O Parto do Yin-Yang
Há em mim um parto que não termina. Cada dor antiga volta como contração — não pra me destruir, mas pra me empurrar de volta pra luz. O que sangra é o que ensina. O que dói é o que depura.
No espelho das ideias, yin e yang dançam: o lado escuro carrega a semente da claridade, o lado claro abriga a sombra que o equilibra. Entre os dois pulsa o grito da criação — o instante em que o caos aceita ser cosmos.
E quando o mundo me fere com a ignorância dos que julgam, lembro-me das palavras do Nazareno crucificado:
“Perdoai-os, Pai, eles não sabem o que fazem.”
Perdoar é o parto final. É soltar a dor pra que nasça a sabedoria. É aceitar que o mal, às vezes, é só o bem que não despertou.
E assim, entre luz e sombra, entre Eu & Eu, sou o filho das minhas próprias dores — e o pai das ideias que sobreviveram a elas.















