DESAFIO 10_VIVIENDA COMO ESPACIO MULTIPLE_PROYECTO FINAL
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DESAFIO 10_VIVIENDA COMO ESPACIO MULTIPLE_PROYECTO FINAL

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As vezes é difícil dizer as pessoas que estão próximas de nós o quanto amamos, muitas vezes é mais fácil dizer palavras que machucam do que dizer "EU TE AMO". Aproveite o momento que se tem ao lado de quem ama e digam o quanto você o ama e quanto essa pessoa é importante na sua vida. Por isso Pai @jose19manoel Mãe Cláudia Raquel, Avós Regina e Terezinha, Irmãs @danielly.r , @manumoraesmoraes , @driellyraquel e @cladiaraquel2012 , meus sobrinhos Luana, Lucas e Gustavo, Meu Marido @arthurf.r.alves ,Meus segundos pais Elias e Suely, as minhas cunhadas/Irmãs @emyllea e @mylla__alves e a todos os meus familiares e familiares do meu esposo e todos os meus compadres e amigos, saibam que amo cada um de vocês, vocês são muito importante em minha vida. EU AMO VOCÊS!!! 💓💓💓 #maisamorporfavor #euamovoces #VícioFemininoTour #desafio10 Obs: Não deu para marcar todos (em Belo Jardim, Pernambuco, Brazil)
Coração partido por interposta pessoa
No início não me apercebi. Posso tentar desculpar-me dizendo que foi sem intenção, sem noção, sem vontade. Isso faz de mim ingénuo ou estúpido. A verdade é que soube-me bem ter o ego massajado, que há tanto tempo não o era. Encontrei-a por acaso, uma daquelas coincidências que teimam em coincidir nas alturas em que devem. Na verdade, fui encontrado, mas a procura deveu-se a questões práticas e não pela busca de contacto. Respondi genuinamente sendo eu mesmo, nada mais que isso. Não desminto que a minha curiosidade se aguçou mas, também, não por acção directa. É estranho encontrar um estranho que partilha tanto do que somos e que escasseia no nosso mundo. É bom ter o ego massajado quando se riem das nossas piadas ainda que a piada esteja apenas na interpretação e não no conteúdo. Isso é coincidência. Eu não tinha noção de como as relações crescem. Acho que nunca havia pensado nisso antes. Penso que seja pela curiosidade, aditivada pelas coisas comuns que fazem ver-mo-nos no outro, tipo checklist "got it/ain't got it". Esse processo de avaliação do outro sinto-o como contínuo. Faço-o se a toda a hora. Estou constantemente a descobrir pontos de semelhança/diferença em todos. Se calhar é a minha empatia a trabalhar. Se calhar é a minha vontade de imitar os outros para encontrar o meu lugar. Estranha contradição, eu sei, mas sinto essa necessidade desde que me conheço. Sei que é por imitação que aprendemos a viver em sociedade mas não creio que seja comum ter a consciência disso. Passaram os dias, já não tenho a certeza de ter falado dela. O mais provável é não o ter feito a quem devia, para partilhar a alegria de trocar piadas com desconhecidos. Se não o fiz, foi por medo, por receio do que pudesse despoletar no nosso já extremamente frágil status quo. Atingiu-me como um comboio desgovernado. Tive de lhe dizer imediatamente que me havia apaixonado. Que as nossas conversas me elevaram o espírito e que a curiosidade queimava. Sei que me apaixonei por um ser idealizado, sem grande conhecimento da realidade. Sou ingénuo, sim. Mas isso dá-me tranquilidade para não sofrer por antecipação. Aí, nesse momento correspondido, soube que chegara a hora de avançar com o plano já tantas vezes revisto que habitava os meus pensamentos diários há anos. Era chegada a hora de mostrar a mão e saltar no precipício. O "salto de fé" do Indiana Jones. Não fé nela, mas em mim. Foi muito mais difícil assim. Não foi percebido assim por quem disse que me conhecia. É pena.
Bright Leaf, distrito 6. Desafio 10 (Final)
A claridade foi aos poucos se tornando incomoda, o suficiente para fazer com que Bright abrisse os olhos e despertasse do sono mais pesado que teve durante toda sua estadia na arena. Os ferimentos em seu corpo insistiam em arder irritantemente. Não conseguiu encontrar água e aparentemente não tinha impressionado patrocinador nenhum, porque nem remédio ou comida haviam aparecido num pequeno para-quedas, como era de costume nos jogos. A noite trouxe um pequeno alivio ao perceber que dormir sem as roupas e sentir a brisa noturna em sua pele abrandava suas queimaduras, mas ainda assim o corpo estava a um passo da tênue linha conhecida como limite. Por alguns minutos o garoto fitou o céu de mentira e teve relances dos últimos dias, ele não tinha nem ideia de quanto tempo fazia desde que seu nome saiu da urna no distrito 6, da viagem com Ruby e os dias que passaram juntos, da família despedaçada que deixou para trás, da nova que viu aos poucos ser construída, algo muito parecido com aquilo que chamam de primeiro amor começando a crescer em seu peito, tudo aquilo fora roubado dele com a mesma velocidade que veio. Ao seu lado, Annabeth ainda mergulhava num sono tranquilo, sabe-se lá num sonho bom. Contando com os dois, ainda haviam 5 tributos lutando por suas vidas na arena. Os jogos estavam atingindo seu clímax, isso acendeu em Bright um de seus primeiros pensamentos de quando tudo aquilo havia começado, apenas um sobrevive, apenas um ganha. Ele não se sentia esperançoso ou vitorioso, e aquele medo que a morte trás bagunçou seus pensamentos outra vez. Toda sua vida, desde uma tenra infância interrompida foi preparada para este momento e com certeza, seu pai estaria orgulhoso em casa. Bright Leaf, tributo do distrito dos transportes, entre os 5 últimos, ninguém poderia supor, nem ele mesmo.
Ao que pareceu esforço excessivo, ele se levantou e se vestiu com cuidado, evitando tocar o próprio corpo. Mais uma vez encarou Annabeth adormecida. Não conseguiu conter as lagrimas que escapavam de seus olhos quando se lembrou dos rostos de sua nova família, um após o outro aparecendo no céu. O ultimo golpe foi ver que não puderam nem ao menos reencontrar Giovanna, e ele só pode pedir que tivesse sido rápido, e que ela não tivesse sofrido. E que não fosse pelas mãos de outro tributo, porque se houvesse um culpado, Bright iria garantir que o aerodeslizador viesse buscar o que restou do corpo numa caixa de fósforos. Era doloroso pensar que a vontade de viver era menor que a necessidade de manter aquelas garotas vivas, e mais do que zelar por si mesmo, tinha que protege-las. E doía ainda mais pensar no quão miseravelmente havia fracassado naquilo. Seu fluxo de pensamentos foi interrompido quando Annabeth despertou e antes que ela lhe encarasse, ele se virou e fingiu estar ajeitando o estojo de facas. Deu tempo suficiente para que ela finalmente acordasse e ele se recompusesse, então se olharam e apenas com olhares decidiram recomeçar a caminhada atrás de água ou comida. 10 passos ainda não haviam sido dados quando um tremor assustador quase os fez cair no chão. Primeiramente, pareceu apenas uma sensação, mas o tremor não só continuou, como se intensificou. Bright segurou Annabeth perto de si, e tentou o melhor que manter os dois de pé quando percebeu do que se tratava. Depois de furacões e meteoros, a GMakers os presentavam com um terremoto. O abalo sísmico foi forte e durou muito, na perspectiva dos dois, mas nem de longe foi tão assustador quanto o que veio a seguir. Novamente, foi Anabeth que chamou a atenção de Bright para mais uma surpresa na arena. Como num passe de mágicas, paredes começaram a crescer, e ao que parecia, fechando toda a arena. Eram tão imensas que chegava a ser ridiculamente impossivel, mas estavam lá, e pareciam crescer ainda mais. Então, sem aviso, começaram a se fechar sobre a arena, arrastando e destruindo a cidade fantasma. Não houve nem necessidade para argumentação. Bright se soltou de Annabeth e os dois dispararam na direção contraria ao muro colossal que agora estava no encalço dos dois. Não havia outra alternativa, nem plano que pudesse funcionar. e não importava o que pudessem encontrar pela frente, eles não podiam parar nem diminuir o ritmo. Enquanto o corpo aguentou, Bright correu em disparada, seguido de perto por uma Annabeth ofegante e muito assustada, mas imensamente empenhada em continuar sua fuga do monstro de concreto que avançava imponente por toda a arena. Aos poucos o cenário começou a se modificar e Bright pode ver a cidade se transformando em floresta e muitos metros a frente um grande e selvagem rio se estendia. Quilômetros adiante, montanhas. Parecia que existiam duas arenas, o que explicava a ausência de 12 dos 24 tributos na cornucópia e ao que parecia, as duas arenas tinham se tornado agora uma só. Annabeth puxou Bright pela camiseta e ao virar para trás ele pode ver que o grande muro havia parado e que parecia estar acontecendo o mesmo dos outros lados, como se o cerco estivesse se fechando, e isso mostrou outra coisa.
