Eu tinha bons e maus momentos, pensamentos aterrorizados e confiantes.
Cidade dos Etéreos.
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Eu tinha bons e maus momentos, pensamentos aterrorizados e confiantes.
Cidade dos Etéreos.

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Tudo acontece por uma razĂŁo.
Cidade dos Etéreos.
Capitulo dois.
  Era tarde e toda vez que eu tinha que voltar para casa entre às quatro e meia, cinco horas da manha eu tinha um medo incontrolåvel. Da minha casa até o clube tinha um beco e nesse beco tinha vårios drogados, que sempre que podiam assaltavam qualquer um que passava ali e eu sempre passava ali. Eles sabiam que eu sempre tinha algum dinheiro, eles sabiam onde eu trabalhava, eles viviam incomodando todo mundo ali do bairro.
  Hoje não era diferente, porem estava mais perigoso, a algumas semanas os guardas do bairro tinham feito a limpa naquele beco e queimado todas as drogas que encontraram, o que resultou em uma onda de assaltos, tudo o que varia alguma coisa era roubado e com o dinheiro da venda dos objetos, eles compravam drogas. Era a primeira vez na semana que eu precisava passar por ali, pedi para que Carlos me acompanhasse até em casa, mas ele não fez questão nem de escutar o motivo. Haviam poucos clientes no clube e a maioria jå estava indo embora.
  Coloquei todo o dinheiro que eu havia recebido de gorjeta aquela noite no sutiã, coloquei o vestido que eu tinha ido pro clube uma jaqueta por cima para me proteger melhor, estava frio e por mais que a caminhada para casa não fosse tão longa, ainda assim era o suficiente para me resfriar.
  O sapato cortava meu pĂ© e me impedia de andar mais rĂĄpido, escutei a voz de dois caras no beco, nĂŁo sabia se eles dois eram os Ășnicos ali hoje ou se haviam mais deles. Prendi a respiração e fingi nĂŁo saber por onde passava.
  â Olha que delicia hein? - gritou um deles
  â Ela Ă© uma prostituta, serĂĄ que nos serviria sem irmos ao clube? - zombou o outro e entĂŁo os dois caĂram na gargalhada
  â Qual foi gatinha? Vai ignorar dois clientes famintos?
  Ouvi o passo deles e tentei aumentar o passo, o que foi em vão.
  â A gente sabe que vocĂȘ tem dinheiro, nĂŁo somos estupidos... Mas hoje sĂł queremos ver o que vocĂȘ esconde por baixo das roupas!
  O maior deles me empurrou na parede e começou a me encarar, o outro ia abaixando a calça. Eu não conseguia me mexer, o que me segurava era muito forte e apertava meu braço com tamanha brutalidade que eu jå podia sentir meus dedos começarem a formigar.
  â VocĂȘ com cara de medo me deixa com mais vontade de foder vocĂȘ todinha.
  â Um de cada ou os dois juntos? - perguntou o que me segurava
  â Solta ela! - gritou um cara correndo em nossa direção
  â Fica de fora disso cara, se nĂŁo vocĂȘ tĂĄ ferrado!
  â Larga a garota se...
  â Se nĂŁo o que? - perguntou o que me segurava
  O cara deu um murro tão forte em um deles que ele caiu e bateu a cabeça no chão, esse não teve reação, então o cara que me segurava me jogou no chão e foi para cima do outro.
  â VocĂȘ mexeu com as pessoas erradas.
  â Eu mandei vocĂȘs largarem a menina! - ele mal terminou a frase e jĂĄ deu um soco no rosto do grandalhĂŁoÂ
  â O almofadinha acha que pode comigo? - enquanto ele e o cara trocavam socos, eu sentia minha cabeça sangrar por ter batido no chĂŁo e provavelmente em uma pedra, ao lado do cara desmaiado havia uma garrafa, nĂŁo consegui pensar em outra coisa a nĂŁo ser quebra-la na cabeça do grandalhĂŁo, o que sĂł fez ele se desequilibrar e cair, mas foi o suficiente para que o cara pudesse dar uns socos na cara dele e ele desmaiar.
  â Vamos sair daqui! - disse o moço pegando sua carteira do chĂŁo
  â VocĂȘ tĂĄ sangrando. - falei assustada com a quantidade de sangue que escorria do nariz e do supercilio dele
  â Ă, vocĂȘ tambĂ©m. - respondeu ele
  â Eu moro logo ali, posso fazer algum curativo em vocĂȘ...
  Ele sorriu e pediu para que eu indicasse o caminho.
  Assim que entrei em casa e acendi a luz, pude finalmente ver o rosto do rapaz: era ele, o cara da lanchonete, o cara do balcão mais cedo.
  â Pode sentar aqui. - falei tirando o travesseiro da beira da cama
  â VocĂȘ mora aqui? - perguntou ele
  â Eu vou pegar uma toalha e uma gaze para tentar parar o sangramento. - falei e sorri gentilmente
  â EntĂŁo... Parece que nos encontramos bastante hoje.
  Voltei com a toalha e tudo o que eu tinha para fazer um curativo descente nele. Limpei o sangue em seu rosto e tentei parar o sangramento em seu supercilio.
  â VocĂȘ fez um corte feio aqui, vai precisar de pontos, vou fazer um curativo e vocĂȘ vai ter que ir a um hospital...
  â VocĂȘ tambĂ©m precisa ir ao hospital, sua testa ainda esta sangrando.
