A Terra continua a mudar. por Julio Vicari, 2026.
Há quem olhe para o céu e veja apenas fumaça, motores, fábricas e cidades crescendo. Há quem observe uma enchente, uma seca prolongada ou uma onda de calor e conclua imediatamente que toda mudança climática é fruto exclusivo da ação humana. Certamente, a humanidade interfere no ambiente com suas sujeiras, contaminações, etc. Ninguém de bom senso negaria isso. Mas será que a história da Terra começou conosco?
Depois de ver e ler sobre mudanças climáticas durante anos e anos, reuniões de governantes criando mil maneiras de melhorar o estrago que todos nós criamos, mas que só servem para desviar a realidade, gerar corrupção, e que na vida real, não levam a nada. E esquecem, ou se fazem de desentendidos, quanto aos cientistas verdadeiros e conscientes que baseados em fatos, por várias vezes desmentem as falas midiáticas aterrorizantes, que servem apenas para criar adeptos ideológicos para manter essa política sistemática de absurdos.
No capítulo "Revoluções do Globo", de A Gênese, Kardec convida o leitor a uma reflexão mais ampla. Ele recorda que o planeta sempre esteve em transformação. Antes mesmo de existir qualquer cidade, indústria ou agricultura, a Terra já passava por períodos de intensa atividade vulcânica, deslocamentos continentais, terremotos gigantescos, eras glaciais e profundas alterações climáticas. As montanhas que hoje admiramos foram erguidas por forças que continuam atuando sob nossos pés. Os oceanos avançaram e recuaram inúmeras vezes. Regiões férteis já foram desertos, e desertos já estiveram cobertos por florestas exuberantes. A própria Amazônia, em tempos remotos, conheceu cenários muito diferentes dos atuais.
Quando observamos as notícias diárias, frequentemente somos levados a acreditar que estamos diante de fenômenos inéditos. Entretanto, a natureza raramente segue os calendários humanos. Ela trabalha em escalas de décadas, séculos e milênios. O clima da Terra sempre foi dinâmico, impulsionado por fatores complexos como atividade solar, correntes oceânicas, movimentação tectônica, ciclos atmosféricos e transformações naturais que ainda estão longe de serem completamente compreendidas.
Kardec não negava a responsabilidade humana diante da natureza. Pelo contrário, defendia o progresso moral e o uso inteligente dos recursos do planeta. Porém, também advertia que a Terra permanece em constante processo de renovação. O mundo não é uma fotografia estática. É uma obra em permanente construção. Talvez o grande equívoco de nosso tempo seja imaginar que o ser humano controla todas as variáveis do planeta ou que cada mudança observada no clima possui uma única causa. A realidade parece mais complexa. A ação humana pode agravar problemas ambientais, mas isso não é a origem exclusiva de todas as transformações que testemunhamos.
Enquanto discutimos estatísticas e projeções, a Terra continua seu antigo trabalho silencioso. Os ventos mudam de direção, as correntes marítimas alteram seus percursos, as chuvas seguem ciclos que desafiam previsões absolutas. Assim foi antes de nós e, provavelmente, continuará sendo depois de nós.
Talvez a verdadeira sabedoria esteja em reconhecer duas verdades ao mesmo tempo. Somos responsáveis pelos impactos que causamos, mas não somos os protagonistas da história do planeta. A Terra é muito mais antiga, poderosa e dinâmica do que nossas teorias, nossas disputas políticas ou nossas certezas momentâneas.
E, como lembrava Kardec, as transformações do globo não representam necessariamente o fim de alguma coisa. Muitas vezes, são apenas etapas de uma longa transição, pelas quais o planeta segue avançando em sua jornada através do tempo.