Bright não conseguiu esconder a surpresa e ficou boquiaberto ao ver que duas meninas e um garoto também chegavam ao rio. Ao que parecia, estavam juntos. Como ele e Annabeth, os 3 estavam sujos, feridos, aparentemente exaustos e famintos, extremamente ofegantes e o garoto pode entender que passaram pela mesma experiencia assustadora com o terremoto e com as paredes de erguendo. Ele conseguiu entender o que estava acontecendo. Por muito tempo tinham evitado um confronto e as GMakers queriam exatamente o contrario. Sangue que se faz rolar trás mais audiência que ''acidentes''. Unir os últimos sobreviventes da arenas e obriga-los a se enfrentarem, até restar somente um. Não havia para onde correr, os muros agora os cercavam. Instintivamente, Bright se colocou a frente de Annabeth e posicionou as mãos, já se armando com as facas de arremesso. O grupo a sua frente mantinha uma distancia bastante cautelosa. As duas tributos do distrito 11 ladeavam o garoto do distrito 1. A mais nova parecia assustada e confusa armada com duas adagas tremulas em suas pequenas mãos, sua parceira tentava não demonstrar o nervosismo, encarava os rivais a sua frente com a respiração ainda muito pesada brandindo um tridente. O garoto tinha olhos azuis gelados e pareceu a Bright que ele estava estudando a situação, fazendo a mesma expressão costumeira de Annabeth quando elaborava um plano brilhante, ele também segurava um tridente e tinha preso na calça um facão. '' Não existem inocentes, eles não são crianças indefesas. Vão nos matar se puderem, e matar uns aos outros se conseguirem. '' Bright pensava consigo mesmo enquanto os dedos seguravam as laminas com firmeza. Ainda com os olhos fixos no trio, ele sussurra para Annabeth com o canto dos lábios: - No treinamento, eles ensinaram sobre pontos fracos Anna, se lembra? Pense nos seus, e não deixe eles perceberem quais são. Use a faca que eu te dei, fique o mais longe que puder, não se aproxime... Foi uma honra. -
Bright não esperou uma resposta. Flexionou os joelhos e começou a correr novamente. Avançou direto para os 3 que pareceram surpresos com sua atitude, mas não se mostraram intimidados. Como pode prever, o primeiro a retribuir sua investida foi o garoto, que arremessou o tridente contra Bright, que precisou rolar no chão para conseguir desviar do golpe. Com as laminas em mãos, teve tempo apenas de lançar uma delas que atingiu o braço de Helena de raspão quando Leo desferiu um soco forte em seu queixo. O impacto foi forte o suficiente para tirar sua concentração, mas ele revidou. Com a mão fechada, imitou o movimento do garoto a sua frente, lhe socando o rosto da mesma forma. Enquanto Leo cambaleava com o golpe, Helena partiu logo de trás dele, tentando golpear Bright com seu tridente, mas ele conseguiu ser mais rápido, aparentemente a garota não sabia dominar uma arma daquele porte tão bem, felizmente para ele. Bright segurou o tridente pela base e com um puxão forte o tomou das mãos de Helena, jogando-o longe na direção oposta. O impulso fez a garota recuar e cair sentada. Leo se recuperou rápido do golpe e dessa vez, avançou contra Bright usando o facão que estava antes em sua cintura. Instintivamente, Bright tentou parar o golpe com a lamina que ainda estava em uma de suas mãos. Embora fosse perfeita com pequenos cortes e feita para golpes de longa distancia, a faca escapou de sua mão com o forte impacto do facão que teve sua potencia freada mas não o suficiente para que Bright saísse ileso. Um corte profundo e extremamente doloroso fez jorrar sangue de seu anti-braço direito. Ele ainda conseguiu erguer uma das pernas e chutar Leo bem no meio da barriga, mas a dor que sentia o fez recuar , usando a mão esquerda para tentar conter o sangue e a dor, apertando firmemente o corte. Ele arfava de um lado. Helena parecia assustada demais e ainda não tinha se levantado. Leo apertava os braços contra a barriga, mas ainda segurava o facão e em minutos, sabia que viria em sua direção com um segundo golpe certeiro. A grande surpresa partiu de Collen. Bright jamais podia imaginar o que se seguiu. A menininha ergueu suas armas e veio em sua direção com o que parecia ódio em seu olhar. Quase que por reflexo, Bright soltou o braço cortado e enfiando a mão livre no estojo de facas, encaixou duas delas entre os dedos e com um movimento rápido as lançou contra a garota. Uma delas atingiu um dos ombros próximo ao pescoço, mas foi a lamina que atingiu o centro do tórax que fez Collen perder o ritmo e com os olhos desfocados, cair no chão. Helena gritou e correu para a parceira no que parecia uma tentativa de reanima-la enquanto Leo partia novamente na direção do garoto. Ele pensou em desviar outra vez, ou até mesmo correr e tomar distancia, mas não chegou a se mover. Antes que pudesse se aproximar o suficiente Leo parou a corrida e levou uma das mãos a cabeça, urrando de dor. Bright se virou e viu atrás dele Annabeth com pedras, as atirando descoordenadamente contra Leo, que agora recuava novamente, esbravejando xingamentos contra a menina. No outro lado, Helena tinha o rosto manchado por lagrimas mas carregava fúria na expressão. Ela estava com as adagas de Collen nas mãos, e as arremessou com força. Bright só conseguiu golpear Annabeth com um dos ombros, com força suficiente para derruba-la quando uma das adagas passou zunindo à centímetros de sua cabeça. Annabeth estava prestes a ofender o garoto quando se assustou ao vê-lo engasgar e tossir expelindo sangue pela boca. A segunda adaga arremessada tinha o atingido em cheio no meio das costas. Ele tentou ignorar o olhar assustado da parceira e tentou se posicionar rápido outra vez. Sentia como se eletricidade cercasse o lugar onde a lamina fria havia sido enterrada e seu sangue agora escorria pelas costas. A visão começava a anuviar e ele voltou a ajeitar a mão que a ainda funcionava no estojo de facas. Segurou uma delas firmemente mas Helena estava em cima dele antes que pudesse joga-la. A garota o golpeava com socos pelo rosto o fazendo perder equilíbrio. Num movimento de defesa, Bright crava a faca no abdome da garota que se afasta cambaleante, até cair ajoelhada, com as mãos na barriga. Bright mal conseguia se manter de pé quando viu Helena perder a luz nos olhos e tombar de lado. Poucos metros dela, Leo tinha o rosto parcialmente coberto de sangue resultado de uma das pedradas certeiras de Annabeth. Ele olhava a dupla a sua frente com o mesmo olhar gélido, e para surpresa dos dois um pequeno sorriso apareceu no canto de seus lábios finos. - Você garota, eu imaginei que pudesse aguentar o tranco por um tempo... Eu vi seu treinamento. Esperta, muito esperta. Mas numa luta mano a mano, não teria a menor chance, nem mesmo com as mais novas. É covarde demais... Agora, você?! Eu pensei que o padrão das GMakers tivesse se tornado um lixo quando as notas individuais saíram.Eu sabia que seria o melhor, mas você ficar logo abaixo de mim? Só podia ser piada. Foi isso que fez para convence-las? Jogar facas? Isso pode servir no circo de onde você veio, mas não vai mais te ajudar aqui. Eu sou mais rápido, inteligente e forte que você. Vai pegar sua ultima lamina idiota mas não vai ter tempo de joga-la. Eu vou terminar o que Helena começou, e você vai estar morto antes mesmo de poder ver eu finalizando sua amiga genial, exatamente como eu fiz com a canibal nojenta do distrito 10. Se não tivesse perdido tempo fazendo amigos e levado seu treinamento a serio... Mas agora não faz a menor diferença! -
Leo avançou mais uma vez, com o facão em punho, preparado para cumprir o que prometeu. Bright levou a mão novamente ao estojo e sentiu uma ultima lamina solitária em seu interior. Ironia do destino havia mostrado seu significado. A corrida de Leo se passou em câmera lenta. Bright podia sentir sua respiração enfraquecendo, os olhos pesando, a dor tomando conta de seus pensamentos. Annabeth se levantava desajeitada gritando para que ele tomasse cuidado, mas Leo estava certo. Não haveria tempo de lançar a faca, mas talvez, se ele conseguisse ferir o garoto, Annabeth poderia ter alguma chance. Então foi tudo tão rápido como num piscar de olhos. Leo estava a frente de Bright, que erguia sua ultima lamina pronto para golpear. Mais rapido e mais forte, Leo empurrou a lamina pesada contra a barriga de Bright, a enfiando ali. O garoto cuspiu sangue uma segunda vez e sentiu a faca lhe escapar por entre os dedos. Os olhos se fecharam enquanto ele sentia as pernas tremendo. Um grito de Annabeth o fez manter a ultima fagulha em seu corpo e trazendo a mão para baixo, segurou com firmeza o braço que Leo usava segurando o facão. O encarou segundos eternos, ganhando tempo precioso para que Annabeth reagisse. - Está errado. Fez toda a diferença... -
No momento decisivo, Annabeth retirou a unica arma que tinha do bolso e sem pensar, enterrou a pequena, mas letal, lamina de arremesso que Bright havia lhe dado antes, no pescoço de Leo. O garoto cambaleou e gritou enquanto levava as mãos ao pescoço tentando conter o sangue, que jorrava como uma fonte. Ele caiu e seu corpo se contorcia em agonia e desespero. Annabeth ficou a frente de Bright e lhe puxou o facão da barriga. Ele sangrava tanto quanto Leo. Bright tentou se manter erguido e pediu em pensamento '' pés, não me falhem agora. Preciso chegar a linha final... Eu senti meu coração se partindo a cada passo que eu dava. Eu só não queria ficar sozinho, é como uma tortura.'' Annabeth o olhava atônita sem saber o que fazer, e lagrimas escorriam pelos seus olhos. Muito fracamente, Bright toca o rosto da menina com a ponta dos dedos - Vá pra casa menina esperta, vá pra casa... -
A ultima palavra quase não pode ser ouvida quando o braço tombou de lado e os olhos de Bright se fecharam para sempre. Ele ainda pode ouvir Annabeth pedindo que ele não morresse e pensou que era o sentimento mais bonito que alguém já havia demonstrado para ele. Milhões só queriam vê-lo morrer, mas ela pediu que ele vivesse. Não importava, sabia que ela ficava irritada quando não obedecida, mas estava segura agora, e era isso que importava. Bright caiu de bruços no chão em frente a sua aliada e assim que tocou o solo, um canhão pode ser ouvido e em seguida as vozes amplificadas das GMakers anunciavam: - Annabeth Chase do distrito 5, campeã dos jogos vorazes! -
Collen Stryder, Distrito 11. Desafio 10 (Final)
_ Ta bom, isso não esta dando certo._ Me jogo no chão.
O sol já estava quase a pino quando decidi parar. Depois de analisarmos o machucado em minha perna_ um vermelhão na lateral na coxa sem um pedaço de pele ao qual eu mal tinha conseguido olhar, e que agora estava enrolado no pedaço inútil de calça que havia ficado pendurado no resto utilizável da mesma_ e de várias tentativas frustradas de andar, Leo havia praticamente me carregado por ai pendurada em suas costas. Sei que pra ele o meu peso não deveria ser grande coisa, mas não chegaríamos nunca no rio se continuássemos nesse ritmo.
_ Eu quero tentar de novo.
_Collen...
_Me deixe tentar de novo.