  â Foi sĂł um corte, estĂĄ tudo bem comigo.
  Terminei de fazer o curativo e limpei o resto de seu rosto. Ele tinha traços Ășnicos e era muito bonito. Sua camisa branca agora tinha sangue por toda parte, ele cheirava a whisky mas nĂŁo parecia bĂȘbado.
  â VocĂȘ nĂŁo gosta muito de falar nĂ©?!
  â Tudo o que eu tenho para falar Ă© muito obrigada, sĂ©rio, eu nĂŁo sabia o que seria de mim hoje se nĂŁo fosse por vocĂȘ. NĂŁo faz mais isso, eles poderiam estar armados...
  â Mas eles nĂŁo estavam e eu jamais deixaria isso acontecer com qualquer um! VocĂȘ nĂŁo precisa me agradecer, faria isso de novo.
  â Obrigada mesmo assim. - sorri e ele sorriu de volta - VocĂȘ aceita um pouco d'ĂĄgua?
  â NĂŁo, na verdade eu preciso ir. Obrigado pelo curativo, prometo ir ao hospital e se cuida.
  â Obrigada vocĂȘ, mais um vez... Obrigada.
  Ele abriu a porta e deu um passo, porem parou.
  â Meu nome Ă© Luan, espero nos encontrarmos por ai...
  â Meu nome Ă© Fernanda. - sorri
  â Boa noite Fernanda, se cuida.
  Ele abriu um sorriso e saiu porta afora.
CapĂtulo 2
âVocĂȘ nĂŁo me conhece, e todo dia quero ouvir sua voz...â(Carta de FĂŁ â Fly) Eu acordei com a lembrança do dia anterior na cabeça. Me veio a tona o Sr. Perfeição. Depois me lembrei da menina do exorcista. E entĂŁo a lembrança da promessa da Carol me atingiu com força. E depois me lembrei da noite anterior.Para melhorar bem o meu emocional, eu ainda havia tido uma apresentação de ginĂĄstica rĂtmica. Eu havia ganho uma blusa que , embora rosa, era muito fofa.Eu estava chegando no corredor para a aula, e a Carol, simplesmente parou na porta da 101, e ELE, que usava uma blusa azul de mangas compridas, estava parado bem no marco da porta, e olhou para ela. E eu sĂł fingindo que estava lendo minha blusa de ginĂĄstica, parei em um lugar onde ele nĂŁo podia me ver, mas eu podia escutar a conversa direitinho.Eu iria matar a Carol assim que ela saĂsse dali. Ela abriu a boca, e começou a falar com o Sr. Perfeição.- Oi menino, qual o teu nome?Qual era o problema dela? Ela achava que era assim, chegar e perguntar o nome da pessoa que ela respondia?- Pedro, por que a pergunta?Ele havia mesmo falado o nome para uma completa estranha? Ele era doido? Mas... o Sr. Perfeição havia dito o nome... Pedro... quando eu pensei que a Carol havia acabado, e a gente ia poder finalmente ir para a aula, ela abre a boca novamente e faz uma pergunta pior ainda...- E o resto?Dava pra ver por a cara da Carol que ela estava ficando impaciente por estar ficando nervosa.Eu achava que ele nĂŁo iria responder essa, afinal ela poderia ser uma louca que estava perseguindo ele. Mas mais uma vez eu estava enganada...- Pedro JoĂŁo..., Mas porque vocĂȘ quer saber?Foi aĂ que eu me toquei de como a voz dele era linda... Era bem grossa, mas aveludada tambĂ©m.Eu pensava que a voz dele seria feia, jĂĄ que o garoto atĂ© agora nĂŁo tinha defeitos. Mas eu sempre me engano...- A nada nĂŁo, Ă© que uma amiga da minha irmĂŁ queria saber.Graças a Deus ela nĂŁo falou que era eu!- TĂĄ, mas...Antes que ele pudesse concluir a frase, a Carol simplesmente falou:- Tchau!E veio para o meu lado, me pegou pelo braço e saiu me puxando para sala! Ela nĂŁo percebeu, que enquanto eles falavam apenas isso, eu quase morri ali mesmo?!?- Carol, vocĂȘ enlouqueceu?!?- Calma Alice, seu prĂncipe se chama Pedro JoĂŁo nĂŁo sei das quantas, porque ele fala muito rĂĄpido.Ela falava aquilo com a maior cara de pau do mundo! Mas da minha boca saiu um pensamento.- A voz dele Ă© tĂŁo linda... Esse garoto nĂŁo tem defeitos???- Eu sei lĂĄ! Eu sĂł tenho certeza que o Thiago nĂŁo tem defeitos...O Thiago, era o menino mais famosinho da escola, era loirinho, usava sĂł roupas de marca, estava sempre de Ăłculos escuros, baixinho para o terceiro ano do ensino mĂ©dio, e a Carol gostava dele.Alias eu preciso falar quem Ă© a Carol. O nome dela Ă© Carol Melo. Ela tem catorze anos, Ă© loira com um tom bem escuro, tem olho castanho esverdeado, faz ginĂĄstica artĂstica, por isso Ă© bem baixinha, e principalmente magrinha. Ela Ă© minha melhor amiga mesmo, a BFF1, e eu considero ela minha irmĂŁ. NĂłs nos conhecemos no sĂ©timo ano, e desde entĂŁo todos no colĂ©gio nos conhecem como dupla dinĂąmica. Ela era meio nerd, assim como eu.