Perks of being a babysitter || Louis & Spencer
Louis devia aprender que contrariar um Illea não seria benéfico para si. Era exatamente por aquele tipo de situação, quando não o escutavam – a voz da razão --, que se viam em situações onde não sabiam lidar com as consequências. Por incrível que parecesse, o príncipe de vinte e um anos se comportava com muito mais maturidade que Spencer ou Damon, mas as ironias iam só até ali. Na manhã após o baile dado em comemoração ao estabelecimento da seleção, onde todas as meninas foram fotografadas, mais de cem taças de cristal foram estilhaçadas e ele teve que dançar, como se fosse algum tipo de parceiro substituto, exatamente como uma das selecionadas deixara claro, ele só queria um pouco de sossego, um pouco de trabalho monótono dentro do castelo. Era pedir demais, ele sabia. Mal conseguiu dormir naquela noite, sua cabeça não o lhe deu o benefício da dúvida, preferindo pensar em todos os eventos que a vinda de Mair e Julia desencadearia em sua vida como guarda, quando o que ele realmente preferia era dormir, esquecer-se de que tinha alguma ligação com o trono suíço, pelo menos por míseras horas. Quando se levantou, horas depois sem ter ao menos dormido direito, Louis estava com semicírculos arroxeados debaixo dos olhos, não que realmente se importasse. De qualquer jeito, ele se manteria alerta.
Fora escalado, naquela manhã, para guardar o portão sul, completamente sozinho, o que seria fácil, já que quase nenhum dos empregados se arriscaram a ir até tão longe, e era um local estratégico, se fosse pensar realmente. Não contava, entretanto, em ver uma certa cabeleira tentando parecer indiferente ao portão e ao que isso significaria, em última instância. O moreno simplesmente cruzou os braços, uma das sobrancelhas erguidas, como se estivesse imaginando o que Spencer desejava fazer. A verdade era que ele sabia, mesmo que não quisesse acreditar que o Illea seria tão burro a esse ponto, ou tão azarado.
Na guarita onde os guardas ficavam em vigília, Louis pôde ver todo o processo de vinda do ex príncipe herdeiro, e tinha que admitir que estava começando a ficar irritado com as burladas na segurança que Spencer dava. Fazia com que todos os guardas parecessem nada mais do que burros, que não sabiam proteger o palácio realmente, e isso não era bom para a sua reputação ou para a própria segurança, já que os rebeldes poderiam ficar mais audaciosos, e então ele teria que se preocupar mais ainda com a segurança de todos, especialmente com sua família presente. Bufou, saindo da guarita sem muita paciência. Quando não dormia, era o pior tipo de carrasco, e nem mesmo Spencer conseguiria dissuadi-lo. “Eu realmente espero que você não tente sair hoje. Não no meu turno de vigia, pelo menos, Alteza.” Cruzou os braços, sério demais até mesmo para ele, mas não podia se mostrar minimamente incerto sobre suas ordens: ninguém sai, ninguém entra. Do contrário, Spencer iria se aproveitar daquilo, como todo bom príncipe rebelde. Cerrou os olhos, tentando prever os próximos passos do loiro, mas algo o dizia que não seriam de volta ao palácio.