Ele suspira e posso quase senti-lo revirando os olhos, e então me solta, o peso do meu corpo apoiado apenas na perna esquerda. Mordo meu lábio inferior quando transfiro o peso para a perna machucada e tento esconder a dor enquanto começo a caminhar, Leo me espreitando por trás, como se eu pudesse cair a qualquer momento, o que eu também não duvidava muito.
***
Devia ser quase final da tarde quando chegamos perto do rio, e eu me sentei na grama, minha perna latejando. Helena não estava ali, o que me deixou preocupada. Eu não tinha ouvido nenhum canhão ontem, mas com todo aquele fogo caindo do céu, tenho certeza de que ninguém ouviria.
Leo se senta do meu lado, onde partilhamos a sombra e a tranquilidade em silêncio. Os minutos pareciam passar mais lentamente sem Helena ali.
Eu já havia quase perdido as esperanças de encontra-la quando vejo alguém andando em direção da margem. E conforme se aproximava, mais inquieta eu ficava.
Sim, definitivamente era ela. Aparentemente cansada e um pouco diferente, mas era ela. Me levanto e vou andando o mais depressa que consigo até a margem do rio, deixando o garoto do 1 sentado logo atrás de uma árvore onde, por alguma razão, ele havia se “escondido”.
_Helena, você está..._ Minha frase é interrompida quando sinto os meus pés tremerem.
Olho para o chão, tentando entender o que havia de errado, quando acontece de novo. E depois de novo. Caio no chão, o que não era uma boa quando ele está se mexendo cada vez mais forte.
Logo Leo esta perto de mim, tentando me puxar para longe do rio quando cai também. Escondo o rosto atrás das mãos, evitando que os pedaços de cimento e terra que vinham em minha direção atingissem aquela parte do meu corpo.
“É isso o que as idealizadoras planejam? Matar todos em um terremoto?”
Mas o terremoto se foi tão rápido quanto havia chegado. Abro os olhos lentamente, e vejo Helena correndo em minha direção. Logo atrás dela, um buraco seco estava no lugar onde antes era o rio.
Antes que eu posso pensar em me levantar, Helena me puxa, levantando-me do chão e envolvendo um de seus braços protetoramente à minha volta, ao mesmo tempo que pressiona o tridente no peito de Leo, impedindo-o de levantar.
_ Achou que fosse aproveitar o terremoto e matar mais alguém? Minha irmã? Desculpe-me desapontá-lo, mas quem vai morrer aqui é você.
Me solto do abraço de Helena e retiro o tridente de sua mão. A expressão de raiva em seu rosto é substituída por confusão e surpresa.
_ Ele está comigo Helena. Não posso deixar que o mate. Além disso, tenho uma divida com o carreirista aqui. Ele salvou minha vida durante a chuva de meteoros.
Ela estreita os olhos, desconfiada, ressentida. Vejo a força que ela estava tendo que fazer para não matar Leo ali mesmo, seu cérebro trabalhando desesperadamente para arranjar uma desculpa para fazê-lo.
_ Ok. Mas não tente bancar o espertinho.
Ela pega minha mão e se vira, me puxando para perto dela e começando a andar, comigo aos tropeços. Tento acompanha-la na caminhada rápida até o momento em que a dor começa realmente a aumentar.
_ Helena, será que... Da pra ir um pouco mais devagar?_ digo, olhando para a perna machucada e depois para ela, dando um sorrisinho de desculpas.
_ Uou_ Toda a raiva restante em seus olhos desaparece._ Tudo bem.
Eu conseguia sentir a alegria crescendo dentro de mim por estar perto dela novamente enquanto observo os nós de seus dedos segurando os meus. Estou ciente da presença de Leo andando silenciosamente atrás de nós enquanto seguimos a caminhada até o anoitecer, que é quando Helena decide que deveríamos parar e descansar.
_ Deixe-me ver seu machucado._ Ela diz, se sentando.
_ Melhor não.
_ Não seja desobediente garotinha, vem aqui.
_ Você vai ficar preocupada demais.
_ Collen._ Ela diz meu nome como se fosse uma ordem.
Faço uma careta, mas faço o que ela pede mesmo assim. Me sento ao seu lado, e ela bate uma das mãos no próprio colo, um sinal de que eu deveria colocar minha perna ali. Observo-a tirar a atadura improvisada e assisto seu rosto passar de susto para raiva, de raiva para pena. Uma das coisas que eu nunca entenderia era como minha irmã conseguia sentir tantas coisas ao mesmo tempo.
_ Mas que droga Collen, você não limpou isso?_ Ela diz enquanto analisa o ferimento, mas mesmo assim consigo sentir a nota de hostilidade em sua voz. E só então percebo que Helena não estava ali.
_ Não. Eu não tinha água... Katherine.
Sua cabeça se levanta rapidamente, os olhos arregalados e a boca aberta, como se estivesse tentando encontrar algo para dizer, mas não conseguisse. Leo nos olha confuso enquanto continuo a encará-la. A preocupação da garota era aparente, como se eu pudesse rejeitá-la como havia feito antes. Mas aquele sentimento não estava ali agora. E eu continuava amando a menina, sendo ela Helena ou Katherine.
Me arrasto para mais perto dela, me aninhando em seu colo e deitando a cabeça em seu peito. Sinto seus braços me envolverem e resisto à tentação de levantar o rosto, pois sabia que ela estava prestes a chorar.
_ Senti sua falta, Katherine.
Ela solta uma risada em meio à um soluço enquanto eu dou um beijo rápido em sua bochecha, e então tira um cantil mochila. Sinto minha garganta queimar de sede quando ela joga a água restante em meu machucado. Solto um suspiro quando sinto a ardência, e escondo meu rosto em seu cabelo, quando noto a pele exposta de seu ombro, e o quão estranhamente avermelhada estava.
_ O que aconteceu? _ Passo a ponta dos dedos levemente em seu ombro, acompanhando a pele queimada que descia pelo braço e tomava uma parte da cintura.
_ Por um momento, fui atingida. Não foi nada.
Dentre todas as coisas que eu havia passado na arena até agora, ver minha irmã machucada foi a pior. Tudo o que eu queria agora era que ela estivesse em casa, sã e salva.
***
Acordo com o som das vozes de Katherine e Leo falando baixinho. Eu continuava perto dela, que agora estava deitada, e com a minha cabeça apoiada em sua barriga. Seja lá o tipo de conversa que os dois estivessem tendo, não pareciam querer se olhar.
_ Eu tenho como se fosse uma vontade de proteger sua irmã. Não sei, mas... Deve ser porque eu tentei mata-la no banho de sangue._ Sinto Katherine se mexer, incomodada._ Mas tem algo em você Helena, algo que me chamou atenção.
Faz-se um momento de silêncio, e então ele complementa.
_ Só queria deixar que você soubesse disso, porque tenho a impressão de que temos pouco tempo de paz.
E então ele se cala. Alguns minutos depois, consigo ouvir o som de seu ronco suave. Katherine passa o braço em volta de meu ombro e se aconchega para dormir. Logo, eu também pego no sono.
***
_ Collen, acorde. Tem alguma coisa errada.
A voz de minha irmã me chama. Abro os olhos e descubro o que estava diferente imediatamente. Nós estávamos na clareira perto do rio, o que era praticamente impossível. Com toda certeza havíamos andado o suficiente ontem para estar pelo menos a um quilômetro dali.
_ Estranho_ Leo aparece de dentre as árvores_ é como se... A arena tivesse encolhido.
Assim que ele termina a frase, uma espada se projeta pela barriga dele, e o garoto do 1 cai de joelhos no chão, os olhos fora de foco. Annabeth aparece com um sorriso no rosto, e Bright logo atrás. Katherine me puxa para correr, mas os outros dois são mais rápidos. Eu rolo no chão com Annabeth enquanto Katherine é arrastada por Bright para longe.
_ Você e sua irmã estarem vivas até agora foi pura sorte. Sorte que eu e meu aliado não achamos vocês antes. Aliado, aliás, que vai matar sua querida irmã._ Annabeth agora esta em cima de mim, com todo seu peso apoiado em meu flanco. Ela pega meu rosto e o vira bruscamente, apenas para me fazer ver Helena lutando com Bright, com o corpo imóvel de Leo perto deles.
Volto a olhá-la com desprezo, e ela me analisa dos pés a cabeça. Seu olhar para em minha perna.
_ O que é isso?_ Ela corta o curativo e sorri._ Será que se eu fizer isso_ então coloca o cabo da faca em cima do músculo quase exposto_ dói?
Um grito, meu grito. Tudo em que eu consigo pensar é na dor da faca pressionada em cima do meu machucado e em como qualquer coisa parecia ser menos dolorido do que aquilo.
_ NÃO! COLLEN!_ Ouço Katherine gritar meu nome, e abro os olhos. O segundo de distração dela foi suficiente para Bright derrubá-la no chão e mantê-la ali.
Eu não deixaria que ele matasse minha irmã. Eu não daria a ele esse prazer, e nem a ninguém. Pego a adaga que ainda estava presa no meu cinto e a enfio em algum lugar em Annabeth, sem me dar o trabalho de ver onde.
Me levanto e pego a outra adaga que tinha sido jogada longe enquanto eu rolava no chão, a dor agora entorpecida pela adrenalina e a necessidade de chegar até os dois a tempo. Corro até o menino cujo único erro foi ter ficado de costas.
_ O que..._ Katherine evita me olhar até que eu já esteja pendurada nas costas de Bright, minhas pernas em sua cintura. O garoto do 6 se vira e bate várias vezes no meu flanco, tentando me tirar de cima dele. Mas antes que eu mesma possa perceber, minha adaga já está em seu pescoço, e ele despenca no chão.
Uma mão agarra meu ombro, Annabeth. Me viro bruscamente, tomada pelo susto, e enfio a adaga em seu estomago.
Mas não era Annabeth. Era Katherine. Annabeth jazia morta a alguns metros dali, com minha outra adaga em seu peito.
Seguro minha irmã antes que ela possa bater a cabeça no chão, chocada demais até para chorar.
_ Não, não não não...
_ Shh, estou orgulhosa de você.
_ Orgu...Orgulhosa do que? Olha o que eu fiz. Me perdoe Katherine, me perdoe.