- Ah, nem vem com teu Thiago famosinho, Carol!-TĂĄ, ta, eu vou lĂĄ falar com as meninas...Cinco minutos depois todas as meninas da minha sala sabia que a Carol tinha tido coragem de perguntar o nome do menino que eu gostava! E eu nem gosto dele! NĂŁo ainda...Aquelas trĂȘs primeiras aulas simplesmente se arrastaram e por mais que eu procurasse  ver ele no recreio, eu nĂŁo achava. Eu nĂŁo voltei a ver o Pedro na escola aquele dia.Quando cheguei em casa, fui correndo para procurar o nome dele no Facebook, com a impressĂŁo que nĂŁo ia achar...Liguei o computador, coloquei meu leite para o cappuccino a esquentar e brinquei um pouco com meu cachorro. Quando o computador finalmente ligou, e a internet se conectou, eu abri o Facebook para pesquisar.Em minha mente sĂł passava uma coisa: Eu preciso achar ele.    Eu estava realmente determinada.Eu cliquei naquela barrinha âprocura-se pessoas, coisas e locaisâ , e digitei: Pedro JoĂŁo.Apareceu uma lista de Pedroâs na tela do computador.Eu estava quase desistindo, pois tinha aberto todos e nada. Cheguei a grunir de frustração. Mas depois de ver  Pedro Costa e Pedro Henrique eu acabei clicando em um Pedro JoĂŁo... E uma coisa mĂĄgica aconteceu: era ele!Havia uma foto dele com uma camiseta vermelha e casaco preto, com a boca fechada e o braço na frente do corpo, com sua mĂŁo segurando o celular para tirar a foto. Ele estava lindo. Sua capa era alguma coisa em alemĂŁo, que parecia ser uma banda... e eu acabei stalkeando o garoto, que afinal de contas se chamava Pedro JoĂŁo Almeida Rios. Mas nĂŁo me julgue, eu havia achado aquele deus no Facebook!Eu fui naquela pastinha âSobreâ para ler o que tinha lĂĄData de nascimento: 08/07/1998Interesse: MulheresStatus de relacionamento: SolteiroCom aquilo eu sai pulando pela casa, e jĂĄ que estava sozinha em casa dei um grito de felicidade. Foi aĂ que eu notei os dois amigos em comum. A Isadora e a...Livia?Mas por que a Livia Ă© amiga dele?...Do nada eu senti um cheiro muito, muito ruim. O que... Meu leite!Como eu havia esquecido o leite assim?!?!Eu saĂ correndo que nem uma doida pela casa, e quando  cheguei na cozinha, me deparei com uma leiteira toda preta de queimado. Eu joguei a leiteira na pia e liguei a ĂĄgua, isso enquanto desligava o fogo e abri bem as duas portas para sair aquele cheiro todo.Eu tive que ficar lĂĄ 30 minutos, para tirar aquele leite queimado da leiteira. E agora eu tinha todas as fotos de Pedro JoĂŁo Almeida Rios no celular.
Elliot's POV.
Eu ainda estava impressionado com o quanto os dois se isolavam do mundo exterior. Era como se eles tivessem seu prĂłprio mundo e nĂŁo ligassem para o resto, era fascinante, e me lembro da primeira vez que ouvi a voz de Agnes, a irmĂŁ, lembro de sua voz ecoar na minha cabeça pelo resto do dia, como uma daquelas mĂșsicas que vocĂȘ escuta no radio, mas sente vergonha de ter decorado toda a letra. VocĂȘ sabe muito bem do que eu estou falando.
- Maddox, me devolva isto agora! - Ela esticava seus braços tentando alcançar o pequeno diårio que havia nas mãos do garoto, porém sem sucesso.
- O que eu ganho com isso?
- Dane-se, eu cretino! - Ela bufou e foi embora, deixando o garoto rindo sozinho ali em pé, em frente da casa dos dois.
Me chamo Elliot Campano, tenho 29 anos e nenhum rumo na vida. Que belo protagonista, nĂŁo Ă© mesmo? JĂĄ faz meses e meses que tento fazer que meu livro seja publicado e nada. Talvez eu esteja destinado ao fracasso mesmo. Talvez eu deva voltar para a fĂĄbrica do meu pai. Mas essa nĂŁo Ă© a questĂŁo... VocĂȘs devem estar querendo que eu conte toda a minha histĂłria com os dois irmĂŁos, nĂŁo Ă© mesmo? NĂŁo Ă© uma histĂłria feliz, bom... nĂŁo totalmente. Ainda sim vocĂȘs querem que eu a conte? EstĂĄ bem.
Me aproximei primeiro do irmão. Lembro de uma vez que estava saindo de casa e fui abordado por ele, me perguntando de lugares bons para ir de noite. Confesso que fiquei surpreso, afinal, quem pediria conselhos para um velho como eu? Mas o respondi de qualquer forma, indicando alguns lugares que eu ia quando estava para baixo. E ele me fez prometer que o levaria nesses lugares no próximo final de semana, mas não botei fé. Eu achei que no dia seguinte ele jå esqueceria, mas isso não aconteceu. Ele me cobrou e pediu para que eu o levasse para o clube.
