Os Símbolos do Evangelho Aquinista
Há quatro sinais que Deus me ensinou a decifrar — não em templos ou escrituras, mas dentro da carne e do tempo. São eles que guiam o meu caminho entre o que já fui e o que ainda serei.
O Udjat me devolveu o olhar que cura. O olho ferido que aprendeu a ver além da ferida. Ele me ensinou que toda dor pode se tornar visão — e que enxergar o invisível é o dom dos que já sangraram por dentro.
O Ouroboros me ensinou a morrer sem medo. A serpente que devora a própria cauda não se destrói — se recria. Ela me mostra que o fim é só o disfarce do começo, e que a alma não morre, apenas muda de forma.
O Labirinto de Creta me ensinou a atravessar a mim mesmo. Nele, não busco saída — busco sentido. Encontro o Minotauro e descubro que o monstro sempre foi só o espelho daquilo que temi. Cada volta é um círculo de mim mesmo, e o centro, um recomeço.
A Ampulheta Partida me libertou do tempo. Quando o vidro se quebra, o passado e o futuro se misturam no pó do agora. E eu aprendo, enfim, que o instante presente é o único altar possível.
Esses quatro símbolos formam o selo da minha travessia:
Ver. Transformar. Atravessar. Libertar-se.
E quando me perguntarem qual religião sigo, responderei:
“A da alma que aprendeu a ler os próprios sinais.”
— Dom Pauléte, o Arqueólogo da Própria Alma