_ É a Helena. Katherine deixou eu me despedir de você._ Ela sorri, e eu começo a chorar ainda mais, as lágrimas misturadas aos soluços._ De qualquer jeito, isso ia terminar assim. Eu iria fazer de tudo pra que você voltasse pra casa Collen.
_ Não é justo que você tenha que morrer. Eu simplesmente não posso viver em um mundo onde você não exista.
Helena segura minha mão e a aperta de leve.
_ Vai ter que fazer um esforço. Por mim.
Deito-me ao seu lado, deixando a cabeça dela apoiada em meu braço. Sinto raiva da capital, mas principalmente sinto raiva de mim. E, deitada ali, desejo desesperadamente morrer com Helena, fazendo uma promessa de que nunca a esqueceria.
_ Obrigada por ser minha irmã, Helena. Obrigada.
Ouço sua risada baixa e quase imperceptível e o som do canhão. Logo em seguida, o aerodeslizador.
“Acabou Collen, você vai voltar pra casa”.

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Annabeth Chase, distrito 5. Desafio 10 (Final)
Acordo com dores no meu corpo. Onde eu estou? A última coisa de que me lembro é Carter se sacrificando por mim na chuva de meteoros.
"A chuva de meteoros tinha começado, e nosso único plano era correr. Afinal o que poderíamos fazer? Pegar uma das facas de Bright e enfrentar uma centena de meteoros caindo em cima da gente? Era estúpida essa ideia de ter meteoros justamente quando saímos do abrigo. Foram maravilhosos dias calmos; era óbvio que as GMakers fariam algo.
Desviávamos agilmente dos meteoros até que um veio em minha direção, e quando eu desviei, caí. Logo outro vinha em minha direção. Era isso, é assim que acabaria, depois de tanto tempo na arena morreria numa chuva de meteoros. De repente uma força me joga para o lado, me salva. Era Carter, a avox do 7, minha nova aliada. Não tive tempo para agradecer Carter, o canhão já tinha soado, marcando a morte da minha salvadora, e com esse pensamento tudo escureceu."
Carter havia se sacrificado por mim, ela morrera por mim. Eu não merecia isso, ela tinha que ter ganhado. Até agora eu não tinha matado ninguém com minhas próprias mãos, mas tinha matado duas pessoas indiretamente. Se não tivesse a ideia de montar armadilhas, Ruby nunca teria enfrentado os bestantes e morrido; se não tivesse caído, Carter nunca teria tentado me salvar e nem morrido também. Eu sou uma assassina.
Tomei coragem e abri meus olhos. Bright rapidamente se virou, como se estivesse escondendo algo de mim. Eu acabei de acordar, cara, para com isso. Bright era assim, parecia fazer o possível para me irritar, ele parecia gostar do fato de conseguir me tirar do sério, mas uma coisa que eu nunca admitira em voz alta era que eu tinha aprendido a gostar de Bright.
Levanto-me e tento ajeitar o meu cabelo, como se fosse possível. Não tenho água nem para beber, quanto mais para um luxo próprio, que é a beleza. Enquanto Bright estava se arrumando, eu encarei o céu artificial da Capital, as nuvens tão brancas, o azul tão perfeito, tudo perfeito demais, mas nada real. Eu sinto falta do meu céu, o meu céu do distrito 5.
-Vamos? – Bright me tira de meus pensamentos.
- Vamos. Bright, alguém morreu enquanto eu estivera apagada? – Bright parece assustado, e isso não me parece boa coisa, ele nunca apresentava medo. Algum de ruim estava para vir. - 3 pessoas morreram, tirando Carter. – Isso nós deixava entre os 5 últimos. Era maravilhoso. Fazia um tempo desde que alguém do distrito 5 estivera tão perto de ganhar. - Quem morreu? - A menina do 9 e a outra do 8. - E? Está faltando uma. Bright eu sei que você é burro, mas nem tanto. - Giovanna.
Vazia… era assim que eu estava me sentindo. Não sentia nada, era como se uma parte de mim tivesse sumido, como se uma parte de mim tivesse morrido. Involuntariamente lágrimas desciam pelo meu rosto, e eu soluçava. Não conseguia sentir minhas pernas, então eu simplesmente desabei no chão. Sinto Bright em puxando e me abraçando.
Giovanna tinha morrido. Eu vou me vingar, não importa em quem for. Eu vou vencer isso, não por mim, mas por Gi. Se eu descobrir que fora um tributo quem a matou, vou fazê-lo ter a pior morte que alguém pode pensar. Agora sim os jogos vão começar. Limpo minhas lágrimas e me a forço parar de chorar.
- Vamos Bright, vamos vencer isso pela Gi.
Antes que Bright possa responder algo, sinto o chão tremer, e logo outro tremor. Ótimo, agora um terremoto, na arena, o que mais falta? Um apocalipse zumbi? Um tremor mais forte e Bright me abraça na esperança de me proteger. Um sorriso involuntário se abre no meu rosto com esse pensamento, quando sairmos daqui eu vou para o distrito 6 viver com Bright, ele agora é minha família, minha esperança, nada vai poder me separar dele, absolutamente nada. Nem mesmo a Capital. Por cima do ombro de Bright, vi algo ridícula e estupidamente absurda acontecendo, muros saindo no chão e fechando a arena. Imagine você, depois de passar tudo que passei na arena, ainda surgem muros enormes, enormes mesmo, e te levando para algum lugar desconhecido. Como qualquer pessoa sensata, eu tomei a decisão mais correta: corri desesperadamente. Não havia tempo para Bright argumentar com algo estúpido que ele falaria, ele apenas corria próximo a mim.
O cenário aos pouco se transformava, primeiro virou uma floresta gigante e com aparência de assustadora, e depois apareceu o mesmo rio que tinha na cornucópia. Quando chegamos no rio, as muralhas pararam de se mover, mas algo tão aterrorizante apareceu. Os outros 3 tributos restantes também estavam lá. O menino do 1, que não faço a mínima ideia do nome, e as duas meninas do 11, que me recordo serem Collen e Helena, apenas me lembro pela entrevista ridícula delas. Inventar de serem irmãs, apenas as criaturas estúpidas da Capital para acreditarem nesse showzinho ridículo. Aparentemente eles estavam juntos como uma aliança, ou seja, era a final. E eu estava com Bright na final.
Bright se posicionou a minha frente e pegou duas de suas facas. Ele era a força, eu era cérebro. Preciso pensar num plano. Vamos analisar os inimigos.
Collen: Menina pequena e fraca, deve ter uns 12 anos. Ela parece estar com medo. Alvo fácil. Tem um par de adagas na mão. Helena: Alta e magra, não parece muito forte, mas é maior que eu. Tomar cuidado. Ela parece estar ansiosa para matar, mas está esperando a iniciativa de alguém. Ela tem um tridente e uma mochila. Menino do 1: Forte, alto e amedrontador . Ele foi criado para matar, se ele não ganhar isso é por pura estupidez. Ele tem algumas facas, um tridente e uma mochila. Não vai ser nem um pouco fácil mata-lo. Bright terá que fazer isso para mim. Lembro-me de Thalia falando: Eles são muito orgulhosos e se acham os melhores, isso sempre vai ser um ponto fraco deles, use ao seu favor.
- No treinamento, eles ensinaram sobre pontos fracos, Anna. Se lembra? Pense nos seus, e não deixe eles perceberem quais são. Use a faca que eu te dei, fique o mais longe que puder, não se aproxime… Foi uma honra. – Bright sussurra para mim. Tenho vontade de gritar “não seu estúpido, eu estava planejando nosso plano”. Mas era tarde, ele já tinha atacado o trio à frente.
Helena e Leo automaticamente correm para enfrentar Bright entrando realmente num campo de batalha. Collen parecia estúpida e assustada demais para fazer algo. Corro para atacá-la.
Eu me jogo em cima dela e a derrubo. Fico em cima da garota, segurando suas mãos com as adagas. Collen fica se debatendo, tentando me tirar de cima dela, mas é fraca demais. Seus olhos parecem um poço de medo. Por um segundo penso em deixá-la sair, mas me lembro que não tiveram pena de Giovanna. Então, por que deveria ter de alguém? Solto uma das mãos da menina e pego uma de suas adagas, mas ela consegue virar e ficar por cima de mim. Collen dá um sorriso vencedor, mas como aconteceu anteriormente comigo, ela teria que soltar uma de minhas mãos para me atacar. Era óbvio que ela não percebeu o erro que fez e soltou minha mão. Não perdi tempo e rolei com a menina do 11 pelo chão da arena, até a cabeça de Collen bater numa pedra; o impacto não fora forte para faze-la desmaiar, mas ela ficara tonta, rapidamente peguei sua outra adaga. Imobilizo a menina e me preparo para dar um golpe nela. Não Annabeth, ela é tão pequena e indefesa. Você seria um monstro Annabeth, você teria matado alguém.Eu não posso matá-la, meu subconsciente está certo, é o que vou fazer. Olho para o lado e vejo o corpo de Giovanna ensanguentado e morto. Eu sei que não é ela, mas isso só me lembra que todos somos monstros aqui. Sem pensar mais acerto a adaga de 12 cm na região do fígado de Collen; por motivos óbvios: o fígado é o órgão que passa 1,5 litros de sangue por minuto, pelo tamanho de Collen ela deve ter 4,5 litros, em aproximadamente 3 minutos ela estará morta. Um lado meu quer correr e sumir daqui, mas outro me obriga a continuar a ‘esfaquear’ a menina com sua pobre adaga. Faço um corte com a letra G, em homenagem à Gi. A última coisa que Collen faz é soltar um grito abafado. Depois, seus olhos perdem a vida. Levanto-me e chuto a cabeça da menina fazendo bater na pedra novamente. E ouço o canhão soando, a primeira morte da grande final tinha acontecido.
Viro-me e sou surpreendida por Helena, que pula em mim para me derrubar. Sou imobilizada por ela, seus pés prendem minhas mãos, e suas mãos estão me enforcando. Tento pedir socorro para Bright, mas ele está muito ocupado lutando com Leo. Debato-me e faço tudo que posso para tentar tirar essa vadia de cima de mim, mas ela é muito pesada. “Bright, por favor”. Não consigo mais respirar. Estou sem ar, minha visão está escurecendo; junto minhas últimas forças numa tentativa de livrar minha mão, mas falho. Não tem mais jeito, eu vou morrer. “Bright, vença isso por mim”. Como uma resposta ao meu pensamento, sinto o peso de Helena saindo de mim. Duas opções: ou eu morri, ou alguém me salvou. Abro os olhos torcendo para não ver a tão famosa luz, mas o que vejo é Bright segurando Helena e esfaqueando a menina por trás. Helena passa a cuspir sangue. Depois de recuperar as forças e voltar a respirar, levanto-me a procura do menino do 1, então o vejo: pronto para acertar seu tridente nas costas de Bright.