Apesar do nome sugestivo, "Hell" Ă© um dos melhores clubes aqui da regiĂŁo e de inferno nĂŁo tem nada. E como havia sido combinado, Ă s oito horas da noite eu estava em frente Ă casa dele, tocando a campainha e esperando que ele jĂĄ estivesse pronto. E foi nesse dia que eu conheci a irmĂŁ. Ou melhor, conversei com ela.
- Por que vocĂȘ tem de ir? Fique em casa! - Ela esperneava enquanto segurava o irmĂŁo pela manga do casaco.
- Hm... Cara, vocĂȘ pode aguentar alguns minutinhos atĂ© eu resolver isto? NĂŁo demoro.
E eu fiquei ali, do lado de fora, com a porta aberta. Maddox arrastou a irmã, cujo nome eu ainda não havia descoberto até as escadas e disse algo em um tom raivoso, isso era claro pela sua expressão facial.
- Pronto, jå podemos ir. - E ele então me arrastou pelo braço, ainda bravo com a irmã, que gritava seu nome do lado de dentro da casa.
Sair com alguém mais novo do que eu jå era uma cena estranha, e o fato da irmã ser uma completa lunåtica (ou ao menos aparentar) só me deixava mais receoso em sair com aquele moleque.
De qualquer forma, acabei saindo. Fomos para o Hell, e por uma noite esqueci de todos os meus problemas. Mas mal sabia eu que a partir daquele dia, estava ganhando novos. Deixei o moleque em casa, a irmã estava dormindo no sofå, provavelmente esperando ele voltar. Cheguei até a ser convidado a dormir na casa dos dois, mas achei melhor não, vai que ela me acordasse com uma faca em meu pescoço?
- EntĂŁo a gente se fala depois? Peguei teu celular, qualquer coisa, eu te ligo, entĂŁo?
- Ă, pode ser. - Eu disse da forma mais sem graça o possĂvel. SerĂĄ que esse guri nĂŁo percebia o quĂŁo estranho isso soava?
- A gente se fala depois entĂŁo... Boa noite! - E entĂŁo ele fechou a porta, e eu acendi um cigarro, jĂĄ voltando para casa.
Ă, festejando com adolescentes.
VocĂȘ jĂĄ teve dias melhores, Elliot Campano.

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02.
Os irmãos Rickman caminhavam pelas ruas tentando chegar o quanto antes ao prédio do seu novo colégio. Matthew mantinha os fios loiros em total desordem para cima da cabeça, enquanto Radiohead tocava alto em seu fone de ouvido e Stella tentava acompanhar os passos do irmão mais novo enquanto dobravam a esquina que levaria até a entrada da CHS. A proximidade fez com que uma figura familiar surgisse encostada em um dos muros perto do colégio.
 Theodore havia saĂdo mais cedo de sua casa na tentativa de nĂŁo encontrar com o pai e com a irmĂŁ mais nova que havia perturbado toda sua tarde livre com inĂșmeras ligaçÔes e mensagens graças Ă chegada de seu genitor. Enquanto o moreno aproveitava seu cigarro de cravo um pouco longe do colĂ©gio, mantinha a mochila perto de sua perna enquanto que com a mĂŁo esquerda tentava dar um jeito na gravata ao redor do seu pescoço quando notou duas pessoas se aproximando de onde ele estava, e uma delas era extremamente familiar.
Capitulo Dois
Algumas Pequenas DiscussÔes
A manhã seguinte começou com o mesmo ritmo, só um vento daqueles tinha chegado para bagunçar os cabelos de Bea que estava no ponto esperando o Înibus para a mesma rotina. Ainda bem que ela estava de jeans, aliås, ela quase nunca usava vestidos ou sais. O Înibus parou e ela logo foi ao encontro de Lily que estava sentada no mesmo assento de sempre.
â Acorda dorminhoca.
â Nossa, nem vi o ĂŽnibus parar.
â VocĂȘ e seus cochilos no ĂŽnibus.
Lily deu de ombros e voltou para a posição de antes.
 Assim que chegaram na escola encontraram as lideres de torcidas entregando planfetos para todos, atĂ© para os âdesconhecidosâ. Abby veio desfilando em direção a elas e disse:
â Aqui estĂĄ, compareçam e vote em mim como rainha do baile.
Como Lily tinha ignorado o papel estendido na mĂŁo de Abby, Bea o pegou e tentou soar legal com ânĂłs iremos votar em vocĂȘâ.
 â Fala sĂ©rio? JĂĄ tinha se esquecido dessa baboseira de baile. Vote em mim, blĂĄ, blĂĄ. â Lily imitou Abby.
â Alunos do Lost Hill High School, estamos esperando ansiosos por vocĂȘs no baile anual da escola. Essa a chance para convidar aquela paquera/namoro ou alguĂ©m que estĂĄ a fim, ouse e conquiste uma parceria para um baile perfeito. E nĂŁo se esqueçam para votar em rainha Abby Hale e para Rei Evan Philips. Arrume sua mascara e um parceiro e seja feliz. âBea leu em voz alta, para que Lily escutasse.
â Ei eu estava lendo. â Bea reclamou.
â Fala sĂ©rio isso Ă© histĂłria para cinderela, ela nem liga para nĂłs se entregou isso para a gente votar nela como rainha e o Evan como rei, como se ninguĂ©m soubesse que eles sempre ganham.
 â E se eu quisesse ir? â Bea perguntou sĂ©ria.
â NĂŁo estĂĄ falando a sĂ©rio nĂ©?
