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Eres ese beso que se da al despertar, cuando todos los demás están dormidos, cuando los latidos no cesan, cuando el amor lo encuentras en unos ojos que no dejas de mirar, eres ese beso que detiene el tiempo, que entre sueños deseo rozar con los labios solo para admirar la magia que brota de ellos como un destello que te deja ver más allá
Esta é pra você. Lamento muito. Sei que te deixei na pior das situações. Considero que você foi a única pessoa que tenho certeza que parti o coração. Você não existe mais na minha cabeça, tenho certeza que não existo mais para você. Mas sabe o que é? Eu não podia deixar tudo de lado, minha carreira, minha faculdade, por alguém que eu realmente não amava. Eu sei que fui covarde com você. Eu podia ter terminado de uma forma melhor, não pude ser capaz de dizer que não sentia mais tudo aquilo. Sei que inventei uma desculpa ridícula. Sei que devo ter sido xingada até minha última geração, e às vezes penso que quando acontece algo de ruim comigo é carma, ou no mínimo alguma maldição que você me tacou. Tudo que posso pedir é desculpas, espero que na sua cidade você esteja bem, com quem quer que estejas.
Carta para alguém que não está na tua cidade ou país. Tudo que é bom, mora longe. Esse não é meu caso, né? (onfloral)
4 de janeiro de 2017
pensei que não te escreveria mais. que as cartas morreriam junto comigo. pensei que eu não levantaria daqui. não sairia daqui. que eu ficaria pra sempre presa dentro do meu próprio corpo que teima em se atirar do precipício mais alto e seguro.
ei, eu tô juntando tanta energia e coragem e força. mas não pra viver. é pra morrer mesmo. eu sei que cê já se foi tem um tempo e eu quero tanto ir contigo, sabe? eu não quero virar notícia ou ser martirizada. eu não quero ser mancha na história de quem lembrou de mim. eu não quero falhar na hora que eu morrer.
tem essa pergunta que a gente se faz quase sempre (no meu caso, eu a faço todo dia). é essa pergunta que põe teus pés pra fora, que segura esses teus dedos sangrentos e assassinos e que empurra tua cabeça até sacudir esse pensamento e essa escolha. essa pergunta carrega uma ponta de esperança pequenininha e parece até mantra pra mim esses dias que amanhecem e morrem. “será que devo aguentar pelo menos mais um dia?”.
um dia. esse dia vai me salvar? ou vai me afogar de vez?
e esse adendo que traz essa teoria de que eu não quero morrer, mas que eu quero mesmo é que essa coisa-dor dentro de mim morra. e isso aí? faz sentido?
quando eu abro o pulso raso, eu imagino meu corpo sendo atravessado pelo ônibus de segunda-feira. sinto quase o gosto do ácido sapecando meu corpo todo até virar pó. eu sinto a dor das pílulas intoxicando cada hemácia escura e atrofiada e o coração correr com a força de cavalos em corridas apostadas em direção a morte sem fim. eu não corro. eu sinto meu eu caindo. eu deitando nesse leito de não-fim. eu olho as cicatrizes agora quase desfeitas e sinto falta do rasgo. não faço a mínima ideia do porquê.
eu sempre tive medo de sentir minha pele se desfazendo, de abrir nem que fosse meu joelho, de rabiscos vermelhos, de dores de cabeça e de pontadas em qualquer parte. mas quando eu acordo e foco no meu pulso esse medo some. tá aí uma vantagem: eu perco o medo. tá aí uma desvantagem: eu perco o medo.
eu sinto falta de ter sonhos. de deitar acordada e pensar nesse mundo que brilha a cada piscada no escuro. eu sinto falta dos sonhos que me acordavam assustada e inquieta quando o sol quase se apresentava. eu sinto falta do sonho. da padaria. eu não comia. nem gostava. mas eu sinto falta disso mesmo: de não gostar.
veja: eu perco a vontade até de desgostar, de ter ódio e de chorar. de contradizer e bater o pé e sofrer e quebrar a cabeça e perder essa coisa de coração. eu sinto saudade disso.
não tem variável alguma que bagunça essa linearidade. que perturba. que me perturba.
eu ainda amo você pelos áudios que me mandou, pelo futuro que existiu tão rápido e tão perto. eu ainda o amo pelos acordes aí que incapacitava o ritmo dentro de mim. era o pi constante da minha máquina cardíaca. eu ainda o amo pelos ataques. todos eles: cardíacos, os de ciúmes, e os de amor. eu ainda o amo pelo breve que cê me deu e por me chamar de sua mesmo que fosse uma só vez a cada uma vida que nascesse. eu ainda o amo por segurar minha mão dentro da minha cabeça e pelos abraços que tem seu cheiro embaixo do meu nariz gelado que enraíza na sua nuca. ainda o amo pela ponta do seus olhos que só existe dentro de mim. seu beijo. eu ainda o amo porque tua boca rosada e macia nunca encostou na minha já em decomposição. eu o amo tão vivamente e tão fatalmente. eu ainda o amo até mesmo quando não percebe que eu to indo embora a cada palavra que mando ou pronuncio. eu ainda o amo, com esse coração estragado, todas as palavras que já escutei de você. ah! como eu amo sua voz. essa tua voz aí me acende todinha e atiça minha boca que insiste em te perseguir com afinco. eu o amo até com essa distância que sempre existiu e com essa distância que cê tá construindo agora. eu nunca vou deixar de te amar da minha forma estranha. nunca vou deixar de amar sua forma estranha e inquieta e incomum. eu te amo, vitor. você, vitor.