- Bright, atrás de você! – Gritei o mais alto o possível.
Meu aliado se virou e rolou para longe do ataque. O tridente acertou em cheio a barriga de Helena. A última coisa que se pôde escutar da menina foi um grito como “Seu estúpido!”. O canhão soou marcando mais uma morte.
Era isso, eu e Bright contra um carreirista. Talvez, na melhor das hipóteses, poderíamos ter alguma chance. Bright tinha algumas de suas facas, eu tinha as duas adagas de Collen. O tridente de Helena tinha se perdido sabe-se lá onde, e o menino do 1 estava com todas suas armas ainda.
Dessa vez quem tomou iniciativa foi o carreirista. Com seus olhos de gelo, veio correndo em nossa direção. Bright mirou uma faca e atirou, acertou o braço do menino e saiu correndo para enfrentá-lo. Antes de eu poder tomar iniciativa para atacar e ajudar Bright, vi um paraquedas chegando com algo grande. Sem pensar duas vezes, corri na direção do objeto.
Enquanto eu ‘fugia’ da briga, podia ouvir gritos de dor e sons de uma verdadeira batalha. Eu só esperava que Bright estivesse vencendo. Quando cheguei na dádiva, tomei um grande susto. Na final você não espera receber uma dádiva, e se receber, imagina algo pequeno, mas na verdade era uma espada. A minha tão desejada e esperada espada. Larguei as adagas e peguei meu novo presente, mas não tive tempo de ficar admirando aquela preciosidade. Corri para a luta a tempo de ver Bright levando um último golpe do tridente do menino do 1.
-Bright!
As palavras escapam da minha boca em forma de grito. De repente, tudo fica embaçado de tal maneira que não sei dizer se são meus olhos ou apenas uma mutação da arena. Bright estava morto. Meu aliado, que esteve ao meu lado todo esse tempo, dentro e fora da arena, está morto. Ele que quando eu brigava com ele, ele apenas dava seu sorriso torto e me fazia esquecer que estava irritada com ele; Ele que quando eu chorava me abraçava e dizia que iria me proteger; Ele, que quando eu achava que estava tudo perdido, que não tinha mais espaço para mim nos jogos, me fazia achar esperanças. Ele que foi meu herói na Terra, e agora vai ser meu anjo no céu. Ele está morto. Assim como Giovanna. Assim como Ruby. Assim como Carter. Todos mortos.
De relance, vejo o carreirista se aproximando de mim, mas não me movo de imediato. Fico perdida demais pensando em como tudo ficou tão ruim de repente.
Primeiro, perdi Ruby para a Capital. Depois, tiraram Giovanna de mim. Logo, Carter fora tirada de mim novamente pela Capital. E agora, ele levou Bright. Eu perdi tudo: perdi o conforto da minha casa, perdi meus aliados, perdi para a Capital. Mas tenho pelo menos uma vantagem: quando lhe tiram tudo, você não tem mais nada a perder.
A única coisa que sobrou para ser levado também é minha vida. A questão é: eu vou permitir?
Abro os olhos e limpo as últimas lágrimas do meu rosto, agora a menina fraca do distrito 5 vai matar um carreirista. Como uma resposta irônica para meu pensamento, Leo joga uma de suas facas e acerta minha perna. Caio no chão com a dor, e minha única esperança de sobreviver a essa luta voa para dentro do rio. Ótimo, estou sem minha espada, machucada, as adagas de Collen estão longe e o tridente da Helena sumiu; para melhorar a minha luta, que era para supostamente eu vencer, o carreirista tem todas as suas armas. Viva.
“Annabeth, lembre dos pontos fracos, qual é o ponto fraco dos carreiristas mesmo?” A voz de Bright ecoa pela minha cabeça, como se ele ainda estivesse ali comigo. “Eles são arrogantes, e se acham melhores que todos.”Era isso. Levanto-me rápido apesar da dor e falo para o menino ouvir.
- Sabe, eu ouvi dizer que você tem uma péssima mira. – Um olhar de ódio vem em minha direção. E ele joga mais uma faca, e erra. – Parece que estavam certos. – Rio dele e em troca uma faca vem em minha direção, com um movimento rápido, e doloroso, desvio facilmente da lâmina.
O carreirista parece que ficou com o ego tão machucado, que em vez dele tentar me atacar fisicamente fica errando todas as suas facas. Ótimo, ele está perdendo suas facas, porém tem ainda um tridente e eu nada, a não ser a faca que ele me acertou. Ele joga a última faca e erra, me abaixo e pego a mesma, me levanto e vejo um vulto correndo em minha direção. Sem pensar vou em direção dele. Ele faz o primeiro ataque, eu desvio da investida e tento segurar sua mão. Sem pensar duas vezes acerto no maior ponto fraco masculino, o seu órgão genital, com uma forte joelhada, e logo acerto uma facada em sua mão, ele solta o tridente, mas minha faca cai junto e eu chuto para longe as duas armas. Menos uma arma, agora estamos de igual para igual.
“Você é pequena e não tem força, você tem que usar o cotovelo e joelho.” Parece que o treinamento não foi tão inútil. Dou uma cotovelada na costela dele e uma joelhada em sua barriga.
Não adianta ficar só batendo, para vencer ele precisa morrer. Eu preciso pegar minha espada, ela não deve estar tão longe do rio. Sem pensar no que pode acontecer, tento atravessar o rio para pegar minha espada, ela caiu por aqui, tenho certeza, eu vi. Leo está se recuperando da boa surra que dei nele, eu acho pelo menos.
Se você está pensando que encontrar algo no rio é fácil, está enganado, você nunca encontra nada, apenas pedras e terra. De repente sinto o carreirista empurrando minha cabeça para debaixo d’água.
Estou sendo afogada, tento chutar e bater no menino do 1, mas não tenho força nem para respirar. Tento controlar meus batimentos cardíacos mas eles estão acelerados demais e não sinto mais meu corpo.
É isso, eu vou morrer agora. E de que terá adiantado minha vida? Eu não tive amigos no distrito 5, minha família nunca foi realmente unida, minhas únicas amigas morreram, Ruby por bestantes, Carter por uma chuva de meteoros idiota e Gi eu nem sei realmente a razão que ela morreu. Bright, eu realmente nem sei o que sentia por Bright, vi ele morrer na minha frente e não pude fazer nada, eu não queria que Bright me deixasse, eu queria que ele estivesse aqui e me salvasse como ele sempre faz. E todas as meias palavras que eu disse? E ainda existem as palavras que eu não disse. E tudo que eu queria fazer e não fiz?
Eu vejo tudo escurecendo e quando a visão volta, vejo Giovanna deitada no meu colo enquanto afago o cabelo dela. Bright está do meu lado me abraçando, Carter está provavelmente discutindo com Ruby. Eu estou cantando alguma música para Gigs. Do nada a cena para, Carter vira para mim e diz: “Vá lá pequeno gênio, ganhe isso por nós, honre-nos.”.
Tudo escurece e a cena desaparece, o que vejo é novamente estou dentro do rio. Eu estava morta? Estava querendo voltar, ou estava só delirando? Um brilho prateado me chama atenção, eu estico bem a mão e quase alcanço, junto as últimas forças e vou um pouco para frente e descubro que o brilho, era minha salvação. Era minha espada.
Pego a espada e num golpe rápido acerto o braço do carreirista. Ele me solta e eu posso finalmente respirar, sinto o ar queimando meus pulmões. Quanto tempo se passou? Não deve ter sido muito, eu ainda estou viva.
- Você vai morrer. Assim como eu matei Bright, e sua amiguinha cachorrinha, aquela loira estúpida. - FOI VOCÊ QUEM MATOU GIGS? SEU ESTÚPIDO. COMO VOCÊ CONSEGUIU? - Do mesmo jeito que você matou Collen. - ele olha para o corpo caído de Collen. - Você vai pagar pelo que fez à minha Gi, e pelo meu Bright.
Então corro para atacá-lo, e ele não desvia, na verdade ele tira um facão que estava escondido e eu não vi. Ele tenta dar o primeiro ataque, mas o facão não é uma arma muito boa para atacar assim, então ele só rasga meu casaco. Eu retribuo com um golpe em seu braço e ele me acerta na perna, perto do antigo corte e toda dor volta. Eu preciso desarmá-lo. Com esse pensamento, faço um golpe para tentar desarma-lo: finjo que vou acertar sua barriga, e quando ele vai se defender, eu acerto sua mão fazendo um belo corte. Então, ele deixa seu facão cair. Ele tenta abaixar para pegar o facão, mas sou rápida e com um golpe ligeiro acerto seu ombro, fazendo-o cair. Com o pé, jogo o facão para o rio. Para ele pegar seu facão terá que passar por mim, e dessa vez acho que ele está sem arma. Eu acerto sua perna esquerda, e ele berra de dor. Enfio minha espada em seu pé, que atravessa com certa dificuldade. Eu tiro minha espada, e vejo-o desesperado de dor, se fosse antes acho que nunca me perdoaria, mas ele é um sanguinário estúpido. - Isso é pela Gi. – Um golpe certeiro em seu rosto, ficando um grande corte em sua bochecha. – Isso é pelo Bright. – Um golpe eu arranco sua orelha esquerda. Um grito de dor, e logo depois eu chuto seu órgão genital novamente.
Um berro de dor sai da boca do menino, e nessa hora eu decido parar com o joguinho, minha perna dói demais para ficar nisso. Com um golpe rápido e forte em seu pescoço e sua cabeça rola. O canhão soa marcando sua morte. A voz de Liz ecoa pela arena.
- Senhoras e senhores, conheçam a vencedora da 64º edição dos Jogos Vorazes. Annabeth Chase, do distrito 5.
Um grande aerodeslizador aparece, para eu subir e sumir desse inferno chamado arena, mas em vez disso corro na direção de Bright. Me apoio sobre ele, e deixo todas as minhas lágrimas descerem pelo meu rosto.