â Estou sim, nunca vou a lugar algum. Os adolescentes da nossa idade sempre vĂŁo a festa se divertem e tudo o mais.
â NĂŁo somos como os outros Bea.
â E se eu quisesse ser pelo menos em uma noite? E se eu quisesse parar de me importar com as coisas certas e infringir as regras? E se eu quisesse dançar uma noite sĂł atĂ© cansar? E se eu quisesse desligar dos problemas do mundo e for feliz? Acha que seria errado? NĂłs nunca fomos a lugar algum a nĂŁo ser o cafĂ© da sua mĂŁe, ninguĂ©m chama a gente para festas, ninguĂ©m se importa. Essa talvez seja uma chance de nĂłs livrarmos dessa rotina.
â VocĂȘ nĂŁo sabe o que estĂĄ falando Bea.
â Na verdade eu sei sim. Eu cansei de ser a garota que nunca faz nada.
â VocĂȘ nĂŁo Ă© feliz assim?
â Eu sou sim, mas um dia as regras cansam. E ouvir suas liçÔes revoltadas tambĂ©m, aliĂĄs, vocĂȘ jĂĄ me perguntou o que eu acho sobre alguma coisa? VocĂȘ nunca pergunta sĂł sua opiniĂŁo que serve, nunca liga ou se importa com as minhas.
Bea saiu a passos largos e deixou Lily sozinha no pĂĄtio, ela nĂŁo tinha entendido nada que tinha acontecido ali. Talvez fosse melhor deixar ela sozinha um pouco, a conversa todo tinha deixado ela zonza e com fome.
 Bea tinha exagerado ela sabia, mas nĂŁo ia pedir desculpas a final ela nĂŁo estava totalmente errada. Foi para a parte do gramado o sinal jĂĄ tinha batido, mas ela nĂŁo estava a fim de escutar a professora de histĂłria contar sobre sua vida pessoal âaquilo era um sacoâ. Sentou debaixo de uma ĂĄrvore mais distante e começou a ler um livro de romance policial.
Ian conseguiu chegar mais atrasado que o normal desceu da moto e caminhou lentamente pelo påtio. Não queria chamar atenção de ninguém muito menos da diretora, se ele conseguisse chegar até o gramado estava a salvo. Ouviu batidas de um salto logo atrås dele, resolveu apressar os passos jå estava ficando sem tempo, quase que foi pego se não tivesse escondido entre as paredes jå era, seria mais uma semana de suspensão. Esperou até que o barulho dos saltos acabasse e correu até o gramado, a årvore que ele acostumava ficar quando matava aula era a ultima. Correu tanto que mal esperou e caiu em cima da grama.
â Ah. â AlguĂ©m tinha gritado.
Ele levantou assustado e deu de cara com uma garota, na verdade a garota que estava o encarando no cafĂ©. Ele a conhecia, Beatrice Mayer colegas de sala de quĂmica e histĂłria, mas nunca tinha falado com ela.
â Desculpa, nĂŁo a vi aqui. â Falou sem jeito.
â VocĂȘ precisa ter mais cuidado moço. â Ela falou voltando para um livro que lia.
â Ă que ninguĂ©m costuma ficar aqui, aliĂĄs, vocĂȘ estĂĄ matando aula?
â Estou. Porque algum problema? Vai me denunciar?
â Ei, calma ai. NĂŁo hĂĄ problema algum sĂł que nunca imaginei vocĂȘ matando aula. E nĂŁo vou denunciar vocĂȘ jĂĄ que estou no mesmo barco. â Ele falou se sentando do lado de Bea.
â Tudo bem, Ă© minha primeira vez como matadora de aula. â Bea suspirou fechando o livro e voltando para ele.
â Sou Beatrice Mayer. â Ela estendeu a mĂŁo.
â Eu sei quem vocĂȘ Ă©, temos algumas aulas juntos. â Disse, apertando a mĂŁo dela com calma. â Caso nĂŁo saiba quem sou, Ian Davis.
â Eu sei quem vocĂȘ Ă©, temos algumas aulas juntos. â Ela o imitou, fazendo o sorrir. Um riso de tirar o fĂŽlego.
â Bem, o que te trĂĄs aqui? â Ele perguntou casualmente.
â Fala sĂ©rio, nĂŁo suportaria uma aula de histĂłria hoje.
â Nesse caso eu tenho que concordar com vocĂȘ as aulas da Srta. Nedy me dĂŁo sono.
â E o que vocĂȘ faz aqui?
 â Cheguei atrasado.
â Hum, dormiu demais?
â Ă, desde pequeno dou trabalho para acordar de manhĂŁ. Ă mais forte que eu. âEle sorriu de novo.
Bea o olhou, ele tinha olhos verdes profundos, cabelos claros bagunçados e um sorriso lindo. Nunca o tinha reparado, mas agora o vendo de perto ele era bem bonito.
â VocĂȘ vai ao baile? â Bea perguntou desviando o olhar para longe.
â Isso foi um convite? â Ian perguntou erguendo uma das sobrancelhas e a encarou.
â O que? NĂŁo claro que nĂŁo, foi sĂł uma pergunta. â Bea disse assustada.
â Estava brincando. NĂŁo gosto de bailes Ă© muito âmimiâ para mim.
â Parece atĂ© a Lily falando. â Bea murmurou.
â O que disse?
â Nunca fui a bailes. â Ela desconversou.
