Identidade de género | Mito 11
Pessoas trans com “passabilidade” são privilegiadas
De certa forma sim, mas privilégio não é algo que se aplique a preto e branco.
Primeiro, definições: “passabilidade” consiste em parecer que se é algo. No caso, estamos a falar de “passabilidade-cis”, ou seja, se pessoas trans ou não-binárias que parecem ser cisgéneras. Assim, há 3 cenários possíveis:
Pessoas que parecem ser do sexo alinhado com o género com que se identificam.
Pessoas que em todos os aspetos são percepcionadas como sendo do género que lhes foi atribuído, e não do seu género verdadeiro.
Pessoas que se expressam de forma alinhada com o género com que se identificam, mas fica claro que são trans, não cis.
Os dois primeiros casos envolvem passabilidade, mas enquanto que no primeiro, o género da pessoa é validado, no segundo ocorre o oposto disso.
Aqui está uma lista reduzida de vantagens e desvantagens que cada cenário pode trazer:
Desvalidação do seu género por conta da maneira como se é tratado pela sociedade (2 e 3)
Invisibilidade da sua identidade trans (1 e 2)
Violência verbal, física ou psicológica quando alguém descobre que a pessoa é trans (1 e 2)
Violência verbal, física ou psicológica por não se conseguir esconder que se é trans (3)
Escapar da violência à custa da sua identidade (1, 2 e 3, sendo mais fácil na prática para 1)
Ter de fazer cis-playing (fazer de conta que se é do género atribuído à nascença, também chamado de [cross-dressing]) (2 e 3)
Vale lembrar que pessoas [não-binárias] raramente são lidas como tal, e portanto para elas passar por cis nunca é totalmente um privilégio, pois vem às custas de estar no armário mesmo que não se queira.