- Bright, volta para mim, por favor. Não se vá, não me abandone.
Em resposta uma leve brisa vai pela arena, como se fosse Bright ainda me abraçando e me prometendo que estaria aqui comigo.
- Eu não vou te esquecer nunca, meu herói. – Desço meus lábios em sua testa e um beijo se forma.
Era isso, Bright sempre estaria vivo em meu coração, finalmente eu descobri o que sentia por ele. Tento segurar minhas lágrimas e falo num sussurro quase inaudível.
- Eu te amo.
Helena K. Steve, Distrito 11. Desafio 10 (Final)
Fim dos jogos, início de tarde. Helena venceu. Já pode comemorar, Capital!
A grama se movia rápida á sua frente, alguns metros á frente em torno da cornucópia e o cimento abaixo desta e antes do verde parecia tão frio quanto o gelo. Tinha a antiga adaga de Collen em suas mãos, suja com o próprio sangue da pequena. Aos poucos sentiu o ar se tornar mais rápido á sua volta, como se forças sobrenaturais o fizessem se movimentar assim.
— Que seja um bestante voador ou um tributo mutante, por favor. — Helena Katherine Steve implorou num sussurro, sua voz soando fraca e rouca, num tom de quem esconde a dor que está sentindo.
Tudo que queria era morrer finalmente. Como fora capaz de fazer aquilo? Que tipo de monstro era? Porque diabos a morte não chegava logo?, afinal ela merecia, não? Seria tão mais fácil se fosse assim, simples. Imaginou como seria a sensação obtida ao morrer. Torturante? Indolor? Rápido? Não se importou, pois já havia chegado á conclusão de que pior do que já estava não ficaria. Era impossível. Agora só faltava fazer o que mais queria... Ou mais corretamente dizendo, faltava a coragem para fazê-lo.
De que importava existir Katherine ou Helena se agora o único ser que as mantinha separadas - ou não - estava morto?
Assim como Helena sabia que Katherine não havia voltado á ser parte de seu corpo, conseguia notar que ser uma só ou não na situação atual não era lá algo urgente, afinal pensavam de modo quase igual e tinham um desejo único e mútuo.
Levantou o olhar para o céu e ouviu um som sair de sua garganta. Algo que poderia ser qualquer coisa e ao mesmo tempo, nada. Fechou os olhos por alguns segundos, apenas para abri-los em seguida e mostrar a mesma expressão que havia obtido minutos antes, no fim dos jogos: Algo vazio e sem sentido. Nem a ingenuidade sentimental de Helena ou a crueldade insana de Katherine. Muito menos a inteligência cautelosa de Steve. Era distante e enevoado. Tentou de novo e dessa vez conseguiu pronunciar o desejado.
— Covarde. — Direcionado á si mesma, seguido do anterior som novamente, que agora podia ser identificado como um riso daqueles um tanto psicóticos de quem já não tem motivos parar rir e exatamente por isso o faz para ironizar com amargura o sentido da coisa.
Não era o tributo e muito menos o bestante o que agitava o vento, tal agora podia ser visto claramente, automaticamente acabando com as esperanças de Helena Katherine. O aerodeslizador se aproximava lentamente para tirar-lhe daquela arena pútrida e suja do sangue de tanto aqueles que mais amou em sua vida quanto daqueles que mais desejou a morte.
— Covarde. — Repetiu, vendo se aquilo lhe incentivava á fazer o que achava necessário. "Faça. Ainda dá tempo." Ordenou Katherine, tanto á Helena quanto á si mesma. "Faça.", reiterou, num tom mais autoritário.
Não tinham mais nada á perder mesmo.
"Por que não?" Perguntou-se Helena, ganhando coragem de realizar logo o ato.
"É, Helena. Por que não?" Disse Katherine, numa conversa única das duas.
E então, apenas se viu em todas as TV's de Panem o momento em que Helena Katherine Steve, a tributo do 11 que perdera a irmã e o amante nos jogos, empunhou novamente a adaga do modo correto, como que para uma nova batalha, para em seguida fazer á mesma atravessar a própria barriga, pouco ao lado da cintura, em algum ponto no meio das costelas. A arma já tendo sua ponta á mostra em suas costas.
Seus olhos se fecharam lenta e gradativamente e apenas por achar que aquilo não era certo de se fazer, não gritou no momento em que a dor re-apareceu. Seu corpo desabou no chão antes mesmo que o aerodeslizador impulsionasse sua escada para fora do transporte aéreo.
Dia anterior. "Senti sua falta, Katherine."
Seus gritos talvez pudessem ser ouvidos por toda a arena e sua voz perdera toda a força e orgulho que algum dia já ousara possuir.
Katherine se contraía no chão da cidade, com o fato de que parte de sua blusa já ter sido consumida pelas chamas fazendo com que seus ferimentos em carne viva apenas ralassem no chão causando ainda mais dor já não importando mais. Estava acordada á alguns minutos e seus olhos ainda não conseguiam focalizar imagem alguma. Tudo que via eram as imagens turvas, borradas e nubladas de algo completamente cinza que identificou como a cidade á sua direita e o vermelho das chamas queimando o que outrora fora o verde das árvores á sua esquerda. Podia sentir que o fogo estava bem próximo de si, mas não se importou, afinal já estava queimando.
Cimento e terra antes e cimento e fogo agora. Seu mundo físico se resumia á isso e á um rio de água mortal. O lado de sua blusa que faltava havia sido queimado ao tentar - e conseguir - matar o bestante vampiro, deixando á mostra o resultado e consequência de tal feito: Uma queimadura longa que começava no lado esquerdo de seu pescoço, seguia pela lateral de seu seio também esquerdo e descia pela barriga até pouco acima de seu quadril, seu braço esquerdo também estava envolvido por completo naquilo. O sol começava á nascer.
**
"Collen, esteja bem. Por favor, só esteja bem." Pensou naquilo com todas as suas forças, mesmo que Helena teimasse em tentar acalmar Katherine, dizendo-lhe que não haviam ouvido nenhum canhão, o que significava que pelo menos viva Collen estava.
— Seu otimismo me enoja. — Resmungou Katherine, num mau-humor claro causado pela dor, talvez, em um tom ríspido.
A parte esquerda de sua blusa infelizmente não era capaz de se regenerar magicamente, deixando a barriga da garota á mostra e á mercê do vento rápido, porém quente, que açoitava a arena, mas a dor já havia em parte sumido, ajudando a tributo no quesito andar. O fogo no bosque já havia se dissipado quase que completamente, restando apenas as cinzas como lembrança da destruição se espalhando por toda a parte. Katherine havia optado por se aproximar do rio pelo caminho da ex-floresta, sabendo que a mesma aproximação pela cidade poderia demorar ainda mais devido á distância e ao ritmo não tão rápido usado pela garota ao andar, afinal... Bem, a situação não fica nada simples quando metade de seu corpo está tentando se recuperar e você continua á andar, sem dar chance de descanso. A solidão não lhe incomodava, apenas a preocupação era aparente em seu psicológico. Sentia saudades de Damen pois seu corpo o queria, mesmo que Katherine estivesse convencida de que não sentia nada por ele. Não que não quisesse sentir... Na verdade, desejava internamente sentir aquilo que Helena sentia por Damen por alguém, mas é que já gostava de Collen. Amar Damen seria como tentar ter a vida de Helena. E por mais aceitável que estivesse a relação das duas entre si, Katherine não conseguia suportar a ideia de desejar ter a vida de Helena. "Argh. Helena." Pensou, com certo ódio. Odiava aquilo que estava acontecendo consigo mesma. Afinal, na opinião que costuma mostrar, sentimentos são tão... Inúteis.
***
Se perguntava se não estava ficando louca ao pensar ter visto mais alguém com Collen assim que avistou a pequena do outro lado do rio, novamente. Conseguiu sorrir antes do mesmo sorriso sumir de seus lábios ao sentir o chão tremer abaixo de seus pés antes que pudesse sequer falar com a irmã, que agora havia caído no chão de modo frágil, o que Katherine estranhou, afinal o tremor nem fora tão grande no início.
O que parecia ser um terremoto aumentou, arrancando um grito baixo e abafado de Katherine, assim que algumas partes do chão começaram á rachar. O ar ganhou um tom amarronzado que rapidamente se intensificou e o solo começou á se mover mais rápido.
Cinzas e terra atrapalhando sua respiração. Uma tontura lhe atingiu, fazendo tudo girar ainda mais á seus olhos. Tossiu e colocou as mãos no rosto, numa tentativa falha de proteger os olhos da poeira.
Não via mais o rio quando os tremores e rachaduras deram sinais de que iam diminuir. Caminhou para trás tentando se manter de pé, procurando algo em quê se apoiar. Continuou á tossir.
Quase tão rapidamente quanto surgiu, o terremoto parou e a poeira começou á baixar. Antes mesmo que já pudesse distinguir uma coisa da outra, um fato ficou claro: O rio já não existia mais, mesmo.
Nem se preocupou em chamar Collen, apenas começando á correr na direção da irmã, saltando uma pequena fenda deixada no lugar onde outrora fora o centro do rio. Assim que á alcançou, jogou os braços em torno da pequena, se controlando para não pegá-la logo no colo. Ficaram abraçadas por algum tempo que não parecia passar, Collen com a cabeça no ombro da irmã mais velha, sem necessidade de falar.
Isso até que Katherine viu alguém se aproximar por trás de Collen. Rapidamente e com agilidade, se levantou e ajudou Collen á fazer o mesmo, colocando a mão na frente do corpo da pequena, enquanto apontava o tridente exatamente na direção do coração do estranho, a ponta da arma tocando a roupa do mesmo.
Era bonito, tinha de confessar. Cabelos negros e uma pele incrivelmente clara. Olhos verdes e um físico de dar inveja á qualquer carreirista - se é que ele não era um. A expressão arrogante era a mesma; -, mesmo sob aquela roupa toda. "Ficaria melhor sem ela, hm."
Mas voltando ao que interessa, Katherine forçou mais o tridente no peito do garoto, falando com uma rudez que escondia o interesse:
— Achou que fosse aproveitar o terremoto e matar mais alguém? Minha irmã? Desculpe-me desapontá-lo, mas quem vai morrer aqui é você. — Primeiro os deveres; depois saber quem era ele. O que não esperava é que Collen fosse, ridiculamente, protegê-lo ao tirar o tridente de sua mão e sair da proteção de Katherine, logo respondendo pelo garoto.