â NĂŁo perdeu nada, Ă© uma chatice sĂł. Tirando as garotas e as bebida Ă© claro.
â Tem bebidas?
â Sim, a maioria trĂĄs escondido.
â VocĂȘ vai?
â NĂŁo. â Bea sacudiu a cabeça.
â NĂŁo gosta de festas? Ou nĂŁo vai porque os pais nĂŁo deixam?
â NĂŁo gosto. â Bea respondeu seca e se levantou. â Bem, tenho que ir, jĂĄ vai vencer o horĂĄrio e eu preciso voltar para a minha vida de estudante. A gente se ver por ai moço.
Quando ela estava a uma boa distĂąncia ele gritou:
â Tem mania de chamar todo mundo de moço?
Ela sorriu, mas nĂŁo virou para trĂĄs, nĂŁo eram nem prĂłximos nem nada. Foi sĂł um esbarrĂŁo ali, fora que ele tinha os mesmos pensamentos de Lily, ela tinha achado uma alma gĂȘmea para Lily. Fala sĂ©rio o cara sĂł falava de como tudo era chato.
CapĂtulo dois - Garoto SimpĂĄtico
Voltamos para o quarto em silĂȘncio, e Jazper nĂŁo parecia nada feliz com o fato de ter que dividir o quarto comigo. Pois bem, eu nĂŁo dou a mĂnima. Tenho que limpar minha fixa com meus pais e ser expulsa de outra escola por deixar o parceiro de quarto paraplĂ©gico nĂŁo vai me ajudar, com certeza.
Me sentei na cama e peguei meu celular, que estava vibrando. Era uma mensagem de Mia. Ela pedia para que eu entrasse no Skype imediatamente, que se ela não conseguisse falar comigo nos próximos quinze minutos iria arrancar o meu coração; eu a conhecia bem o bastante para saber que se não fizesse isso, ela não hesitaria em fazer o que ameaçava.
Peguei meu notebook rezando que aquela escola gigante tivesse pelo menos uma rede de wireless, o que, graças ao meu querido Deus, tinha. Em poucos minutos eu havia tirado meus coturnos e estava meio deitada, meio sentada na cama, esperando o Skype conectar. E entĂŁo, de repente, eu pude ver os cabelos castanho escuros de Mia pela a imagem trĂȘmula da webcam.
â O QUE VOCĂ FEZ? â Sua voz doce dizia pausadamente, de forma rouca, os cabelos meio bagunçados e sua expressĂŁo era completamente desvairada. Ela acha que eu matei alguĂ©m ou algo do gĂȘnero?
â O que vocĂȘ acha que eu fiz? â Perguntei com a sobrancelha esquerda arqueada, com medo de fazer a pergunta de outra forma e ela enlouquecer de vez. Imagina se eu digo para ela âQuem vocĂȘ acha que eu matei, dessa vez?â?
â Seu pai me disse que tinha mandado vocĂȘ pra uma escola em uma cidade perto de Jersey City, e que nĂŁo era tĂŁo ruim porque era sĂł atravessar o rio para estar em New York, mas nĂŁo me disse por que vocĂȘ foi expulsa da escola e porque ele tirou vocĂȘ de Newark. Eu presumi que vocĂȘ fez algo muito, muito, muito ruim. ENTĂO O QUE CARALHOS VOCĂS FEZ? â Ela falou palavrĂŁo. Meu Deus, ainda bem que a gente tĂĄ bem longe uma da outra. Acho que se ela estivesse do meu lado, Mia jĂĄ teria me esganado.
â Eu soquei a cara daquela garota que era a vice-lĂder das lĂderes de torcida, e que depois que vocĂȘ saiu virou a lĂder, atĂ© quebrar o nariz dela. Fui expulsa por isso. Foi num meio de um surto e meu pai achou que seria melhor se eu ficasse longe, perto de novas pessoas, ârespirando novos aresâ, como ele disse. Foi isso, se acalme porque eu nĂŁo matei ninguĂ©m. Ainda â, finalizei olhando por cima do computador, para meu novo parceiro de quarto que estava deitado de bruços em sua cama, fingindo que nĂŁo ouvia o que eu falava. Mas eu sei que ele ouvia.
â VocĂȘ bateu na Paisley? A PAISLEY? â Mia dizia e eu via que suas mĂŁos se balançavam no ar, mostrando toda sua agitação. â E te expulsaram por isso? Sinceramente, deviam ter te dado um prĂȘmio! Quando eu for te visitar, em um mĂȘs, eu mesma levarei alguma coisa para te presentear por ter feito o que aquela escola inteira queria fazer hĂĄ anos.
â Traga-me chocolates. E o nome dela Ă© Paisley? Eu achei que fosse Tiffany â dei de ombros de forma teatral, mas eu realmente achava que o nome dela era outro.
â Vou ver se arranjo chocolate norueguĂȘs com o meu primo para vocĂȘ. â Ela sorriu, e sua perfeição me ofuscou mais um pouco. Começamos a conversar sobre coisas triviais.
Deixem-me explicar uma coisa: Mia Ă© perfeita. SĂ©rio mesmo. Ela Ă© baixinha â eu tambĂ©m nĂŁo sou tĂŁo alta, mas isso nĂŁo vem ao caso â, tem olhos verdes escuros, que Ă s vezes parecem castanhos, cabelos naturalmente ondulados e na cor castanho escuro, como eu jĂĄ mencionei antes. Diferentemente de mim, os traços dela sĂŁo americanos, e os meus ingleses. Quando nĂłs tĂnhamos cinco anos entramos na escola de balĂ© e na aula de ginĂĄstica. E na escola que estudĂĄvamos em Newark ela era a capitĂŁ das lĂderes de torcida, e me obrigava a treinar as novas coreografias com ela, em casa, antes de mostrar tudo ao time.