embora eu queira muito segurar a mão dele e quebrar a minha parede, eu não consigo ir em frente. eu quero parar aqui. acho mais seguro porque não tem fim pra ninguém a não ser pra mim mesma. quero o conforto da morte. quero que ela me abrace. logo. vem. venha mais rápido que o vitor. venha mais rápido que meu amor por ele.
por favor. eu quero que você me busque. não vou te deixar meus motivos porque no final não faz diferença alguma. a decisão tá firmada em concreto. vai acontecer. por favor. eu quero que seja rápido e indolor. já basta essa dor que sinto. me poupe dos pecados e da condenação. me poupe da ideia de céu e inferno. me poupe dos olhares. mas o mais importante: me poupe de falhar.
esse é o ultimo fracasso que cometo mirando o sucesso.
morrer é o sucesso. eu quero o sucesso. sempre quis.
com saudade, Isa.
11- Carta para uma pessoa falecida com a qual gostavas de falar
Querido vô Rudi, Me conte, como é o céu? Imagino que você deve estar muito bem aí né. Espero que esteja guardando um lugar especial pra mim aí do seu lado pra quando eu chegar. É vô faz tempo que não escrevo pra você, escrevi faz uns dois anos eu acho. Muitas coisas mudaram em dois anos, eu já tive dois "namoradinhos" e nenhum deles era aquele que eu te falei naquela carta, as coisas mudaram pra mim, as pessoas mudaram comigo, eu aprendi muito com isso, as pessoas, o tempo, o clima, os lugares, as leis, os governantes, meu pais, tudo muda uma hora. Mas será que tudo muda mesmo? Será que o senhor mudou? Eu digo que não, eu ainda tenho a mesma impressão de você de quando eu tinha 6 aninhos e estava sentada na escada na frente da sua casa com você. Eu tenho uma teoria, as pessoa são mudanças, todas as pessoa enquanto estão na terra estão em constante mudança, aí chegamos a uma idade em que paramos de mudar, e nesse momento nós somos chamados para voltar para os braços do pai. Alguns chegam a essa parada mais cedo, outros mais tarde, mas todos a alcançam. Ah vô, eu comecei a faculdade de psicologia, mesmo que meus pais não me apoiassem. Eu acho que vou me dar muito bem, mas acredito que a essa altura, você saiba mais que eu sobre isso. Sabe, vô, eu sinto sua falta sempre. Sempre que conheço alguém e penso que queria te apresentar aquela pessoa, sempre que meu pais brigam comigo por não entenderem os motivos pelos quais eu faço as coisas, sempre que eles brigam com uma das minhas irmãs, sempre que eu me apaixono, sempre que como sorvete, sempre que ta no inverno e eu tomo chocolate quente, sempre que vou visitar a vó, sempre que meu pai fala sobre você nos sermões, sempre que como macarrão, sempre que vejo ou ouço uma máquina de escrever. Sempre. Você passou muito pouco tempo do meu lado, foram apenas 8 anos, mas em 8 anos você se tornou um exemplo pra mim, pra mim e pra muitos outros. Vô você foi o único que não me trocou por ninguém, que não me deixou de lado por achar alguém melhor. Acho que você sabia que não existe melhor nem pior no mundo, existem subjetividades (palavra legal né? Aprendi na faculdade), cada qual é responsável por algo no mundo, por ter um dom, por fazer uma parte, pequena ou grande, mas indispensável. Eu amadureci muito nesses dois anos, eu quebrei a cara algumas vezes nesses dois anos. Fiz encolhas erradas sobre minhas paixões, sobre minhas amizades, sobre meu futuro, sobre priorizar coisas que hoje vejo que não deveriam ter sido prioridades, coisas fúteis que hoje me sai completamente dispensáveis. Mas não me arrependo das decisões que tomei. Afinal se não tivesse quebrado a cara tanto assim não teria me tornado quem eu estou sendo agora. Vô, meu querido vô Rudi, eu poderia passar dias aqui contando coisas para você, mas sobre você ainda virão outras cartas. Eu te amo vô, e sinto sua falta a cada vê que respiro. Com muito amor e muita saudade, Bia

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Carta 11: De cómo nació mi insomnio...
Vicent Van Gogh - La Noche Estrellada
Cartas
9 – Carta para alguém que queiras conhecer
Essa eu já fiz, foi para a Melissa, a carta número 8.
10 – Carta para alguém com quem não falas tanto como gostarias
Não quero fazer :( Não sei quem escolher, podem ser tantas pessoas e também ninguém.
11 – Carta para uma pessoa falecida com a qual gostavas de falar
Eu não conheço ninguém que faleceu (graças a Deus); meus avôs morreram antes de eu nascer :/