— Ele está comigo, Helena. — Mordeu o lábio inferior, tentando não demonstrar que Helena não estava ali. — Não posso deixar que o mate. Ele salvou minha vida durante a chuva de meteoros. — Não confiou muito naquilo. Por algum motivo começou á se lembrar dele na entrevista dos tributos, no treinamento e no baile. Todas memórias de Helena, mas ainda assim memórias. Não era a melhor das pessoas, porque diabos salvaria a vida de Collen?
— Leo, não é? Distrito 1. Se tentar qualquer coisa, morre. Sabe disso, não é? — Avisou, direcionando-se diretamente á ele, seguido de um sorrisinho de ironia no canto dos lábios. Pegando o tridente novamente, segurei a mão de Collen, já começando á caminhar rápido. O rio não havia sumido para nada, isso era certeza.
— Helena... Mais devagar... Por favor... — Diz Collen, fazendo com que Katherine parasse e olhasse para a garota com a testa franzida e uma expressão de "O quê?", até que viu que a garota observava a própria perna. Collen estava sorrindo, como quem pede desculpas. Desculpas? Sério?
— Uou. — Apenas responde Katherine, sem saber muito o que dizer. O ferimento na perna da pequena era feio e parecia que logo ia infeccionar. — Tudo bem. — Comentou, mais para si mesma que para os outros ali, respirando fundo.
Começam á caminhar novamente, mais lentamente, agora apenas querendo encontrar um lugar onde pudessem se encostar e descansar um pouco, mesmo que o objetivo de Katherine nesse lugar fosse claramente ajudar a irmã.
A noite chega rápido, e Katherine decide que seria melhor parar perto de algumas árvores que haviam sobrevivido ao incêndio. Se senta, encostando as costas numa das árvores. A situação atual fazia com que até mesmo aquilo fosse confortável.
— Deixe-me ver seu machucado. — Falou, tentando não parecer muito autoritária. "Ela pensa que sou Helena. É melhor assim."
— Melhor não.
— Não seja desobediente, garotinha. Venha aqui.
— Você vai ficar preocupada demais.
— Collen. — Agora o tom de ordem era óbvio, já que se esqueceu de escondê-lo dessa vez.
Collen se senta á seu lado e após um sinal de Katherine, estende a perna machucada sobre o colo da irmã mais velha. Retirou o curativo improvisado da garota, com uma careta ao ver o péssimo trabalho que Leo e Collen haviam feito. Não sabia direito o que sentia. Raiva? Pena? Susto?
— Mas que droga, Collen. Você não limpou isso? — Resmunga, analisando o ferimento, mal notando a rispidez que usara ao falar.
— Não... Eu não tinha água, Katherine. — Katherine levanta o olhar, assustada. Não, não e não. Como ela sabia? Arregalou os olhos e abriu a boca, como se tentasse dizer algo, mesmo não sabendo o que. Quase que sem querer apertou a mão em torno do ferimento de Collen, arrancando um suspiro baixo de dor da garota, que Katherine ia pedir desculpas por fazer tê-la dado, porém vendo que não parecia ter exatamente o controle de sua voz. Não era Helena dando as caras nem nada assim, apenas receio. Como?
Collen provavelmente gritaria para Katherine sair dali e deixar sua tão querida Helena voltar. Iria brigar com Katherine e dizer que ninguém nunca á amaria. A moça sabia que sim, e apenas por isso foi pega de surpresa ao ouvir o que Collen disse em seguida, ignorando o olhar confuso de Leo sobre si.
— Senti sua falta, Katherine. — E então ela á abraçou, e dessa vez foi um abraço para Katherine, mesmo. A maior não sabia se ria, ou chorava. Estava estática ao receber o beijo em sua bochecha, vindo da irmã. E meio que riu e chorou ao mesmo tempo, abraçando-a de novo.
Apenas para em seguida se lembrar da perna de Collen e com uma super-proteção meio exagerada, pegar a garrafa de água que tinha na mochila para limpar o ferimento de Collen, mesmo que todos ali aparentassem mais sede do que necessidade de limpeza num ferimento.
— O que aconteceu? — Pergunta Collen, tocando o ombro de Helena, na queimadura que descia até sua cintura. Katherine se controlou para não estremecer ao toque, pois aquilo ainda ardia.
— Fui atingida. Não foi nada. — Respondeu, num tom que dizia "Não foi importante, ignore.", mesmo que fosse mentira.
***
Collen estava dormindo com a cabeça no colo de Katherine, com esta ainda sentada no mesmo lugar. Leo estava ao lado, e os dois conversavam num tom de amizade - ou algo mais? - á horas, de modo que a madrugada já desse as caras. Leo já sabia da condição mental de Helena agora.
— Eu tenho como se fosse vontade de proteger sua irmã. Não sei, mas... Deve ser porque tentei matá-la no banho de sangue. — Não, aquela não fora a coisa mais esperta á se dizer da parte dele. Porém Katherine não demonstrou. — Mas tem algo em você, Helena, que me chamou a atenção. Só queria que você soubesse disso. Acho que não temos muito tempo de paz.
"Helena, ótimo." Pensou, afastando o olhar que antes estava no rosto do garoto.
— Desculpe. — Ele falou, apenas agora notando o que dissera.
— Tudo bem. É sempre Helena, já me acostumei. — Tinha esperanças de ter algum sentimento apenas para si mesma... Mas sentimentos verdadeiros não costumam existir se ambas as partes não concordavam ou não acreditavam nele. Leo não parecia acreditar. Não conversaram mais depois disso, naquele dia. Ouviu-se o ronco suave de Leo e tanto ele quanto Katherine mal notaram que, quando esta dormiu, tinha a cabeça no ombro do garoto.
***
1ª pessoa á partir de agora, é.
— Collen. Vamos, Collen! Acorda logo. Tem algo errado. — Anunciei, movendo os ombros da pequena sem tentar parecer violenta demais. Agora estávamos numa clareira, e isso não era bom. Como havíamos ido parar ali? Collen abriu os olhos, mas não prestei muita atenção. Leo havia voltado. Leo...
— Estranho. — Diz ele, voltando da checagem de perímetro que dissera ir fazer. — É como se a arena tivesse encolhido. — Afirma, olhando em volta. Me levanto, ajudando Collen á fazer o mesmo. Apoio as mãos na cintura, vasculhando o local com o olhar. Collen avisa ter visto algum animal por perto e sai de perto, mesmo que Leo parecesse quase prestes á se ajoelhar e pedir para que não fosse. Ela não podia ir. Eu também sentia isso, mas ela sorria como se caçar coelhinhos fosse a melhor atividade que pudesse ter. Resmunguei alguma coisa do tipo "Deixa ela.", o que me deu vontade de enfiar a droga do tridente na porcaria do corpo sexy de Leo quando ele ousou relutar. Argh.
Collen sai e algo muda em mim. Não sei o que é, nem o porquê daquilo, mas sinto. Olho para Leo e tenho um quê de desejo aparente em minha expressão. Ele me olha um tanto confuso, como se perguntasse o porque daquilo.
— É... O quê foi? — Ele pergunta, franzindo as sobrancelhas.
— O que foi? O que foi é que estou prestes á morrer. Você sabe disso, não sabe? Você não quer mesmo se divertir um pouco? Por mim? — Eu estava mesmo prestes á morrer. Eu sabia disso.
— Collen esta sozinha. Não devíamos deixá-la assim, ela pode se machucar.
— Bobagem, a garota sabe se cuidar. — Revirei os olhos ao falar, me aproximando. Ele hesita, mas se afasta ainda mais. — Por favor, qual é! Estou morrendo, posso sentir isso. Helena está me matando, cada vez que Collen se aproxima, uma parte de mim some. Além disso, Collen precisa vencer. Vou morrer de qualquer jeito. Você vai morrer também, se for preciso. — Por que dizer isso me fez engolir á seco, fechando os olhos por alguns segundos? — Eu só quero uma chance. Pelo menos, quero morrer feliz. Você pode me dar isso.
— Não, Katherine. Eu não... Não posso. — E eu ia perguntar o porquê, até ver o que eu estava fazendo. O que eu estava fazendo? Não sei. Um grito ecoou pela floresta, e senti todo meu corpo congelar. Era Collen. Eu poderia reconhecer aquela voz em qualquer lugar. O grito que antes eu desejava ganhar para sorrir, me fez simplesmente querer morrer. Os bestantes e o fogo não eram nada, pois ela estava em perigo. O que poderia doer mais que isso? Senti que me odiaria eternamente por pensar assim. Saí do transe e comecei á correr, como se minha vida dependesse disso, estando completamente ciente dos passos de Leo atrás de mim. Ignorei o barulho que eu fazia ao correr e os galhos das árvores batendo diretamente contra minha barrigas, que ainda não havia se recuperado. Na verdade, estava longe disso.
— COLLEN! COLLEN... COLLEN, CADÊ VOCÊ? — Gritei. Eu podia ser um alarme ambulante que indicava minha posição, mas não importou. Collen estava em perigo. Uma nova clareira apareceu, e vi minha irmãzinha com uma adaga atravessada diretamente no coração. A mesma adaga que tinha antes consigo. A adaga que havia conseguido lutando com Leo no banho de sangue. Em frente á Collen, com a adaga em punho, uma figura de cabelo moreno, pouco mais alta que eu, ria.
Ria junto de um outro filho da puta qualquer que eu não me lembrava quem era. Senti minha respiração acelerar e meus dedos apertarem ainda mais o metal que parecia mais frio que nunca do tridente em minha mão. Por algum motivo ridículo eles ainda não haviam notado minha presença. Abri a boca, querendo pronunciar um xingamento qualquer, mas nada saiu. Collen. Apenas Collen rondava minha mente. Seu sangue escorria, sujando a mão da garota alta e a adaga. Não... Sujando não. Nunca. Seu sangue era o mais puro que poderia existir. Porque ela? Ela não podia estar morrendo. Talvez eu esteja tendo um pesadelo do qual vou acordar á qualquer momento. Só pode ser isso. Tem de ser.