â EntĂŁo, como Ă© a sua nova escola? AliĂĄs, qual o nome dessa escola?
â Knot High School. Ă enorme, e eu sĂł sei onde fica o meu quarto e a secretaria. E ah, imagine que coisa inovadora, eu tenho um colega de quarto! â Comentei de forma falsamente animada, batendo atĂ© palminhas. HĂĄ-hĂĄ-hĂĄ. Sinta minha alegria.
â SĂ©rio? VocĂȘ, com um colega de quarto? Dou uma semana no mĂĄximo pro seu pai ir te buscar aĂ.
â Hey! â Na verdade, eu dava trĂȘs dias, apenas, mas nĂŁo vou dizer pra Mia que a Ășnica pessoa que eu suporto dividir um espaço pequeno alĂ©m dos meus pais Ă© ela. Ela iria ficar ainda mais convencida, entĂŁo, nĂŁo!
â Qual Ă©, Gabe! VocĂȘ tem que admitir que Ă© mimada e que nĂŁo vai aguentar dividir um quarto! â Ela disse enquanto balançava a cabeça negativamente, o que me fez rir.
â Eu sou mimada mesmo, nĂŁo tenho porque esconder isso. Mas talvez eu aguente dividir o quarto, uĂ©. Vou focar nos estudos e na leitura, e talvez nĂŁo mate ninguĂ©m. â Esse era o plano. SĂ©rio. E eu sou mimada. Eu tenho tudo o que eu quero, na hora que eu quero. Quer dizer, quase. SĂł as coisas que passam pela aprovação dos meus pais, ok? EntĂŁo, Ă©, sou uma adolescente moderadamente mimada, que tem surtos psicolĂłgicos, mas nĂŁo Ă© depressiva e nem tem problemas com os pais. Que clichĂȘ menos clichĂȘ, nĂ©?
 â Ou ninguĂ©m te mate. â Ela completou, rindo. Vadia. Que eu amo.
Eu ia dizer Ă ela que, se ela falasse com Patrick, era pra ele devolver logo a minha guitarra quando trĂȘs elefantes invadiram o quarto. Bem, nĂŁo os animais mesmo, mas trĂȘs pessoas que eram piores e mais barulhentos que eles.
â VocĂȘ tĂĄ num desfile de mamutes, por um acaso, Gabs? â Mia me perguntou franzindo o cenho, com um olhar estranho.
â NĂŁo, mas pelo que percebo estou em um zoolĂłgico. Na verdade, minto, no zoo os animais tem mais educação. â Respondi alto e da forma mais irĂŽnica que pude, fazendo com que os trĂȘs lindos e enormes garotos se virassem na minha direção.
â Quem Ă© vocĂȘ? â o loiro de olhos azuis me perguntou, uma expressĂŁo confusa estampada no rosto.
â O que vocĂȘ estĂĄ fazendo aqui? â O de cabelos e olhos castanhos praticamente sorria para mim, aquele sorriso de flerte, sabe?
â Sou Gabe McNiven. Nova parceira de quarto do Jasper â respondi ao mesmo tempo em que o morto-vivo deitado na cama se sentava, me corrigindo.
â Ă Jazzzzzzper.
â Jaz, porque eu nĂŁo tenho a sua sorte? â O garoto de cabelos castanhos claros e olhos verdes se pronunciou pela primeira vez. â Primeiro vocĂȘ nĂŁo tem parceiro de quarto, e depois tem uma garota gostosa!
â O que vocĂȘ disse? â Jazper e eu perguntamos ao mesmo tempo.
â O que eu disse demais? â O garoto dos olhos verdes, lindo, maravilhoso, formoso, gostoso e etc., indagou.
â VocĂȘ acha ela gostosa, Dave, sĂ©rio? â Jazper perguntou e eu lancei meu pior olhar pra ele.
â Olha Dave, nĂŁo responda a essa pergunta se vocĂȘ nĂŁo quiser entrar na minha lista negra junto do seu amiguinho ali. â Apontei Jazper com a cabeça, voltando meus olhos para Mia e revirando-os, a fazendo rir.
â NĂŁo quero entrar pra sua lista negra depois de ouvir o que vocĂȘ fez com a garota na outra escola â Dave resmungou com um sorriso de canto.
â O que estĂŁo dizendo que eu fiz com ela?
â O que estĂŁo dizendo que ela fez com a Paisley? â Mia e eu perguntamos ao mesmo tempo, entĂŁo eu baixei meu olhar para o notebook.
â Com licença, mas vocĂȘ estĂĄ hĂĄ quilĂŽmetros de distancia. O que isso te interessa? â Perguntei para ela com o cenho franzido e as pontas dos meus dedos indicadores unidas para ele ver que eu estava sendo irĂŽnica.
â Shiu, Gabe. Responde aĂ, Dave â ela disse com um sorriso de escĂĄrnio nos lĂĄbios, fazendo-me revirar os olhos novamente.
â EstĂŁo dizendo muitas coisas, uma delas Ă© que vocĂȘ deixou essa tal de Paisley em coma.
