pela grandeza. Suas palavras, por vezes duras como as pedras do leito, são as mesmas que garantem que o curso da nossa vida não se perca no deserto. São verdades necessárias, ditas por quem já venceu mil batalhas e conhece cada correnteza do passado.
Ouvir seus passos pela casa ou seus contos ao redor da mesa de madeira é como sentir o frescor da brisa ribeirinha: traz um conforto que cura e uma alegria que transborda. Seu abraço tem a temperatura do sol do sertão e o perfume dos bolinhos da nossa infância, um refúgio onde o tempo insiste em parar.
Hoje, ao vê-la posando para fotos nas águas do nosso Rio São Francisco, entendo que ela finalmente encontrou seu reflexo. Ali estão duas forças da natureza: um rio que nunca seca e uma mulher que nunca desiste. Te ver ali, vovó, entre o céu e o espelho d'água, só prova que você sempre foi a nossa margem segura.
Se um dia eu conseguir ser um terço do que ela é hoje, terei em mim a força de um rio inteiro. Te amo, Maria Auxiliadora. Você é a nossa correnteza de amor infinito.