Se for, vou acordar sabendo que pelo menos fiz o que era preciso. Soltei um urro ridículo que poderia ser considerado um grito de guerra qualquer, correndo em direção á garota, deixando que Leo se preocupasse com Bright. Leo o venceria facilmente, eu sabia disso. Ao correr, meu tridente já estava pronto para atravessar a cabeça daquela desgraçada á qual eu não queria ter o desprazer de lembrar o nome.
Ela não fora pega de surpresa graças á mim, mas consegui fazer uma das pontas do tridente atravessar seu braço, fazendo seu sangue pútrido cair, molhando a pobre terra.
— É melhor que não tenha medo de sentir dor, querida. — Sussurrei, me sentindo como no começo de tudo. Eu queria sua morte. Seu sangue. Eu queria vê-la gritando e pedindo desculpas. Ela havia ousado rir? Iria ouvir minha risada agora. Ela havia matado Collen? Pois agora iria ter de assistir enquanto eu á matava.
Ignorando o ferimento no braço, a garota puxou uma espada da bainha na cintura, e avançou contra mim. Parei seu golpe em pleno ar com o tridente, os dois se chocando um contra o outro enquanto eu andava para trás de propósito, deixando que ela imaginasse que seria capaz de vencer. Ao ver o corpo de Collen á meu lado, senti apenas adrenalina. A mais pura adrenalina invadindo meu sangue e atravessando meus ossos. Ela havia feito Collen sofrer? Pois agora ia sofrer também. E ia sofrer algo pior. Ela puxou a espada para trás, se preparando para dar mais força em outro golpe, notando tarde demais o que eu ia fazer. Idiota.
Me abaixei e girei sobre meu próprio pé, indo para o lado. Com o impulso, a vadia havia conseguido enfiar a espada na terra, e agora começava á puxar de volta, eu estava ao lado do corpo de Collen, ainda. A pequena tinha seus olhos ainda abertos, vazios. Olhando para o nada. Aquilo me atingiu como nenhuma espada faria, mas apenas me incentivou á matar. Peguei a segunda adaga que ainda pairava em sua cintura, fechei seus olhos com delicadeza e dei um beijo em sua testa.
E então, o canhão soou. Mas antes disso, eu pude ouvir. Um murmúrio baixo vindo de minha pequena. Uma palavra. Um nome. Meu nome.
— Katherine. — Ela dissera, para partir então para sempre.
Senti meus olhos se umedecerem, e apertei com ainda mais força a adaga em meu punho. Annabeth - infelizmente eu me lembrava - havia puxado a adaga de volta, e se preparava para se virar e me atacar novamente, mas eu fora mais rápida. Eu sempre era mais rápida. Eu sempre vencia. Dessa vez o contrário não iria mesmo acontecer. Dei um chute com toda a força que encontrei na parte contrária de seu joelho, fazendo-a gritar e cair para frente, tendo inteligência o suficiente para soltar a espada antes que acabasse enfiando-a em si mesma ao desabar. Com um segundo olhei em volta e notei Bright e Leo rolando no chão. Leo estava vencendo, tive certeza.
Voltei o olhar para Annabeth, com alguns passos quase calmos indo parar á sua frente. Chutei a espada para longe de suas mãos e me ajoelhei á sua frente, puxando com rudez seu braço machucado. Ela parecia prestes á gemer de dor, mas escondeu isso. Movi a cabeça para o lado, com um sorrisinho inocente nos lábios, olhando diretamente em seus olhos ao pressionar um dedo contra o furo que o tridente havia feito. Vi um filete de sangue escorrendo sua boca, demonstrando ainda mais que ela se controlava para não gritar. Soltei o tridente á meu lado, ficando apenas com a adaga, enquanto usava a mão livre para puxar sua cabeça para trás pelos cabelos, aproximando a faca de seu olho. Lentamente, cortei sua pálpebra esquerda, que logo se soltou completando o trabalho ao cair no chão. Seu rosto estava sendo molhado com o próprio sangue. Sangue, sangue e mais sangue. O que mais eu podia querer? Aproximei a adaga de seu pescoço, sem soltar seu cabelo. Fiz um pequeno corte na lateral, infelizmente notando meio tarde que alguma artéria havia se rompido. Ela gritou mais e mais e aquilo era música para meus ouvidos. Fiz outro corte mais profundo, pensando em alguma frase de efeito bonitinha para dizer antes de matá-la, mas não pensei em nada. Não havia necessidade de dizer algo. Ela continuava gritando e vi como sua boca ficava horrível gritando. Quem sabe um sorriso para animar a coisa, além do meu?
Cortei a pele de seus lábios, forçando-a á ter um sorriso eterno. Subi o corte pela bochecha, dando-a uma aparência de lendas de terror. Pena que ela não era a parte da lenda. Ela gritava como uma idiota, mesmo sabendo que aquilo pioraria a dor. E então, um tridente atravessou sua barriga, quase chegando á mim. Além de mim, apenas Leo tinha um tridente ali.
— Mas que merda é es... — Comecei, vendo o corpo de Annabeth desabar com Leo logo atrás. — EU IA MATAR ELA, TÁ OK? — Gritei, me levantando. Logo fechando a boca e dando um passo atrás. Leo. Por que eu sentia que devia morrer? Collen já havia morrido, o que eu tinha mais na vida? Ele. Ele não me tinha, mas eu queria tê-lo, e isso era o suficiente. — LEO! — Gritei, vendo Bright se aproximar por trás. Eu achava que o filho da puta estivesse morto, mas tudo bem. Leo se virou, tarde demais para ver a lança improvisada de galhos de árvore atravessando sua cintura, pouco abaixo do umbigo. No momento em que isso aconteceu, eu já havia corrido até parar atrás de Bright e movido a adaga com tanta velocidade e força que até me surpreendi comigo mesma ao ver seu corpo caindo e sua cabeça rolando ao lado de meus pés. Em situações normais, eu chutaria á mesma para longe e sairia rindo.
Mas Leo estava morto. Não entendo... Mas eu me sentia quebrada, como se alguém houvesse pegado cada parte de meu corpo e cortado em várias menores e ainda assim, eu estivesse viva, apenas assistindo aquilo e sentindo a dor. Talvez fosse isso. Leo e Collen eram partes de mim. Puxei a lança do corpo dele e me abaixei rápido para segurá-lo antes que seu corpo caísse por completo. Seu peso era muito, mas não importava. Larguei a adaga e tracei uma linha imaginária com meu dedo pela lateral do rosto de Leo, acariciando seu cabelo.
— Leo... — Sussurrei, sabendo que ele ainda me ouvia.
— Katherine. — Ele disse e tinha um sorriso tarado nos lábios que nunca imaginei que alguém á beira da morte pudesse ter. — Eu te amo. — Ele disse, e ao mesmo tempo que meu coração disparou, ele parou.
— Não. Você ama Helena... — Comecei, mas ele me calou, levantando um dedo até meus lábios, os parando. Aproximou os dedos até meu cabelo, e puxou-os até atrás de minha orelha.
— Não, eu amo você. Eu não conhecia Helena. Eu conheço você.
— Leo... — Eu não tinha muito o que dizer. Ou não sabia.
— Sh... — Ele continuou, ainda sorrindo. Levou a mão com uma fragilidade que me torturou mais que mil facas poderiam torturar até a parte de trás de minha cabeça, empurrando-a até próxima de si até que nossos lábios estivessem colados. — Eu te amo.
— Eu também te amo. — Sussurrei, calando-o, agora com um beijo. Não importava mais. Nada importava. Eu não importava. Que Helena voltasse. Poderia viver com seu namoradinho no distrito 11 por quanto tempo fosse, eu deixaria. Ela, pelo menos, poderia ter o que eu não tive. Senti sua língua pedindo passagem e logo nos beijávamos em sincronia, como se aquilo fosse hábito. — Leo... — Sussurrei de novo, em meio ao beijo, me afastando apenas alguns centímetros. Senti algo se misturar á saliva e percebi ser seu sangue. Agora sim, ele estava morrendo. Eu já estava morta, por dentro.
— Katherine?
— Sim..
— Minha irmã, Elen... — Começou, e prestei toda atenção possível, mesmo que as próximas palavras dele não não tivessem sido nunca mais pronunciadas.
Bum. E ele estava morto. E Collen estava morta. E eu estava morta. E eu estava chorando. E a grama começou á se mover mais rapidamente á minha frente.
Aerodeslizador, os jogos acabaram. Ela está viva?
— Ela está viva? — Era a pergunta que era repetida em cada canto do aerodeslizador, enquanto os melhores médicos da capital usavam dos mais diversos modos possíveis já inventados pela medicina para "reviver" Helena. Sim, ela estava viva. Katherine continuava lá. Helena e Katherine estavam vivas. Helena Katherine Steve estava viva. Três, ou uma só? Inimigas, ou irmãs?
Vivas. Vivas por completo, mesmo que o que mais quisessem fosse estar mortas. Longe dali. Num lugar melhor.
"Estamos te esperando." Dissera Leo e Collen no sonho que tivera. Sonho, apenas? Não sabia. Mas queria morrer, apenas para saber se era verdade ou não. Desejou com todas as suas forças sumir dali, mas não conseguiu. Estava viva em Helena, porém morta por completo. Não queria viver. Para quê a vida servia, aliás?
O único sinônimo que conseguia pensar para 'vida', era simplesmente sofrer. E o único sinônimo que lhe vinha á mente quando pensava em 'morte', era simplesmente libertação. "Porque não posso, enfim ser libertada?"
— ELA ESTÁ VIVA! — Gritou um dos médicos, animando o resto da "tripulação" do aerodeslizador. Viva e á caminho da Capital. Viva, preferindo á morte, mesmo que agora soubesse que não podia morrer. A capital não deixaria, pois a Capital era isso: Não deixar. Não deixar ninguém feliz. Não deixar a vida ter algum sinônimo além do sofrimento. Não deixar, jamais, o amor existir e prevalecer...
10. Você pode definir um ponto na vida do seu personagem onde tudo mudou? Pode ser mais de um.
Podemos dizer que o ponto na vida de Anne muda toda vez que ela volta para Hogwarts. Para bom e para ruim, geralmente. Mas muito mais para algo bom.
11. Tem algum animal que seja como o seu personagem?
Bom, ela é prudente e venenosa - quando quer - como uma cobra. Mas na maioria das vezes é como um gato: desconfiada e inteligente.