â O QUE? Mas eu sĂł quebrei o nariz dela! â Eu resmunguei/gritei indignada, sei lĂĄ porque me importando com o que os outros estavam pensando sobre mim. Nunca fiz isso, porque agora?
â Ah, cara, vamos embora, vai â Jazper disse abrindo a porta do quarto para os amigos dele saĂrem. Dave passou por mim e sorriu, e ele era tĂŁo fofo que eu acabei retribuindo.
â Sou Markus, Ă propĂłsito â o garoto de olhos e cabelos castanhos disse, acenando antes de sair.
â E eu sou Peter â o loirinho, que tinha cara de ser o mais novo, terminou a comitiva, deixando sĂł o meu querido parceiro de quarto para revirar os olhos para mim e bater a porta.
â Nossa, acho que alguĂ©m estĂĄ de TPM hoje â Mia cantarolou assim que pode, fazendo-me rir.
â TambĂ©m acho, esse garoto nem me conhece e jĂĄ tem um problema comigo!
â VocĂȘ tambĂ©m nĂŁo conhece ele, e pelo que sei de vocĂȘ jĂĄ deve ter pensando em mata-lo ao menos quinze vezes. â Ela disse com suavidade, fechando os olhos lentamente logo depois. â Gabe, tenho que ir ajudar a minha mĂŁe. Hoje de noite eu te ligo, ok? E vĂȘ se me atende rĂĄpido! â Ela ralhou antes de desligar a chamada de vĂdeo.
Respirei fundo, fechando o notebook e colocando-o em cima da mesa de estudos que tinha ao lado da minha cama. Deitei-me lentamente e tentei raciocinar um pouco.
Eu estava sozinha. Bem, agora, literalmente, mas mesmo conversando com Mia e com aqueles quatro garotos dentro do quarto eu estava me sentindo sozinha. E eu odiava isso. Sabe quando vocĂȘ pode estar cercada de gente, mas ainda sim nĂŁo faz diferença, porque dentro de vocĂȘ hĂĄ algo como um buraco negro, sugando toda sua vontade de viver, de sonhar... Ă terrĂvel, nĂŁo Ă©? VocĂȘ começa a pensar se faria alguma diferença no mundo, se as pessoas sentiriam a sua falta e o porquĂȘ de estar viva, sendo que parece que ninguĂ©m liga ou gosta de vocĂȘ. Ă uma sensação aterrorizante.
Ă exatamente a mesma sensação que se tem quando vocĂȘ percebe que, de repente, jĂĄ se passou um ano, e vocĂȘ nĂŁo conseguiu fazer nada do que queria, e por mais que vocĂȘ seja jovem, a cada minuto que passa e vocĂȘ nĂŁo faz nada, vocĂȘ estĂĄ tambĂ©m mais prĂłxima da sua morte.
São pensamentos nada agradåveis, esses meus. Mas fazer o que? Se eu não quisesse me sentir sozinha, teria que me enturmar, e isso não é algo que eu sei fazer. Normalmente as pessoas se mantem longe de mim porque eu sou uma McNiven. Sou rica e mimada, e ninguém quer realmente me conhecer, só quer bajular meu pai para conseguir uma parceria ou promoção de cargo. Eu não ligo para isso, sou antissocial o bastante para ser feliz com o isolamento. Mas pelo menos lå em Newark eu conhecia quem me isolava, né? Aqui nem isso.
As pessoas vĂŁo falar, vĂŁo me olhar, e com a minha paciĂȘncia gigante eu vou acabar socando a cara de alguĂ©m.
E meu pai pensando que isso ia me ajudar. Errou feio, hein, meu velho.
Em casa pelo menos eu tinha o Spunk, meu cachorro. Eu tinha o canil no qual eu era voluntĂĄria, onde eu costumava passar todas as tardes, eu tinha as raras visitas de Patrick e o violĂŁo do meu pai, quando nĂŁo queria tocar guitarra.
Aqui... Bem, eu tenho meus livros, comida e Jazper. Esse Ășltimo provavelmente vai morrer em breve. Mas talvez eu possa me divertir com ele, nĂŁo sei. Posso começar a provocĂĄ-lo, pequenas armaçÔes, da mesma forma que Mia e eu fazĂamos com Patrick como Ă©ramos mais jovens.
Ă. Talvez isso torne minha sobrevivĂȘncia nesse lugar mais feliz. Jogar com as outras pessoas, fazĂȘ-las pensar. Isso exige exercĂcio cerebral, o que eu amo. E vai me render muitas risadas... Ah, to atĂ© imaginando.
Senti um sorriso se formar em meus lĂĄbios, mas mantive meus olhos fechados, pensando em quantas armadilhas seriam possĂveis de serem montadas nesse quarto, onde eu provavelmente vou passar muito tempo sozinha, dado o fato de que Jazper tem uma vida social e eu nĂŁo.
â NĂŁo abra os olhos â ouvi uma voz sussurrar perto do meu ouvido e uni as sobrancelhas, obedecendo. â VocĂȘ Ă© linda quando sorri â isso sĂł me fez unir as sobrancelhas ainda mais. â Sou eu, Dave. Espero que concorde com uma coisa.
â O que? â perguntei para ele sem abrir os olhos, com medo dele ter se drogado ou algo assim. Eu hein, garoto simpĂĄtico.
â Em sair comigo hoje de noite.